Displaying items by tag: O pequeno livro

5 E o anjo que vi estar sobre o mar e sobre a terra levantou a sua mão ao céu,

6 E jurou por aquele que vive para todo o sempre, o qual criou o céu e o que nele há, e a terra e o que nela há, e o mar e o que nele há, que não haveria mais demora;

7 Mas nos dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta, se cumprirá o segredo de Deus, como anunciou aos profetas, seus servos.

 

Parte 3 - Apocalipse 10:5-7

 

*** Contexto Geral ***: Lemos a respeito de uma cena muito semelhante em Daniel 12:7: "E ouvi o homem vestido de linho, que estava sobre as águas do rio, o qual levantou ao céu a sua mão direita e a sua mão esquerda, e jurou por aquele que vive eternamente que isso seria para um tempo, tempos e metade do tempo, e quando tiverem acabado de espalhar o poder do povo santo, todas estas coisas serão cumpridas." Vamos comparar o texto em Apocalipse 10:1, 2, 6 e 7 e Daniel 12:7, para podermos ter uma melhor compreensão do que João estava vendo em sua visão.

 

  Apocalipse 10:1, 2, 7 Daniel 12:7
Um mensageiro vestido com uma nuvem (verse 1) em linho
Estava de pé o seu pé direito sobre o mar, e o esquerdo sobre a terra (versos 2 e 5) estava sobre as águas do rio
Com suas mãos levantadas levantou a sua mão ao céu (verso 5) levantou ao céu a sua mão direita e a sua mão esquerda
Jurou por Deus E jurou por aquele que vive para todo o sempre, o qual criou o céu e o que nele há, e a terra e o que nela há, e o mar e o que nele há (verso 6) jurou por aquele que vive eternamente
O juramento tinha a ver com tempo que não haveria mais demora (tempo) (verso 6) que isso seria para um tempo, tempos e metade do tempo
O período nos dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta, se cumprirá o segredo de Deus, como anunciou aos profetas, seus servos. (verso 7) quando tiverem acabado de espalhar o poder do povo santo, todas estas coisas serão cumpridas

 

Os mensageiros nos textos de Apocalipse 10 e Daniel 12:7 estão fazendo um juramento sobre um tempo profético. Em Daniel 12:7, a ênfase está no período de tempo que vai acabar. Já no texto de Apocalipse, está no tempo que iria começar. Será que eles estão falando sobre o mesmo período de tempo? Ou será que um período começa quando o outro termina? E se forem diferentes, qual deles vem primeiro? Claramente, ambas as passagens estão relacionadas. Vamos, então, examinar mais detalhadamente o texto de Apocalipse, a fim de responder a essas perguntas.

*** Mãos levantadas ***: João estava prestando atenção no anjo forte em sua visão. No estudo #66 e #67, vimos a descrição do anjo e a importância da mensagem profética, não-selada, que Deus estava enviando. João viu o anjo levantar a sua mão para o céu (Apocalipse 10:5). O anjo estava prestes a declarar um juramento. O anjo é o veículo transmissor da mensagem, mas o juramento sendo pronunciado vinha do próprio Deus. Esse anjo não tem controle sobre o inicio ou fim dos eventos de Deus. Deus é quem determina quando acabaria o tempo (Apocalipse 10:6).

*** O juramento: já não mais haverá tempo ***: o juramento em si é muito curto. Uma tradução literal do manuscrito grego diz: "já não mais haverá tempo" (Apocalipse 10:6). Em contraste, o juramento em Daniel 12:7 tem a ver com o início de um tempo: "um tempo, tempos e metade do tempo". Em outras palavras, na passagem de Apocalipse, não há mais tempo. Na de Daniel, ainda existe tempo. Aqui podemos ver que estes juramentos ocorrem em diferentes momentos na história da humanidade. A mensagem de Apocalipse está aberta, e não está selada. As palavras da mensagem em Daniel 12 estavam "fechadas e seladas até ao tempo do fim". (Daniel 12:9). Então, podemos nos perguntar: o que Deus quer dizer com "tempo"? Existem duas palavras gregas que são traduzidas como tempo: kairós e chronos. Kairós se refere a um único ponto fixo no tempo, como um momento de um dia ou de uma temporada. Chronos, que é a raiz da palavra cronômetro, se refere a um período de tempo, à duração de um período de tempo, a uma extensão com um início e fim. Em termos matemáticos, seria o mesmo que descrever kairós como um ponto e chronos como uma linha. A palavra usada para 'tempo' em Apocalipse 10 é a palavra chronos. Várias traduções da Bíblia apresentam a frase "não haverá mais 'demora'". A palavra "demora", no entanto, implica que os acontecimentos do tempo do fim foram deslocados para um momento posterior. O tempo de Deus é perfeito e nenhum imprevisto pode levá-Lo a alterar o tempo dos eventos que Ele já tem planejado. Talvez uma melhor compreensão do juramento seria dizer que o período de tempo especificado chegou ao fim. O tempo de datas marcadas, reveladas aos seres humanos, chegou ao fim. Os últimos acontecimentos estão prestes a se desdobrar.

