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1  E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça.

2  E estava grávida, e com dores de parto, e gritava com ânsias de dar à luz.

 

PARTE 1 - A mulher

 

*** Contexto Geral ***: A primeira metade do livro de Apocalipse lida com os eventos desde a ressurreição de Cristo até o tempo da Sua Segunda Vinda. Nos últimos 73 estudos, cobrimos os primeiros 11 capítulos do livro. Vimos que a Bíblia apresenta a a História do mundo em diferentes ângulos. O foco está no ponto de vista espiritual da História. Estamos agora para iniciar a segunda metade de Apocalipse. Os capítulos 12 a 22 irão nos mostrar o que estava contido no pequeno livro mencionado em Apocalipse 10 (veja estudos #66 a #69 para mais detalhes). O conteúdo do livrinho se concentra no que vai acontecer durante o fim dos tempos. Apocalipse 11:18 nos dá o resumo do que está por vir na segunda metade do livro do Apocalipse: “E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra." Como o Dr. Stefanovic destacou em seu comentário, existem 5 tópicos principais em Apocalipse 11:18 que introduzem o que será discutido em Apocalipse 12 a 22:5:

1) As nações se enfureceram; 2) veio a sua ira; 3) o tempo dos mortos serem julgados; 4) tempo de dar a recompensa aos servos de Deus; 5) tempo para destruir aqueles que destroem a terra. Apocalipse capítulos 12 a 14 lidam com o primeiro tópico “as nações se enfureceram”. Esta ira é refletida na forma como Satanás e seus agentes trabalham para se opor povo de Deus.

*** O primeiro sinal: uma mulher ***: Tanto a primeira quanto a segunda metade do livro de Apocalipse começam incluindo uma palavra que é crucial para a interpretação do livro. Em Apocalipse 12:1, vemos a palavra grega sēmeion, que é o substantivo relacionado com o verbo sémainó (usado em Apocalipse 1:1). O substantivo sēmeion significa um sinal ou uma marca. É um símbolo. Vimos a forma verbal da palavra pela primeira vez em Apocalipse 1:1: “Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo”. A palavra escolhida para traduzir o verbo sémainó foi 'notificou'. Esta palavra é uma pista muito importante sobre a forma como devemos entender todas as imagens contidas na mensagem. As informações estão sendo transmitidas em uma linguagem simbólica. O termo aqui se refere aos eventos extraordinários que estão descritos no capítulo 12.

João começa o capítulo 12 afirmando que ele estava vendo uma cena incomum e de grande impacto: uma mulher excepcional. Muitos cristãos podem pensar que esta mulher é Maria, a mãe de Jesus. Mas como veremos neste estudo, a mulher é o símbolo de um outro elemento, da mesma maneira como o dragão é um símbolo para Satanás (Apocalipse 12:3). Como já discutimos várias vezes durante nossos estudos até agora, em analogias da Bíblia, o termo mulher é usado como um símbolo para a igreja do Antigo ou Novo Testamento (Jeremias 6:2; Isaías 51:16; Isaías 54:5-6; Ezequiel 16:8-14; Oséias 2:14-23; Amós 5:2; Jeremias 3:20; Oséias 1:2; Oséias 2:2-13; Ezequiel 16:15-19; Ezequiel 16:32; 2 Coríntios 11: 2; Efésios 5:25-32; Apocalipse 12:1-6; Apocalipse 19:7-8). Quando a Bíblia fala sobre uma mulher fiel, faz referência à igreja fiel. Da mesma forma, quando fala numa mulher infiel, é uma referência a uma igreja infiel. Isaías 26:17 compara o antigo Israel a uma mulher grávida: “Como a mulher grávida, quando está próxima a sua hora, tem dores de parto, e dá gritos nas suas dores, assim fomos nós diante de ti, ó Senhor!” Miquéias 4:10 também compara o Israel antigo com uma mulher na hora do parto: “Sofre dores, e trabalha, para dar à luz, ó filha de Sião, como a que está de parto, porque agora sairás da cidade, e morarás no campo, e virás até babilônia; ali, porém, serás livrada; ali te remirá o SENHOR da mão de teus inimigos.” (Veja também Isaías 66:7-9; Jeremias 4:31).

