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1 E, havendo aberto o sétimo selo, fez-se silêncio no céu quase por meia hora.

 

A abertura do sexto selo termina no capítulo 6 de Apocalipse. A pergunta levantada no final, "quem poderá subsistir?", é respondida no capítulo 7. O capítulo 7 também conecta o leitor ao tempo do sétimo selo, e nesse aspecto, ele é a ponte entre o sexto e o sétimo selos. Iremos começar a estudar o capítulo 7 no estudo #46. Hoje, vamos continuar com a abertura do último selo, no capítulo 8, verso 1.

*** Silencio ***: A palavra silêncio é a tradução direta da palavra em grego sigē. Existe uma série de diferentes interpretações para o significado desse silêncio. Pode ser que várias delas tragam em si algo de verdade. Mas antes de olharmos essas possibilidades, precisamos ter em mente que o sétimo selo acontece após a Segunda Vinda de Jesus (ao final do sexto selo), e certamente após o selamento do povo de Deus (Apocalipse 7).

Amós 8 nos ajuda a entender um aspecto da situação acontecendo no sétimo selo. Na visão descrita em Amós, ele viu um cesto de frutos de verão, significando que o povo estava pronto e "maduro". Era hora da colheita. Em outras palavras, o povo estava pronto para Deus. Vemos um paralelo disso em Apocalipse 14:17-20. Jesus explicou a parábola em que Ele fez a analogia de Seu povo sendo colhido nos fins dos tempos (Mateus 13:37-40): “O que semeia a boa semente, é o Filho do homem; O campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno; O inimigo, que o semeou, é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos. Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo.” No caso de Amós, ele estava primariamente profetizando a respeito do cativeiro dos israelitas. Mas a linguagem usada e as imagens reveladas por Deus são as mesmas usadas para descrever o fim dos tempos. Em Amós 8:4-14, vemos a mesma situação que vimos nos primeiros 4 selos, mas da perspectiva daqueles que rejeitaram a mensagem. Houve a divulgação da Palavra, sua rejeição, fome, e por fim, morte. Amós 8:3 diz que haveria tantos mortos, que a música no templo se tornaria como gemidos; e que os corpos dos que haviam morrido seriam lançados fora em silêncio.

Outra passagem da Bíblia que nos ajuda entender o que poderia ser esse silêncio, se encontra em Isaías 47, onde a profecia a respeito da destruição de Babilônia é revelada. Isaías 47:3-5 nos diz que Babilônia sentaria em silêncio, no escuro, após sua vergonha ser revelada. Ela já não mais seria chamada de "a dama dos reinos".

Baseado nos textos de Amós 8, e Isaías 47, e, dentro do contexto de Apocalipse 8:1 e dos sete selos, um silêncio irá acontecer após a Segunda Vinda de Jesus. Nessa hora, os exércitos dos inimigos de Deus serão revelados, derrotados, e mortos (Apocalipse 19:19-21). Esses versos nos falam sobre o que irá acontecer com os aliados de Satanás (a besta e o falso profeta, que são os poderes políticos representando os falsos sistemas religiosos), eles serão jogados no Lago de Fogo logo após a Volta de Cristo: “E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e ao seu exército. E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre. E os demais foram mortos com a espada que saía da boca do que estava assentado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes.” Esse texto também nos diz que o restante dos infiéis serão mortos pela espada que saía da boca de Jesus, que é a Sua verdade e a Sua glória (Apocalipse 1:16;  2 Tessalonicenses 1:8-10; Hebreus 4:12). Eles continuarão mortos até o tempo em que serão ressuscitados novamente, após os santos terem passado 1000 anos no Céu (Apocalipse 20:5). A completa execução do julgamento de Deus começa com a volta de Cristo, e termina após o período de 1000 anos.

O silêncio pode servir de contraste à Segunda Vinda, que é descrita como sendo não somente um evento bastante visível, mas também como sendo bem audível. Nesse dia irão acontecer terremotos, sinais no sol, lua e estrelas (sexto selo), e os elementos irão se desfazer ardendo (2 Pedro 3:10-14). O sétimo selo funciona como um período de descanso para o céu/Terra. Naquele momento, todos os olhos estarão esperando o julgamento de Deus. Em Sofonias 1:7, lemos sobre Deus ordenando que o povo esperasse em silêncio na presença do Senhor, porque Seu Dia está próximo. Em Zacarias 2:13 e Habacuque 2:20, mais uma vez, vemos Deus falando para o povo ficar em silêncio diante do Senhor.

Existem ainda outras interpretações sobre o silêncio no sétimo selo. Alguns estudiosos propõe que haverá silêncio no Céu porque Jesus e Seus anjos irão sair do Céu e vir à Terra (Mateus 25:31). Outros sugerem que o silêncio se refere ao período de desolação que a Terra irá passar durante os 1000 anos em que Satanás e seus anjos irão estar presos aqui (Apocalipse 20:1-3). Alguns propõem que o silêncio tem a ver com as orações dos santos (Apocalipse 8:3-4), uma vez que a execução do Seu julgamento é a resposta ao clamor feito no 5o. selo. Outros acreditam que isso é uma alusão ao silêncio que aconteceu no começo da criação, como está implícito em Gênesis 1:2. Como vimos no começo do sexto selo, a Terra estava passando pelo processo reverso da criação. Sob esse ponte de vista, o processo reverteu todo, até um ponto semelhante ao começo da criação.

*** Quase meia hora ***: Esse período não foi revelado como sendo um período exato de tempo, ou um número definido de dias. É cerca de meia hora. Simbolicamente, isso quer dizer um período curto de tempo. Profeticamente, usando a regra 1 dia = 1 ano (Ezequiel 4:6-7; Números 14:34; Levítico 25:8; Lucas 13:32), esse período é por volta de 1 semana literal. Para mais exemplos da regra 1 dia = 1 ano, veja o estudo #20. A Bíblia menciona alguns eventos interessantes que duraram 1 semana literal. Aqui estão apenas alguns exemplos: Criação (Gênesis 1 a Gênesis 2:3), o período em que Noé esperou dentro da arca antes da chuva cair naqueles que iriam se perder (Gênesis 7:4), o período que Jacó teve que esperar após casar com Léa para que pudesse se casar com Raquel (Gênesis 29:27-28), o tempo que os israelitas tiveram que esperar para poderem derrubar as muralhas de Jericó (Josué 6:1-5), e o tempo necessário para a consagração dos sacerdotes (Levítico 8:33). Muitos, se não a maioria, desses eventos, são exemplos de períodos de espera. De qualquer forma, simbolicamente ou profeticamente, esse será um período curto de tempo quando comparado à eternidade que os salvos estarão prestes a viver.

*** Visão Geral ***: No momento do sétimo selo, Jesus já terá vindo, os sinais no céu e os terremotos na Terra já terão terminado. A Terra estará em silêncio, esperando pelo julgamento de Deus sobre os ímpios, em resposta às orações dos salvos (Apocalipse 6:9-11). Tudo e todos estarão em silêncio diante do Juiz, que deixou o Céu para resgatar Seu povo, e para derramar Sua ira sobre Seus inimigos. O silêncio antes da nova criação reflete o silêncio da primeira criação. No entanto, o importante não é a quantidade exata de dias ou horas que o silêncio vai durar, como as expressões "por volta" ou "quase" dão a entender. O ponto da mensagem no sétimo selo é que esse será um período curto de tempo. Naquela hora, a vida eterna com Deus estará prestes a começar!

 

Resumo dos Sete Selos

 

*** 1o Selo - O Evangelho está se espalhando por todo o mundo.

*** 2o Selo - Aceitar o Evangelho pode trazer perseguição, porque a Palavra de Deus impede que seus verdadeiros seguidores se conformem e se misturem com o povo seguindo falsos ensinos.

*** 3o Selo - Rejeitar o Evangelho traz a consequência da fome espiritual. Mas ainda assim, Deus prometeu que manteria Seu Espírito Santo e Sua salvação disponíveis para todos aqueles que O procurarem.

*** 4o Selo - Um alerta é enviado para que o povo se arrependa e retorne ao caminho que leva à vida. A direção oposta leva à morte.

*** 5o Selo - Aqueles que serviram e sofreram por Cristo precisam ser vingados em nome do próprio sangue que Jesus derramou em Sua morte . O martírio que sofreram é um clamor para que Deus traga Sua justiça sobre os ímpios.

*** 6o Selo - Muitos sinais no céu e na Terra anunciam a iminente Volta de Cristo. A Terra está passando pelo processo reverso da Criação. O selamento dos fiéis é concluído. Os ímpios choram e não podem suportar a glória de Deus. A Segunda Vinda de Cristo acontece. Ele vem em toda Sua gloria, no dia de Sua ira.

*** 7o Selo - Todos aguardam em silêncio o julgamento de Deus em favor dos que O escolheram. O salário do pecado irá se tornar evidente, e os ímpios receberão sua sentença, em resposta à pergunta feita no 5o. Selo.

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12 E, havendo aberto o sexto selo, olhei, e eis que houve um grande tremor de terra; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue;

13 E as estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte.

14 E o céu retirou-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares.

15 E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas;

16 E diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro;

17 Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?

