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12 Por isso alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo.

13 E, quando o dragão viu que fora lançado na terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho homem.

14 E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente.

15 E a serpente lançou da sua boca, atrás da mulher, água como um rio, para que pela corrente a fizesse arrebatar.

16 E a terra ajudou a mulher; e a terra abriu a sua boca, e tragou o rio que o dragão lançara da sua boca.

17 E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo.

 

PARTE 2

 

*** O que o dragão fez? ***: Agora, vamos analisar com bastante atenção os versos nesse trecho. Nos últimos três estudos, vimos como a morte de Cristo, Sua ressurreição e ascensão ao trono de Deus significou que Satanás passou a ser um inimigo derrotado. O dragão percebeu que já não mais podia atacar Jesus diretamente, então ele voltou sua atenção para o povo de Deus. Mais uma vez, a palavra 'dragão' é usada como um símbolo para Satanás (Apocalipse 12:9), e a expressão 'mulher que dera à luz o filho homem' é usada como um símbolo para a Igreja cristã (veja os estudos #78 e #80 para mais detalhes). Satanás começou a perseguir a mulher (Apocalipse 12:13).

*** O que a mulher fez? ***: Há dois versos que falam sobre o que a mulher fez após o parto. Esses versos são muito importantes. Eles nos ajudam a entender a proteção de Deus, e nossa liberdade de aceitar ou não a Sua ajuda. Vamos analisar esses versos:

Apocalipse 12:6: “E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.

Apocalipse 12:14: “E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente.

Após o parto, a mulher fugiu para o deserto. O que não podemos perder de vista aqui, é que o 'deserto' não era um lugar aleatório, para onde ela fugiu. Apocalipse 12:6 diz que a mulher foi para um “lugar preparado por Deus”. Assim como Ele havia guiado o antigo Israel ao deserto e providenciado alimento para o povo, Ele também guiou a mulher durante de seu momento de dificuldades. Ele providenciou de tudo para o Seu povo. Veja como Deuteronômio 8:12,14-16 descreve quão milagroso foi o cuidado de Deus para com Israel: “Não aconteça que, [...] o seu coração fique orgulhoso e vocês se esqueçam do Senhor, do seu Deus, que os tirou do Egito, da terra da escravidão. Ele os conduziu pelo imenso e pavoroso deserto, por aquela terra seca e sem água, de serpentes e escorpiões venenosos. Ele tirou água da rocha para vocês, e o sustentou no deserto com maná, que os seus antepassados não conheciam, para humilhá-los e prová-los, a fim de que tudo fosse bem com vocês.” (NVI). Preste atenção nos elementos perigosos contra as quais Deus protegeu Israel: serpentes, escorpiões e falta de água. Todos esses elementos estão presentes em Apocalipse, como vimos em nossos estudos anteriores. E também veja, na última parte do texto, o porquê dessa atitude de Deus: “para humilhá-los e prová-los, a fim de que tudo fosse bem com vocês”. Muitas vezes na Bíblia, Deus dirige Seu povo amado para o deserto, para que eles possam estabelecer e fortalecer a sua ligação com o Pai Celestial. Aqui estão alguns exemplos de como Deus guiou diversas pessoas pelo deserto: Davi (1 Samuel 23:14), Elias (1 Reis 17:3-4), João Batista (Isaías 40:3-5; Mateus 3:1-3), e Jesus (Lucas 4:1,2; Mateus 4:11).

*** Asas de grande águia ***: A forma como a Igreja foi protegida durante sua jornada para o deserto não é nada menos que um milagre. Apocalipse 12:14 nos diz que a mulher recebeu asas de grande águia que lhe permitiram voar para o lugar que Deus havia preparado para ela. Ter asas como águias em um momento em que a força humana não seria suficiente para continuar a jornada, nos faz lembrar dos versos em Isaías 40:29-31: “Dá força ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os moços certamente cairão; Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão.” Como diz o versículo, o segredo é ‘esperar no Senhor’. Assim como Deus levou Israel para fora do Egito em Suas asas (Êxodo 19:4; Deuteronômio 32:11-12), Ele também preparou uma maneira de proteger a Igreja e de guiá-la com segurança em Suas asas.

*** Sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo ***: Esse período profético de tempo continua a aparecer em Apocalipse. Já discutimos isso muitas vezes. Veja os estudos #16, #20, #68, #71, #72 e #80). Esse é o momento em que as duas testemunhas estiveram profetizando vestidas de saco e em que os gentios pisaram sobre a cidade santa (Apocalipse 11:2,3, veja também Daniel 7:25). Esse período abrange 1260 anos literais durante a Idade Média, durante os quais os cristãos sofreram muito, e praticamente não tinham acesso às Escrituras. Ainda assim, Deus manteve viva Sua mensagem, e ainda tinha seguidores fiéis durante todos esses anos. O estar no “deserto” tem mais a ver com o cuidado de Deus do que com o próprio deserto. O foco deve estar sobre a nutrição divina, e não sobre os perigos ao redor.

*** A arma da serpente ***: Como vimos na parte 1 desse estudo, a arma da serpente é água. O símbolo para Satanás neste versículo é 'serpente', que faz lembrar da forma que ele tomou quando ele enganou Eva no jardim do Éden (Gênesis 3:1-4). A água está saindo de sua boca. Assim como a verdade de Jesus sai da Sua boca como uma espada de dois gumes para libertar as pessoas do pecado (Apocalipse 1:16; Apocalipse 2:12; Hebreus 4:12), as mentiras de Satanás fluem para fora de sua boca para enganar as pessoas e prendê-las à morte. Jesus está oferecendo Sua água eterna, então nunca deveríamos ter sede espiritual. A água que emana de Jesus, ou seja, a Sua Verdade, não muda e dura para sempre. A mensagem de Deus é como um rio que flui na vida do Cristão, e que o leva à Vida Eterna (João 4:14; João 7:37-39; Apocalipse 21:6-7). Já o rio que flui da boca da serpente leva à morte eterna. Satanás quer inundar a igreja com ensinamentos venenosos. Podemos ver quão claro o verso em Apocalipse 12:15 é a respeito do que Satanás quer fazer com a Igreja. Ele deseja que ela seja levada pela corrente. Ele quer afogá-la com suas mentiras. E também quer prejudicar e enganar as pessoas.

*** O que a terra fez? ***: Vimos no nosso último estudo que, quando Satanás foi expulso do Céu, ele passou a perseguir as pessoas da terra e do mar. Nós estudamos em detalhes que os habitantes da terra e do mar representam aqueles que rejeitaram a mensagem de Deus. Essas pessoas já haviam sido enganadas pelo inimigo. A participação súbita da terra nessa secção pode levantar uma questão muito importante em nossas mentes. Se Deus já estava protegendo a mulher, será que ela realmente precisava de ajuda externa? Deus estava protegendo a mulher. A terra, porém, ofereceu ajuda e, em seguida, a mulher se viu confrontada com 2 opções: aceitar uma ajuda visível e rápida da terra ou a aceitar formas não convencionais de proteção de Deus. A mulher aceitou a ajuda da Terra, e então, a terra absorveu toda a agua envenenada da serpente, aparentemente salvando a Igreja dessa maneira. A Igreja começou a sofrer de envenenamento de segunda-mão. Ao escolher deixar a proteção de Deus, uma boa parte da Igreja começou a receber seu alimento da terra, a qual havia sido envenenada pela água que saiu da boca da serpente. Os ensinamentos falsos haviam sido incorporados à Igreja de uma forma muito discreta e gradual. A maior parte da Igreja havia sido comprometida. Tanto é que Apocalipse 12:17 diz que Satanás parou de perseguir exclusivamente a mulher e passou a perseguir “o remanescente da sua semente”, ou seja, aqueles que permaneceram fiéis a Deus. As imagens dos que se rebelaram contra Deus, sendo engolidos pela terra são vistas na Bíblia quando Corá, Datã e Abirã se rebelaram contra Moisés (Números 16:32; Números 26:10; Deuteronômio 11:6; Salmo 116:17). Essa visualização também é vista quando a terra engoliu os egípcios que estavam perseguindo os Israelitas ao fugirem para o deserto (Êxodo 15:12). Nesses exemplos, as pessoas rebeldes foram engolidas. Em Apocalipse, embora a terra estivesse abrindo sua boca para engolir, ela estava, na realidade, absorvendo mentiras, e não pessoas. Em ambos os cenários, onde a terra estava engolindo pessoas más ou ensinamentos maus, Deus ainda está no controle da situação. Ele permitiu que a terra engolisse a enxurrada, já que as pessoas envolvidas em cada uma dessas histórias haviam escolhido se afastar do plano original de Deus. Deus ainda estava trabalhando para salvar a Sua Igreja.