Não podemos ignorar o fato de que esse texto sobre a mulher de Apocalipse 12 vem logo após o texto sobre as duas testemunhas. Como vimos nos estudos #72 a #77, as duas testemunhas são um símbolo da Bíblia e da Igreja. Desta forma, a mulher de Apocalipse 12 também está ligada às duas testemunhas, porque as duas testemunhas são a mulher fiel espalhando ativamente o Evangelho. Assim como as duas testemunhas, a mulher de Apocalipse 12 passa por um período de dificuldades que durou 1.260 dias (Apocalipse 11:3; Apocalipse 12:6). Esta é outra indicação de que a mulher de Apocalipse 12 não pode ser uma pessoa real, como Maria, porque a Bíblia nunca menciona tal período na vida de Maria. Além disso, Apocalipse 12:17 diz que, algum tempo depois, o dragão passou a lutar com o remanescente da mulher. Esse verso enfatiza mais ainda a natureza simbólica do termo 'mulher'. Os dois sinais no céu vistos em Apocalipse 12 seguem um padrão: João vê um símbolo, ele descreve o símbolo e a situação em que o símbolo é encontrado:

 

 
Apocalipse 12:1-2
Apocalipse 12:3-4
Um sinal no céu (o símbolo)
Uma mulher
Um dragão vermelho
Descrição
vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e sobre sua cabeça uma coroa de doze estrelas
que tinha sete cabeças e dez chifres e sete coroas sobre as suas cabeças
Situação
grávida, prestes a dar à luz, passando pelas dores do parto
sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra

 

Os cristãos do século 1 estavam familiarizados com a descrição simbólica do povo de Deus como a noiva de Cristo. Esse conceito está presente tanto no Antigo quanto no Novo Testamento: “Porque o teu Criador é o teu marido; o Senhor dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; que é chamado o Deus de toda a terra." (Isaías 54:5); “Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é mãe de todos nós." (Gálatas 4:26). A Igreja é, ao mesmo tempo, a mãe do Messias e Sua noiva. Apocalipse 12 se refere mais especificamente a Israel. Jesus nasceu como um judeu, na tribo de Judá. Jesus veio à Terra como um ser humano, a fim de salvar seu próprio povo e de lhes restaurar ao Pai.

*** O que ela estava vestindo ***: Existem três elementos a respeito da roupa da mulher: o que estava sobre seu corpo, debaixo dos seus pés e sobre sua cabeça. Note que temos aqui a descrição do que ela está vestindo da cabeça aos pés. Ela tem uma roupa completa. Os símbolos usados para descrever sua roupa (o sol, a lua e as estrelas), muitas vezes aparecem juntos na Bíblia. Um exemplo disso é o sonho de José a respeito de seus pais e irmãos (Gênesis 37:9). Outro exemplo é o quarto dia da criação (Gênesis 1:16). A roupa da mulher de Apocalipse 12 reflete aquEle a quem ela considera ser a fonte da verdade e de salvação: Jesus Cristo.

Vestida com o sol: A roupa que a mulher estava usando nos lembra a descrição de Jesus no monte da transfiguração, onde Elias e Moisés apareceram próximo a Ele: “E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz“. (Mateus 17:2). Sua descrição também nos faz lembrar da noiva de Salomão, que era pura como o sol e tão bonita como a lua (Cantares 6:10). Jesus é quem fornece vestes puras e de justiça para aqueles que vencerem (Apocalipse 3:5, veja também Zacarias 3:4-5). A mulher de Apocalipse 12 é a Igreja fiel de Israel.