A profecia em Daniel 12:7 também cobre um período de tempo: "um tempo, tempos e metade do tempo". A palavra hebraica traduzida como tempo é moed, que significa "tempo designado, lugar ou encontro". Em hebraico, eles utilizavam essa palavra para se referir a um ano. A expressão 'tempos' significava dois anos. A profecia de Daniel 12:7 quer dizer, então: "um ano, 2 anos, e metade de um ano", que totaliza 3,5 anos. Como vimos nos estudos #16 e #20, muitas vezes, os períodos de tempo incluídos nas profecias não são literais. Em se tratando de profecia, 1 dia profético equivale a 1 ano literal (Ezequiel 4:6,7; Números 14:34; Levítico 25:8). No caso de Daniel 12:7, que inclui 3,5 anos proféticos, o período literal é de 1260 anos. Vamos ver em mais detalhes como chegamos a este número:

- Em primeiro lugar, precisamos saber que o povo judeu contava os anos e os meses de forma diferente de como fazemos hoje. Eles seguiam o ciclo lunar. Os meses tinham trinta dias e um ano tinha 360 dias. Com certa frequência, eles acrescentavam mais um mês para compensar o ciclo. Hoje, fazemos basicamente a mesma coisa no nosso calendário. Adicionamos um dia extra em fevereiro a cada 4 anos e temos alguns meses com 31 dias.

 

Em linguagem profética:

- 1 ANO = 360 dias

- 3 anos = 3 x 360 = 1260 dias

- 1 dia profético = 1 ano literal

- 1260 dias proféticos literais = 1260 anos

 

Este período profético em Daniel é parte de uma profecia ainda maior: a profecia dos 2300 dias (Daniel 8:14). Essa profecia é a mais longa profecia de tempo mencionada na Bíblia. Usando a regra "1 dia = 1 ano", a profecia em Daniel 8:14 equivale a 2300 anos. Este período seria inútil para nós se não soubéssemos quando começou. Mas a Bíblia nos diz exatamente quando iniciou: foi quando saiu o decreto para restaurar Jerusalém (Daniel 9:25), que aconteceu em 457 AC. Quando acrescentamos 2300 anos ao ano 457 AC, chegamos no ano de 1844. Se você for fazer esse cálculo, lembre-se de adicionar 1 ano ao seu resultado para compensar pela falta do ano zero. Não houve ano zero. O calendário do AD começou no ano 1.

A profecia de Daniel 12:7 não termina em 1844, mas está contida dentro da profecia dos 2300 dias. O estudo de hoje não tem como objetivo descrever as profecias do livro de Daniel em grande detalhe, mas apenas situá-las em relação ao juramento declarado em Apocalipse 10:6. As divisões de tempo contidas na profecia dos 2300 dias são bastante precisas e apontam para um ano exato no calendário. Mas a Bíblia não nos dá uma profecia de tempo específica após o final dos 2300 anos. Recebemos profecias de acontecimentos que vão ocorrer após o ano de 1844, tais como os eventos finais e a segunda vinda. Mas não sabemos o ano exato em que essas coisas vão acontecer. Nesse sentido, não haverá mais "tempo" após 1844. Datas exatas já não são mais diretamente reveladas aos seres humanos após esse ano. E assim, após 1844, começou o último período da história da humanidade.

