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7 Houve então uma guerra no céu. Miguel e seus anjos lutaram contra o dragão, e o dragão e os seus anjos revidaram.

8 Mas estes não foram suficientemente fortes, e assim perderam o seu lugar no céu.

9 O grande dragão foi lançado fora. Ele é a antiga serpente chamada diabo ou Satanás, que engana o mundo todo. Ele e os seus anjos foram lançados à terra.
(NVI)

 

PARTE 2

 

*** Houve guerra no céu ***: Baseado em Apocalipse 12:7-9, podemos entender que quando o filho da mulher foi levado para o céu, o dragão e os seus anjos o seguiram até a corte celestial. O dragão não queria deixar que Jesus tomasse para Si o domínio terrestre sem sofrer resistência alguma.

A Bíblia nos diz que, quando Jesus chegou no céu, ele se assentou no trono com o Pai (Apocalipse 5:7; Apocalipse 3:21), e os membros do coro celestial "cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue nos compraste para Deus de toda a tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus nos fizeste reis e sacerdotes; e reinaremos sobre a terra. E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões, e milhares de milhares, que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças". (Apocalipse 5:9-12). Note que eles estavam comemorando a vitória de Jesus. Podemos ver que essa vitória também significou o governo sobre a Terra em Apocalipse 5:10,12.

Em seguida, houve guerra no céu mais uma vez. Na primeira vez, ela terminou com Lúcifer e seus anjos sendo lançados para a Terra, onde ele efetuou seu primeiro ataque contra a humanidade (veja o estudo #81). Em sua mente, ainda havia uma chance de que seus planos de dominação universal dessem certo. Desta vez, porém, os "milhões de milhões, e milhares de milhares" de seres exaltando a conquista de Cristo estavam imunes às mentiras do dragão e estavam prontos para defender a Verdade. Eles tinham acabado de presenciar o sacrifício de Jesus na cruz. Sua morte revelou não somente o caráter amoroso de Deus, mas também o caráter destrutivo do inimigo. Os falsos argumentos de Satanás haviam sido expostos.

*** Miguel e seus anjos lutam contra o dragão e os seus anjos ***: Esta guerra é uma guerra espiritual. Apocalipse 12:11 descreve as armas que permitem que as pessoas vençam o inimigo de Deus: "o sangue do Cordeiro", e "a palavra do Seu testemunho". Note que esta luta acontece não somente entre Miguel e Satanás, mas também entre os anjos de ambos os lados. Os anjos que acreditam e seguem Satanás lutaram contra os anjos que acreditam e seguem Aquele que é semelhante a Deus, Miguel. O motivo dessa guerra foi a adoração: em quem eles preferiam acreditar. É o mesmo tipo de batalha que vimos entre a serpente e Eva, e entre Satanás e Jesus no deserto (Mateus 4:1-11). Satanás desafiou a verdade. A maneira de nos defendermos é usar a Palavra de Deus, assim como Jesus fez. Por três vezes Ele revidou os ataques malignos com a expressão "está escrito” (Mateus 4: 4,7,10). O fato de que os seres celestiais estavam todos adorando a Deus tão intensamente quando Cristo subiu ao trono (eles estavam adorando em alta voz - Apocalipse 5 :12), deixou claro que as mentiras de Satanás não enganariam ninguém no Céu e Satanás e seus anjos "não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus." (Apocalipse 12:8).

*** Satanás e seus anjos são lançados para fora ***: Apocalipse 12:9 identifica o dragão de diferentes maneiras: serpente, Diabo e Satanás. 'serpente' é uma referência à primeira batalha travada na Terra quando Eva decidiu acreditar nas mentiras contra Deus (Gênesis 3:1-6). 'Diabo' significa caluniador. 'Satanás' significa adversário. Quando Lúcifer enganou um terço dos os anjos através de suas falsas acusações contra Deus, ele se tornou o inimigo de Deus e foi expulso do Céu pela primeira vez (Isaías 14:12; Lucas 10:18). O tipo de atividade que o dragão está envolvido fica claramente definido no verso: ele "engana o mundo todo” (Apocalipse 12:9). Satanás é a mente por trás de todas as ações fraudulentas de seus agentes (Apocalipse 13:11-17; Apocalipse 18:2-3; Apocalipse 19:20; Apocalipse 20:10).