Lua debaixo dos seus pés: A lua não tem luz própria, mas reflete a luz do sol. A mulher de Apocalipse 12, ou igreja fiel, está de pé, firme sobre a lua. A Bíblia nos diz o seguinte a respeito das escrituras: “A tua palavra é lâmpada para os meus pés, e luz para o meu caminho.” (Salmo 119:105). Aqui temos o segundo aspecto das duas testemunhas que vimos em Apocalipse 11:1-14. A mulher de Apocalipse 12 possui os mesmos atributos das duas testemunhas. 2 Coríntios 4:6 diz: “Porque Deus, que comandou a luz para brilhar fora da escuridão, brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo" (Veja também Apocalipse 1:16).

Coroa de 12 estrelas sobre a cabeça: como vimos nos estudos anteriores, o número 12 representa a igreja em qualquer ponto no tempo. Em nosso estudo #47, vimos que o número 12 é um número que aparece tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, e ele está sempre ligado ao povo de Deus. A Bíblia menciona 12 patriarcas de Sete até Noé, 12 patriarcas de Cem até Jacó, 12 tribos de Israel, 12 espias enviados à Terra prometida, 12 juízes (de Otoniel até Samuel), 12 discípulos, 12 portões na Nova Jerusalém que tem o nome das 12 tribos, e 12 fundações que têm os nomes dos 12 apóstolos. Efésios 2:20 também menciona que a igreja de Deus é edificada sobre o fundamento dos 12 apóstolos e dos profetas, com Cristo sendo a pedra fundamental. A mulher de Apocalipse 12 tem sobre sua cabeça uma coroa de 12 estrelas. A palavra grega para coroa usada aqui é stephanos. A coroa stephanos é a coroa da vitória usada nos tempos gregos para celebrar os atletas vencedores. A coroa stephanos é diferente da coroa real. A coroa real é chamada diadema em Apocalipse (Apocalipse 12:3; Apocalipse 13:1; Apocalipse 19:12).

*** Sua situação ***: A mulher estava grávida, prestes a dar à luz, já labutando com as dores do parto (Apocalipse 12:2). Olhando pelo ângulo de que estamos falando do povo escolhido de Deus, aqui representado pela mulher, podemos ver claramente que ela é o cumprimento da promessa que Deus deu a Adão e Eva no Jardim do Éden. Deus disse para a serpente: “Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gênesis 3:15). A princípio, esse verso parece ser difícil de entender. Então vamos olhar mais de perto e ver o que ele realmente ele está dizendo: “E [Deus porá] inimizade entre [a serpente] e a mulher, entre a semente [da serpente] e a semente [da mulher]; [o filho da mulher] ferirá a cabeça [da serpente], e [a serpente ferirá] o calcanhar [do filho da mulher].” Esta foi a primeira promessa de um Salvador dada à humanidade. Daquele ponto em diante, o povo de Deus começou a esperar por um menino que iria esmagar o pecado de uma forma mortal. O Messias viria de entre o povo de Deus (Atos 13:23). Apocalipse 22:16 é o versículo chave para entender a gravidez da mulher, e Quem é seu filho: “Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã.” Jesus é descendente de seu povo, a Igreja. Ele é o leão da tribo de Judá (Apocalipse 5: 5). Ao mesmo tempo, Ele é a raiz da Igreja. A Igreja existe por causa de Cristo.

*** Visão Geral ***: Apocalipse 12 marca a parte do livro de Apocalipse que trata especificamente dos eventos finais. Ela começa por dar ao leitor um breve histórico de quem são os personagens principais: o povo de Deus, o inimigo de Deus, e Jesus Cristo. A narrativa flui a partir da perspectiva do povo de Deus, simbolizada por uma mulher grávida. Esta mulher era diferente de qualquer outra. Ela estava vestida com mantos de justiça, mantendo-se firme na Palavra de Deus. Ela possuía a coroa de vitória, prometida ao povo fiel de Deus. Mais uma vez, a Bíblia e o povo de Deus estão conectados. Vimos pela primeira vez um vislumbre dessa ligação em Apocalipse 1:3, que diz que recebemos uma bênção especial quando lemos, ouvimos e mantemos as palavras da profecia desse livro. O Messias veio ao mundo através da Igreja de Israel. Jesus é Emanuel, que significa Deus conosco (Mateus 1:23). Jesus se fez homem para nos salvar do pecado. Todos os três personagens de Apocalipse 12 são retratados em João 1:1-18. Jesus é a Luz, a Palavra que se fez carne, que o mundo rejeitou. Ele resplandeceu nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra Ele. Seu servo (João Batista, que representa a missão que a Igreja deve carregar) foi chamado para pregar sobre esta Luz para o mundo, como testemunha diante da humanidade. “Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus”. (João 1:12).