*** O que o remanescente fiel fez? ***: Quando lemos Apocalipse 12:17 muito rapidamente, corremos o risco de perder algo muito importante. O dragão estava irado contra a mulher, e ainda assim, ele parou de persegui-la e foi atrás dos seus remanescentes. Vemos aqui uma divisão no símbolo 'mulher'. Uma divisão que separa a parte da Igreja que havia aceitado a nutrição contaminada da terra, da parte da Igreja que havia permanecido fiel. A expressão “fazer guerra ao remanescente da sua semente” neste versículo é, em algumas versões, traduzido como 'saiu para guerrear contra o restante da sua descendência". A palavra remanescente vem do loipos palavra grega, que significa “o resto, os restantes”. Mas podemos nos perguntar: o que que o remanescente fez de tão diferente da mulher que levou o dragão a deixar a mulher de lado e ir atrás deles? A resposta vem no final de Apocalipse 12:17: “os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo.” Esta é a chave para compreendermos que tipo de veneno a serpente colocou na água. Ela queria enganar as pessoas para que quebrassem os mandamentos de Deus e abandonassem os ensinamentos de Jesus. Ao quebrarem os mandamentos de Deus (Êxodo 20), as pessoas quebram o espelho que lhes diz que precisam de um Salvador. Os mandamentos não podem salvar ninguém, mas podem lhes mostrar que precisam de um Salvador. Se as pessoas não reconhecem sua necessidade de Jesus, elas irão rejeitar a morte de Cristo na cruz como o pagamento por nossa transgressão. Sua morte não vai significar nada para elas. Desta forma, o ataque direto de Satanás nas pessoas passa a ser um ataque indireto contra o plano de Deus. O testemunho de Jesus aponta para o próprio Salvador. Esse testemunho é de Jesus, ou seja, ele é enviado a nós por Jesus e fala a respeito do próprio Jesus.

*** Visão Geral ***: Quando Satanás viu que havia sido vencido no final da guerra no Céu (Apocalipse 12:7,13), ele começou a atacar diretamente as pessoas. Seu ataque não foi apenas contra o povo de Deus, mas também contra todas as pessoas que haviam rejeitado a Sua Verdade. A arma é a mesma: os falsos ensinos que fluem da sua boca para enganar as pessoas e impedi-las de reconhecer sua necessidade de ter um Salvador que é Jesus Cristo. Deus sempre tem um plano para proteger Seus fiéis seguidores. Às vezes, esse plano pode parecer estranho, pode até levar os crentes para o deserto e a situações aparentemente perigosas. Mas Deus sempre fornece os cuidados de que necessitam. Cabe a nós confiar nEle, e aceitar Sua ajuda. A serpente está tentando impedir o povo de Deus de guardar os Seus mandamentos e quer manter a todos longe dos ensinamentos de Jesus. Mas é através da fé em Jesus que somos salvos por Sua graça. Não podemos nos afastar da verdade bíblica e trocá-la por tradições humanas simplesmente porque parecem ser mais convenientes. Os falsos ensinamentos que vêm da serpente parecem ser muito bons, e podem até trazer um sentimento superficial de conforto e segurança. Mas não devemos deixar que seu dilúvio de mentiras nos engane. O objetivo dessas mentiras é a nossa destruição. Devemos permanecer firmes na verdadeira fonte da Vida Eterna, onde brota a Água que permanece para sempre: Jesus.

5 E deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono.

6 E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.

 

PARTE 3

 

*** Contexto geral ***: A mulher estava em trabalho de parto. Ela estava prestes a dar à luz e o dragão estava diante dela, esperando a criança nascer. O dragão queria destruir a criança. (Apocalipse 12:1-4). Como vimos nos dois estudos anteriores, a mulher grávida é a igreja de Israel. Seria dessa nação que o Messias nasceria. O dragão é Satanás, esperando o Messias nascer. Ele queria executar seu ataque o mais rápido possível.

*** A criança nasceu ***: Como havia sido profetizado, um menino realmente nasceu. Existem muitas profecias bíblicas sobre o nascimento de Cristo, como as que vemos em Miquéias 5:2-4; e Isaías 7:14. "Porque brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor. E deleitar-se-á no temor do Senhor; e não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos. Mas julgará com justiça aos pobres, e repreenderá com eqüidade aos mansos da terra; e ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará ao ímpio" (Isaías 11:1-4). Isaías 9:6 diz: "Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz." Jesus é o menino mencionado em Apocalipse 12:5. Cristo é o cumprimento da primeira profecia sobre o Messias escrita em Gênesis 3:15 (veja o estudo #78).

*** Ele iria governar as nações com vara de ferro ***: Para entender essa passagem, precisamos ver alguns outros versos da Bíblia. Existem três elementos importantes nesse trecho de Apocalipse 12:5: "o filho homem", "as nações", e a “vara de ferro". Vamos ler o Salmo 2:7-12:

"Proclamarei o decreto: o Senhor me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. Pede-me, e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua possessão. Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro. Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra. Servi ao Senhor com temor, e alegrai-vos com tremor. Beijai o Filho, para que se não ire, e pereçais no caminho, quando em breve se acender a sua ira; bem-aventurados todos aqueles que nele confiam."

O filho: Todos os versículos que estamos estudando apontam para Jesus como sendo o filho. A Bíblia não deixa dúvidas sobre a interpretação desse primeiro elemento.

As nações: No texto do Salmo 2:7-12, vemos os mesmos três elementos de Apocalipse 12:5: o filho, as nações, e a vara de ferro. Nesse Salmo, aprendemos que o Filho irá quebrar as nações, a menos que se arrependam e decidam servir ao Senhor (Salmo 2:11). Agora podemos entender que 'as nações' são aquelas pessoas que ainda não servem a Deus.

A vara de ferro: A vara é o instrumento com o qual Cristo iria esmagar as nações, para que pudessem ver claramente a decisão que teriam de tomar: confiar ou não nEle. (Salmo 2:12). Apocalipse 19:15 nos diz o que é essa vara de ferro que ele usa sobre as nações. "E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso." A vara de ferro é a espada afiada que sai da boca de Jesus. Você se lembra de como João descreveu o Cristo glorificado em Apocalipse 1:16? E de como Jesus se apresentou à igreja de Pérgamo em Apocalipse 2:12? Jesus tem uma espada afiada que sai de Sua boca. Ele usa essa espada para ferir as nações e trazê-las ao arrependimento. Essa espada é a Palavra de Deus, agora contida na Bíblia. Hebreus 4:12 diz: "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." (Veja os estudos #9, #17 e #18).

*** A criança foi arrebatada para Deus ***: À primeira vista, parece que a criança nasceu e foi imediatamente arrebatada para Deus como um bebê. Mas quando olhamos mais atentamente para Apocalipse 12:5, podemos ver a progressão dos acontecimentos. O Messias nasceu na nação judaica. Ele, então, passou a pregar Sua Verdade durante Seu ministério, chamando as pessoas ao arrependimento. Finalmente, ele morreu e ressuscitou. Ele voltou para o Céu e foi arrebatado para o Pai e Seu trono. Em Apocalipse 4 e 5 (estudos #28-36), vemos a chegada de Cristo no Céu, como o Cordeiro que havia sido morto. Ele foi achado digno de se assentar no trono, ao lado direito do Pai. A expressão "arrebatado para Deus" nos faz lembrar de outra expressão que vemos em Daniel 9:26, onde o "Messias [seria] cortado, mas não para si mesmo". Este versículo em Daniel está falando sobre o tempo em que Cristo iria morrer, selando o destino do pecado para sempre.

*** O que aconteceu com a mulher depois que ela deu à luz ***: Apocalipse 12:6 diz: "E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias." Está claro que após o parto, a mulher fugiu do dragão. Mas o que isso significa? Como já mencionamos muitas vezes antes, em analogias da Bíblia, 'mulher' é sempre um símbolo da Igreja. A mulher grávida era uma referência à igreja de Israel. Cristo nasceu da linhagem de Davi, da tribo de Judá (Mateus 1:1-2). A mulher após ter dado à luz, ainda continuou sendo um símbolo da igreja de Deus. Mas tenha em mente que ela passou a ser um símbolo da igreja de um período de tempo diferente daquele de quando estava grávida. Vimos que o filho já tinha sido levado para o Céu quando a mulher fugiu do dragão. Nesse ponto, a igreja de Deus já não era formada unicamente por israelitas. Qualquer pessoa que aceita a Jesus torna-se parte da família de Deus. "Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa." (Gálatas 3:26-29). Apocalipse 12:6 não se refere à igreja original de Israel. Depois da morte de Cristo, quem O aceita como Salvador pode ser incluído. A mulher após o parto é um símbolo da igreja em todo o mundo. Essa Igreja é formada por aqueles que permanecem fiéis à mensagem da vara de ferro de Jesus.