 

PARTE 2 - Apocalipse 6:15-17

 

*** Pessoas se escondendo ***: O verso 15 desse capítulo de Apocalipse descreve quem é que vai querer fugir da presença do Senhor. O verso basicamente menciona de pessoas que ocupam posições de liderança no mundo, até pessoas que não possuem nenhum direito sequer. A ira do Cordeiro irá cair sobre qualquer um que rejeitar o Messias, independentemente de sua posição social. A agonia que essas pessoas irão sentir será tão grande, que vão desejar que as pedras caiam sobre elas (veja também Oséias 10:8; Lucas 23:30). Ao falar sobre o Dia do Senhor, Isaías 2:19-21 descreve esse mesmo cenário, de pessoas tentando se esconder nas cavernas das montanhas por causa da “da glória da sua majestade, quando ele se levantar para assombrar a terra.” Vemos em Apocalipse 6:16, que após se esconderem nas cavernas das rochas, as pessoas irão tentar fazer o impossível. Elas irão tentar se esconder da face de Deus. Isso é exatamente o oposto do que Moisés desejou enquanto recebia os 10 Mandamentos de Deus, no monte Sinai. Ele queria ver a face de Deus. E Deus respondeu: “[…] Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá. Disse mais o Senhor: Eis aqui um lugar junto a mim; aqui te porás sobre a penha. E acontecerá que, quando a minha glória passar, pôr-te-ei numa fenda da penha, e te cobrirei com a minha mão, até que eu haja passado. E, havendo eu tirado a minha mão, me verás pelas costas; mas a minha face não se verá.” (Êxodo 33:20-23). Note que Deus é quem escondeu Moisés na fenda da rocha. Moisés não tentou esconder a si mesmo, por seus próprios esforços. Deus estava a cargo da proteção. E porque Ele é um Deus misericordioso, Ele não deixou que Moisés visse toda a potência de Sua glória. Senão, Moisés teria sido consumido.

*** A ira do Cordeiro ***: Por toda a Bíblia, vemos a ira de Deus sendo mencionada diversas vezes, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo. Nessa passagem de Apocalipse, lemos que os ímpios irão tentar se esconder da ira do Cordeiro. Se analisarmos isso em termos humanos, será impossível entendermos a ira divina, e vamos ficar muito confusos, tentando compará-la a sentimentos instáveis e ações irracionais. Precisamos olhar o que a Bíblia fala a respeito disso, e deixar de lado nossas ideias sobre as emoções humanas que normalmente associamos com a palavra ‘ira’.

Primeiramente precisamos perguntar para a Bíblia se a ira do Cordeiro e a ira de Deus são a mesma coisa. A resposta vem em Apocalipse 19:15, onde o verso diz que o próprio Cristo é quem “pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso.” A fonte de ira aparenta ser a mesma tanto para o Pai quanto para o Filho.

O livro de Apocalipse nos diz que a ira de Deus começará a ser derramada nos ímpios com as pragas das taças (Apocalipse 16), e será concluída quando aqueles cujos nomes não se encontrarem no livro da vida, forem jogados no lago de fogo (Apocalipse 20:15). Apocalipse 14:9-10 diz que aqueles que adorarem a besta e sua a imagem, e receberem a sua marca, irão beber da ira de Deus. Simbolicamente, a ira de Deus é, aparentemente, contida em uma taça ou cálice (Apocalipse 14:10; Apocalipse 16:1; Apocalipse 16:19; Romanos 9:22-23).

A ira de Deus é parte de Seu caráter, da mesma forma como são a Sua graça e misericórdia. Romanos 1:18 nos diz: “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.” A ira de Deus consome aqueles que não andam em Sua verdade, ou como Efésios 5:5-7 chama essas pessoas, “os filhos da desobediência”. Mas aqueles de nós que “tendo sido justificados pelo […] sangue [de Jesus], seremos por ele salvos da ira.” (Romanos 5:8-9).

Por todo o Antigo Testamento, vemos claras e evidentes manifestações da ira de Deus. Esse lado do caráter de Deus se fez conhecido desde o começo do mundo: "E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." (Gênesis 2:16-17). Possivelmente a descrição mais simples da ira de Deus é encontrada em Romanos 6:23, "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor." No momento em que Adão e Eva pecaram, eles experimentaram a separação de Deus, e o sofrimento começou imediatamente. Eles tentaram se cobrir com roupas improvisadas, "e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus" (Gênesis 3:8). Então, sangue inocente teve que ser derramado para que pudessem ter roupas mais duráveis, e eles tiveram que ser levados para fora do jardim.

Aqueles que não aceitarem o sacrifício de Jesus, e receberem a marca da besta, irão beber a versão não-diluída, e dose completa da ira de Deus, na presença do Cordeiro (Apocalipse 14:9-10). Quando o Cordeiro revelar Sua ira, os ímpios irão experimentar separação de Deus. A decisão que tomaram de se apresentarem diante de Deus sem o manto de justiça oferecido pelo Salvador, irá fazer com que tenham que pagar por seus pecados com seus próprios salários. Cristo tomou providências para pagar pelos pecados de cada pessoa nesse mundo, mas apenas aqueles que desejarem ter sua dívida paga por Jesus, poderão ser salvos da destruição.

O sacrifício de Jesus não começou pela a tortura que Ele passou nas mãos dos soldados romanos. Seu sofrimento começou no Getsêmani. Sua agonia era tão grande, que Jesus começou a suar gotas de sangue (Lucas 22:44). Por duas vezes ele orou para que se possível, o Pai passasse dEle o cálice da Sua ira (Mateus 26:39,42). Mas o Pai havia dado a Jesus esse cálice para beber, e Cristo estava disposto a obedecer Seu Pai. Quando Pedro tentou livrar Jesus dos soldados romanos, "Jesus disse a Pedro: Põe a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o Pai me deu?" (João 18:11). Jesus foi levado para fora da cidade, onde Ele ofereceu Sua vida como sacrifício (João 19:16-17). Jesus não somente morreu a nossa morte por nós, mas também bebeu o cálice da ira de Deus em nosso lugar.

*** Quem poderá subsistir? ***: Se Cristo está voltando, e está prestes a revelar toda Sua glória, e se nenhum pecador viveu após experimentar Sua ira, a pergunta 'quem poderá aguentar a ira de Deus e sobreviver?', é uma boa pergunta. Vemos essa pergunta sendo feita no Antigo Testamento: "Quem parará diante do seu furor, e quem persistirá diante do ardor da sua ira? A sua cólera se derramou como um fogo, e as rochas foram por ele derrubadas. O Senhor é bom, ele serve de fortaleza no dia da angústia, e conhece os que confiam nele." (Naum 1:6-7). Aqueles que subsistirem ao fogo do ourives (Malaquias 3:2) são aqueles semelhantes ao ouro puro. O tipo de ouro comprado de Cristo, como lemos na carta à última igreja, a igreja em Laodiceia (Apocalipse 3:18). O ouro se tornará mais puro, e as impurezas serão queimadas. É assim como os três jovens fiéis em Babilônia, que se recusaram a adorar uma estátua feita por homens (Daniel 3:15-18), os fiéis remanescentes serão capazes de tolerar a fornalha da completa glória de Deus, e serão salvos da Sua ira. Apocalipse 7 traz em detalhes a resposta para essa pergunta.

*** Visão Geral ***: Jesus passou pela experiência de separação de Deus Pai porque estava carregando sobre Si os pecados do mundo inteiro. Do ponto de vista de Jesus, parecia que Deus O havia abandonado (Mateus 27:46). Mas Deus estava presente, revelando Sua Gloria e total medida de Sua ira. Não havia outra maneira de salvar a humanidade. Jesus teve que pagar o preço completo por nós porque Ele e Seu Pai amaram o mundo de maneira que vai além da compreenção humana (João 3:16). A ira de Deus, em sua dose não diluída, é como a luz mais brilhante que se acende em um quarto escuro: a escuridão é completamente eliminada. O pecado simplesmente não pode existir quando Deus expõe Sua gloria sobre ele. Não existe nenhuma maneira de nos escondermos da face de Deus. Somente Deus tem o poder de calibrar e focalizar a intensidade de Sua ira. Se Ele não nos proteger de Sua ira, não seremos nós que iremos poder esconder a nós mesmos. A beleza do fogo consumidor de Deus, é que ele é o aspecto do Seu caráter que executa Sua justiça. É o que purifica e vinga o vencedor. Aqueles que temem a Deus, assim como Jesus, procuram fazer a vontade de Deus, irão receber o presente da Vida Eterna. É porque Sua ira é eterna, o pecado e aflições jamais irão se levantar novamente (Naum 1:9). Quando confiamos e obedecemos a Deus, não temos motivos para temer, e iremos poder nos manter de pé e olhar diretamente para a face do Cordeiro, no dia da Sua ira. E esse será um dia realmente glorioso!

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12 E, havendo aberto o sexto selo, olhei, e eis que houve um grande tremor de terra; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue;

13 E as estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte.

14 E o céu retirou-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares.

15 E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas;

16 E diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro;

17 Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?

 

PARTE 1 - Apocalipse 6:12-14

 

*** Contexto ***: Tanto no Novo, quanto no Antigo Testamentos, encontramos textos que falam sobre os mesmos eventos descritos na abertura do sexto selo, no capítulo 6 de Apocalipse. Em todos esses outros versos, os eventos mencionados possuem uma natureza profética, e descrevem acontecimentos reais, e não simbólicos. Todos esses versos falam sobre a Segunda Vinda de Cristo.

Apocalipse 6:12-17

Isaías 13:10, 13

Isaías 2:12-21

 Mateus 24:29-30
 Lucas 21:25-27
 
Terremoto
 
A Terra se moverá de seu lugar
 
A terra será abalada

 

 

 
O sol tornou-se negro
 
O céu se escurecerá

 

 
O sol escurecerá
 
Sinais do Sol
 
A lua tornou-se como sangue

 

 

 
A lua não dará a sua luz
 
Sinais na lua
 
As estrelas caíram
 
As estrelas do céu não darão a sua luz

 

 
As estrelas cairão do céu
 
Sinais nas estrelas
 
O céu retirou-se como um livro que se enrola
 
O céus serão estremecidos

 

 
As potências dos céus serão abaladas
 
As virtudes dos céus serão abaladas
 
As ilhas e montes foram removidos dos seus lugares

 

 

 

 
Bramido do mar e das ondas
 
Pessoas se escondendo da ira do Cordeiro nas cavernas e nas rochas

 

 
As pessoas entrarão nas fendas das rochas, e nas cavernas das penhas, por causa do terror do Senhor, e da glória da Sua majestade
 
As tribos da Terra se lamentarão
 
E na Terra, a angústia das nações , homens desmaiando de terror
 
É vindo o grande dia da Sua ira
 
O dia da sua ardente ira
 
O dia do Senhor
 
Eles verão o Filho do homem vindo nas nuvens
 
E então verão o Filho do homem vindo nas nuvens com poder e grande glória
 
Quem poderá subsistir?