Satanás perdeu o domínio sobre a terra, e o poder foi transferido para Jesus (veja o estudo #81). Lembra do que o coro celestial estava cantando quando Jesus se assentou no trono? Estavam cantando: "e reinaremos sobre a terra" e "Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças" (Apocalipse 05:10, 12).

Como podemos ter certeza de que a expulsão de Satanás mencionada em Apocalipse 12:9 acontece depois da ascensão de Cristo ao trono de Deus? A resposta vem na canção que o coro celestial começou a cantar depois que Satanás foi lançado para fora. Vemos essa canção em Apocalipse 12:10-12. As frases-chave nesse trecho são: "Agora é chegada a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo", e que as pessoas superaram o dragão "pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho". O sangue do Cordeiro está claramente se referindo à morte de Cristo. Seus seguidores são capazes de superar a serpente porque o Messias ressuscitou e ascendeu ao céu.

*** Visão Geral ***: Estamos no meio de uma batalha espiritual. Essa batalha é mais importante do que qualquer outra guerra física que presenciamos entre as diferentes nações. O livro de Apocalipse se preocupa com as questões relacionadas à nossa vida eterna. Muitas vezes nos distraímos com as interpretações superficiais que procuram atribuir explicações materiais ao conteúdo apocalíptico desse livro. Como Paulo disse: “Pois, embora vivamos como homens, não lutamos segundo os padrões humanos. As armas com as quais lutamos não são humanas; pelo contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo.” (2 Coríntios 10:3-5 - NVI). A guerra é travada contra os falsos argumentos de Satanás. Seus argumentos parecem ser muito bons, e até mesmo verdade, mas o que ele realmente quer é desviar a nossa atenção da mensagem de Deus. Mesmo sendo esta uma situação grave, não precisamos ter medo, porque Jesus já providenciou um meio para que possamos sair vencedores. Através do sacrifício de Cristo, o sangue que Ele derramou em nosso lugar, e através da Palavra de Seu testemunho, também podemos lançar o dragão para fora, e entregar o domínio de nossas vidas a Jesus. O primeiro passo para a vitória é acreditar: acreditar no poder do Cordeiro que foi morto, e não em nossas próprias forças. A batalha que o inimigo está travando contra o povo de Deus é a luta pela nossa adoração. Como os anjos no céu, temos que continuar a louvar a Deus com toda a nossa alma. Sempre que nos encontrarmos no meio de uma batalha, onde as armas das tentações estão atirando à nossa volta, devemos nos lembrar das palavras de Jesus: "Retire-se, Satanás! Pois está escrito: ‘Adore o Senhor, o seu Deus e só a ele preste culto’" (Mateus 4:10 - NVI).

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5 E deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono.

6 E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.

 

PARTE 3

 

*** Contexto geral ***: A mulher estava em trabalho de parto. Ela estava prestes a dar à luz e o dragão estava diante dela, esperando a criança nascer. O dragão queria destruir a criança. (Apocalipse 12:1-4). Como vimos nos dois estudos anteriores, a mulher grávida é a igreja de Israel. Seria dessa nação que o Messias nasceria. O dragão é Satanás, esperando o Messias nascer. Ele queria executar seu ataque o mais rápido possível.

*** A criança nasceu ***: Como havia sido profetizado, um menino realmente nasceu. Existem muitas profecias bíblicas sobre o nascimento de Cristo, como as que vemos em Miquéias 5:2-4; e Isaías 7:14. "Porque brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor. E deleitar-se-á no temor do Senhor; e não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos. Mas julgará com justiça aos pobres, e repreenderá com eqüidade aos mansos da terra; e ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará ao ímpio" (Isaías 11:1-4). Isaías 9:6 diz: "Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz." Jesus é o menino mencionado em Apocalipse 12:5. Cristo é o cumprimento da primeira profecia sobre o Messias escrita em Gênesis 3:15 (veja o estudo #78).

*** Ele iria governar as nações com vara de ferro ***: Para entender essa passagem, precisamos ver alguns outros versos da Bíblia. Existem três elementos importantes nesse trecho de Apocalipse 12:5: "o filho homem", "as nações", e a “vara de ferro". Vamos ler o Salmo 2:7-12:

"Proclamarei o decreto: o Senhor me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. Pede-me, e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua possessão. Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro. Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra. Servi ao Senhor com temor, e alegrai-vos com tremor. Beijai o Filho, para que se não ire, e pereçais no caminho, quando em breve se acender a sua ira; bem-aventurados todos aqueles que nele confiam."