Ela fugiu para o deserto: O dragão passou a perseguir a mulher tão intensamente que ela precisou fugir para o deserto. A igreja cristã teve que fugir do mesmo modo como os antigos israelitas tiveram que fugir do Egito para o deserto (Êxodo 13:17; Êxodo 16:21). E assim como Deus havia preparado uma terra para os israelitas, Ele também tinha preparado um lugar para a mulher. Esse período de dificuldades duraria por 1.260 dias (Apocalipse 12:6). Mais uma vez, vemos esse período de tempo profético. Vimos este período em Apocalipse 11:2-3, quando o povo fiel de Deus (representado pelas duas testemunhas profetizando vestidas de saco) sofreu grande opressão nas mãos daqueles que não seguiam a Verdade de Deus (veja os estudos #16, #20, #68, #71 e #72). Apocalipse 12:14 deixa claro que esse período de 1.260 dias proféticos (ou 3,5 anos proféticos, o que equivale a 1.260 anos literais) é idêntico à expressão "tempo, tempos e metade de um tempo": "E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente". Daniel 7:25 também fala sobre isso, quando ele menciona um poder que "destruirá os santos do Altíssimo" por "um tempo, tempos e metade de um tempo". (Veja também Daniel 12:7).

Todas essas referências aos 1.260 anos parecem apontar para o mesmo período de tempo. O foco dessa passagem de Apocalipse não está sobre a duração exata do tempo que a Igreja iria sofrer, mas está no fato de que Deus iria proteger seu povo fiel da morte espiritual. Este período corresponde à Idade Média, uma época em que os cristãos sofreram terrivelmente. Nós sabemos que este período iria acabar antes da Segunda Vinda de Jesus. Isso porque após essa perseguição inicial, o dragão passaria a perseguir o restante da descendência da mulher (Apocalipse 12:17).

*** Visão Geral ***: A ênfase de Apocalipse 12:5 parece estar no fato de que o Messias completou Sua missão. O dragão não teve nenhum poder ou capacidade para devorar a criança em nenhum ponto da vida de Cristo na Terra. O dragão estava pronto para atacar, e ainda assim, o Filho veio e Se foi de forma perfeita. Após a morte e ressurreição de Jesus, a identidade da Igreja fiel foi alterada. Não era mais uma questão de estar geneticamente ligada a Abraão. A conexão era agora feita através do sangue de Cristo. Qualquer pessoa que O aceita verdadeiramente passa a fazer parte da Igreja. Após o parto, a mulher se tornou um símbolo da Igreja cristã. Os cristãos sofreram terríveis perseguições durante a Idade Média, um período que durou cerca de 1.200 anos. Esse tempo de sofrimento é um paralelo aos 3,5 anos que Cristo sofreu durante Seu ministério na Terra. Deus, em Seu infinito amor e misericórdia, cuidou de Seu povo durante esse tempo difícil, dando sustento e nutrição espiritual. Assim como Jesus, o povo pode ter sofrido e enfrentado a morte. O próprio Jesus nos advertiu sobre a perseguição que iríamos sofrer por seguir Sua Palavra: "Tratarão assim vocês por causa do meu nome, pois não conhecem aquele que me enviou. Se eu não tivesse vindo e lhes falado, não seriam culpados de pecado. Agora, contudo, eles não têm desculpa para o seu pecado. Aquele que me odeia, também odeia o meu Pai. Se eu não tivesse realizado no meio deles obras que ninguém mais fez, eles não seriam culpados de pecado. Mas agora eles as viram e odiaram a mim e a meu Pai. Mas isto aconteceu para se cumprir o que está escrito na Lei deles: ‘Odiaram-me sem razão’. Quando vier o Conselheiro, que eu enviarei a vocês da parte do Pai, o Espírito da verdade que provém do Pai, ele testemunhará a meu respeito. E vocês também testemunharão, pois estão comigo desde o princípio." (João 15:21-27, NVI). Devemos continuar a testemunhar e viver de acordo com as instruções de Deus. Devemos confiar que Deus continuará a nos nutrir aqui na Terra, enquanto Ele está preparando um lugar para nós no céu. Jesus disse: "Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo." (João 16:33, NVI).

7  E, quando acabarem o seu testemunho, a besta que sobe do abismo lhes fará guerra, e os vencerá, e os matará.

8  E jazerão os seus corpos mortos na praça da grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o nosso Senhor também foi crucificado.

 

PARTE 3

 

*** Quando acabarem o seu testemunho ***: Apocalipse 11:7 começa falando de um prazo que determina quando o próximo evento irá acontecer. Esse tempo é referente ao mesmo em que as duas testemunhas acabam o seu testemunho. Para descobrirmos quando isto ocorrerá, precisamos retornar a Apocalipse 11:3, onde aprendemos que as duas testemunhas profetizam vestidas de saco por 1.260 dias. Os eventos descritos no versículo 7 e 8 não acontecerão até que esse tempo tenha acabado. Como vimos no estudo #71, o período de 1.260 dias proféticos (ou 42 meses / 3,5 anos proféticos) é igual a o tempo literal de 1.260 anos durante a Idade Média (veja também o estudo #16, #20 e #68 para uma explicação detalhada). Sabemos disso porque o livro de Daniel também menciona este mesmo período de tempo, que iria ocorrer durante o Império Romano (Daniel 7:25).

*** A besta que emerge do abismo ***: No final desse período de 1.260 anos, a besta que emerge do abismo iria surgir e guerrear contra as duas testemunhas (Apocalipse 11:7 ). Essa mesma besta é também mencionada como a besta que emerge do mar (Apocalipse 13:1-10). A expressão em grego traduzida como o abismo, ou o poço do abismo é abussos, que significa "o abismo, profundidade insondável", e também morada dos espíritos malignos. É do abismo que a força inimiga sai, simbolizada pelo exército de gafanhotos (Apocalipse 9:1-2, Apocalipse 13:7; Daniel 7:21; veja também o estudo #57). Com base em todas essas passagens, podemos entender que a guerra sendo travada contra o povo de Deus e Sua mensagem ocorreu após o período de testemunho enquanto vestidos de saco. O ataque é liderado por poderes satânicos, uma vez que a besta que ataca as duas testemunhas sai do abismo. Mas quem ou o que é esta besta? Ele definitivamente não é um animal grotesco vindo para atacar a igreja. O ataque é real, mas devemos entender o símbolo, a fim de compreendermos quem é o atacante.

O elemento 'besta' também foi utilizado no livro de Daniel como um símbolo de um poder político e religioso que pudesse dominar o povo de Deus durante um determinado período de tempo (Daniel 7:17, 21). Esta besta não é Satanás, porque Apocalipse menciona Satanás como sendo o dragão (Apocalipse 12:9). A besta que sai do mar recebe poder diretamente do dragão (Apocalipse 13:2). O foco do verso não necessariamente está na identificação precisa dessa besta. Basicamente, a informação dada nos textos informa ao leitor que essa besta é um agente demoníaco responsável pela morte das duas testemunhas. Vamos estudar a identidade da besta nos próximos capítulos de Apocalipse.

*** Corpo morto na rua ***: A besta que sai do abismo acaba matando as duas testemunhas. Seria de se esperar que as duas testemunhas tivessem cada uma seu próprio corpo caído onde elas tinham sido mortas. Não é isso o que lemos em Apocalipse 11:8. Como Stefanovic menciona em seu livro*, a expressão em grego está escrita no coletivo singular "to ptōma autōn", que significa "o corpo morto deles". Apocalipse 11:9, o texto original em grego também inclui esta referência no singular, e só depois o texto volta para a forma plural 'corpos' (ptōmata). Vimos essa unidade das duas testemunhas em Apocalipse 11:5, onde vemos a expressão apresentada no singular: "a boca deles" (tou stomatos autōn). As duas testemunhas são uma unidade. O mensageiro e a mensagem, unidos para a divulgação da verdade de Deus ao mundo - a Igreja fiel e a Escritura, trabalhando em conjunto. Como elas viviam como uma unidade testemunhando, eles também morreram como um só, na mão desse poder político representado pela besta que vem do abismo. O "corpo deles" estava deitado no meio da cidade, em desgraça. Nos tempos antigos, deixar os mortos sem sepultamento era uma grande tragédia e humilhação (1 Reis 13:22-31; Salmo 79:3,4; Jeremias 8:1-2; Jeremias 14:16). Deixando as testemunhas sem um enterro apropriado seria como tirar sua dignidade.