*** O segredo de Deus ***: O pequeno rolo continha apenas uma parte do segredo de Deus. A revelação do conteúdo do livro maior, que estava selado em Apocalipse 5, só irá ocorrer ao som da sétima trombeta (Apocalipse 10:7). A cena em que o pequeno rolo está sendo apresentado a João acontece entre a sexta e a sétima trombeta. Mas Deus sempre revelou porções de Seu segredo aos seres humanos, desde o Jardim do Éden. Ele continuou a revelar mesmo ao longo da história, através de muitos dos livros da Bíblia, especialmente os livros proféticos do Antigo Testamento (tais como Isaías, Jeremias, Daniel, Zacarias, e muitos outros). Deus nunca deixa Seu povo sem informações. Ele sempre lhes diz quais são os Seus planos: "Certamente o Senhor DEUS não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas". (Amós 3:7). Hoje, continuamos a espalhar o segredo de Deus, ao pregarmos o Evangelho (Romanos 16:25-26; Efésios 3:4-12; Colossenses 1:26,27). Assim como o pequeno livro que João viu, também hoje sabemos apenas uma parte das complexidades que estão envolvidas na totalidade do segredo de Deus. Nenhum profeta recebeu a mensagem completa. Mesmo se juntarmos tudo o que sabemos até o momento, ainda assim não conseguiríamos compreender a profundidade do amor de Deus, o Seu plano de salvação, ou mesmo o próprio Deus.

*** Visão Geral ***: O anjo forte fez um anúncio, mas na verdade foi Deus Quem fez o juramento. Quando Deus faz uma declaração, ela não pode ser revogada: "Por isso, querendo Deus mostrar mais abundantemente a imutabilidade do seu conselho aos herdeiros da promessa, se interpôs com juramento; Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta" (Hebreus 6:17,18). A promessa de Deus é imutável, assim como é o juramento que confirma Sua promessa. A morte de Cristo na cruz foi a revelação de uma grande parte do segredo de Deus. A salvação, por meio do sacrifício de Jesus, é o elemento-chave na proclamação do segredo de Deus através do Evangelho (Romanos 16:25,26; Efésios 1:9; Efésios 3:4-12; Colossenses 1:26,27). A cena com o pequeno livro acontece em/ou após 1844, muito mais tarde do que o final da profecia de Daniel 12, que se deu em 1798. Os tempos que haviam sido precisamente definidos, estão agora no passado - "já não mais haverá tempo" (Apocalipse 10:6). O tempo contíguo do fim já começou.

Agora podemos responder às nossas perguntas iniciais sobre os juramentos em Daniel 12 e Apocalipse 10: Será que eles estão falando sobre o mesmo período de tempo? Não, eles são referentes a períodos diferentes da história. Será que um tempo começa quando o outro termina? Não exatamente. A profecia de Daniel 12 termina em 1798, e o juramento de Apocalipse marca o tempo começando após o ano de 1844. Existe aí um espaço que é coberto por outras profecias.

O ponto principal do juramento dito em Apocalipse 10:6 é mostrar que assim como Deus havia cumprido a Sua promessa na profecia dada em Daniel 12, Ele continuará a manter suas promessas dadas ao Seu povo após a sexta trombeta. Esta mensagem é dirigida aos cristãos que vivem nos últimos dias. Deus está novamente nos dando Sua garantia de que Ele é a Verdade. As circunstâncias em que os crentes do final dos tempos se encontrão podem ser cruéis, como se o inimigo estivesse dominando a guerra espiritual. Mas não devemos ter medo. Podemos confiar em Deus. Podemos nos sentir encorajados, porque Sua palavra é imutável (Hebreus 6:17,18). Deus irá prevalecer!

2 E tinha na sua mão um livrinho aberto. E pôs o seu pé direito sobre o mar, e o esquerdo sobre a terra;

4 E, quando os sete trovões acabaram de emitir as suas vozes, eu ia escrever; mas ouvi uma voz do céu, que me dizia: Sela o que os sete trovões emitiram, e não o escrevas.

 

Parte 2 - Apocalipse 10:2,4

 

*** Um livro pequeno aberto ***: A palavra grega usada para livro pequeno em Apocalipse 10:2 é bibliaridion. Esse verso nos diz que esse pequeno rolo está aberto. Já em Apocalipse 5, vemos um rolo fechado. A palavra para rolo no capítulo 5 foi traduzida do grego biblion. Bibliaridion é a forma diminutiva de biblion e biblos, e se refere ao rolo de papiro. O conteúdo do livro selado no capítulo 5, somente poderá ser completamente revelado quando todos os selos forem abertos. Iremos estudar esse assunto mais adiante, e com mais detalhes, quando começarmos Apocalipse 12. Por enquanto, vamos nos concentrar no fato de que apenas uma parte do livro está sendo revelada para João, na forma de um livro pequeno.