12 E o quarto anjo tocou a sua trombeta, e foi ferida a terça parte do sol, e a terça parte da lua, e a terça parte das estrelas; para que a terça parte deles se escurecesse, e a terça parte do dia não brilhasse, e semelhantemente a noite.

 

*** O sol, a lua, e as estrelas ***: O sol, a lua e as estrelas são mencionados pela primeira vez na Bíblia durante a criação. Deus criou esses astros luminosos no quarto dia. "E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos. E sejam para luminares na expansão dos céus, para iluminar a terra; e assim foi. E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas. E Deus os pôs na expansão dos céus para iluminar a terra, e para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas; e viu Deus que era bom. E foi a tarde e a manhã, o dia quarto." (Gênesis 1:14-19). Os corpos celestes foram criados para marcarem claramente momentos diferentes durante o ciclo terrestre de 24 horas. O objetivo era "iluminar a terra" (Gênesis 1:15). O sol, a lua e as estrelas são a fonte de luz do nosso planeta.

*** A terça parte do sol, da lua, e das estrelas escureceu ***: No Antigo Testamento, o escurecimento do sol, lua e estrelas está associado com a execução dos julgamentos de Deus sobre Seus inimigos (Ezequiel 32:7-8; Isaías 13:9-11; Joel 3:15), e também sobre Seu próprio povo (Amós 5:18; Joel 2:1-2, 10). Um dos primeiros exemplos disso foi durante a 9a. praga do Egito (Êxodo 10:21-29), a praga da escuridão. A escuridão era tão intensa, que podia ser sentida (Êxodo 10:21). Por três dias, a luz não brilhou no Egito. Mas a escuridão não foi global. Ela tinha um alvo, e estava focalizada apenas sobre aqueles que estavam rejeitando os comandos de Deus. Um dos pontos principais ressaltados nesse trecho, é que somente aqueles que rejeitaram a verdade ficaram na escuridão. Êxodo 10:23 nos diz que os israelitas "tinham luz em suas habitações."

No Novo Testamento, lemos sobre como Satanás cega os incrédulos de tal maneira, a ponto de não poderem ver "a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus." (2 Coríntios 4:4). Jesus é a luz do mundo (2 Coríntios 4:6; João 1:9; João 8:12; João 12:46; Lucas 1:79). Jesus disse: "E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más." (João 3:19). Quando as pessoas rejeitam a Fonte de Luz, elas trazem sobre si mesmas a escuridão e os julgamentos de Deus. Quando seguimos a Cristo, deixamos de trilhar o caminho da escuridão (João 8:12).

Como vimos nas primeiras três trombetas, o julgamento que ocorre com o toque da quarta trombeta é parcial, e cai sobre um terço dos corpos celestes. Quando as pessoas se distanciam de Deus e rejeitam a verdade, elas se enterram cada vez mais fundo na escuridão. Nossa rejeição, descrença, e desobediência bloqueiam a conexão entre a luz de Deus e nós mesmos. Assim, não podemos ver Sua verdade da maneira que Ele quer que Sua mensagem seja apresentada, porque não estamos permitindo o fluxo de Sua luz. O dia se torna em escuridão quando nossa conexão com Deus é interrompida (Miquéias 3:6). Deus respeita nosso direito de escolha, mesmo quando isso significa que O rejeitamos. Mas Ele deseja, com urgência, que todos nós conheçamos a verdade antes de tomar uma decisão final. Ele nos alerta contra sermos enganados por falsos ensinamentos (Mateus 24:11). Não existe luz nos assuntos espirituais que não são baseados nos princípios e ensinos contidos nas Escrituras (Isaías 8:20).

