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13 E naquela mesma hora houve um grande terremoto, e caiu a décima parte da cidade, e no terremoto foram mortos sete mil homens; e os demais ficaram muito atemorizados, e deram glória ao Deus do céu.

14 É passado o segundo ai; eis que o terceiro ai cedo virá.

 

Parte 6

 

*** Um Grande Terremoto ***: Em Apocalipse 11:13, vemos um terremoto capaz de destruir a décima parte da cidade, matando 7.000 homens. Existem dois outros tremores de terra mencionados no livro de Apocalipse que parecem estar relacionados com o de Apocalipse 11:13: um durante o sexto selo (Apocalipse 6:12) e um em Apocalipse 16:18. Com base na linguagem do texto, o terremoto mencionado em Apocalipse 6:12 parece se referir a um terremoto real (veja o estudo de #43 para uma explicação detalhada). O terremoto mencionado em Apocalipse 16:18 é diferente de qualquer outro terremoto visto antes. A reação das pessoas descrita em Apocalipse 11:13 (dando glória a Deus) é exatamente o oposto ao que vemos em Apocalipse 6: 15-16 e Apocalipse 16: 21, onde se escondem e blasfemam contra Deus.

 

Apocalipse 11:13
Apocalipse 6:12-17
Apocalipse 16:18-21
Um grande terremoto
Um grande terremoto
Um grande terremoto
A décima parte da cidade caiu
Todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares
A grande cidade foi dividida em três partes, e as cidades das nações caíram
7000 homens foram mortos
Quem será capaz de resistir no dia da sua ira?
Uma grande saraiva caiu do céu sobre os homens
Os demais ficaram atemorizados, e deram glória ao Deus do céu
Os homens se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas, querendo fugir daquele que está assentado no trono.
Os homens blasfemaram contra Deus

 

Ao contrário do que vemos em Apocalipse 6:12-17, a descrição do terremoto em Apocalipse 11:13 não foi escrita como uma comparação entre o real e o símbolo. Em Apocalipse 11:13, João está fazendo uma declaração sobre o terremoto que afeta a grande cidade sem usar palavras comparativas tais quais a palavra 'como'. Esta forma direta da escrita nos leva a crer que o foco da mensagem aqui é espiritual e não literal. O grande terremoto poderia ser a representação espiritual do tremor de terra real mencionado em Apocalipse 6:12-17. A agitação espiritual seria tão grave que teria poderes extremamente destrutivos.

*** Décima parte da cidade destruída ***: No Antigo Testamento, Deus usou a força dos terremotos como um símbolo da Sua presença entre as pessoas e como isso poderia afetá-los (Ezequiel 38:19-20; Joel 2:10-11; Amós 8: 8; Ageu 2:4-7). Apocalipse 11:13 nos diz que o terremoto destruiu a décima parte da cidade. A primeira pergunta que vem à mente é: qual grande cidade? A resposta é encontrada no meio do estudo sobre as duas testemunhas, apenas alguns versos antes. A Bíblia nos diz que a grande cidade é uma referência à cidade “que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o nosso Senhor também foi crucificado” (Apocalipse 11:8). Vimos no estudo #74 que Sodoma e Egito são símbolos para a maldade das pessoas. A sua imoralidade espiritual e auto-importância as impediu de aceitar que tinham necessidade de ter um salvador. A imoralidade espiritual (Sodoma) refere-se a infidelidade do povo, quando substituem Deus e Sua Verdade por outras formas de culto não especificados por Deus. A auto-importância (Egito) refere-se a elevação do Próprio Eu acima Deus, quando as pessoas abandonem uma vida centrada em Deus por uma vida onde o Próprio Eu é o núcleo. Mais tarde, a grande cidade é mencionada em Apocalipse como Babilônia, como um símbolo de uma potência mundial ímpia, que enganava as nações (Apocalipse 14:8; Apocalipse 16:19; Apocalipse 17:5; Apocalipse 18:2,4,10,21 ).