Alguns comentaristas bíblicos sugerem que o rolo pequeno é o livro de Daniel, que estava selado "até o fim do tempo" (Daniel 12:4,9). Esse conceito é interessante, mas limitado. O conteúdo do livro pequeno parece ir além do período de tempo descrito nas partes proféticas do livro de Daniel. Precisamos ter em mente que até esse momento (início de Apocalipse 10), João ainda não sabia do que se tratava o livro pequeno. Ele sabia apenas que o livro estava aberto, e que havia sido enviado por Deus, através de um anjo forte.

*** Sete Trovões ***: Quando João ouviu o anjo clamar em alta voz (Apocalipse 10:3), ele também ouviu um outro som. João descreveu esse som como sendo a voz de sete trovões. Eles eram OS sete trovões - a voz de trovão que o povo já conhecia (Salmo 29:3-9; Jó 26:14; Jó 37:5). O clamor do anjo ocorreu antes do som dos sete trovões. A voz de Deus é frequentemente representada na Bíblia pela voz de trovões. O fato de que eram sete trovões também é importante. Como vimos antes, o número sete aparece várias vezes na Bíblia. O número sete frequentemente representa a totalidade de Deus e Sua perfeita plenitude (veja os estudos #31 e #11). O número sete é um símbolo também. João descreveu a voz de Deus como sendo sete trovões. João parecia poder entender o que os sete trovões estavam dizendo, porque ele estava preparado para escrever as palavras que ouvia. Mas uma voz do céu ordenou que João não escrevesse o que os sete trovões haviam emitido, e que selasse as palavras que os eles haviam dito. Ninguém mais deveria ficar sabendo o que os sete trovões haviam dito, apenas João (Apocalipse 10:4). Por outro lado, A mensagem trazida pelo anjo forte, em seu rugir como leão, deveria ser revelada a todos (Apocalipse 10:6,7). A voz de Deus profetizando julgamentos que estão prestes a acontecer é, algumas vezes, comparada ao rugir de um leão. (Jeremias 25:30; Oséias 11:10; Joel 3:16; Amós 1:2; Amós 3:8). A voz de Deus como trovões demonstra quão infinito e poderoso Ele é (Apocalipse 4:5; Salmo 18:13; Salmo 81:7;  1 Samuel 7:10; Jó 40:9).

Em João 12:28-30, Deus fala com uma voz vinda do Céu, e "a multidão que ali estava, e que a ouvira, dizia que havia sido um trovão. Outros diziam: Um anjo lhe falou." (João 12:29). Na Bíblia, trovões soam antes de ações divinas importantes. Stefanovic menciona os seguintes eventos onde vemos a voz dos trovões:
- Antes da abertura dos sete selos (Apocalipse 4:5; Apocalipse 6:1)
- Antes das sete trombetas (Apocalipse 8:5)
- Antes da guerra entre o dragão e a mulher, que chegou no ápice com as sétimas últimas pragas (Apocalipse 11:9)
- Antes dos momentos finais desse mundo, ao final do julgamento (Apocalipse 16:18)

*** Sela a declaração ***: O que Deus disse através dos sete trovões parece ser de extrema importância, mas não sabemos o que Ele disse. João tentou escrever imediatamente, mas Deus tinha outros planos. Deus achou necessário que apenas João ouvisse a informação. O fato é que não sabemos o que Ele disse naquele momento. O anjo tinha uma revelação aberta, mas os sete trovões tinham uma mensagem que deveria ser selada (Apocalipse 10:4). Não se deveria ter nenhum documento do que os sete trovões haviam declarado. Ainda assim, Deus achou necessário que João incluísse que os sete trovões haviam dito algo. De alguma maneira, seríamos beneficiados pelo conhecimento de que Ele havia dito alguma coisa. Em todos os outros momentos de Apocalipse, João é encorajado a escrever a visão (Apocalipse 1:11,19; Apocalipse 14:13; Apocalipse 21:5). Podemos então concluir que esse pedido de selar a declaração dos sete trovões é o que Deuteronômio chama de: as coisas encobertas que pertencem a Deus (Deuteronômio 29:29). Quando Paulo recebeu a visão, ele "ouviu coisas indizíveis, coisas que ao homem não é permitido falar". (2 Coríntios 12:4). Essas palavras "indizíveis" não eram para serem repetidas por seres humanos. Eram palavras que pertenciam somente a Deus. Assim como Paulo, João ouviu palavras indizíveis. É possível que essas palavras não fossem proféticas, e é por isso que ele tinha que selar a mensagem. Mais adiante em Apocalipse, João recebe instruções a respeito da mensagem profética que ele deveria passar para as igrejas: João recebe a ordem para não selar "as palavras deste livro" (Apocalipse 22:10). Vemos aqui um contraste interessante: as palavras dos sete trovões estão seladas e pertencem a Deus, já as palavras do livro pequeno, que está aberto, são profecias sendo dadas à humanidade.