*** A terça parte do dia escureceu, "e semelhantemente a noite" ***: Nessa parte de Apocalipse 8:12, vemos uma consequência interessante do escurecimento da terça parte do sol, da lua, e das estrelas. É o escurecimento da terça parte do dia e da noite. Esse trecho nos faz lembrar mais uma vez da criação. A separação entre dia e noite não aconteceu no quarto dia, quando Deus criou o sol, a lua, e as estrelas. Aconteceu no primeiro dia, quando Ele criou a luz: "E disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro." (Gênesis 1:3-5). Esse texto nos diz que foi Deus que separou a luz da escuridão. No quarto dia da criação, lemos sobre a função do sol e da lua: "E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite" (Gênesis 1:16). Em Apocalipse 8:12, os governadores sol e lua estão parcialmente bloqueados, e não podem brilhar. Mas os efeitos são sentidos apenas sobre um-terço do dia e um-terço da noite. O bloqueio parcial da luz não afetou o dia inteiro. Isso enfatiza o fato de que o julgamento trazido com o soar da quarta trombeta não é global. Ele afeta apenas uma porção das pessoas, durante um período limitado de tempo. Escuridão e noite, nessa analogia, não são equivalentes. De acordo com o verso, a noite também foi afetada pela escuridão da lua. A ideia principal nesse verso focaliza mais nas barreiras que colocamos entre nós mesmos e Deus. Essas barreiras interferem com a nossa habilidade de receber luz espiritual diretamente da fonte.

*** Aplicação profética ***: No estudo #54, vimos como a terceira trombeta retratou o período conhecido como a Idade Média, também conhecido como Idade das Trevas. Durante esse período da história, as pessoas tinham acesso muito limitado às Escrituras e à Verdade. Como resultado, apostasias e ensinamentos falsos inundaram a Igreja. Surgiu então, um movimento de Reforma, e muitas pessoas se tornaram novamente interessadas em conhecer as verdades Bíblicas. Esse movimento tomou uma direção que, possivelmente, não era parte da visão original dos reformadores originais. Discussões teológicas se transformaram em polêmicas e em debates para serem vencidos. Religião passou a ser cada vez menos a respeito de desenvolver um relacionamento com Cristo. Essa mentalidade levou as pessoas a se afastarem da fé, da crença em Deus, e da dependência no Salvador, que é a suprema fonte de luz espiritual. É irônico que esse período que seguiu a Idade das Trevas e Reforma foi chamado de Iluminismo. Esse período durou do século 16 ao século 18. As pessoas passaram a valorizar a razão, e a completamente rejeitar as verdades Bíblicas. A rejeição das crenças religiosas geraram uma série de propostas filosóficas, como racionalismo, ceticismo, humanismo, e liberalismo. Todas essas propostas levaram ao desenvolvimento de um novo princípio: secularismo. Sem entrar em muitos detalhes, Secularismo é o conceito de separação entre a igreja e o estado. É a ideia de que os negociosos do governo não devem estar conectados com as atividades religiosas. Com o tempo, muitos significados incorretos foram atribuídos a esse termo, mas esse é o significado que foi originalmente concebido, e é ainda o que esse termo quer dizer. Não há dúvidas de que o secularismo trouxe muitos resultados positivos à civilização ocidental, como liberdade religiosa, artes, educação, medicina, entre outros. Mas com certeza teve também um impacto negativo sobre o Cristianismo. Houve uma mudança de foco, do espiritual para o material. A razão humana substituiu a autoridade Bíblica e a fé. O "próprio-eu" se tornou o centro das atenções, ao invés de Deus. Nesse modo de pensar, Cristo já não mais podia ser o único caminho para uma vida espiritual.