Lemos em Apocalipse 11:13 que o terremoto provocou uma destruição parcial da grande cidade. Apenas um décimo foi destruído. O terremoto em Apocalipse 16:18-19 dividiu a grande cidade em três partes, fazendo com que as cidades das nações entrassem em colapso. O terremoto em Apocalipse 6:12-17 fez com que as ilhas e as montanhas fossem movidas de seus lugares. A presença de Deus sempre deixa uma marca e as coisas não continuam sendo as mesmas de antes. A destruição da décima parte da cidade implica que os outros noventa por cento dos ímpios da cidade não foram afetados. Isso nos diz que esta ainda não é a destruição final de Deus sobre aqueles que rejeitaram a Cristo. Mesmo que apenas uma parte da cidade tenha destruída, os efeitos do terremoto tiveram um importante impacto espiritual, como veremos mais tarde. Esta é outra razão para entendermos esse terremoto como um evento espiritual.

*** Sete mil homens foram mortos ***: O número sete é importante em toda a Bíblia. Vemos esse número de Gênesis, com a história da criação, até Apocalipse. Em Apocalipse, vemos sete castiçais, sete estrelas, sete igrejas, sete selos, sete trombetas, sete trovões, sete anjos, sete taças, e sete últimas pragas. Como vimos no estudo #11, o número 7 é um número que tem a ver com integridade, plena restauração, purificação completa, vitória, e com as coisas que são abençoadas e santificados por Deus. É um símbolo da perfeição de Deus. O terremoto teve um grande impacto sobre os habitantes da grande cidade. Sete mil morreram. Se estamos à procura de uma perspectiva espiritual, podemos entender que eles morreram espiritualmente. Em outras palavras, eles mantiveram as suas mentes permanentemente contra a Verdade de Deus. O número sete mil era uma representação perfeita, completa e plena das pessoas que rejeitaram a Deus. Este número representa o inverso do 7000 fiéis mencionados na história de Elias (1 Reis 19:18). Na história de Elias, os 7000 representaram a totalidade dos que tinham permanecido ao lado de Deus.

*** O que aconteceu com os demais? ***: Mais de sete mil pessoas estavam vivendo na grande cidade. O terremoto teve um impacto significativo sobre as vidas daqueles que não morreram espiritualmente. Os que sobreviveram ao tremor passaram por uma experiência completamente diferente. Eles reconheceram a supremacia de Deus, ao invés de rejeitá-Lo. Eles passaram a temer Sua presença, no sentido de que eles passaram a respeitar a autoridade de Deus. Tanto é que renderam glória a Ele (Apocalipse 11:13). Esta reação nos faz lembrar da experiência descrita em Daniel * 4:28-37, quando o rei Nabucodonosor passou por 7 anos vivendo como um animal. Ao final da sua tribulação, ele foi capaz de reconhecer a soberania de Deus, e disse: “e eu bendisse o Altíssimo, e louvei e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é um domínio sempiterno, e cujo reino é de geração em geração." (Daniel 4:34).

*** Fim do segundo ai ***: A passagem em Apocalipse 11:13 anuncia a presença de Deus através da pregação da Sua mensagem. É interessante notar que a presença de Deus foi sentida na Terra, mesmo esse terremoto tendo acontecido antes da Segunda Vinda. Como vemos em Apocalipse 11:14, o terremoto mencionado em Apocalipse 11:13 acontece antes do soar da sétima trombeta. O primeiro e segundo ais se referem ao soar da quinta e sexta trombetas. Isto significa que os eventos do segundo ai terminam com a proclamação do Evangelho por toda a Terra. Jesus disse em Mateus 24:14: “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim“. Como vimos no estudo #65, o soar da sétima trombeta (terceiro ai) nos leva à Segunda Vinda de Jesus.

*** Visão Geral ***: Seguindo a ordem de eventos que levaram ao fim da história mundial, como descrito por Jesus em Mateus 24:14, o primeiro item da lista é a pregação do Evangelho a todas as nações. Esta ordem também é vista na mensagem dos três anjos, descrita em Apocalipse 14:6-13. O anjo tem o Evangelho na mão, para pregar aos incrédulos. A chamada que o anjo faz às nações forma um paralelo com a reação daqueles que sobreviveram ao terremoto de Apocalipse 11:13. Apocalipse 14:6-7 diz: "E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas". Não há tempo a perder. O destino daqueles que rejeitarem esta chamada é a morte espiritual e, consequentemente, morte eterna. Agora é a hora para nos arrependermos, temer a Deus e dar-Lhe glória.