*** Visão Geral ***: João estava em um estado de prontidão. Ele estava preparado para escrever tudo que estava vendo e ouvindo em visão. Ao receber a mensagem de Deus, através do anjo, outra mensagem foi enviada. Desta vez, através do som de sete trovões. Uma mensagem estava aberta ao público, e a outra não. Uma estava sendo revelada, e a outra sendo selada. Os sete trovões podem ser entendidos como sendo a autenticação pessoal de Deus à mensagem que o anjo vinha trazendo. Deus estava controlando diretamente quais informações deveriam ser comunicadas ao povo, e quais não deveriam ser transmitidas. Isso mostra que o que João revelou no livro de Apocalipse não é o conteúdo que João achou por bem incluir. A mensagem foi cuidadosamente elaborada pelo próprio Deus.

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1 E vi outro anjo forte, que descia do céu, vestido de uma nuvem; e por cima da sua cabeça estava o arco celeste, e o seu rosto era como o sol, e os seus pés como colunas de fogo;

2 E tinha na sua mão um livrinho aberto. E pôs o seu pé direito sobre o mar, e o esquerdo sobre a terra;

3 E clamou com grande voz, como quando ruge um leão; e, havendo clamado, os sete trovões emitiram as suas vozes.

 

Parte 1 - Apocalipse 10:1-3

 

*** Contexto Geral ***: Como mencionamos antes, a sétima trombeta não ocorre imediatamente após a sexta. Existe uma pausa entre a sexta e a sétima trombetas, assim como vimos um intervalo entre o sexto e o sétimo selos. Cada uma das trombetas não corresponde exatamente ao tempo de cada um dos selos, mas os selos e as trombetas começam e terminam no mesmo ponto, e cobrem o período entre a ressureição de Cristo e Sua Segunda Vinda. No estudo dos selos, esse interlúdio serve para responder à pergunta feita no fim do sexto selo: "Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?" (Apocalipse 6:17). A resposta é clara: o exército de Deus permanecerá até o fim, e se tornará uma grande multidão vitoriosa diante do trono de Deus. O interlúdio entre a sexta e a sétima trombetas serve para expandir ainda mais a essa resposta. Em todas as trombetas, as descrições formam uma imagem bem definida da batalha entre o exército de Deus e o exercito inimigo. O exército de Deus é Sua igreja, e ela luta não com o uso da força física, mas sim com uma arma espiritual poderosa: a Verdade de Deus. Essa pausa explica o papel do exército de Deus e como ele divulga o Evangelho nos últimos dias.

*** Outro anjo forte ***: O anjo descrito em Apocalipse 10:1 nos lembra o anjo de Apocalipse 5:2: "E vi um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de desatar os seus selos?". Nesses dois versos, o anjo é mencionado em associação com o livro, e ambos são descritos como sendo 'anjo forte'. Apocalipse 10:1 começa com a palavra "outro", que nos leva a pensar que esse anjo forte não é um dos sete que estão tocando as trombetas.

De onde os anjos vem: Não há dúvidas de que o anjo vinha do Céu (Apocalipse 10:1). A palavra grega para anjo é aggelou, e significa "mensageiro". Esse mensageiro forte trazia consigo uma mensagem importante enviada por Deus.

Sua aparência:

* O anjo estava vestido com uma nuvem. Como vimos nos estudos anteriores, o termo 'nuvem' está frequentemente associado com a presença de Deus (veja o estudo #6). Agora fica ainda mais claro que a mensagem que o anjo trazia consigo era tão importante que estava rodeada pela presença de Deus.

* Um arco-íris estava por cima de sua cabeça. O arco-íris nos faz lembrar a descrição do trono de Deus em Apocalipse 4:3. Mais uma vez, vemos a presença do Pai nesse texto. O anjo não somente vinha do Céu, mas também da própria presença de Deus. Até mesmo sua face resplandecia como o sol.

* Os pés do anjo eram como colunas de fogo, muito semelhantes à descrição das pernas de Jesus em Apocalipse 1:15. Temos agora, não somente uma referência ao Pai mas também ao Filho. O mensageiro segurando o pequeno livro se assemelhava a dois membros da Trindade.