*** Visão Geral ***: Quando a Fonte de Luz é rejeitada, as linhas que demarcam a verdade se tornam esfumaçadas. Quando não estamos olhando a nossa existência no mundo através da luz de Deus, discernir o certo do errado se torna muito mais difícil. Sem a Palavra de Deus, é muito difícil permanecer no caminho do vencedor, ou mesmo encontrar esse caminho. O Salmo 119:105 diz: "Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra, e luz para o meu caminho." Os efeitos do bloqueio parcial da verdade após a Idade Média ainda estão sendo sentidos nos dias de hoje. Mas Deus está nos chamando para fora da escuridão, para levantar e resplandecer, porque a glória do Senhor vai nascendo sobre nós (Isaías 60:1-3; Mateus 4:16; Colossenses 1:12-14). As primeira quatro trombetas vêm em pares. As primeiras duas lidam com a punição derramada sobre as duas nações responsáveis pela rejeição a Jesus, numa escala geral. As duas trombetas seguintes lidam com o julgamento derramado sobre a Igreja apóstata, e com as consequências dessa rejeição a nível mais pessoal. A quarta trombeta identifica a escuridão em que as pessoas se encontram quando elas negam os ensinamentos de Deus. Isso aconteceu no passado. Ainda acontece hoje. Quando compreendemos que essa é a situação que nos encontramos, podemos fazer algo a respeito. Precisamos dar ouvidos ao chamado que recebemos do Pai: "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (1 Pedro 2:9).

12 E, havendo aberto o sexto selo, olhei, e eis que houve um grande tremor de terra; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue;

13 E as estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte.

14 E o céu retirou-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares.

15 E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas;

16 E diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro;

17 Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?

 

PARTE 1 - Apocalipse 6:12-14

 

*** Contexto ***: Tanto no Novo, quanto no Antigo Testamentos, encontramos textos que falam sobre os mesmos eventos descritos na abertura do sexto selo, no capítulo 6 de Apocalipse. Em todos esses outros versos, os eventos mencionados possuem uma natureza profética, e descrevem acontecimentos reais, e não simbólicos. Todos esses versos falam sobre a Segunda Vinda de Cristo.

Apocalipse 6:12-17

Isaías 13:10, 13

Isaías 2:12-21

 Mateus 24:29-30
 Lucas 21:25-27
 
Terremoto
 
A Terra se moverá de seu lugar
 
A terra será abalada

 

 

 
O sol tornou-se negro
 
O céu se escurecerá

 

 
O sol escurecerá
 
Sinais do Sol
 
A lua tornou-se como sangue

 

 

 
A lua não dará a sua luz
 
Sinais na lua
 
As estrelas caíram
 
As estrelas do céu não darão a sua luz

 

 
As estrelas cairão do céu
 
Sinais nas estrelas
 
O céu retirou-se como um livro que se enrola
 
O céus serão estremecidos

 

 
As potências dos céus serão abaladas
 
As virtudes dos céus serão abaladas
 
As ilhas e montes foram removidos dos seus lugares

 

 

 

 
Bramido do mar e das ondas
 
Pessoas se escondendo da ira do Cordeiro nas cavernas e nas rochas

 

 
As pessoas entrarão nas fendas das rochas, e nas cavernas das penhas, por causa do terror do Senhor, e da glória da Sua majestade
 
As tribos da Terra se lamentarão
 
E na Terra, a angústia das nações , homens desmaiando de terror
 
É vindo o grande dia da Sua ira
 
O dia da sua ardente ira
 
O dia do Senhor
 
Eles verão o Filho do homem vindo nas nuvens
 
E então verão o Filho do homem vindo nas nuvens com poder e grande glória
 
Quem poderá subsistir?