 

 

 

 

Após compararmos esses textos, podemos ver que os eventos associados com a abertura do sexto selo possuem um significado literal. No quinto selo, as almas sob o altar estavam perguntando até quando precisariam esperar para que seu sangue fosse vingado. O sexto selo tem a descrição dos eventos que irão levar ao dia em que a justiça será manifestada. A Segunda Vinda de Cristo é frequentemente mencionada no Antigo Testamento como o Dia do Senhor (Sofonias 1:14-18; Joel 2:31). Historicamente, as coisas descritas no sexto selo podem ter começado a acontecer em algum momento durante a Idade Média, imediatamente após o quinto selo. Mas, ao mesmo tempo, essas referências podem descrever os eventos que acontecem imediatamente antes da volta do Senhor, em algum momento no futuro.

Historicistas identificaram alguns desses eventos como já tendo acontecido em torno dos séculos 18 e 19. Os estudiosos da Bíblia daquela época, que acreditavam que a profecia já havia se cumprido, se tornaram parte do movimento que ficou conhecido como o segundo Grande Reavivamento, que resultou numa grande renovação da vida espiritual entre os protestantes. Desse movimento surgiram várias sociedades bíblicas. Missionários começaram a viajar por todo o mundo, pregando o Evangelho.

Pode ser que alguns sinais descritos na abertura do sexto selo já tenham acontecido, mas, pode ser que não. De qualquer forma, eles representam marcos para o povo escolhido, para que possa saber que o tempo do Dia do Senhor está próximo. A Sétima Praga (Apocalipse 16:17-21) descreve eventos semelhantes, mas parecem ser mais específicos do momento do fim, imediatamente antes da Segunda Vinda. É possível que o sol, a lua, e as estrelas, o terremoto, e o abalo dos céus já tenham acontecido em um grau menor no passado, mas que irão acontecer novamente no último dia, de uma maneira muito mais intensa.

*** Terremoto ***: no Antigo Testamento, os terremotos estão frequentemente associados com a Segunda Vinda de Cristo (Ezequiel 38:19-20; Joel 2:10; Amós 8:8; Ageu 2:6). Existe um outro terremoto mencionado em Apocalipse 16:18, que fragmenta a Babilônia do fim dos tempos. Alguns comentaristas bíblicos acreditam que o abalo no começo do sexto selo acontece muito antes do abalo mencionado no capítulo 16. Os historiadores identificaram o Terremoto de Lisboa, em 1755, como sendo o possível cumprimento dessa promessa. Esse terremoto atingiu 8.5-9.0 na escala de magnitude, e gerou incêndios e um tsunami. O numero de mortos pode ter atingido 1000,000 pessoas, tornando esse terremoto um do mais violentos da história.

*** O sol, a lua, e as estrelas ***: Com todos esses três elementos, vemos um padrão que enfatiza a natureza literal da passagem. Cada um dos textos começa com um objeto literal (sol, lua, estrelas), e termina com um simbólico (saco de cilício, sangue, e figueira abalada por um vento forte). O literal e o simbólico estão conectados pela palavra “como”. Usamos esse mesmo padrão constantemente hoje em dia. Se alguém diz: “Eu dormi como uma pedra ontem à noite”, entendemos claramente que ‘pedra’ é um símbolo de quão profundamente a pessoa dormiu. A pessoa é o elemento literal nessa frase, e não é símbolo de nada. Sabemos disso por causa da palavra que conecta o elemento literal e o simbólico: ‘como’. Nesse trecho de Apocalipse, João está descrevendo a condição literal do céu, e a compara com símbolos para fortalecer o entendimento da mensagem.

O sol escureceu, e se tornou negro como saco de cilício, e a lua se tornou como sangue: O escurecimento do sol foi descrito no Antigo Testamento (Joel 2:31; Joel * 3:15; Isaías 50:3; Isaías 13:10,13). Historiadores dataram esse evento como tendo possivelmente sido cumprido em Maio 19, 1780, quando uma inexplicável escuridão durante o dia ocorreu nos estados da Nova Inglaterra e partes do Canadá, e durou cerca de um dia e meio.

As estrelas caíram, assim como a figueira lança de si os seus figos verdes: Isaías 34:4 traz uma descrição semelhante das estrelas caindo: “E todo o exército dos céus se dissolverá, e os céus se enrolarão como um livro; e todo o seu exército cairá, como cai a folha da vide e como cai o figo da figueira.” Jesus também disse em uma afirmação semelhante em Mateus 24:29. Historiadores acreditam que isso se cumpriu na grande chuva de meteoros em Novembro 13 de 1833, quando uma chuva de meteoros durou por 9 horas. As estimativas dão a ideia de que cerca de 240,000 estrelas foram avistadas nesse dia.

*** O céu se retirou como um rolo ***: Mais uma vez, vemos o elemento literal (o céu), sendo comparado com o simbólico (rolo retirado/partido). A imagem do céu como um rolo é obtida de Isaías 34:4. O profeta estava descrevendo a ira de Deus. Como mencionamos antes, os sinais envolvendo os astros podem ocorrer de tempos em tempos através da historia, mas eles também foram descritos na Bíblia como sendo os acontecimentos imediatamente antes da vinda do Senhor nos últimos dias. Vamos, por um momento, considerar o conceito do rolo. No manuscrito em grego, a palavra usada para qualificar o rolo é apochórizó, que quer dizer: separado, partido, fendido. Várias traduções em Português usam a palavra “retirou”. Durante os últimos dias, o sol, a lua, e as estrelas serão abalados, removidos, ou escurecidos. A fenda no céu pode significar a revelação de uma dimensão diferente ou de um entendimento mais completo da situação. O domínio sobrenatural de Deus sobre as leis da física, que vão muito além da nossa compreensão, serão desvendados. Os acontecimentos que João descreve no verso 12-14 não são fenômenos cíclicos, que podem ser explicados pela ciência humana. A fenda no céu irá ocorrer porque o dedo de Deus irá colocá-la ali. Jesus, falando de Sua Segunda Vinda, ensinou Seus seguidores a parábola da figueira. Ele terminou a parábola dizendo: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar.” (Mateus 24:35).

*** Ilhas e montanhas foram movidas ***: Ageu 2:6-7 menciona um grande abalo imediatamente antes da vinda do “Desejado das Nações”: “Porque assim diz o Senhor dos Exércitos: Ainda uma vez, daqui a pouco, farei tremer os céus e a terra, o mar e a terra seca; E farei tremer todas as nações, e virão coisas preciosas de todas as nações, e encherei esta casa de glória, diz o Senhor dos Exércitos.” Jeremias 4:24 também fala sobre um terremoto que move montanhas: “Observei os montes, e eis que estavam tremendo; e todos os outeiros estremeciam.” Esse outro terremoto parece ser mais severo que o primeiro, mencionado em Apocalipse 6:12. O terremoto de Apocalipse 6:14 é capaz de mover ilhas e montanhas de lugar. Esse segundo terremoto tem mais em comum com o terremoto mencionado em Apocalipse 16:18. Esse evento ainda está para se cumprir.

*** Visão Geral ***: As descrições nos textos de Apocalipse e do Novo testamento, nos dão a impressão de que o planeta irá passar por convulsões e mudanças, como se estivesse indo no processo contrário de criação. Em Gênesis, lemos a respeito da Criação e o processo começando com um planeta que estava sem forma e vazio, até ter atmosfera, luz, sol, lua, estrelas, vegetação, e vida animal. A descrição que a Bíblia traz do Dia do Senhor parece descrever essa sequencia exata, mas em reverso. O ponto principal para nós hoje no que diz respeito dessa passagem, não é determinar se as profecias já foram cumpridas, ou se elas ainda vão acontecer mais perto da Segunda Vinda de Cristo. O objetivo desse texto é estabelecer que a Vinda do Senhor irá purificar do pecado, não somente as pessoas, mas também o planeta.

9 E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram.

10 E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?

11 E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram.

 

*** Contexto ***: Os primeiros quatro selos são diferentes dos últimos três. Os primeiros quatro trazem cavalos e cavaleiros, e os quatro seres viventes estão envolvidos no anúncio dos eventos que estão para acontecer na Terra. Os últimos três selos não têm cavaleiros. João aparenta estar observando os eventos assim que que Cristo abre cada selo.

*** Almas debaixo do altar ***: João começou a descrever o que ele viu imediatamente após Cristo ter aberto o quinto selo. Ele viu um altar. Mas que altar era esse? O Antigo Testamento traz a resposta. O Tabernáculo tinha 2 altares. O primeiro ficava do lado de fora, no pátio, onde os animais eram sacrificados. O outro, o altar de incenso, ficava dentro da tenda. Quando uma oferta queimada era oferecida no altar do lado de fora, um pouco do sangue era para ser colocado nas pontas do altar de incenso dentro da tenda, e o resto devia ser derramado debaixo do altar de sacrifícios do lado de fora (Levítico 4:7,18,25,30-34). Com base nesses versos, podemos entender que as almas que João viu, estavam debaixo do altar de sacrifícios. Elas haviam sido sacrificadas por causa da fé que tinham em Jesus, por aquilo que acreditavam: a verdade. Sua escolha de participar direta e ativamente na divulgação do Evangelho as levaram ao martírio. Vemos aqui uma ponte ligando a abertura do primeiro e segundo selos à abertura do quinto. No Tabernáculo Terrestre, as pessoas e sacerdotes podiam se envolver com as atividades que aconteciam no pátio, enquanto que apenas os sacerdotes tinham permissão para trabalhar dentro da tenda. O altar de sacrifícios aponta para o sacrifício que aconteceu na cruz, aqui na Terra. Podemos entender que as almas, clamando debaixo do altar haviam morrido sob a proteção da cruz. Elas haviam descansado na esperança da salvação de Cristo, mas estavam ainda aqui na Terra, uma vez que a descrição as coloca como estando no pátio, ainda clamando por justiça. Paulo falou sobre esse tipo de entrega, quando escreveu a respeito de como estava pronto para ser oferecido como sacrifício (2 Timóteo 4:6-8).