O filho: Todos os versículos que estamos estudando apontam para Jesus como sendo o filho. A Bíblia não deixa dúvidas sobre a interpretação desse primeiro elemento.

As nações: No texto do Salmo 2:7-12, vemos os mesmos três elementos de Apocalipse 12:5: o filho, as nações, e a vara de ferro. Nesse Salmo, aprendemos que o Filho irá quebrar as nações, a menos que se arrependam e decidam servir ao Senhor (Salmo 2:11). Agora podemos entender que 'as nações' são aquelas pessoas que ainda não servem a Deus.

A vara de ferro: A vara é o instrumento com o qual Cristo iria esmagar as nações, para que pudessem ver claramente a decisão que teriam de tomar: confiar ou não nEle. (Salmo 2:12). Apocalipse 19:15 nos diz o que é essa vara de ferro que ele usa sobre as nações. "E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso." A vara de ferro é a espada afiada que sai da boca de Jesus. Você se lembra de como João descreveu o Cristo glorificado em Apocalipse 1:16? E de como Jesus se apresentou à igreja de Pérgamo em Apocalipse 2:12? Jesus tem uma espada afiada que sai de Sua boca. Ele usa essa espada para ferir as nações e trazê-las ao arrependimento. Essa espada é a Palavra de Deus, agora contida na Bíblia. Hebreus 4:12 diz: "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." (Veja os estudos #9, #17 e #18).

*** A criança foi arrebatada para Deus ***: À primeira vista, parece que a criança nasceu e foi imediatamente arrebatada para Deus como um bebê. Mas quando olhamos mais atentamente para Apocalipse 12:5, podemos ver a progressão dos acontecimentos. O Messias nasceu na nação judaica. Ele, então, passou a pregar Sua Verdade durante Seu ministério, chamando as pessoas ao arrependimento. Finalmente, ele morreu e ressuscitou. Ele voltou para o Céu e foi arrebatado para o Pai e Seu trono. Em Apocalipse 4 e 5 (estudos #28-36), vemos a chegada de Cristo no Céu, como o Cordeiro que havia sido morto. Ele foi achado digno de se assentar no trono, ao lado direito do Pai. A expressão "arrebatado para Deus" nos faz lembrar de outra expressão que vemos em Daniel 9:26, onde o "Messias [seria] cortado, mas não para si mesmo". Este versículo em Daniel está falando sobre o tempo em que Cristo iria morrer, selando o destino do pecado para sempre.

*** O que aconteceu com a mulher depois que ela deu à luz ***: Apocalipse 12:6 diz: "E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias." Está claro que após o parto, a mulher fugiu do dragão. Mas o que isso significa? Como já mencionamos muitas vezes antes, em analogias da Bíblia, 'mulher' é sempre um símbolo da Igreja. A mulher grávida era uma referência à igreja de Israel. Cristo nasceu da linhagem de Davi, da tribo de Judá (Mateus 1:1-2). A mulher após ter dado à luz, ainda continuou sendo um símbolo da igreja de Deus. Mas tenha em mente que ela passou a ser um símbolo da igreja de um período de tempo diferente daquele de quando estava grávida. Vimos que o filho já tinha sido levado para o Céu quando a mulher fugiu do dragão. Nesse ponto, a igreja de Deus já não era formada unicamente por israelitas. Qualquer pessoa que aceita a Jesus torna-se parte da família de Deus. "Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa." (Gálatas 3:26-29). Apocalipse 12:6 não se refere à igreja original de Israel. Depois da morte de Cristo, quem O aceita como Salvador pode ser incluído. A mulher após o parto é um símbolo da igreja em todo o mundo. Essa Igreja é formada por aqueles que permanecem fiéis à mensagem da vara de ferro de Jesus.