 

 

 

 

Após compararmos esses textos, podemos ver que os eventos associados com a abertura do sexto selo possuem um significado literal. No quinto selo, as almas sob o altar estavam perguntando até quando precisariam esperar para que seu sangue fosse vingado. O sexto selo tem a descrição dos eventos que irão levar ao dia em que a justiça será manifestada. A Segunda Vinda de Cristo é frequentemente mencionada no Antigo Testamento como o Dia do Senhor (Sofonias 1:14-18; Joel 2:31). Historicamente, as coisas descritas no sexto selo podem ter começado a acontecer em algum momento durante a Idade Média, imediatamente após o quinto selo. Mas, ao mesmo tempo, essas referências podem descrever os eventos que acontecem imediatamente antes da volta do Senhor, em algum momento no futuro.

Historicistas identificaram alguns desses eventos como já tendo acontecido em torno dos séculos 18 e 19. Os estudiosos da Bíblia daquela época, que acreditavam que a profecia já havia se cumprido, se tornaram parte do movimento que ficou conhecido como o segundo Grande Reavivamento, que resultou numa grande renovação da vida espiritual entre os protestantes. Desse movimento surgiram várias sociedades bíblicas. Missionários começaram a viajar por todo o mundo, pregando o Evangelho.

Pode ser que alguns sinais descritos na abertura do sexto selo já tenham acontecido, mas, pode ser que não. De qualquer forma, eles representam marcos para o povo escolhido, para que possa saber que o tempo do Dia do Senhor está próximo. A Sétima Praga (Apocalipse 16:17-21) descreve eventos semelhantes, mas parecem ser mais específicos do momento do fim, imediatamente antes da Segunda Vinda. É possível que o sol, a lua, e as estrelas, o terremoto, e o abalo dos céus já tenham acontecido em um grau menor no passado, mas que irão acontecer novamente no último dia, de uma maneira muito mais intensa.

*** Terremoto ***: no Antigo Testamento, os terremotos estão frequentemente associados com a Segunda Vinda de Cristo (Ezequiel 38:19-20; Joel 2:10; Amós 8:8; Ageu 2:6). Existe um outro terremoto mencionado em Apocalipse 16:18, que fragmenta a Babilônia do fim dos tempos. Alguns comentaristas bíblicos acreditam que o abalo no começo do sexto selo acontece muito antes do abalo mencionado no capítulo 16. Os historiadores identificaram o Terremoto de Lisboa, em 1755, como sendo o possível cumprimento dessa promessa. Esse terremoto atingiu 8.5-9.0 na escala de magnitude, e gerou incêndios e um tsunami. O numero de mortos pode ter atingido 1000,000 pessoas, tornando esse terremoto um do mais violentos da história.

*** O sol, a lua, e as estrelas ***: Com todos esses três elementos, vemos um padrão que enfatiza a natureza literal da passagem. Cada um dos textos começa com um objeto literal (sol, lua, estrelas), e termina com um simbólico (saco de cilício, sangue, e figueira abalada por um vento forte). O literal e o simbólico estão conectados pela palavra “como”. Usamos esse mesmo padrão constantemente hoje em dia. Se alguém diz: “Eu dormi como uma pedra ontem à noite”, entendemos claramente que ‘pedra’ é um símbolo de quão profundamente a pessoa dormiu. A pessoa é o elemento literal nessa frase, e não é símbolo de nada. Sabemos disso por causa da palavra que conecta o elemento literal e o simbólico: ‘como’. Nesse trecho de Apocalipse, João está descrevendo a condição literal do céu, e a compara com símbolos para fortalecer o entendimento da mensagem.

O sol escureceu, e se tornou negro como saco de cilício, e a lua se tornou como sangue: O escurecimento do sol foi descrito no Antigo Testamento (Joel 2:31; Joel * 3:15; Isaías 50:3; Isaías 13:10,13). Historiadores dataram esse evento como tendo possivelmente sido cumprido em Maio 19, 1780, quando uma inexplicável escuridão durante o dia ocorreu nos estados da Nova Inglaterra e partes do Canadá, e durou cerca de um dia e meio.