*** Até quando? ***: As almas debaixo do altar estavam suplicando a Deus, e perguntando a Ele uma coisa muito importante: quanto tempo até que Ele vingue a nossa morte? A palavra ‘vingar’ foi traduzida do grego ekdikeō, que quer dizer dispensar justiça; defender, vingar, vindicar. Esse termo tem uma conotação de legalidade. Vemos essa palavra sendo usada em Lucas 18:3, quando a viúva pediu ao juiz que “lhe fizesse justiça” (ekdikeō/Ekdikēson). Algumas versões traduziram como “defende-me”. Ela estava buscando uma proteção legal, perante a justiça do juiz. Os mártires debaixo do altar, em Apocalipse 6:10, estão clamando pela justiça de Deus. Eles querem saber quando Deus irá fazer cair Seu julgamento e vingança sobre aqueles que agiram com iniquidade contra eles. A pergunta “até quando” ocorre várias vezes na Bíblia. Frequentemente, o povo de Deus se encontra perguntando ao Senhor a respeito do tempo que precisam esperar para sua opressão acabar. A pergunta foi feita muitas vezes em diferentes circunstâncias: durante um terrível estresse físico e mental (Salmo 13:1-2; Salmo 79:1-10; Salmo 89:46; Salmo 94:3-4); quando um tempo de agonia espiritual havia sido revelado (Daniel 8:13; Daniel 12:6-7); e quando conflitos políticos com outras nações haviam afetado sua segurança (Habacuque 1:1-4). Em todos esses exemplos, no entanto, vemos que as pessoas, ao perguntarem “até quando” não estavam duvidando do poder de Deus para livrá-las da situação opressora. Mas, porque confiavam em Seu poder, elas pediram que Deus as vindicasse.

*** Os que habitam sobre a Terra ***: A expressão “os que habitam sobre a Terra” serve de contraste à cena daqueles que estão debaixo do altar. As almas debaixo do altar são aquelas pessoas que defendem a verdade de Deus, ou seja, os cidadãos do Céu (aqueles que habitam no Céu - Apocalipse 13:6). As almas debaixo do altar já são consideradas habitantes do Céu, mesmo antes de fisicamente morarem no lá. A fé que elas tinham em Jesus, e completa entrega a Ele as tornaram cidadãs celestes. Como elas ainda não chegaram no Céu, elas estão clamando por justiça. Os habitantes da Terra são aqueles que rejeitaram a verdade e que se tornaram responsáveis pela perseguição dos fiéis. Apocalipse 6:10 mais uma vez enfatiza os temas trazidos pelo primeiro e segundo cavaleiros: a separação demarcada entre aqueles que aceitam a Palavra de Deus, e aqueles que rejeitam Sua mensagem. As pessoas que aceitam a mensagem frequentemente passam por perseguição e sofrem oposição daqueles que rejeitam o Evangelho.

*** Vestes brancas ***: A confiança que os fiéis têm em seu Salvador é revigorada assim que as almas clamam por justiça. João descreve, no verso 11, o que acontece logo após essa cena. Elas recebem vestes brancas. Como estudamos nas Sete Igrejas, Jesus prometeu dar vestes brancas àqueles que vencerem (Apocalipse 3:4-5). As almas estavam recebendo as vestes que elas irão usar um dia, diante do trono de Deus, após a volta de Cristo (Apocalipse 7:913-14). O sangue dos mártires foi derramado debaixo do altar quando eles morreram na esperança do sangue purificador de Jesus. Sua salvação estava garantida. Naquele momento, a justiça passou a ser uma questão de tempo com fim definido, e não mais apenas uma possibilidade.

*** Repousar até quando? ***: A resposta à pergunta “até quando” trás a ideia de tempo, mas não de uma maneira tipicamente humana. O tempo de Deus é diferente da nossa percepção de tempo. O texto diz que os mártires precisavam esperar “um pouco de tempo”. Eles precisam esperar até que o restante dos fiéis (conservos e irmãos que deveriam ser mortos) se completassem. A palavra "completar" aqui é traduzida do grego plēroō, que significa tornar completo, preencher até a capacidade pessoal. Algumas traduções adicionam a palavra “número”, para indicar que um número específico de almas precisa ser alcançado. Mas a palavra "número" não está presente nos manuscritos gregos. Isso quer dizer que precisamos considerar uma outra interpretação desta passagem, uma interpretação que não tenha nada a ver com a quantidade de pessoas que ainda tenham que se tornar mártires. Muitos exemplos na Bíblia servem de base para tal interpretação. Em geral, Deus está interessado na qualidade, não na quantidade. Um exemplo disso foi quando Gideão estava recrutando soldados. Seu exército só se completou apenas quando ele diminuiu o número de homens, de milhares para apenas 300 (Juízes 7:1-7). era que os escolhidos tinham que estar prontos para ouvir e obedecer, e não atribuir a vitória aos seus próprios esforços (Juizes 7:2). Se prestarmos bem atenção no que Apocalipse 6:11 está dizendo, podemos ver que os que iriam se tornar mártires deveriam se tornar completos, em relação à sua condição de “conservo e irmão”, como diz o verso. O texto não está falando do numero dos mártires, mas sim deles próprios. Essas almas debaixo do altar deveriam esperar até que o caráter do outros mártires fosse trabalhado por completo, e atingisse seu potencial máximo aos olhos de Deus.

*** Aplicação simbólica e profética ***: Existem muitas camadas de simbolismo nesses três versos. O texto deixa claro que as almas debaixo do altar são aquelas pessoas que morreram em Cristo, por acreditarem na verdade de Deus. São pessoas de verdade, que estavam realmente mortas. A simbologia entra em ação aqui, porque é o sacrifício dessas pessoa que continua a falar alto e testemunhar da verdade de Deus. Esse não é um texto sobre santos desencarnados, passando por sofrimentos prolongados, clamando de debaixo de um móvel. Vemos uma simbologia semelhante em Genesis 4:10, quando Deus diz a Caim “E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra”. Um sangue debaixo da Terra não possui voz, mas o crime que havia sido cometido estava ainda ressoando muito alto nos ouvidos de Deus. Historicamente, esse período parece incluir o mesmo período descrito na resposta que Daniel recebeu em Daniel 12, começando em algum ponto na Idade Media. Mas, assim como nos primeiros quatro selos, o quinto selo representa um contínuo de tempo na vida do vencedor. O tempo do quinto selo parece começar quando o vencedor se entrega completamente a Jesus, e termina ao fim do período de “até quando". Em outras palavras, termina quando a justiça é trazida à Terra com a Segunda Volta de Cristo.

*** Visão Geral ***: Quando Jesus abriu o quinto selo, o caráter de Deus e o caráter do vencedor foram revelados. Deus é aquEle que é “santo e verdadeiro” (Apocalipse 6:10), que é poderoso o suficiente para trazer justiça e julgamento àqueles que habitam na Terra. Os vencedores são aqueles que, incondicionalmente, deram suas vidas a Cristo, até a morte. O sangue inocente que derramaram representa a pergunta de quanto tempo falta até a Segunda Vinda, e a resposta é: até que o caráter de todos os vencedores se torne completo e conhecido. "E foi-lhes dito que repousassem" (Apocalipse 6:11). A palavra grega para ‘repouso’ (anapauó), é a mesma usada na promessa que Jesus fez em Mateus 11:28-30 (traduzida como alivio e descanso): “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” A vitória está garantida. Deus quer salvar cada pessoa que quiser ser salva, e Ele está dando tempo a cada uma delas para trabalhar seu caráter, e trazer seus pesares a Jesus. A cada abertura de selo, o vencedor se acha rodeado pela infindável e intensa graça de Deus, mesmo diante do estado caótico dos moradores da Terra. A mensagem de esperança é verdadeira, assim como é o caráter de Deus. E é por isso que podemos descansar das nossas preocupações. A justiça de Deus virá em seu tempo apropriado, e Ele irá vindicar o sangue de Seus servos (Apocalipse 19:2).

7 Quando o Cordeiro abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto ser vivente dizer: "Venha! "

8 Olhei, e diante de mim estava um cavalo amarelo. Seu cavaleiro chamava-se Morte, e o Hades o seguia de perto. Foi-lhes dado poder sobre um quarto da terra para matar pela espada, pela fome, por pragas e por meio dos animais selvagens da terra.

(Versão: Almeida Corrigida e Revisada Fiel)

 

*** O quarto ser vivente ***: Muito provavelmente, o ser vivente no quarto selo é o que se parece como uma águia. Em Deuterônomio 28:48-51, lemos, como parte das maldições do concerto, que Deus enviaria uma nação estranha vinda de longe, que viria contra Israel rapidamente, como uma águia. Essa nação iria tomar tudo do povo. Devastação tomaria conta, e eles teriam fome, sede, e nada restaria. Ao contrário do que vimos no terceiro selo, onde o vinho e o óleo seriam poupados, na maldição do concerto em Deuteronômio 28:51, nem mesmo o óleo ou o vinho permanecem. A destruição completa era certa.

*** A cor amarela ***: A Palavra grega usada para 'amarelo' ou 'pálido' é chlōros, que significa verde. Era usada para descrever vegetação, mas também era usada para descrever a cor amarela-esverdeada de uma pessoa que estava doente, ou mesmo morta. Os primeiros três cavalos tinham uma cor forte e vibrante. Mas esse cavalo é diferente. Ele tem uma cor indefinida e difícil de descrever - ele tem a cor de doença e de morte.