2 E tinha na sua mão um livrinho aberto. E pôs o seu pé direito sobre o mar, e o esquerdo sobre a terra;

4 E, quando os sete trovões acabaram de emitir as suas vozes, eu ia escrever; mas ouvi uma voz do céu, que me dizia: Sela o que os sete trovões emitiram, e não o escrevas.

 

Parte 2 - Apocalipse 10:2,4

 

*** Um livro pequeno aberto ***: A palavra grega usada para livro pequeno em Apocalipse 10:2 é bibliaridion. Esse verso nos diz que esse pequeno rolo está aberto. Já em Apocalipse 5, vemos um rolo fechado. A palavra para rolo no capítulo 5 foi traduzida do grego biblion. Bibliaridion é a forma diminutiva de biblion e biblos, e se refere ao rolo de papiro. O conteúdo do livro selado no capítulo 5, somente poderá ser completamente revelado quando todos os selos forem abertos. Iremos estudar esse assunto mais adiante, e com mais detalhes, quando começarmos Apocalipse 12. Por enquanto, vamos nos concentrar no fato de que apenas uma parte do livro está sendo revelada para João, na forma de um livro pequeno.

Alguns comentaristas bíblicos sugerem que o rolo pequeno é o livro de Daniel, que estava selado "até o fim do tempo" (Daniel 12:4,9). Esse conceito é interessante, mas limitado. O conteúdo do livro pequeno parece ir além do período de tempo descrito nas partes proféticas do livro de Daniel. Precisamos ter em mente que até esse momento (início de Apocalipse 10), João ainda não sabia do que se tratava o livro pequeno. Ele sabia apenas que o livro estava aberto, e que havia sido enviado por Deus, através de um anjo forte.

*** Sete Trovões ***: Quando João ouviu o anjo clamar em alta voz (Apocalipse 10:3), ele também ouviu um outro som. João descreveu esse som como sendo a voz de sete trovões. Eles eram OS sete trovões - a voz de trovão que o povo já conhecia (Salmo 29:3-9; Jó 26:14; Jó 37:5). O clamor do anjo ocorreu antes do som dos sete trovões. A voz de Deus é frequentemente representada na Bíblia pela voz de trovões. O fato de que eram sete trovões também é importante. Como vimos antes, o número sete aparece várias vezes na Bíblia. O número sete frequentemente representa a totalidade de Deus e Sua perfeita plenitude (veja os estudos #31 e #11). O número sete é um símbolo também. João descreveu a voz de Deus como sendo sete trovões. João parecia poder entender o que os sete trovões estavam dizendo, porque ele estava preparado para escrever as palavras que ouvia. Mas uma voz do céu ordenou que João não escrevesse o que os sete trovões haviam emitido, e que selasse as palavras que os eles haviam dito. Ninguém mais deveria ficar sabendo o que os sete trovões haviam dito, apenas João (Apocalipse 10:4). Por outro lado, A mensagem trazida pelo anjo forte, em seu rugir como leão, deveria ser revelada a todos (Apocalipse 10:6,7). A voz de Deus profetizando julgamentos que estão prestes a acontecer é, algumas vezes, comparada ao rugir de um leão. (Jeremias 25:30; Oséias 11:10; Joel 3:16; Amós 1:2; Amós 3:8). A voz de Deus como trovões demonstra quão infinito e poderoso Ele é (Apocalipse 4:5; Salmo 18:13; Salmo 81:7;  1 Samuel 7:10; Jó 40:9).

Em João 12:28-30, Deus fala com uma voz vinda do Céu, e "a multidão que ali estava, e que a ouvira, dizia que havia sido um trovão. Outros diziam: Um anjo lhe falou." (João 12:29). Na Bíblia, trovões soam antes de ações divinas importantes. Stefanovic menciona os seguintes eventos onde vemos a voz dos trovões:
- Antes da abertura dos sete selos (Apocalipse 4:5; Apocalipse 6:1)
- Antes das sete trombetas (Apocalipse 8:5)
- Antes da guerra entre o dragão e a mulher, que chegou no ápice com as sétimas últimas pragas (Apocalipse 11:9)
- Antes dos momentos finais desse mundo, ao final do julgamento (Apocalipse 16:18)