As estrelas caíram, assim como a figueira lança de si os seus figos verdes: Isaías 34:4 traz uma descrição semelhante das estrelas caindo: “E todo o exército dos céus se dissolverá, e os céus se enrolarão como um livro; e todo o seu exército cairá, como cai a folha da vide e como cai o figo da figueira.” Jesus também disse em uma afirmação semelhante em Mateus 24:29. Historiadores acreditam que isso se cumpriu na grande chuva de meteoros em Novembro 13 de 1833, quando uma chuva de meteoros durou por 9 horas. As estimativas dão a ideia de que cerca de 240,000 estrelas foram avistadas nesse dia.

*** O céu se retirou como um rolo ***: Mais uma vez, vemos o elemento literal (o céu), sendo comparado com o simbólico (rolo retirado/partido). A imagem do céu como um rolo é obtida de Isaías 34:4. O profeta estava descrevendo a ira de Deus. Como mencionamos antes, os sinais envolvendo os astros podem ocorrer de tempos em tempos através da historia, mas eles também foram descritos na Bíblia como sendo os acontecimentos imediatamente antes da vinda do Senhor nos últimos dias. Vamos, por um momento, considerar o conceito do rolo. No manuscrito em grego, a palavra usada para qualificar o rolo é apochórizó, que quer dizer: separado, partido, fendido. Várias traduções em Português usam a palavra “retirou”. Durante os últimos dias, o sol, a lua, e as estrelas serão abalados, removidos, ou escurecidos. A fenda no céu pode significar a revelação de uma dimensão diferente ou de um entendimento mais completo da situação. O domínio sobrenatural de Deus sobre as leis da física, que vão muito além da nossa compreensão, serão desvendados. Os acontecimentos que João descreve no verso 12-14 não são fenômenos cíclicos, que podem ser explicados pela ciência humana. A fenda no céu irá ocorrer porque o dedo de Deus irá colocá-la ali. Jesus, falando de Sua Segunda Vinda, ensinou Seus seguidores a parábola da figueira. Ele terminou a parábola dizendo: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar.” (Mateus 24:35).

*** Ilhas e montanhas foram movidas ***: Ageu 2:6-7 menciona um grande abalo imediatamente antes da vinda do “Desejado das Nações”: “Porque assim diz o Senhor dos Exércitos: Ainda uma vez, daqui a pouco, farei tremer os céus e a terra, o mar e a terra seca; E farei tremer todas as nações, e virão coisas preciosas de todas as nações, e encherei esta casa de glória, diz o Senhor dos Exércitos.” Jeremias 4:24 também fala sobre um terremoto que move montanhas: “Observei os montes, e eis que estavam tremendo; e todos os outeiros estremeciam.” Esse outro terremoto parece ser mais severo que o primeiro, mencionado em Apocalipse 6:12. O terremoto de Apocalipse 6:14 é capaz de mover ilhas e montanhas de lugar. Esse segundo terremoto tem mais em comum com o terremoto mencionado em Apocalipse 16:18. Esse evento ainda está para se cumprir.

*** Visão Geral ***: As descrições nos textos de Apocalipse e do Novo testamento, nos dão a impressão de que o planeta irá passar por convulsões e mudanças, como se estivesse indo no processo contrário de criação. Em Gênesis, lemos a respeito da Criação e o processo começando com um planeta que estava sem forma e vazio, até ter atmosfera, luz, sol, lua, estrelas, vegetação, e vida animal. A descrição que a Bíblia traz do Dia do Senhor parece descrever essa sequencia exata, mas em reverso. O ponto principal para nós hoje no que diz respeito dessa passagem, não é determinar se as profecias já foram cumpridas, ou se elas ainda vão acontecer mais perto da Segunda Vinda de Cristo. O objetivo desse texto é estabelecer que a Vinda do Senhor irá purificar do pecado, não somente as pessoas, mas também o planeta.

   

Bíblia - JF de Almeida RC  

   
   
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