*** O cavaleiro tinha um nome ***: Dos quatro cavaleiros, esse é o único que tem seu nome revelado para nós. Seu nome é morte. E o Hades o segue de perto. Vimos no estudo #10 que Hades é a palavra grega hadēs, que significa 'sepultura'. Às vezes é traduzida como inferno. Mas, baseado nos ensinamentos da Bíblia, vemos que o Hades é o lugar que contém os mortos, e portanto, podemos entender que ‘sepultura’ é uma tradução apropriada. A Bíblia nos diz que Jesus desceu ao Hades quando Ele morreu (Atos 2:29-33), mas que Ele não permaneceu morto. Ele ressurgiu à vida, e agora Ele possui as chaves da Morte e do Hades (Apocalipse 1:18). Em outras palavras, Apocalipse 6:8 diz que a Morte estava cavalgando em um cavalo de aparência mórbida, e que estavam deixando para trás uma trilha de sepulturas. Essa imagem nos mostra o mesmo cenário da águia descrita em Deuteronômio, que viria dominar o povo de Deus, deixando para trás uma terra desolada.

*** A quarta parte da Terra ***: Os primeiros quatro selos são quatro cavaleiros que saem para o mundo com a missão de trazer pessoas de volta para Deus. Esses cavaleiros receberam autoridade de Deus para executarem sua missão. Eles tinham controle sobre toda a Terra. A simbologia da divisão da Terra em quatro partes é vista em Apocalipse 7:1, onde quatro anjos estão segurando os quatro ventos da Terra. Esses quatro anjos têm um controle global do planeta, mais precisamente, dos eventos que ainda não devem ser iniciados. O conceito desse tipo de controle vai mais fundo ainda, e a expressão 'quatro ventos', se referindo aos quatro cantos da Terra ou Céu, está presente por todo o Antigo Testamento (Jeremias 49:36; Zacarias 2:6; Zacarias 6:5; Ezequiel 17:21; Ezequiel 37:9; Daniel 7:2; Daniel 8:8; Daniel 11:4). Jesus, ao falar de Sua Segunda Vinda, disse: " E ele enviará os seus anjos com grande som de trombeta, e estes reunirão os seus eleitos dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus." (Mateus 24:31; veja também Marcos 13:27). A quarta parte da Terra é o alvo dos julgamentos trazidos pelo quarto cavaleiro. E a quarta parte da Terra se refere ao povo de Deus que passou pela fome espiritual (terceiro selo), e que agora (quarto selo) estão à beira da Morte espiritual.

*** Espada, fome, morte, e animais selvagens ***: Essa é uma referência clara às maldições do concerto que vimos em Deuteronômio 28, resumidas em Ezequiel 14:21 como guerra, fome, pestilência, e animais selvagens. Como vimos no estudo #37, as maldições do concerto eram direcionadas aos Israelitas quando eles rejeitavam os mandamentos de Deus. Deus era quem estava no controle dessas maldições. Ele usava essas pragas para disciplinar Seu povo, mais especificamente, aqueles que estavam sendo infiéis à Sua Palavra, para trazê-los de volta para Si. Um fato interessante a respeito dessa passagem de Apocalipse, é que ela menciona um aspecto dos dois cavaleiros anteriores: a espada do segundo cavaleiro, e fome trazida pelo terceiro cavaleiro. A ordem em que esses elementos são mencionados no verso, dá a entender que o problema está se intensificando, e serve de alerta. A espada irá dividir o povo, e aqueles que recusarem a ouvir a Palavra irão sofrer fome espiritual, e eventualmente morrer, se continuarem no caminho da rejeição. O que sobrar após a morte, será consumido pelos animais selvagens da Terra.

*** Aplicação simbólica e profética ***: Como vimos no estudo das Sete Igrejas, os ensinamentos falsos começaram dentro da Igreja, e as pessoas passaram a substituir o puro ensinamento da Bíblia pela tradição. Vimos esse período de grande divisão na igreja em Tiatira, que, profeticamente, representa a igreja durante a Idade Média (estudos #19#20, e #21), e que levou à igreja morta, representada pela igreja em Sardis (estudo #22 e #23). Mas como nos três primeiros selos, os eventos trazidos por esse cavalo e cavaleiro não estão limitados somente a esse período. As atividades de todos os cavaleiros são contínuas, até o fim.

*** Visão Geral ***: O alerta trazido pelo quarto cavaleiro parece amedrontador. A idéia da espada, fome, morte, e abutres faz medo. Mas, é exatamente por isso, que Deus está dando a Seu povo esse alerta com antecedência. O propósito de qualquer alerta ou aviso é prevenção. Deus está aqui falando quais são as consequências naturais de quebrar os ensinamentos de Sua Palavra. Quando um pai diz a seus filhos: “não brinquem com fogo, ou vocês poderão se queimar”, ele não está desejando que seus filhos desobedeçam sua ordem. A intensao do pai nao é queimar seus filhos. O ponto do aviso é exatamente para manter seus filhos longe do perigo. Se os filhos decidem não dar ouvidos ao pai, e acabam se queimando, eles irão sofrer as consequências de sua desobediência. Eles terão dor, sofrimento, e podem até morrer. É por isso que Deus está alertando Seu povo. Ele não deseja que ninguém sofra, ou morra. Mas se as pessoas insistem em desobedecer, elas poderão acabar se machucando, ou pior ainda, espiritualmente mortas. Todos os cavaleiros até agora foram enviados do Céu para trabalharem com os filhos de Deus. O quarto cavaleiro não é diferente. Jesus é o quarto cavaleiro trazendo essa mensagem importante do Pai: a mensagem de morte que resulta no sepulcro. Mas, o mais importante, é que Ele está nos lembrando, através da linguagem usada no texto, de quem Ele disse que possui as chaves da Morte e do Hades: o próprio Jesus (Apocalipse 1:18). Isso significa que existe esperança. Se Jesus está no controle, podemos estar seguros que aqueles que se arrependerem e retornarem para o caminho do vencedor, não terão que enfrentar os animais ferozes da morte eterna. Jesus tem o poder de jogar a Morte e o Hades no lago de fogo, onde definitivamente terão seu fim (Apocalipse 20:14). Jesus, por outro lado, irá reinar para sempre. A salvação está somente em Cristo, e se nos firmarmos fortemente em Sua Palavra, não teremos nada a temer.

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5 E, havendo aberto o terceiro selo, ouvi dizer o terceiro animal: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo preto e o que sobre ele estava assentado tinha uma balança em sua mão.

6 E ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: Uma medida de trigo por um dinheiro, e três medidas de cevada por um dinheiro; e não danifiques o azeite e o vinho.

 

*** A cor preta ***: A cor preta aparece novamente em Apocalipse 6:12, onde lemos: "[...] e o sol tornou-se negro como saco de cilício [...]". Preto está ligado a um período de escuridão. Muitos textos no Novo Testamento se referem à condição de viver na escuridão, como sendo o tempo pelo qual uma pessoa passa antes de conhecer a mensagem de Deus (Mateus 4:16; Lucas 1:79; João 1:5; João 3:19; Atos 26:18; Colossenses 1:13). É um período de fome espiritual.

*** O terceiro ser vivente ***: Muito provavelmente esse era o ser que tinha o rosto de homem, já que a ordem em que esses seres aparecem no capítulo 6, se assemelha com a que eles aparecem em Apocalipse 4:7. O aspecto humano desse ser aparenta enfatizar a natureza espiritual desse chamado. Para entendermos melhor como a humanidade e espiritualidade estão conectadas, vamos olhar o livro de Daniel, e ler a respeito da transformação de Nabucodonozor (Daniel 4:28-37). Quando ele atribuiu a si mesmo, toda a glória do que ele havia conquistado, ele passou de rei da Babilônia (cujo símbolo era um leão com asas), à um animal que pastava como um boi. E seu cabelo se tornou como as penas de uma águia (Daniel 4:33). Quando ele reconheceu e adorou o Deus Eterno, sua humanidade retornou (Daniel 4:34-36). Vemos implícitos nesse relato, os mesmos elementos (leão, boi, homem, e águia) que vemos nos seres viventes de Apocalipse. É interessante notar que Nabucodonozor teve um momento como o 'antes e depois' na sua humanidade. Inicialmente, sem reconhecer a Deus, e depois, quando ele foi transformado após ter passado por uma experiência espiritual profunda. O rei da Babilônia havia respondido ao chamado para arrependimento.

*** O cavaleiro tinha uma balança em sua mão ***: A palavra ‘balança’ usada nesse trecho de Apocalipse foi traduzida do grego zugos, que significa não somente um equipamento para medir peso, mas também jugo, que era colocado em gado, para que trabalhassem unidos. No Antigo Testamento, a palavra balança era usada para representar fome. Comer pão por peso significava que a comida estava escassa e sendo racionada (Levítico 26:26). Por causa da desobediência de Israel, Deus disciplinou Seu povo, cortando o suprimento de pão e água, e provendo o mínimo necessário - uma quantidade que era para ser medida (Ezequiel 4:16).

*** O anúncio do preço ***: Alguém que estava no meio dos seres viventes anunciou o preço da comida a ser racionada. Não ficou claro quem falou. Como a voz vem de perto dos seres viventes, é possível que tenha sido o Pai quem falou, porque a voz tinha autoridade para determinar o preço do trigo e da cevada. E mais, também tinha autoridade de dar a ordem para que nada acontecesse ao óleo ou ao vinho.

*** “Uma medida de trigo por um dinheiro, e três medidas de cevada por um dinheiro” ***: A palavra ‘dinheiro’ é na verdade a palavra denarius nos manuscritos em Grego. O denário era uma moeda Romana, e era o equivalente à quantidade de dinheiro que um trabalhador ganhava em um dia. Naquela época, os grãos eram parte das necessidades básicas na Palestina. Trigo era considerado como o alimento principal, e cevada era tida como sendo o alimento dos pobres e animais. Uma medida de trigo era suficiente para alimentar uma pessoa apenas. Três medidas de cevada poderiam alimentar mais pessoas, mas a cevada era um grão de qualidade inferior. Em outras palavras, a voz estava dizendo que a situação era séria, e que custaria o salário de um dia inteiro para simplesmente comprar comida. Não sobraria dinheiro para comprar mais nada.