*** Sela a declaração ***: O que Deus disse através dos sete trovões parece ser de extrema importância, mas não sabemos o que Ele disse. João tentou escrever imediatamente, mas Deus tinha outros planos. Deus achou necessário que apenas João ouvisse a informação. O fato é que não sabemos o que Ele disse naquele momento. O anjo tinha uma revelação aberta, mas os sete trovões tinham uma mensagem que deveria ser selada (Apocalipse 10:4). Não se deveria ter nenhum documento do que os sete trovões haviam declarado. Ainda assim, Deus achou necessário que João incluísse que os sete trovões haviam dito algo. De alguma maneira, seríamos beneficiados pelo conhecimento de que Ele havia dito alguma coisa. Em todos os outros momentos de Apocalipse, João é encorajado a escrever a visão (Apocalipse 1:11,19; Apocalipse 14:13; Apocalipse 21:5). Podemos então concluir que esse pedido de selar a declaração dos sete trovões é o que Deuteronômio chama de: as coisas encobertas que pertencem a Deus (Deuteronômio 29:29). Quando Paulo recebeu a visão, ele "ouviu coisas indizíveis, coisas que ao homem não é permitido falar". (2 Coríntios 12:4). Essas palavras "indizíveis" não eram para serem repetidas por seres humanos. Eram palavras que pertenciam somente a Deus. Assim como Paulo, João ouviu palavras indizíveis. É possível que essas palavras não fossem proféticas, e é por isso que ele tinha que selar a mensagem. Mais adiante em Apocalipse, João recebe instruções a respeito da mensagem profética que ele deveria passar para as igrejas: João recebe a ordem para não selar "as palavras deste livro" (Apocalipse 22:10). Vemos aqui um contraste interessante: as palavras dos sete trovões estão seladas e pertencem a Deus, já as palavras do livro pequeno, que está aberto, são profecias sendo dadas à humanidade.

*** Visão Geral ***: João estava em um estado de prontidão. Ele estava preparado para escrever tudo que estava vendo e ouvindo em visão. Ao receber a mensagem de Deus, através do anjo, outra mensagem foi enviada. Desta vez, através do som de sete trovões. Uma mensagem estava aberta ao público, e a outra não. Uma estava sendo revelada, e a outra sendo selada. Os sete trovões podem ser entendidos como sendo a autenticação pessoal de Deus à mensagem que o anjo vinha trazendo. Deus estava controlando diretamente quais informações deveriam ser comunicadas ao povo, e quais não deveriam ser transmitidas. Isso mostra que o que João revelou no livro de Apocalipse não é o conteúdo que João achou por bem incluir. A mensagem foi cuidadosamente elaborada pelo próprio Deus.

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11 "[…] Escreva num livro o que você vê e envie a estas sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia."
 
19 "Escreva, pois, as coisas que você viu, tanto as presentes como as que estão por vir."
(Apocalipse 1:11, 19 NVI)
 
 
Nada em Apocalipse é por acaso. Jesus passou o primeiro capítulo desse livro descrevendo em detalhes quem Ele é. Isso dá pra gente a impressão de que a gente precisa ter em mente essas descrições dEle quando estudarmos o resto da mensagem. Ele é Rei, Sacerdote, e Salvador. Ele conhece tudo sobre cada um de Seus filhos. Nós vimos o cuidado que Ele tem com os seres humanos. Ele nos protege com Sua mão poderosa. Esse nível de cuidado e detalhe está presente por todos livro de Apocalipse. E agora, que a gente vai começar a estudar as sete igrejas, isso vai ficar bem evidente.
 
Na primeira visão de João, Jesus disse que João deveria enviar a mensagem de Apocalipse a sete igrejas da Ásia Menor. No verso 11 do capítulo 1, lemos os nomes dessas sete igrejas, listadas nessa ordem: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia. No texto original em grego, existe um "e" entre todos os nomes das igrejas. Então a lista é: Éfeso e Esmirna e Pérgamos e Tiatira, e assim por diante. Isso transmite a ideia de que a ordem dessa lista é importante. Então, antes de destrincharmos cada verso, de cada uma das mensagens, vamos primeiro analisar a cena geral.
 