*** A grande cidade onde Cristo foi crucificado ***: De acordo com Apocalipse 11:8, as duas testemunhas morreram na mesma grande cidade em que Cristo foi morto. O texto, no entanto, é simbólico, e menciona duas grandes cidades, e nenhuma delas está diretamente apontando para Jerusalém. Em contraste às duas testemunhas que têm um só corpo, temos aqui uma cidade que tem dois nomes. Como diz o texto, a referência é espiritual. As duas cidades mencionadas, Sodoma e Egito, devem ser entendidas em um contexto espiritual: "a grande cidade, que espiritualmente se chama Sodoma e Egito" (Apocalipse 11:8). Assim como Jesus, as duas testemunhas foram rejeitadas e perseguidas antes de morrer.

Sodoma: esta grande cidade é conhecida pela maldade e comportamentos imorais de seus cidadãos (Gênesis 18:20,21; Gênesis 19:4-11).

Egito: esta grande cidade, em relação ao povo de Deus, é conhecida por sua arrogância quanto ao reconhecimento da soberania de Deus, como vemos nas palavras do faraó: "Quem é o Senhor, cuja voz eu ouvirei, para deixar ir Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir Israel." (Êxodo 5:2).

De certa forma, ambas as cidades oprimiram o povo de Deus que ali viveram. E Deus teve que intervir em ambas as ocasiões. A grande cidade, onde as duas testemunhas morreram demonstra arrogância imoral e autossuficiência, onde os valores centralizados em Deus não são acolhidos. Imoralidade espiritual refere-se ao envolvimento com falsos ensinamentos que levam à completa negação da divindade de Deus. Isso é exatamente o que aconteceu em Jerusalém, quando os líderes judeus ignoraram todas as profecias que apontavam para Jesus. Eles se recusaram a apoiar a mensagem de Jesus, o que os levou a negar a divindade de Cristo. Eles rejeitaram completamente o Seu sacrifício.

*** Aplicação Profética ***: A grande evidência que aponta para o tempo na história em que a morte das duas testemunhas aconteceu é encontrada no período profético fornecidos nos textos de Apocalipse 11:3,4,7 e Daniel 7:25. As testemunhas foram autorizadas a pregar por 1.260 anos, e então elas seriam mortas. Esse período, como mencionamos anteriormente, ocorreu durante o tempo da Idade Média. Com base nesses versos, vemos que um evento aconteceria, onde Deus seria negado publicamente, em um ato de imoralidade espiritual. Isto significa que crenças ateístas seriam amplamente promovidas. Muitas vezes na Bíblia, Deus se refere à Sua relação com Seu povo como ao de um casal de noivos. A relação deve ser tão sólida e fiel como a de um marido e mulher. Quando os israelitas se envolveram em rituais pagãos e quebraram seu pacto com Deus, Deus comparou esse ato com adultério ou prostituição (Ezequiel 16:15-59; Oséias 1:2). É nesse sentido que a imoralidade espiritual, simbolizada pela cidade de Sodoma, combinado com as filosofias ateísticas e arrogantes, simbolizadas pelo Egito, precisam ser compreendidas. Após a Idade Média, houve um período na história em que o mundo presenciou um movimento com essas características, ocorrido justamente durante a Revolução Francesa. A razão estava sendo valorizada acima de tudo, e a Bíblia e o cristianismo estavam sendo abertamente rejeitados e desprezados. A cena em que as duas testemunhas são mortas nas praças da rejeição de Cristo certamente se aplicam ao que aconteceu durante a Revolução Francesa. Essa interpretação não pára por aí e vai além disso. Esse cenário vai estar presente em diferentes intensidades até a Segunda Vinda de Jesus. Certamente essa situação se tornará cada vez mais intensa à medida que nos aproximamos dos acontecimentos finais desse mundo.

*** Visão Geral ***: Depois que o tempo permitido para a sua pregação se esgotou, as duas testemunhas, foram perseguidas e mortas. A mensagem de Deus foi desprezada e rejeitada. O culto à razão tomou o lugar de Deus. É importante entender o ataque às duas testemunhas não como um ataque a uma denominação em particular na época da Revolução Francesa. Foi um ataque à verdade de Deus, representada por Seus verdadeiros seguidores e pela Bíblia. A ênfase na "grande cidade, que espiritualmente se chama Sodoma e Egito" (Apocalipse 11:8) nos diz que temos de nos concentrar no aspecto espiritual de qualquer evento histórico que a profecia esteja apontando. A elevação da razão como um substituto de Deus chegou a um estado de imoralidade espiritual. Ela foi promovida em nome da paz e da iluminação do pensamento humano. Deus e Sua mensagem estavam sendo rejeitados, da mesma forma como Jesus foi rejeitado antes da cruz.

 

 

*Comentário Bíblico de Stefanovic: Revelation of Jesus Christ.

2  E deixa o átrio que está fora do templo, e não o meças; porque foi dado às nações, e pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses.

 

PARTE 2

 

*** O Átrio Externo ***: Nas medidas anotadas por Ezequiel, vemos a menção a um pátio interior e um exterior (Ezequiel 40:17,19,27,44; Ezequiel 42:1,3,7-9). No tempo de João, o templo havia passado por algumas renovações desde a reconstrução descrita por Ezequiel, mas também continha esses dois átrios. O átrio interior era dividido em três áreas: o Átrio das mulheres, o átrio dos israelitas e o átrio dos sacerdotes. O átrio exterior era o átrio dos gentios. Os gentios não eram israelitas e só podiam entrar até a parte do átrio exterior. Havia alí uma barreira demarcando os limites daquela área. Qualquer gentio que ultrapassasse esses limites iria sofrer a pena de morte. Apocalipse 11:2 diz que o átrio exterior tinha sido dado aos gentios, ou às nações como algumas versões dizem. O versículo diz que este átrio fica do lado de "fora do templo". Este é um contraste ao lugar onde o povo de Deus está: os adoradores estão dentro do templo (Apocalipse 11:1).

*** Não meça ***: Em Apocalipse 11:1, João foi chamado para medir o templo de Deus, o altar e os adoradores. No versículo 2, ele recebe a ordem para não medir o átrio exterior porque este tinha sido dado aos gentios. Quando Ezequiel presenciou a medição do templo em sua visão, Deus disse: "Assim diz o Senhor DEUS: Nenhum estrangeiro, incircunciso de coração ou incircunciso de carne, entrará no meu santuário, dentre os estrangeiros que se acharem no meio dos filhos de Israel." (Ezequiel 44:9). Note que Deus qualificou o estrangeiro: "incircunciso de coração ou incircunciso de carne". Esses são os não-crentes. Trazendo este conceito para o versículo de Apocalipse 11:2, podemos entender que as nações ou gentios ali mencionados, são os que não acreditam verdadeiramente na mensagem de Deus. Estão em oposição ao povo de Deus. Eles não têm uma verdadeira conexão com Deus. Como vimos no estudo #70, a medição tem a ver com a ligação que Deus fez e ofereceu a seus seguidores. As "nações" não estão procurando ter uma ligação com Deus, e por isso não podem fazer parte da medição. Apocalipse 21:15-17 também nos dá as medidas de um outro edifício. A Nova Jerusalém foi medida com uma vara de ouro (Apocalipse 21:15). A Nova Jerusalém é onde Deus irá morar na Nova Terra. Neste sentido, a Nova Jerusalém é um símbolo para o templo de Deus na Nova Terra (Apocalipse 21:2-3). Quem poderá entrar são os "que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro" (Apocalipse 21:27). "Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas." (Apocalipse 22:14). Do lado de fora dos limites da cidade estão aqueles que decidiram fazer exatamente o oposto. A Bíblia diz: "Mas, ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira." (Apocalipse 22:15).