*** “E não danifiques o azeite e o vinho” ***: Enquanto o preço dos grãos estava severamente inflacionado, não havia preço estabelecido para o óleo ou o vinho. O consumo dessas duas coisas não havia sido limitado. O antigo Testamento menciona óleo e vinho como sendo necessidades comuns da vida diária (Deuteronômio 7:13; Deuteronômio 28:51; 2 Crônicas 32:28; Oséias 2:8,22; Joel 2:19). As oliveiras e as vinhas conseguem tolerar a seca mais facilmente que os grãos. Por isso, em uma seca de verdade, os grãos são os primeiros a sofrerem. Então, vemos que a fome mencionada no 3o. selo é parcial, já que nem todos os itens da dieta do povo seriam restritos.

*** Aplicação simbólica e profética ***: Continuando na linha de pensamento simbólica apresentada nos dois cavalos e cavaleiros, precisamos também entender a mensagem espiritual que o terceiro cavaleiro traz. O primeiro cavalo simboliza a divulgação do evangelho. O segundo cavalo simboliza o que acontece quando as pessoas aceitam ou rejeitam a mensagem. Então, a fome representada com a vinda do terceiro cavalo precisa estar ligada a uma fome espiritual, onde o acesso à Palavra de Deus é limitado. É provavelmente a consequência da rejeição da verdade. Em Amós 8:10-13, lemos o que Deus está dizendo ao profeta: “E tornarei as vossas festas em luto, e todos os vossos cânticos em lamentações; e porei pano de saco sobre todos os lombos, e calva sobre toda cabeça; e farei que isso seja como luto por um filho único, e o seu fim como dia de amarguras. Eis que vêm dias, diz o Senhor DEUS, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR. E irão errantes de um mar até outro mar, e do norte até ao oriente; correrão por toda a parte, buscando a palavra do Senhor, mas não a acharão. Naquele dia as virgens formosas e os jovens desmaiarão de sede.” Deus está falando de uma fome espiritual; uma fome “de ouvir as palavras do SENHOR”. A Palavra de Deus é comparada ao grão (Mateus 13:3-30; Lucas 8:11; ao Pão da vida (Mateus 4:4); e ao próprio Jesus (João 6:35-58; 1 Coríntios 10:16; João 1:1,14,29).

Na Bíblia, os líderes Israelitas tinham que ser ungidos com óleo, como um sinal de que Deus os havia escolhidos para o trabalho (Levíticos 8:12;  1 Samuel 10:1). Óleo, então, pode ser entendido como sendo um símbolo para o Espírito Santo (Atos 10:34-43; 1 João 2:20-28). Vinho pode representar salvação através do sangue de Jesus, derramado por Seus filhos (Mateus 26:27-29; Marcos 14:23-25; Lucas 22:20). João 15:1-11 diz que Jesus é a verdadeira vinha. Salvação vem através dEle.

O 3o. selo marca um paralelismo com a igreja em Pérgamo, onde as falsas doutrinas começaram a entrar na igreja, diluindo a mensagem do Evangelho. Divisão na igreja causada pelas diferentes crenças, é evidência de uma guerra espiritual. Quanto mais as pessoas se afastam da mensagem original, mais séria a seca espiritual se torna e, consequentemente, mais severa a fome. Mas, nem toda a esperança se perdeu. Ao vencedor em Pérgamo, Jesus prometeu que Ele daria de comer do Maná escondido. Os verdadeiros seguidores do Senhor, que se mantêm fiéis a Ele, irão um dia receber o próprio Cristo, e nunca mais terão fome da Palavra outra vez.

*** Visão Geral ***: O cavalo preto e seu cavaleiro saem do céu em direção à Terra, para controlar os recursos disponíveis na Terra, com a Sua balança. Mas a salvação e o trabalho feito pelo Espírito Santo não deverão ser afetados pela fome espiritual, porque essas atividades são independentes da escolha humana. Essas são operações divinas. Por outro lado, rejeitar ou aceitar o Pão da Vida são prerrogativas humanas. Porém, aqueles que escolherem rejeitar, irão trazer à tona uma condição miserável de seca e fome espiritual. Com esse entendimento, podemos ver que o cavaleiro no cavalo preto é Jesus. Com Sua balança, Ele está mostrando ao mundo, as consequência da rejeição à Sua mensagem. Mas, ao mesmo tempo, Ele garante que Suas promessas de enviar o Espirito Santo e de conceder a Vida Eterna irão continuar inalteradas e disponíveis para quem acreditar.

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3  E, havendo aberto o segundo selo, ouvi o segundo animal, dizendo: Vem, e vê.

4  E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra, e que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada.

 

*** A cor vermelha ***: Antes de falarmos do segundo ser vivente, precisamos primeiro entender a importância da cor vermelha (escarlate). A palavra grega é purrhos, que quer dizer "vermelho cor de fogo". No Antigo Testamento, vermelho está associado com derramamento de sangue (2 Reis 3:22-23; Naum 2:3); e com pecado (Isaías 1:18). Mas, uma referência interessante, está em Números 19:2, onde Deus ordenou que os israelitas trouxessem "uma novilha vermelha sem defeito, que não tenha mancha, e sobre a qual não se tenha posto jugo". Eles tinham que trazer a novilha até o sacerdote, para que ele pudesse oferecê-la em sacrifício a Deus. Então, vermelho também estava associado com sacrifício. No Novo Testamento, a cor vermelha está associada com Satanás (o dragão vermelho, Apocalipse 12:3); com uma Besta (Apocalipse 17:3); com uma prostituta vestida em escarlate, que “tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua fornicação”, e que “estava embriagada do sangue dos santos, e do sangue das testemunhas de Jesus” (Apocalipse 17:4, 6). Então, com base nos dois Testamentos, a cor vermelha representa derramamento de sangue, sacrifício, e perseguição por causa da presença do pecado no mundo.

*** O segundo ser vivente ***: Levando-se em consideração o significado da cor vermelha, podemos imaginar que o segundo ser vivente que está chamando o cavalo vermelho e o cavaleiro, é o que se parece com um bezerro. Os bezerros eram animais usados no ritual de sacrifício no antigo Israel. Esse ritual apontava para o sacrifício que Cristo um dia iria oferecer por Seu povo. Antes de Jesus vir à Terra como ser humano, o povo de Deus deveria oferecer sacrifícios a Deus, na expectativa do Messias que viria no futuro. Após a cruz, passamos a olhar para trás, para o sacrifício que Ele fez por nossa causa. Da mesma forma como na abertura do primeiro selo, o segundo ser vivente chamou outro cavaleiro e seu cavalo, que saíram do Céu, com destino à Terra.

*** O cavaleiro recebeu o poder de retirar a paz da Terra ***: A bíblia diz que Jesus recebeu Sua autoridade do Pai (Mateus 28:18; Mateus 11:27; João 3:35; João 5:22; João 13:3; João 17:2; Efésios 1:19-23). O pai deu autoridade ao Filho para que Ele pudesse deixar claro para os habitantes da Terra, que eles têm o direito de escolha. Apocalipse 6:4 ecoa a mensagem de Mateus 10:34-36, onde Jesus está instruindo os discípulos: “Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada; Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; E assim os inimigos do homem serão os seus familiares.” Após receberem a mensagem do Evangelho (vento representado pelo primeiro cavaleiro), as pessoas se deparam com a necessidade de tomarem uma decisão: aceitarem ou rejeitarem a mensagem. De qualquer forma, a paz é retirada. Aqueles que rejeitam a mensagem, deixam de receber a paz espiritual que preenche os fiéis, mesmo em tempos difíceis. E por causa dessa rejeição, várias formas de perseguição começam a surgir, e em diferentes intensidades. Aqueles que aceitam o Evangelho, podem sentir paz espiritual, mas passam a ser o foco da oposição daqueles que não aceitam a mensagem.

*** Uma grande espada ***: Os versos em Mateus 10:34-36, Efésios 6:13,17, Hebreus 4:12, Apocalipse 1:16, Apocalipse 2:16, Apocalipse 19:21, e Apocalipse 19:15, nos levam a pensar que a Palavra de Deus é a grande espada de Apocalipse. Essa divisão nos faz lembrar da perseguição que Paulo sofreu enquanto pregava na Ásia Menor. Também nos faz lembrar da perseguição que a igreja sofreu nos primeiros séculos, mencionada na carta à igreja em Esmirna (estudo #15 e #16). O ponto é que, só existem dois lados nessa batalha espiritual: o lado daqueles que estão com Deus, e o daqueles que não estão. Os limites estabelecidos pela Palavra de Deus estão claramente demarcados, e separam os dois lados. Hebreus 4:12 diz: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”.

*** Pergunta: não é Satanás que causa divisão na igreja? ***: A resposta não é exatamente ‘sim’ ou ‘não’. A bem da verdade é que Satanás quer que o povo de Deus caia em pecado e se distancie de um relacionamento verdadeiro com Deus. E ele trabalha nessa direção. Mas, sua estratégia geral aparenta estar mais ligada com a intenção de misturar as filosofias de uma maneira indiferenciável. Quando as pessoas não têm como distinguir verdades espirituais das meias-verdades, as doutrinas falsas se tornam mais aceitáveis. Apocalipse 18:3 diz que todas as nações haviam sido enganadas pelas mentiras do poder que, no final dos tempos, procura se posicionar no lugar de Deus (representado simbolicamente por Babilônia). Esse engano é global. Satanás quer esfumaçar a percepção das pessoas, enquanto Cristo quer que Seu povo e Sua verdade se destaquem.

*** Que se matassem uns aos outros ***: É interessante notar que o cavaleiro com a espada não é quem saiu para matar. O cavaleiro tirou a paz, e são as próprias pessoas que estão se matando umas às outras. Para podermos entender melhor porque Jesus permite que Seu povo sofra perseguição (ao retirar a paz), precisamos entender o significado simbólico da espada. Imagine que cada pessoa nesse mundo seja um nome em uma folha de papel. Deus quer identificar cada um de Seus seguidores. Ele quer tornar claro para o mundo, que aquelas pessoas pertencem a Ele. A espada é como uma grande caneta-tinteiro, que Deus abastece com o sangue de Jesus, e a usa para sublinhar o nome de Seus seguidores. Dessa maneira, o povo de Deus e Sua verdade se tornam facilmente identificáveis. Por outro lado, isso faz com que o povo de Deus se torne vulnerável à perseguição. Se torna, aparentemente, um alvo fácil aos ataques do inimigo. Satanás então, procura apagar esses nomes da folha. Deus permite que isso aconteça porque Satanás pode apagá-los apenas dessa página temporária, que é simplesmente um rascunho. O inimigo não pode apagar os nomes do povo escolhido de Deus no Livro da Vida.