Do ponto de vista geográfico, a ordem da lista faz muito sentido. Éfeso era a cidade da lista que estava mais perto de Patmos. Faz sentido que alguém sendo da ilha de Patmos num barco, chegasse primeiro em Éfeso. O caminho entre as cidades, que a pessoa levando as cartas deveria percorrer, foi muito provavelmente estradas. Os romanos eram famosos por suas estradas, e pessoas viajando entre estas cidades caminhariam ao longo do trajeto conectando todas elas nessa ordem. Começando em Éfeso, alguém viajando para a próxima cidade, faria um caminho meio que no sentido horário. Assim, as cartas poderiam ser facilmente divulgadas de cada uma dessas cidades, em direção da Grécia, Europa, bem como Damasco e as cidades mais ao leste. Essas igrejas estavam estrategicamente bem localizadas. É interessante notar que elas não eram as únicas igrejas na Ásia Menor. A Bíblia menciona várias outras: As igrejas de Antioquia da Psídia (Atos 13:14), Colossos (Colossenses 1:2), Hierápolis (Colossenses 4:13), Icônio (Atos 14:1), Derbe (Atos 14:20), Listra (Atos 14:6), Trôade (Atos 20:5), e Mileto (Atos 20:17). 
 
Então, veja que a ordem de Jesus não foi pra enviar cartas a 15 igrejas na Ásia, ou a 3 igrejas apenas. Podemos imaginar que Deus teve uma boa razão para selecionar essas sete igrejas específicas, já que existiam várias outras na região. Nos próximos estudos, nós vamos ver que os problemas e circunstâncias de cada uma delas tiveram um papel importante no motivo dessa escolha. 
 
Com certeza, a gente não pode ignorar fato de que o número de igrejas selecionadas é 7. No livro de Apocalipse, não apenas temos Sete Igrejas, mas também temos Sete Selos (Apocalipse 5:1), Sete Trombetas (Apocalipse 8:2), Sete Últimas Pragas, e Sete Taças (Apocalipse 16:1). O fato é que o número sete aparece muito frequentemente por toda a Bíblia, não somente em Apocalipse. Então, essa frequências parece ser importante, e não apenas uma mera coincidência. O número sete em Apocalipse é um símbolo importante. E, como sempre, a gente tem que encontrar o significado desse símbolo na própria Bíblia. Então vamos ver o que a Bíblia tem a dizer sobre o número sete.
 
  1. A primeira vez que vemos o número sete é em Gênesis. Deus havia terminado a Sua criação, e então santificou o sétimo dia. Gênesis 2:2-3 diz: “E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.” A semana de sete dias não foi uma invenção humana. Foi Deus quem planejou a divisão dos dias dessa forma. No sétimo dia, Deus celebrou o que Ele havia feito. Sua criação estava completa.
  2. Noé ficou na Arca por 7 dias antes de Deus mandar o Dilúvio (Gênesis 7:1, 4). Nesse caso, o número 7 representou um tempo de espera. Novamente, a duração desse tempo estava nas mãos de Deus. Ele é quem tinha o controle desse tempo. Quando o tempo de espera se completou, o dilúvio veio.
  3. O próximo exemplo aparece em Gênesis 9, quando após o dilúvio, Deus colocou seu Arco-íris no céu. Esse exemplo vem um pouco disfarçado, porque o texto diz apenas que Deus colocou o arco-íris no céu. Mas como todo mundo sabe, o arco íris tem 7 cores. Vamos então ver qual o significado desse arco-íris. Deus havia destruído a Terra através do Dilúvio por causa da iniquidade do povo. Por 120 anos, Noé havia pregado a mensagem dessa destruição, alertando o povo pra que se preparassem para esse dia. Apesar de tantas oportunidades que Deus deu a todos, apenas a família de Noé estava pronta nesse dia. Quando o dilúvio terminou, Deus fez uma promessa a Noé. Ele disse que Ele jamais iria destruir a Terra com água outra vez. Deus determinou que o símbolo dessa promessa era o arco-íris. Assim, toda vez que chovesse e o povo visse o arco-íris no céu, eles iriam lembra que a destruição da Terra por água estava completa, para nunca mais acontecer por enchente outra vez.
  4. O próximo exemplo aparece em Gênesis 29:15-30, que conta pra gente como Jacó trabalhou por 7 anos, e esperou mais sete dias para poder se casar com Raquel. E depois trabalhou mais 7 anos por causa desse casamento. Outra vez, vemos aqui um tempo de espera que se completou após um período que involve o número 7. Ao fim desse período, estava claro pra Jacó e seu sogro que o acordo entre eles havia se cumprido. O tempo de espera estava completo.
  5. Vamos então ao próximo exemple, que vemos em Josué 6:1-16. Esse exemplo traz o número 7 muitas vezes. Deus havia ordenado que os Israelitas conquistassem a cidade de Jericó. Jericó eram uma cidade fortificada, com muralhas altas. Deus deu instruções bastante específicas de como essa conquista deveria acontecer. Do jeito que Ele determinou, ficou muito claro pra todo mundo que essa vitória contra Jericó aconteceu por causa da ação de Deus, e não por esforço humano. E essa vitória aconteceu assim: Josué e os israelitas marcharam em volta de Jericó por 7 dias, com 7 sacerdotes que carregavam 7 trombetas. No 7o. dia, eles marcharam 7 vezes, tocaram as 7 trombetas, e as muralhas de Jericó caíram. Deus deu a eles a cidade inteira.
  6. O último exemplo que vamos mencionar aqui está em 2 Reis 5:10. E essa história é sobre Naamã. Naamã, era comandante do exército do rei da Síria, ou seja, ele não era do povo de Israel. Ele era um homem de bastante prestígio. Acontece que Naamã ficou doente com lepra, que é uma doença incurável. Isso foi uma tragédia na vida de Naamã. Mas, em sua casa, Naamã tinha uma jovem israelita que trabalhava lá, e essa jovem era temente a Deus. Ela disse que o profeta que estava em Samaria poderia curá-lo. Então, Naamã foi até o profeta, e o profeta disse exatamente o que Naamã deveria fazer. Naaman teve que se banhar 7 vezes no Rio Jordão para ser curado de lepra. Quando Naamã mergulhou no rio pela sétima vez, suas feridas desapareceram e ele ficou completamente restaurado e purificado. 
 