*** Pisarão por quarenta e dois meses ***: No Antigo Testamento, a expressão "pisotear" ou "pisar" era usada para se referir à opressão que povo de Deus sofreria sob o domínio do inimigo: "Só por um pouco de tempo o teu santo povo a possuiu; nossos adversários pisaram o teu santuário." (Isaías 63:18. Veja também Jeremias 12:10). Também vemos essa expressão no livro de Daniel (Daniel 7:7,19,23), e nas palavras de Jesus (Lucas 21:24). Vemos também a oposição ao povo de Deus em Apocalipse 13:1-10. Existe uma ligação muito forte entre as passagens em Daniel e Apocalipse a respeito do pisar sobre o povo de Deus. Todos esses versos mencionam que essa opressão duraria quarenta e dois meses. Como já dissemos muitas vezes em estudos anteriores, em profecia, o tempo deve ser entendido de forma diferente, onde 1 dia profético = 1 ano literal (Ezequiel 4:6,7; Números 14:34; Levítico 25:8; veja também os estudos #16, #20 e #68 para obter uma explicação mais detalhada). Vamos comparar algumas das passagens envolvendo o pisoteamento do povo de Deus pelos gentios.

 

 
Daniel * 7 e 12
Lucas 21
Apocalipse 11
Apocalipse 12
Apocalipse 13
O pisoteamento Um poder que "consumirá os santos do Altíssimo" (Daniel 7:25) "e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem." (Lucas 21:24) "e pisarão a cidade santa" (Apocalipse 11:2) O dragão "perseguiu a mulher" (Apocalipse 12:13)
" E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação." (Apocalipse 13:7)
 
"E abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu." (Apocalipse 13:6)
Duração
"os santos lhe serão entregues na mão por um tempo, e tempos, e metade de um tempo." (Daniel 7:25).
 
"isso seria para um tempo, dois tempos, e metade de um tempo. E quando tiverem acabado de despedaçar o poder do povo santo, cumprir-se-ão todas estas coisas." (Daniel 12:7)
"até que os tempos dos gentios se completem" (Lucas 21:24) "quarenta e dois meses" (Apocalipse 11:2) "para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente." (Apocalipse 12:14)
"e deu-se-lhe poder para agir por quarenta e dois meses."
(Apocalipse 13:5)
Quem está pisoteando "um quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços" (Daniel 7:23) "os gentios" (Lucas 21:24) "os gentios" (Apocalipse 11:2) Fugindo "da vista da serpente"(Apocalipse 12:14)
A besta que emerge do mar (Apocalipse 13:1-10)
 
"E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação." (Apocalipse 13:7)

 

*** Aplicação Profética ***: Em Lucas 21:24, Jesus estava se referindo à destruição permanente de Jerusalém no ano 70 AD, e também ao que iria acontecer durante o fim dos tempos. Ele traçou um paralelo entre os dois eventos. Quando comparamos todos estes versículos de Daniel, Lucas e Apocalipse, podemos ver que o povo de Deus são aqueles a quem Deus considera como sendo cidadãos do Céu. Aqueles a quem Ele fez "reis e sacerdotes" (Apocalipse 1:6; Apocalipse 5:10). O Seu povo é a Sua Igreja, simbolizada pela mulher que estava sendo perseguida pela serpente, a qual também é conhecida como Satanás (Apocalipse 12:7, veja também Apocalipse 12:9). Apocalipse 13:6 lança uma luz sobre a natureza do pisoteamento: "E [a besta que emerge do mar] abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu". Como veremos mais adiante em Apocalipse, a besta que emerge do mar é um poder político-religioso que engana todo o mundo e prega uma mensagem contrária à verdade de Deus. Esta entidade é capaz de fazer isso porque tem poder "sobre todas as tribos e línguas e nações" (Apocalipse 13:7). Em outras palavras, este poder controla o "gentios", e está sob a direção de Satanás. A Bíblia diz que Satanás engana o mundo inteiro (Apocalipse 12:9). Comparando esta besta que emerge do mar com a passagem em Daniel 7:23, podemos ver que esse poder está relacionado com o quarto reino, que seria "diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços". Quando estudamos Daniel 2 (estudo #3), vimos que o quarto reino foi o Império Romano, que foi representado pelas pernas de ferro. O Império Romano nunca foi realmente derrotado, como vemos nos livros de história. O Império Romano foi de uma certa forma, diluído ou dividido. E é exatamente isso que vemos retratado em Daniel 2: os pés e dedos de ferro misturado com barro (Daniel 2:41-43). O poder político-religioso pisoteando o povo de Deus é um poder liderado por Satanás e que tem raízes no Império Romano.

Este período profético de quarenta e dois meses é um período literal de mais de 1200 anos conhecido como a Idade Média, quando os cristãos sofreram terrivelmente. A Bíblia não era um livro permitido ao povo durante esses anos. O tempo profético de 42 meses ou 1260 anos literais aponta para a Idade Média, mas é uma referência para outros períodos de 42 meses mencionados na Bíblia. Dessa forma, podemos ver em contexto, o comportamento dos gentios e o comportamento do povo de Deus durante este período:

Elias: anunciou que um período de seca que duraria 42 meses (3,5 anos) cairia sobre a nação se Israel. A seca aconteceria devido à apostasia da liderança do povo de Deus (rei Acabe). Acabe levou o povo à idolatria e para longe dos ensinamentos de Deus. Poucos continuaram a ser fiéis. Assim como a mulher de Apocalipse 12, eles tiveram que fugir para o deserto ou se esconder em cavernas.

Jesus: Seu ministério durou cerca de 3,5 anos. Ele enfrentou muito sofrimento e perseguição pela liderança dos judeus, por causa da pregação da verdade. Ele foi fiel até a morte - que é a forma como Ele venceu e pode se assentar no trono do Pai (Apocalipse 3:21). Mas os líderes da nação judaica foram contra os ensinamentos de Jesus e não O receberam como o Messias (João 1:11; Mateus 26:57-68).

*** Visão Geral ***: Tanto no tempo de Elias, quanto durante o ministério de Jesus na Terra, a liderança do povo de Deus passou a fazer um trabalho contrário aos ensinamentos de Deus. Isso não quer dizer que a liderança de uma igreja local é inevitavelmente ímpia. As referências apontam para a liderança como um sistema. Quando o sistema que deveria seguir os mandamentos de Deus se afasta das instruções Divinas, automaticamente ele se alinha com inimigo de Deus e começa a fazer o trabalho de Satanás. Os fiéis seguidores dos mandamentos de Deus são a verdadeira igreja. Sua Igreja não é feita de pessoas carregando um título que atesta a legitimidade da igreja. O que conta não é dizer que são a igreja de Deus, mas sim viver realmente a verdade de Deus com sinceridade. A igreja fiel no tempo de Elias, e também no tempo antes da morte de Jesus, não estava representada pela liderança do povo. Qualquer pessoa ou qualquer sistema que não se encontre de acordo com a vara divina de medir, Deus o considera como sendo pagão: aqueles que habitam sobre a terra (Apocalipse 13:8; Apocalipse 17:8). E eles serão encontrados fora do templo de Deus, no átrio exterior. Os cidadãos do reino de Deus devem realmente ser confortados pela medição, porque Jesus só irá levar Consigo os verdadeiros adoradores de Deus. Somente eles irão poder entrar dentro templo de Deus no Céu.

5 E o anjo que vi estar sobre o mar e sobre a terra levantou a sua mão ao céu,

6 E jurou por aquele que vive para todo o sempre, o qual criou o céu e o que nele há, e a terra e o que nela há, e o mar e o que nele há, que não haveria mais demora;

7 Mas nos dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta, se cumprirá o segredo de Deus, como anunciou aos profetas, seus servos.

 

Parte 3 - Apocalipse 10:5-7

 

*** Contexto Geral ***: Lemos a respeito de uma cena muito semelhante em Daniel 12:7: "E ouvi o homem vestido de linho, que estava sobre as águas do rio, o qual levantou ao céu a sua mão direita e a sua mão esquerda, e jurou por aquele que vive eternamente que isso seria para um tempo, tempos e metade do tempo, e quando tiverem acabado de espalhar o poder do povo santo, todas estas coisas serão cumpridas." Vamos comparar o texto em Apocalipse 10:1, 2, 6 e 7 e Daniel 12:7, para podermos ter uma melhor compreensão do que João estava vendo em sua visão.