Vítimas de guerra vão existir nessa batalha, nos dois campos. Jesus alertou Seu povo dizendo que quem O seguir irá sofrer perseguição (João 16:33), e quem quiser ganhar a vida eterna, poderá perder sua vida terrena (Mateus 10:38-39). Ataques podem vir diretamente através de perseguição, como uma tentativa de eliminar aqueles que crêem. Ataques podem também vir indiretamente, quando diferentes grupos de inimigos estão lutando entre si, fazendo com que o povo de Deus seja pego no meio. A bem da verdade, é Satanás que, muitas vezes, é a força por trás de diferentes grupos que aparentam estar em lados opostos.

*** Aplicação simbólica e profética ***: A luta, matança, e perseguição, podem ser entendidas tanto literalmente como espiritualmente. Vamos, por um instante, pensar em quantas guerras pelo mundo afora, ocorreram em nome da religião, ou ligadas à um preceito religioso. Vamos agora trazer esse conceito para uma escala menor, e pensar em quantas vezes, discórdia e discussões veementes ocorrem dentro da igreja. Se a coisa mais importante ao debater um assunto espiritual é que apenas uma opinião pessoal prevaleça sobre todas as outras, a todo e qualquer custo, sem compaixão e amor uns pelos outros, então, de acordo com Cristo, é o mesmo que cometer um assassinato (Mateus 5:21-26). Toda vez que escolhemos não nos comportar e viver de acordo com o exemplo deixado por Cristo, passamos a exibir o comportamento oposto, e assim, matamos espiritualmente uns aos outros.

O tempo profético que se encaixa com a abertura do segundo selo, é o mesmo que vimos na igreja em Esmirna. Foi um período em que o povo passou por perseguição severa durante o segundo e terceiro séculos (veja os estudos #15 e #16). Mas esse é um processo que vemos por todos os tempos da História, e até mesmo a nível pessoal. A aplicação vai além de um período específico de tempo.

*** Visão Geral ***: Jesus é o segundo cavaleiro, que recebeu todo poder do Pai. Ele traz em Sua mão a Palavra de Deus. A decisão que as pessoas tomam após ouvirem Sua mensagem é crucial, e determina em que lado da guerra espiritual elas estão. A guerra que Deus se interessa mais não é a que é travada com armas terrenas, mas sim a que tem consequências eternas, na qual lutamos com a verdade de Deus e com obediência aos Seus mandamentos (2 Coríntios 10:3-6). A nossa única proteção é aceitar o sacrifício de Jesus por nós. Quando as pessoas se apresentam diante de Deus, em nome de seu próprio mérito e sangue, elas estão declarando que não precisam de um Salvador. Isso quer dizer que elas aceitam o preço da morte eterna. Quando nos apresentamos diante de Deus, em nome do sangue de Jesus, nos apresentamos como povo redimido, e com a dívida de morte eterna já paga por completo. Da mesma maneira que Jesus prometeu ao vencedor na igreja de Esmirna, Vida Eterna é a nossa recompensa quando permitimos que Ele sublinhe nossa vida com Seu sangue redentor.

1  E, havendo o Cordeiro aberto um dos selos, olhei, e ouvi um dos quatro animais, que dizia como em voz de trovão: Vem, e vê.


2  E olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vitorioso, e para vencer.

 

*** Panorama ***: O cordeiro é quem abre os selos. Ele é o único que foi achado digno de abri-los, porque foi Ele quem pagou o preço para restaurar a humanidade, com Seu próprio sangue. No momento quando Jesus abriu o primeiro selo, eventos impressionantes começaram a ser revelados. Os primeiros quatro selos estão diretamente ligados um com o outro, uma vez que todos eles incluem cavaleiros e cavalos. A expressão “os quatro cavaleiros do Apocalipse” é bastante conhecida.

Encontramos um texto similar no Antigo Testamento, falando a respeito de cavalos de cores diferentes (Zacarias 1:8-17, e Zacarias 6:1-8). As cores dos cavalos no capítulo 1 de Zacarias são mencionadas (vermelho, malhado, e branco), mas não são enfatizadas. No capítulo 6 de Zacarias, vemos as mesmas cores dos cavalos mencionados no capítulo 6 de Apocalipse. Uma informação importante que pode nos ajudar a entender os cavalos em Apocalipse, é que, nos textos de Zacarias, os cavalos vêm do Céu. O Senhor os enviou. E eles tinham uma missão a ser cumprida aqui na Terra.

*** Voz de trovão disse: Vem ***: Assim que o primeiro selo foi aberto, João viu um dos seres viventes fazendo um anúncio. Ele tinha a voz de trovão. Apocalipse 4:7 nos diz: “E o primeiro animal era semelhante a um leão, e o segundo animal semelhante a um bezerro, e tinha o terceiro animal o rosto como de homem, e o quarto animal era semelhante a uma águia voando.” A voz de trovão combina bastante com a imagem de leão. É possível que o primeiro ser vivente, o que se parecia com um leão, foi quem fez o anúncio: “Vem, e vê.” Em alguns manuscritos gregos, como o Textus Teceptus, o texto diz Erchou kai blepó. Erchou vem do verbo Erchomai, e quer dizer vir ou ir, Blepó significa olhar, ver, perceber, discernir. Outros manuscritos, como o Códex Alexandrinus, incluem apenas a palavra Erchou (“vem”). De qualquer forma, o ser vivente está chamando o cavalo branco e seu cavaleiro (mencionados no verso 2), e convidando João a ver a cena.

*** Cavalo Branco ***: Primeiro, precisamos considerar algumas coisas para podermos entender os resultados da abertura do primeiro selo.

Onde e quem?: Um cavalo branco/cavaleiro “saiu vitorioso, e para vencer” (Apocalipse 6:2). A primeira coisa que precisamos saber é: onde foram para vencer? Quando soubermos para onde eles foram, vai ficar mais fácil identificar que grupo de pessoas eles queriam conquistar. O texto dá a entender claramente que o ser vivente que os chamou estava na sala do trono no Céu. Essa informação nos leva a pensar que, assim como os textos que lemos em Zacarias 1 e 6, o cavaleiro em Apocalipse está saindo do Céu, e indo para algum outro lugar. Por todo o livro de Apocalipse, o foco principal é revelar Cristo à humanidade caída. Desde a primeira visão, Cristo estava mostrando a João, Seu plano para resgatar Seu povo na Terra. Portanto, o cavaleiro e o cavalo branco estavam, muito provavelmente, indo para a Terra para conquistar as pessoas ali. Já que o cavaleiro foi enviado do Céu, sua missão deveria ser conquistar pessoas para Deus.

Cor branca: a cor branca em Apocalipse está sempre relacionada com Jesus e Seus seguidores.

Jesus é descrito como tendo cabelo branco

Apocalipse 1:14

O vencedor recebe a promessa de uma pedra branca

Apocalipse 2:17

O vencedor irá receber vestes brancas

Apocalipse 3:4,5,18

Os 24 anciãos estão vestidos de branco

Apocalipse 4:4

Os mártires recebem vestes brancas

Apocalipse 6:11

O Filho do Homen está sentado em uma nuvem branca

Apocalipse 14:14

Jesus é o cavaleiro em um cavalo branco

Apocalipse 19:11

Exércitos seguindo Jesus estão em cavalos brancos, e vestidos de branco

Apocalipse 19:14

Deus irá se sentar em um trono branco no julgamento final

Apocalipse 20:11

Natureza simbólica e profética: A natureza simbólica e profética desse cavaleiro e cavalo branco se torna clara após analisarmos as implicações de onde vem o cavaleiro, para onde ele está indo, e a importância da cor do cavalo. A interpretação literal da cena imediatamente após a abertura do primeiro selo não consegue abranger a profundidade do simbolismo apresentado. O objetivo do cavaleiro no cavalo branco está relacionado à mensagem incutida em todas as passagens que incluem a cor branca como fator de qualificação.

As 3 principais interpretações: Existem diferentes opiniões a respeito de como interpretar o cavalo branco e o cavaleiro. 1) Literal: uma visão moderna é a interpretação literal. Nessa interpretação, o cavalo e cavaleiro seriam Partanos, que eram inimigos dos Romanos, e eram famosos pelos seus cavalos, arcos e flechas durante as guerras. O problema com essa interpretação é que não apresenta nenhum significado profético relacionado à conquista de pessoas para Deus. 2) O cavaleiro como sendo o anticristo: aqueles que propõem essa interpretação trazem bons argumentos, como os exemplos bíblicos onde o arco e flecha são usados como símbolos dos inimigos de Deus. Eles defendem essa ideia porque os outros cavaleiros trazem consigo pragas, e este também. Essa interpretação também não leva em consideração o fato de que o cavaleiro foi enviado do Céu com o objetivo de preparar conquistas para Deus. 3) Cavaleiro e cavalo como símbolo da pregação do Evangelho: Cristo foi quem selou a oportunidade de salvação e a tornou realidade quando Ele morreu na cruz. O Pentecostes, que como vimos, está ligado ao momento quando Cristo se assentou no trono juntamente com o Pai, e marcou o começo da pregação do Evangelho. A mensagem do Evangelho está claramente apresentada em todos os versos no livro de Apocalipse, onde a cor branca é mencionada. A Palavra de Deus se espalhou rapidamente após o Pentecostes, conquistando pessoas para o Reino de Deus. Essa visão parece ser a que mais se encaixa com os eventos que deveriam acontecer imediatamente após a ascensão de Cristo ao trono.