Agora que vimos todos esses textos bíblicos, fica claro que o número 7 é um número que tem a ver com eventos completos, plena restauração, purificação por completo, vitória, e coisas abençoadas e santificadas por Deus. O número sete É um símbolo da perfeição de Deus. Assim, podemos ver que as sete igrejas são uma plena, completa, e perfeita representação do povo de Deus. No contexto do que Jesus disse a João, também podemos ver que essas igrejas não são apenas a representação do povo de Deus daquela época (como o verso em Apocalipse 1:19 diz, do tempo "das coisas presentes", mas também são referentes ao povo de Deus em épocas futuras (como esse mesmo verso diz, do tempo das coisas "que estão por vir"). Mais uma vez, precisamos de uma interpretação histórica para podermos entender essa outra dimensão dessas Igrejas.
 
Os problemas que essas igrejas estavam tendo como grupo reflete os problemas que os indivíduos dessas igrejas estavam enfrentando. A igreja é formada por cada um de seus membros (1 Coríntios 12:27). Então, além interpretarmos essa mensagem como sendo uma mensagem comunitária a toda a igreja da época e das gerações que se seguiram, precisamos também interpretar a mensagem para as sete igrejas como o que pode acontecer conosco, na nossa vida pessoal e espiritual. A gente percebe que essa mensagem às sete igrejas é uma mensagem perfeita, que precisa ser analisada em diversos níveis. É uma mensagem muito profunda.
 
*** Visão Geral ***: As sete igrejas são escolhidas geograficamente e espiritualmente de uma maneira perfeita, para receber uma mensagem importante a respeito de assuntos sérios que estão afetando cada uma delas. A mensagem é primariamente direcionada àquelas igrejas da Ásia Menor, mas carregam também um significado espiritual para as igrejas através dos séculos, assim como para cada indivíduo que faz parte do Corpo de Cristo. O número 7 indica que Deus escolheu cada uma dessas igrejas por um motivo específico. Elas não foram selecionadas aleatoriamente. A rota geográfica e espiritual refletem a sabedoria de Deus. Essa rota é uma indicação do caminho físico, espiritual e histórico que essa mensagem vai percorrer. Essa É uma mensagem literal para os cristãos do primeiro século, e é uma mensagem profética para os cristãos que vieram depois. A mensagem de Deus às igrejas é profunda, com múltiplas camadas, completa, e perfeita.



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