 

  Apocalipse 10:1, 2, 7 Daniel 12:7
Um mensageiro vestido com uma nuvem (verse 1) em linho
Estava de pé o seu pé direito sobre o mar, e o esquerdo sobre a terra (versos 2 e 5) estava sobre as águas do rio
Com suas mãos levantadas levantou a sua mão ao céu (verso 5) levantou ao céu a sua mão direita e a sua mão esquerda
Jurou por Deus E jurou por aquele que vive para todo o sempre, o qual criou o céu e o que nele há, e a terra e o que nela há, e o mar e o que nele há (verso 6) jurou por aquele que vive eternamente
O juramento tinha a ver com tempo que não haveria mais demora (tempo) (verso 6) que isso seria para um tempo, tempos e metade do tempo
O período nos dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta, se cumprirá o segredo de Deus, como anunciou aos profetas, seus servos. (verso 7) quando tiverem acabado de espalhar o poder do povo santo, todas estas coisas serão cumpridas

 

Os mensageiros nos textos de Apocalipse 10 e Daniel 12:7 estão fazendo um juramento sobre um tempo profético. Em Daniel 12:7, a ênfase está no período de tempo que vai acabar. Já no texto de Apocalipse, está no tempo que iria começar. Será que eles estão falando sobre o mesmo período de tempo? Ou será que um período começa quando o outro termina? E se forem diferentes, qual deles vem primeiro? Claramente, ambas as passagens estão relacionadas. Vamos, então, examinar mais detalhadamente o texto de Apocalipse, a fim de responder a essas perguntas.

*** Mãos levantadas ***: João estava prestando atenção no anjo forte em sua visão. No estudo #66 e #67, vimos a descrição do anjo e a importância da mensagem profética, não-selada, que Deus estava enviando. João viu o anjo levantar a sua mão para o céu (Apocalipse 10:5). O anjo estava prestes a declarar um juramento. O anjo é o veículo transmissor da mensagem, mas o juramento sendo pronunciado vinha do próprio Deus. Esse anjo não tem controle sobre o inicio ou fim dos eventos de Deus. Deus é quem determina quando acabaria o tempo (Apocalipse 10:6).

*** O juramento: já não mais haverá tempo ***: o juramento em si é muito curto. Uma tradução literal do manuscrito grego diz: "já não mais haverá tempo" (Apocalipse 10:6). Em contraste, o juramento em Daniel 12:7 tem a ver com o início de um tempo: "um tempo, tempos e metade do tempo". Em outras palavras, na passagem de Apocalipse, não há mais tempo. Na de Daniel, ainda existe tempo. Aqui podemos ver que estes juramentos ocorrem em diferentes momentos na história da humanidade. A mensagem de Apocalipse está aberta, e não está selada. As palavras da mensagem em Daniel 12 estavam "fechadas e seladas até ao tempo do fim". (Daniel 12:9). Então, podemos nos perguntar: o que Deus quer dizer com "tempo"? Existem duas palavras gregas que são traduzidas como tempo: kairós e chronos. Kairós se refere a um único ponto fixo no tempo, como um momento de um dia ou de uma temporada. Chronos, que é a raiz da palavra cronômetro, se refere a um período de tempo, à duração de um período de tempo, a uma extensão com um início e fim. Em termos matemáticos, seria o mesmo que descrever kairós como um ponto e chronos como uma linha. A palavra usada para 'tempo' em Apocalipse 10 é a palavra chronos. Várias traduções da Bíblia apresentam a frase "não haverá mais 'demora'". A palavra "demora", no entanto, implica que os acontecimentos do tempo do fim foram deslocados para um momento posterior. O tempo de Deus é perfeito e nenhum imprevisto pode levá-Lo a alterar o tempo dos eventos que Ele já tem planejado. Talvez uma melhor compreensão do juramento seria dizer que o período de tempo especificado chegou ao fim. O tempo de datas marcadas, reveladas aos seres humanos, chegou ao fim. Os últimos acontecimentos estão prestes a se desdobrar.

A profecia em Daniel 12:7 também cobre um período de tempo: "um tempo, tempos e metade do tempo". A palavra hebraica traduzida como tempo é moed, que significa "tempo designado, lugar ou encontro". Em hebraico, eles utilizavam essa palavra para se referir a um ano. A expressão 'tempos' significava dois anos. A profecia de Daniel 12:7 quer dizer, então: "um ano, 2 anos, e metade de um ano", que totaliza 3,5 anos. Como vimos nos estudos #16 e #20, muitas vezes, os períodos de tempo incluídos nas profecias não são literais. Em se tratando de profecia, 1 dia profético equivale a 1 ano literal (Ezequiel 4:6,7; Números 14:34; Levítico 25:8). No caso de Daniel 12:7, que inclui 3,5 anos proféticos, o período literal é de 1260 anos. Vamos ver em mais detalhes como chegamos a este número:

- Em primeiro lugar, precisamos saber que o povo judeu contava os anos e os meses de forma diferente de como fazemos hoje. Eles seguiam o ciclo lunar. Os meses tinham trinta dias e um ano tinha 360 dias. Com certa frequência, eles acrescentavam mais um mês para compensar o ciclo. Hoje, fazemos basicamente a mesma coisa no nosso calendário. Adicionamos um dia extra em fevereiro a cada 4 anos e temos alguns meses com 31 dias.

 

Em linguagem profética:

- 1 ANO = 360 dias

- 3 anos = 3 x 360 = 1260 dias

- 1 dia profético = 1 ano literal

- 1260 dias proféticos literais = 1260 anos

 

Este período profético em Daniel é parte de uma profecia ainda maior: a profecia dos 2300 dias (Daniel 8:14). Essa profecia é a mais longa profecia de tempo mencionada na Bíblia. Usando a regra "1 dia = 1 ano", a profecia em Daniel 8:14 equivale a 2300 anos. Este período seria inútil para nós se não soubéssemos quando começou. Mas a Bíblia nos diz exatamente quando iniciou: foi quando saiu o decreto para restaurar Jerusalém (Daniel 9:25), que aconteceu em 457 AC. Quando acrescentamos 2300 anos ao ano 457 AC, chegamos no ano de 1844. Se você for fazer esse cálculo, lembre-se de adicionar 1 ano ao seu resultado para compensar pela falta do ano zero. Não houve ano zero. O calendário do AD começou no ano 1.

A profecia de Daniel 12:7 não termina em 1844, mas está contida dentro da profecia dos 2300 dias. O estudo de hoje não tem como objetivo descrever as profecias do livro de Daniel em grande detalhe, mas apenas situá-las em relação ao juramento declarado em Apocalipse 10:6. As divisões de tempo contidas na profecia dos 2300 dias são bastante precisas e apontam para um ano exato no calendário. Mas a Bíblia não nos dá uma profecia de tempo específica após o final dos 2300 anos. Recebemos profecias de acontecimentos que vão ocorrer após o ano de 1844, tais como os eventos finais e a segunda vinda. Mas não sabemos o ano exato em que essas coisas vão acontecer. Nesse sentido, não haverá mais "tempo" após 1844. Datas exatas já não são mais diretamente reveladas aos seres humanos após esse ano. E assim, após 1844, começou o último período da história da humanidade.

*** O segredo de Deus ***: O pequeno rolo continha apenas uma parte do segredo de Deus. A revelação do conteúdo do livro maior, que estava selado em Apocalipse 5, só irá ocorrer ao som da sétima trombeta (Apocalipse 10:7). A cena em que o pequeno rolo está sendo apresentado a João acontece entre a sexta e a sétima trombeta. Mas Deus sempre revelou porções de Seu segredo aos seres humanos, desde o Jardim do Éden. Ele continuou a revelar mesmo ao longo da história, através de muitos dos livros da Bíblia, especialmente os livros proféticos do Antigo Testamento (tais como Isaías, Jeremias, Daniel, Zacarias, e muitos outros). Deus nunca deixa Seu povo sem informações. Ele sempre lhes diz quais são os Seus planos: "Certamente o Senhor DEUS não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas". (Amós 3:7). Hoje, continuamos a espalhar o segredo de Deus, ao pregarmos o Evangelho (Romanos 16:25-26; Efésios 3:4-12; Colossenses 1:26,27). Assim como o pequeno livro que João viu, também hoje sabemos apenas uma parte das complexidades que estão envolvidas na totalidade do segredo de Deus. Nenhum profeta recebeu a mensagem completa. Mesmo se juntarmos tudo o que sabemos até o momento, ainda assim não conseguiríamos compreender a profundidade do amor de Deus, o Seu plano de salvação, ou mesmo o próprio Deus.

*** Visão Geral ***: O anjo forte fez um anúncio, mas na verdade foi Deus Quem fez o juramento. Quando Deus faz uma declaração, ela não pode ser revogada: "Por isso, querendo Deus mostrar mais abundantemente a imutabilidade do seu conselho aos herdeiros da promessa, se interpôs com juramento; Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta" (Hebreus 6:17,18). A promessa de Deus é imutável, assim como é o juramento que confirma Sua promessa. A morte de Cristo na cruz foi a revelação de uma grande parte do segredo de Deus. A salvação, por meio do sacrifício de Jesus, é o elemento-chave na proclamação do segredo de Deus através do Evangelho (Romanos 16:25,26; Efésios 1:9; Efésios 3:4-12; Colossenses 1:26,27). A cena com o pequeno livro acontece em/ou após 1844, muito mais tarde do que o final da profecia de Daniel 12, que se deu em 1798. Os tempos que haviam sido precisamente definidos, estão agora no passado - "já não mais haverá tempo" (Apocalipse 10:6). O tempo contíguo do fim já começou.