*** Um arco ***: O cavaleiro tinha um arco. O texto dá a entender que ele estava usando o arco como sua arma para conquistar o povo. Em Habacuque 3:8-9 e Salmo 45:3-5, vemos Deus em um cavalo, e um arco em Sua mão. Com Suas flechas, Ele perfura os corações (Salmo 45:5) e as cabeças (Habcuque 3:14) de Seus inimigos. Dessa maneira, Ele pode dar a eles um coração novo, e um novo entendimento se estiverem dispostos a deixar que Ele entre em suas vidas.

*** A coroa ***: O cavaleiro recebeu a coroa de vitória (stephanos). Essa é a coroa que foi prometida àquele que vencer, e o tipo de coroa que os 24 anciãos usam. O fato do cavaleiro já estar usando a coroa de vitória, indica que ele já venceu os desafios trazidos pelo pecado. João descreve esse momento na visão mencionada no capítulo 5. Quando Cristo subiu ao trono, apenas os 24 anciãos e Jesus possuíam a coroa de vitória. Em Apocalipse 19:11-12, Jesus é o cavaleiro do cavalo branco, mas nessa cena, Ele tem na cabeça a coroa real (diadema), e não a coroa de vitória. A razão dessa diferença é porque Apocalipse 19 mostra o momento triunfal da vitória de Cristo sobre Seus inimigos. Nesse ponto, Cristo será inegavelmente o governante do mundo, e então irá usar a coroa real. 1 Coríntios 15:24-25 diz: “Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés.

*** Vitorioso, e para vencer ***: A palavra grega usada na expressão “vitorioso, e para vencer” é a mesma palavra usada para o vencedor, que foi mencionado nas sete cartas às igrejas da Ásia Menor (Apocalipse 3 e 4). O verbo nikaó quer dizer conquistar, superar, ser vitorioso, prevalecer, subjugar. Agora fica mais evidente que o cavalo branco e o cavaleiro representam a jornada de uma vida do vencedor quando aceita o chamado para ouvir o Espírito e seguir a Palavra de Deus. Esse processo começou no Pentecostes, e vai continuar até o tempo do fim do mundo. A mensagem do Evangelho se espalhou rapidamente durante o primeiro século. Desde então, esse processo nunca parou de conquistar. Jesus disse em Mateus 24:14: “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.

*** Visão Geral ***: Após considerar cada elemento descrito em Apocalipse 6:1-2, podemos ver que a conquista acontecendo no planeta Terra é a divulgação da Palavra de Deus, e a reação das pessoas quando elas ouvem a mensagem. Se elas aceitam a mensagem, elas iniciam a jornada do vencedor. Elas recebem um novo coração, e um novo entendimento. Mas, quem é esse cavaleiro? A Bíblia traz dois versos que nos ajudam a entender a resposta para essa pergunta. O Salmo 45:4 diz que Deus cavalga em Sua majestade, ou esplendor. Apocalipse 19:13 diz que Jesus “estava vestido de veste tingida com sangue; e o nome pelo qual se chama é A Palavra de Deus.” Jesus é a Palavra de Deus viva, indo adiante como o cavaleiro. Ele estava cavalgando na amplidão de sua majestade, porque o sangue que havia derramado na cruz proporcionou uma maneira para as pessoas poderem vencer o mundo, da mesma maneira que Ele o venceu.

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Saturday, 29 October 2016 22:24

37. Os sete selos: visão geral * Apocalipse 6

Antes de entrarmos nos detalhes de cada selo, precisamos ter uma visão geral dos Sete Selos. Os eventos no capítulo 4 e 5 de Apocalipse terminaram com um culto de louvor fenomenal, e com a ascensão de Cristo ao trono. Com Jesus sentado ao lado direito do Pai, e sendo reconhecido como digno de abrir os selos, todos os olhos se voltaram novamente para o livro selado em Suas mãos. Ao Jesus abrir cada um dos selos, vemos a descrição de eventos surpreendentes, mas não vemos a leitura do conteúdo do livro. Não é difícil entender que o livro só pode ser lido depois que todos os selos tiverem sido removidos. No entanto, cada selo é o gatilho de acontecimentos na Terra. E esses eventos estão descritos no capítulo 6 e no começo do capítulo 8 de Apocalipse. Existe uma pausa entre o 6o. e o 7o. selos. Essa pausa funciona como um parêntesis. Essa interrupção é necessária para dar um zoom em algumas informações importantes. Então, quando essas informações são explicadas no capítulo 7, a abertura dos selos volta a prosseguir no capítulo 8.

No Israel antigo, o novo rei costumava exercer seu julgamento sobre seus inimigos logo após ter tomado posse do trono (1 Reis 2;  1 Reis 16:11;  2 Reis 9:14-37 à 2 Reis 10:27;  2 Reis 11:1,13-16). O fato da abertura dos selos ser o primeiro ato de Cristo como Rei, nos faz pensar que os selos têm em si um elemento de julgamento. Mas, ao contrário do julgamento dos reis de Israel, o julgamento contido nos selos não são direcionados aos inimigos de Deus, mas sim ao povo de Deus. Podemos então concluir que Seu julgamento é baseado no amor, e tem a intenção de chamar o povo para o arrependimento. Para relembrar o tema das sete cartas de Apocalipse, os Sete Selos têm a ver com o caminho que o vencedor escolhe. Quando Deus disciplina Seus filhos, é sempre com a intenção de salvá-los, e guiá-los de volta para Si. Como Jesus disse em Apocalipse 3:19, “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.

Jon Paulien, um professor de teologia, especializado em livros da Bíblia escritos pelo apóstolo João, observou que os primeiros quatro selos contêm os mesmos temas das maldições do concerto, encontradas no Pentateuco (primeiros 5 livros da Bíblia). Essas maldições são encontradas em Deuteronômio 28:15-68, e estão enraizadas em Levíticos 26:21-26. Ezequiel fala sobre “quatro maus juízos” ou julgamentos severos, que Deus iria mandar sobre Jerusalém por causa da sua desobediência: espada, fome, pestilência, e feras (Ezequiel 14:21). Jeremias 15:2-3 menciona 4 tipos de maldições que Deus iria derramar sobre Jerusalém. O povo com quem Deus tinha um concerto naquela época não estava disposto a seguir Suas instruções. Ao rejeitar a palavra de Deus, Israel decidiu se opor à proteção de Deus, e inevitavelmente se expor às consequências de sua própria decisão. Como resultado da apostasia de Israel, as pessoas sofreriam os ataques de seus inimigos. A história nos conta como o povo acabou sendo levado para o exílio na Babilônia. Essas maldições eram frequentemente mencionadas no Antigo Testamento, e sempre tinham como objetivo levar as pessoas ao arrependimento. (Jeremias 14; Jeremias 15; Jeremias 21:6-9; Jeremias 24:10; Jeremias 29:17-18; Ezequiel 5:12-17; Ezequiel 6:11-12; Ezequiel 12-23; Ezequiel 33:27-29).

Da mesma maneira que Deus permitiu que Israel sofresse as consequências de sua desobediência, e passasse por guerras, fome, pestilência, e animais ferozes, Ele também prometeu que livraria Seus servos dos seus inimigos (Deuteronômio 32:41-43). Podemos ver que Deus tomava as dores do povo para si, pois chamou os inimigos de Israel "Meus adversários [...] que Me odeiam" (Deuteronomio 32:41). Isso é exatamente o que vemos no 5o. selo. Em Deuteronômio 32:43, lemos: “Jubilai, ó nações, o seu povo, porque ele vingará o sangue dos seus servos, e sobre os seus adversários retribuirá a vingança, e terá misericórdia da sua terra e do seu povo.” Mais uma vez, vemos que, quando o julgamento de Deus é direcionado ao Seu povo, o propósito é redenção. Quando é direcionado aos Seus inimigos, o propósito é a execução da justiça de Deus.

Stefanovic notou que o capítulo 6 de Apocalipse também segue o formato do sermão que Jesus pregou no Monte das Oliveiras (Mateus 24; Marcos 13; Lucas 21). Outra vez vemos os temas de guerra, fome, pestilência, e perseguição mencionados. Além disso, vemos também o paralelo com o 6o. selo, com a menção dos sinais no céu, lamentações, e a Segunda Vinda de Cristo.

*** Visão Geral ***: Da mesma forma como vimos nas Sete Igrejas, os Sete Selos cobrem o período profético do tempo de João até a Segunda Vinda. Mas o ponto de vista apresentado é diferente. As Sete Igrejas descreveram eventos relacionados com a história da igreja. Os Sete Selos estão relacionados com a pregação e aceitação do evangelho através da história. Falam do caminho de altos e baixos onde o vencedor está prosseguindo. No Antigo Testamento, vemos uma descrição parecida da jornada do povo de Israel, e como Deus lidou com o povo durante aquele tempo. Deus iria mandar Seu julgamento sobre as pessoas quando elas estivessem quebrando a aliança que Deus havia estabelecido com elas. Esses julgamentos eram muitas vezes descritos como guerra, fome, pestilência, e animais ferozes. A princípio, essas consequências parecem ser um pouco duras demais. Mas Deus, em Seu infinito amor e sabedoria, sabia o que era necessário ser feito para trazer o povo de volta para Si. Trazer o povo ao arrependimento era o objetivo principal por trás das maldições do concerto do Antigo Testamento. Julgamentos parecidos são também encontrados no Novo Testamento, onde o próprio Jesus estava ensinando sobre os últimos dias nessa Terra. Porque Deus é amor, Sua missão não é condenar aqueles que escolhem serví-Lo. Ele não quer ver ninguém se perder. Ele respeita o nosso direito de escolher o lado ao qual queremos pertencer. Cada escolha traz suas repercussões. Se escolhermos o lado dEle, automaticamente damos a Ele permissão para corrigir o curso do nosso caminho de volta ao rumo certo. Se escolhermos não estar do lado dEle, então, automaticamente nos expomos à garantida execução de Sua justiça, e às consequências de não estarmos escolhendo a vida. Não tem como existir vida longe do Doador da Vida.

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