Em sua mão: O anjo tinha em sua mão um pequeno livro (rolo). Esse livro era diferente do livro mencionado em Apocalipse 5, em dois aspectos: era pequeno e estava aberto. Isso não quer dizer que esses dois livros não estavam relacionados. Se esses livros estão relacionados, então o livrinho de Apocalipse 10 poderia ser apenas uma parte do livro visto em Apocalipse 5. Iremos falar mais do pequeno livro no próximo estudo.

Onde o anjo estava de pé: Ao segurar o pequeno livro, o anjo poderoso tinha um pé no mar e o outro na terra. A expressão 'terra e mar' nos faz lembrar de três coisas.

* Criação: "E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi. E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu Deus que era bom." (Gênesis 1:9,10). A porção seca (terra), e a porção coberta pela água (mar) se referem à extensão completa do planeta.

* Quarto mandamento: "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou." (Êxodo 20:8-11). Deus criou "os céus e a terra, o mar e tudo que neles há". A expressão aqui também se refere ao planeta inteiro.

* A besta que emerge do mar e a que emerge da terra: "E eu pus-me sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia." (Apocalipse 13:1). "E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão." (Apocalipse 13:11). As bestas representam um poder político-religioso que possuem uma influência global. (Veremos mais detalhes sobre as bestas quando estudarmos Apocalipse 13).

Nesses três exemplos, o conceito envolvendo a terra e o mar se refere ao seu alcance mundial. O anjo estando de pé daquela maneira enfatizava as implicações globais da mensagem contida no livro.

Sua voz: O anjo clamou em alta voz. Sua voz não somente era forte, mas também se parecia com o rugir de um leão. O clamor do anjo levou os sete trovões a emitirem suas vozes (Apocalipse 10:3). O rugir do leão é usado como símbolo do som da voz do anjo ("como quando ruge um leão"). Não é um som para se passar despercebido.

*** E o anjo forte, é Jesus? ***: O anjo forte tem qualidades que parecem tanto com o Pai quanto com o Filho. A mensagem que ele estava trazendo, claramente vinha do Céu. Ele estava trazendo um livro aberto. O texto não diz que ele prórprio abriu o livro. Aparentemente, o livro havia sido aberto no Céu, antes do anjo ser enviado. Vamos agora voltar ao começo de Apocalipse, e rever a sequencia de como a mensagem iria ser passada para João: "Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo" (Apocalipse 1:1). Deus deu a mensagem para Jesus, Jesus a deu para o anjo, e o anjo a deu para João. A sequência em Apocalipse 10:1-7 aparenta ser a mesma. Durante várias lições anteriores, estudamos essa sequência, chegando a esse ponto: Deus deu o livro selado para Jesus, Jesus começou a abrir os selos do livro, então Jesus deu uma parte do livro que havia sido aberto para o anjo, e o anjo transmitiu a mensagem para João. E o anjo, é Jesus? Não exatamente, mas, de uma certa maneira, sim. Em termos modernos, podemos entender a função desse anjo ao compararmos o fluxo de informação que chega até João com a maneira que tão comumente nos comunicamos hoje. Frequentemente, enviamos mensagens eletronicamente. Recebemos uma mensagem, mas o que vemos não é quem a enviou. O que vemos são letras em uma tela, ou uma gravação em uma máquina. O verdadeiro remetente não é o telefone ou o computador. No entanto, consideramos que a mensagem que recebemos vem diretamente da pessoa que a enviou. De uma maneira semelhante, o anjo forte de Apocalipse 10:1 é o transmissor da mensagem vinda de Deus, através de Jesus. De um modo geral, é como se o próprio Jesus estivesse dando a João a mensagem.

*** Visão Geral ***: Apocalipse 10 e Apocalipse 11:1-14 cobrem o intervalo entre a sexta e sétima trombetas. Essa sessão explica o papel e as atividades dos fiéis filhos de Deus vivendo nos últimos dias. A informação chegou até João através de um anjo forte, enviado por Deus. A aparência impressionante do anjo diz a João que a mensagem possui implicações globais, e que é de extrema importância. Nesse momento, João ainda não sabia o que o livro dizia. Ele passou alguns versos descrevendo a aparência do mensageiro, para deixar claro ao leitor que o anjo trazia consigo informação divina. Os primeiros versos do capítulo 10 preparam a fundação dos versos que vem a seguir. Após ver o anjo forte e ouvir o seu clamor, João se viu pronto a ouvir o que Deus tinha a dizer.

   

Bíblia - JF de Almeida RC  

   
   
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