Agora podemos responder às nossas perguntas iniciais sobre os juramentos em Daniel 12 e Apocalipse 10: Será que eles estão falando sobre o mesmo período de tempo? Não, eles são referentes a períodos diferentes da história. Será que um tempo começa quando o outro termina? Não exatamente. A profecia de Daniel 12 termina em 1798, e o juramento de Apocalipse marca o tempo começando após o ano de 1844. Existe aí um espaço que é coberto por outras profecias.

O ponto principal do juramento dito em Apocalipse 10:6 é mostrar que assim como Deus havia cumprido a Sua promessa na profecia dada em Daniel 12, Ele continuará a manter suas promessas dadas ao Seu povo após a sexta trombeta. Esta mensagem é dirigida aos cristãos que vivem nos últimos dias. Deus está novamente nos dando Sua garantia de que Ele é a Verdade. As circunstâncias em que os crentes do final dos tempos se encontrão podem ser cruéis, como se o inimigo estivesse dominando a guerra espiritual. Mas não devemos ter medo. Podemos confiar em Deus. Podemos nos sentir encorajados, porque Sua palavra é imutável (Hebreus 6:17,18). Deus irá prevalecer!

18  Ao anjo da igreja em Tiatira escreva: Estas são as palavras do Filho de Deus, cujos olhos são como chama de fogo e os pés como bronze reluzente.

19  Conheço as suas obras, o seu amor, a sua fé, o seu serviço e a sua perseverança, e sei que você está fazendo mais agora do que no princípio.

20  No entanto, contra você tenho isto: você tolera Jezabel, aquela mulher que se diz profetisa. Com os seus ensinos, ela induz os meus servos à imoralidade sexual e a comerem alimentos sacrificados aos ídolos.

21  Dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua imoralidade sexual, mas ela não quer se arrepender.

22  Por isso, vou fazê-la adoecer e trarei grande sofrimento aos que cometem adultério com ela, a não ser que se arrependam das obras que ela pratica.

23  Matarei os filhos dessa mulher. Então, todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda mentes e corações, e retribuirei a cada um de vocês de acordo com as suas obras.

24  Aos demais que estão em Tiatira, a vocês que não seguem a doutrina dela e não aprenderam, como eles dizem, os profundos segredos de Satanás, digo: não porei outra carga sobre vocês;

25  tão-somente apeguem-se com firmeza ao que vocês têm, até que eu venha.

26  Àquele que vencer e fizer a minha vontade até o fim darei autoridade sobre as nações.

27  "Ele as governará com cetro de ferro e as despedaçará a um vaso de barro"

28  Eu lhes darei a mesma autoridade que recebi autoridade de meu Pai. Também lhe darei a estrela da manhã.

29  Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.


PARTE 2

Como vimos no estudo #13, Jezabel era uma princesa fenícia, que se casou com Acabe, rei de Israel. Ela era filha do rei de Sidom e Tiro, Etbaal. Eles adoravam o deus Baal, que supostamente tinha poder sobre relâmpago, vento, chuva, e fertilidade. Jezabel exercia uma grande influência sobre Acabe e os israelitas. Ela os levou à apostasia, idolatria, e conduta imoral. E o rei Acabe encorajou o povo ainda mais a abandonar o culto ao verdadeiro Deus (1 Reis 21:25). A Bíblia diz que Acabe “provocou a ira do Senhor, o Deus de Israel, mais do que todos os reis de Israel antes dele”(1 Reis 16:32-33). Um dos primeiros erros de Acabe, foi, na verdade, ter se casado com uma mulher pagã. Deus havia ordenado que os Israelitas não deveriam se casar com pessoas das nações pagãs ao seu redor (Deuteronômio 7:3-4).

Deus mandou o profeta Elias para se encontrar com Acabe e Jezabel. Por causa da desobediência deles, não haveria nem orvalho nem chuva por alguns anos (1 Reis 17:1). E assim foi, exatamente como o profeta havia falado, e a seca durou por três anos e meio (Lucas 4:25; Tiago 5:17). Apos dar a notícia ao rei, Elias fugiu para o deserto, onde Deus o alimentou todos os dias. (1 Reis 17:1-7). Ele ficou refugiado durante os anos da seca.

Ao fim desse tempo, Deus ordenou que Elias voltasse para Acabe. A seca foi muito severa. A fome havia se espalhado por toda a região. Durante esses três anos e meio, Jezabel estava ocupada, matando os profetas de Deus. Obadias, trabalhava para o rei, mas era um fiel servo do Senhor. Ele estava protegendo 100 profetas de Deus em duas cavernas, e providenciava água e comida para eles (1 Reis 18:4). Elias retornou, e foi se encontrar com Acabe. O rei havia parado de seguir os mandamentos de Deus, e ao invés disso, estava seguindo os rituais de adoração a Baal (1 Reis 18:18). Elias pediu que Acabe reunisse o povo para que pudessem se encontrar com Elias no Monte Carmelo. Ele também pediu que o rei trouxesse consigo 850 profetas pagãos, profetas que comiam à mesa de Jezabel (1 Reis 18:19). Quatrocentos e cinquenta desses profetas, eram de Baal. Essa reunião não era segredo. Todos os Israelitas estavam ali. O povo se encontrava dividido, entre o culto ao Deus de Israel, e as práticas pagãs promovidas pelo governo.  Eles não haviam abandonado por completo a crença israelita e nem aderido inteiramente à cultura pagã. Elias apelou para o povo, chamando-os a tomar uma decisão, e parar de oscilar entre Deus e Baal (1 Reis 18:20-21). Mas eles não responderam.

No monte Carmelo, Elias estava sozinho de um lado, e 850 profetas pagãos do outro. Estava para acontecer um momento crucial da História do povo de Deus. Tanto Elias quanto os profetas de Baal prepararam um sacrifício. O sacrifício que fosse queimado com fogo vindo do céu indicaria quem era o Deus verdadeiro (1 Reis 18:22-24). Os profetas de Baal oraram e cantaram o dia inteiro, de manhã até o fim da tarde, e não tiveram resposta. E então foi a vez de Elias no fim do dia. Todos os olhos estavam fixos nesse homem em pé, ao lado do altar erguido para o Senhor. Elias orou uma só vez, e Deus enviou fogo do Céu, que consumiu até o chão ao redor do altar (1 Reis 18:38). Deus respondeu a oração de Elias: "Ó Senhor, Deus de Abraão, de Isaque, e de Israel, seja manifestado hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que conforme a tua palavra tenho feito todas estas coisas. Responde-me, ó Senhor, responde-me para que este povo conheça que tu, ó Senhor, és Deus, e que tu fizeste voltar o seu coração." (1 Reis 18:36-37).

Deus havia dado exatamente três anos e meio para Acabe, Jezabel, e o povo de Israel, mas eles não se arrependeram. Após Deus ter consumido o altar com fogo, Elias orou por chuva sete vezes, até que ele viu uma pequena nuvem escura no horizonte. E então veio uma forte chuva. Acabe voltou para casa, e contou para Jezabel tudo o que havia acontecido (1 Reis 19:1). Ele contou para ela como Deus havia enviado fogo do Céu, e como todos os profetas pagãos haviam sido mortos à espada logo após a demonstração do poder do Senhor. Deus havia deixado tudo muito claro a Seu respeito. Ainda assim, Jezabel não se arrependeu. Inclusive, após ouvir o relatório de Acabe sobre o ocorrido no Monte Carmelo, ela deu a ordem para matarem Elias (1 Reis 19:2). Mas Deus continuou a proteger Elias, e ele não morreu. Ele permaneceu fiel, e, algum tempo depois, Deus o levou para o Céu, em uma carruagem de fogo (2 Reis 2:11).

Jezebel continuou fazendo o mal aos olhos do Senhor. Um evento selou seu destino. Foi o incidente com Nabote. Nabote tinha uma vinha perto do palácio de Acabe, e Acabe quis comprá-la. Nabote respondeu que não poderia vendê-la. Quando Jezabel ficou sabendo, ela elaborou um plano, e disse ao seu marido que ela iria conseguir a vinha para ele (1 Reis 21:7). Ela escreveu uma carta, como se fosse o rei, e até usou o selo oficial de Acabe. Jezabel organizou uma fasta em honra a Nabote. Ela o colocou sentado em um lugar de destaque, mas também colocou dois homens de confiança sentados perto dele. Esses homens haviam sido instruídos para matar Nabote em um determinado momento durante a festa. Quando esses homens de Jezabel levantaram falsas acusações contra Nabote, eles o levaram para o lado de fora, e o apedrejaram até a morte (1 Reis 21:10). Quando Acabe ficou sabendo da morte de Nabote, Jezabel o encorajou a tomar posse da vinha. E foi o que Acabe fez. Por causa desse incidente, a morte de Jezabel foi profetizada, e também a morte de Acabe e de seus filhos homens (1 Reis 21:20-25;  1 Reis 22:34-38;  2 Reis 9:6-10). Eles morreram exatamente como Deus havia revelado aos profetas. Jezabel foi devorada por cães, e ninguém pôde reconhecer seu corpo (2 Reis 9:30-37).

Jezabel teve uma filha, chamada Atalia. Ela era tão má quanto a mãe. Atalia mandou matar todos os seus parentes, incluindo seus netos, para que ela pudesse se tornar a rainha de Israel (2 Reis 11:1). Todos, com exceção de um dos descendentes morreram. Um menino sobreviveu, que foi mais tarde coroado como rei, quando tinha apenas 7 anos de idade. (2 Reis 11:2-3;  2 Reis 11:12;  2 Reis 11:21). Ele restabeleceu a adoração ao Deus verdadeiro durante o seu reino. A rainha Atalia foi sentenciada à morte por causa de todas as atrocidades que havia cometido (2 Reis 11:15-20).

Deus havia dito, através dos profetas Elias e Eliseu, que um rei chamado Jeú iria matar todos os descendentes de Acabe, do sexo masculino. Acabe havia falhado em seguir os mandamentos de Deus (1 Reis 18:18). Jaú matou os filhos de Acabe, como também os profetas de Baal (2 Reis 9 e 10). Mas o próprio Jeú também não fez tudo o que Deus havia pedido. Jeú não seguiu a Lei de Deus com todo seu coração, e Deus permitiu que o território de Israel fosse reduzido (2 Reis 10:31-32).

Durante os três anos e meio de seca no tempo de Jezabel, a divulgação da palavra de Deus em Israel estava escassa. Jezabel estava matando os profetas do Senhor. A seca espiritual, ou fome da Palavra, é sempre mais séria do que a devastação causada pela falta de chuva. Mas Deus é tão misericordioso e tão amoroso, que Ele dá tempo para as pessoas ouvirem Sua verdade. Na Bíblia, esse tempo é frequentemente marcado pelo número 3,5 (metade do número 7):

- Abraão e Isaque fizeram um viagem de três dias e meio até o monte Moriá, onde Abraão teria que oferecer Isaque em sacrifício. A Bíblia diz que eles caminharam por 3 dias, e alí deixaram os 2 servos que os acompanhavam, e dalí prosseguiram para o local que Deus havia determinado. * Gênesis 22:1-6;

- No terceiro ano de seu reinado, o rei Assuero deu uma festa que durou 6 meses. Ao fim desse tempo, foi dado início à procura de uma nova Rainha. Ester, uma jovem judia foi a escolhida. Ela pode então salvar o povo judeu da destruição. * Ester 1:1-22;

- Profecia de Daniel: o povo de Deus estaria sob o domínio do quarto reino (Império Romano) por um tempo, tempos, e metade de um tempo ("tempo" é igual a 1 ano profético, "tempos" são 2 anos proféticos, e "metade de um tempo" é igual a 0,5 ano profético; que dá um total de 3,5. * Daniel 7:25; Daniel 12:7);

- O ministério de Jesus durou três anos e meio, antes de Sua crucifixão. (Cerca de 6 meses após o começo de Seu ministério, Ele próprio usou a linguagem profética de 1 dia = 1 ano  [Ezequiel 4:6-7; Números 14:34; Levíticos 25:8], quando profetizou a respeito da duração do Seu trabalho. * Lucas 13:32);

- Estevão foi apedrejado por sua fé em Jesus três anos e meio após a morte de Cristo, marcando a profecia de Daniel 9:24-27 (apedrejamento de Estevão: Atos 7:54-59);

- Os gentios pisarão a cidade santa por 42 meses (42 meses = 3,5 anos, que é o tempo profético que os cristãos sofreriam opressão e perseguição. * Apocalipse 11:2);

- As duas testemunhas de Jesus iriam profetizar vestidas em saco por 1260 dias (1260 dias = 3,5 anos, que é o período profético onde o povo de Deus sofreria perseguição por ser testemunha da verdade de Cristo. * Apocalipse 11:3);

- A mulher que havia dado à luz a um filho varão, fugiu para o deserto por 1260 dias (1260 dias = 3,5 anos) * Apocalipse 12:6. Lá ela seria cuidada durante o período profético de tempo, tempos, e metade de um tempo (= 3,5 anos). * Apocalipse 12:14;

- Foi dado à besta, um período de 42 meses para que tivesse autoridade sobre os habitantes da terra (42 meses = 3,5 anos) * Apocalipse 13:5.

Deus deu também à Jezabel em Tiatira tempo para se arrepender, mas, assim como a Jezabel do Antigo Testamento, ela se recusou (Apocalipse 2:21). Ela não quis mudar seu comportamento. Isso causou uma divisão marcante na igreja. Da mesma forma como havia acontecido no monte Carmelo, Tiatira estava dividida. De um lado, os poucos fiéis, que haviam rejeitado "os profundos segredos de Satanás" (Apocalipse 2:24); e do outro, Jezabel e seus filhos.

Nas profecias Bíblicas, 'mulher', seja ela fiel ou infiel, representa a igreja (Jeremias 6:2; Isaías 51:16; Efésios 5:25-32). Esse é um conceito fundamental para se entender o livro de Apocalipse. Por todo o Antigo Testamento, Deus comparou Seu povo a uma mulher. Seu amor perdoador e transformador chamava essa mulher de pura e perfeita quando Israel se arrependia e seguia as instruções de Deus (Isaías 54:5-6; Ezequiel 16:8-14; Oséias 2:14-23; Amós 5:2). E, em outras ocasiões, Deus chamava esse mesmo povo de mulher infiel, ou prostituta, quando Israel se voltava á idolatria e imoralidade (Jeremias 3:20; Oséias 1:2; Oséias 2:2-13; Ezequiel 16:15-19; Ezequiel 16:32). Esse conceito da igreja como a noiva de Cristo é visto também no Novo Testamento (2 Coríntios 11:2; Efésios 5:25-32; Apocalipse 12:1-6; Apocalipse 19:7-8). Quando chegarmos em Apocalipse 12 e 17, iremos estudar mais sobre duas mulheres. Uma representa a igreja pura, e a outra a igreja infiel.

 

*** Visão Geral ***: Jezabel representa a igreja infiel. Seus filhos são os seus seguidores. Resumindo, seus filhos são as igrejas que não ensinam a verdade de acordo com as Escrituras. São todas consideradas como a 'igreja infiel'. Os membros que permaneceram fiéis à mensagem original do Evangelho são a igreja remanescente de Cristo - a noiva fiel de Jesus. Jezabel do Antigo Testamento falsificou a autenticidade de seus direitos sobre a vinha de Nabote, o acusou falsamente, e se tornou culpada da morte desse homem inocente. Jezabel de Tiatira falsificou a autenticidade de seus direitos sobre a mudança da verdade de Deus, seduziu a igreja com falsas doutrinas, e se tornou culpada pela morte de seus seguidores. O simples fato de que o lado da igreja seguindo Jezabel era maior em número de membros, não  fez com que se tornasse a igreja original. Mesmo se o mundo inteiro pensasse que o grupo com maior número de seguidores fosse a igreja original, isso não mudaria a avaliação de Jesus sobre a situação. Tamanho ou quantidade não são um fator definitivo de caráter. Normalmente, o que acontece é justamente o contrário. Na batalha do Monte Carmelo, Elias estava de um lado, sozinho, contra 850 falsos profetas. E ainda assim, Elias era quem estava representando a verdade de Deus. Ele era o remanescente de Deus, e Sua testemunha fiel. Deus se revelou na hora certa, mostrando a todos que Ele está pronto a defender seu povo escolhido de qualquer um que se opuser à Sua verdade.

   

Bíblia - JF de Almeida RC  

   
   
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