Ela fugiu para o deserto: O dragão passou a perseguir a mulher tão intensamente que ela precisou fugir para o deserto. A igreja cristã teve que fugir do mesmo modo como os antigos israelitas tiveram que fugir do Egito para o deserto (Êxodo 13:17; Êxodo 16:21). E assim como Deus havia preparado uma terra para os israelitas, Ele também tinha preparado um lugar para a mulher. Esse período de dificuldades duraria por 1.260 dias (Apocalipse 12:6). Mais uma vez, vemos esse período de tempo profético. Vimos este período em Apocalipse 11:2-3, quando o povo fiel de Deus (representado pelas duas testemunhas profetizando vestidas de saco) sofreu grande opressão nas mãos daqueles que não seguiam a Verdade de Deus (veja os estudos #16, #20, #68, #71 e #72). Apocalipse 12:14 deixa claro que esse período de 1.260 dias proféticos (ou 3,5 anos proféticos, o que equivale a 1.260 anos literais) é idêntico à expressão "tempo, tempos e metade de um tempo": "E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente". Daniel 7:25 também fala sobre isso, quando ele menciona um poder que "destruirá os santos do Altíssimo" por "um tempo, tempos e metade de um tempo". (Veja também Daniel 12:7).

Todas essas referências aos 1.260 anos parecem apontar para o mesmo período de tempo. O foco dessa passagem de Apocalipse não está sobre a duração exata do tempo que a Igreja iria sofrer, mas está no fato de que Deus iria proteger seu povo fiel da morte espiritual. Este período corresponde à Idade Média, uma época em que os cristãos sofreram terrivelmente. Nós sabemos que este período iria acabar antes da Segunda Vinda de Jesus. Isso porque após essa perseguição inicial, o dragão passaria a perseguir o restante da descendência da mulher (Apocalipse 12:17).

*** Visão Geral ***: A ênfase de Apocalipse 12:5 parece estar no fato de que o Messias completou Sua missão. O dragão não teve nenhum poder ou capacidade para devorar a criança em nenhum ponto da vida de Cristo na Terra. O dragão estava pronto para atacar, e ainda assim, o Filho veio e Se foi de forma perfeita. Após a morte e ressurreição de Jesus, a identidade da Igreja fiel foi alterada. Não era mais uma questão de estar geneticamente ligada a Abraão. A conexão era agora feita através do sangue de Cristo. Qualquer pessoa que O aceita verdadeiramente passa a fazer parte da Igreja. Após o parto, a mulher se tornou um símbolo da Igreja cristã. Os cristãos sofreram terríveis perseguições durante a Idade Média, um período que durou cerca de 1.200 anos. Esse tempo de sofrimento é um paralelo aos 3,5 anos que Cristo sofreu durante Seu ministério na Terra. Deus, em Seu infinito amor e misericórdia, cuidou de Seu povo durante esse tempo difícil, dando sustento e nutrição espiritual. Assim como Jesus, o povo pode ter sofrido e enfrentado a morte. O próprio Jesus nos advertiu sobre a perseguição que iríamos sofrer por seguir Sua Palavra: "Tratarão assim vocês por causa do meu nome, pois não conhecem aquele que me enviou. Se eu não tivesse vindo e lhes falado, não seriam culpados de pecado. Agora, contudo, eles não têm desculpa para o seu pecado. Aquele que me odeia, também odeia o meu Pai. Se eu não tivesse realizado no meio deles obras que ninguém mais fez, eles não seriam culpados de pecado. Mas agora eles as viram e odiaram a mim e a meu Pai. Mas isto aconteceu para se cumprir o que está escrito na Lei deles: ‘Odiaram-me sem razão’. Quando vier o Conselheiro, que eu enviarei a vocês da parte do Pai, o Espírito da verdade que provém do Pai, ele testemunhará a meu respeito. E vocês também testemunharão, pois estão comigo desde o princípio." (João 15:21-27, NVI). Devemos continuar a testemunhar e viver de acordo com as instruções de Deus. Devemos confiar que Deus continuará a nos nutrir aqui na Terra, enquanto Ele está preparando um lugar para nós no céu. Jesus disse: "Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo." (João 16:33, NVI).

3 E viu-se outro sinal no céu; e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas.

4 E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho.

 

PARTE 2

 

*** O segundo sinal: um grande dragão vermelho ***: A descrição do segundo sinal segue o mesmo padrão do primeiro (estudo #78). João vê um símbolo, ele descreve o símbolo e a situação em que o símbolo é encontrado. O segundo símbolo é um grande dragão vermelho. Esta não é a primeira vez na Bíblia em que um animal terrível é o símbolo de um inimigo do povo de Deus. Encontramos dois monstros marinhos no Antigo Testamento, Leviatã, e Raabe (algumas versões traduzem como crocodilo, monstro do mar, e Gabarola). Esses dois animais são um símbolo usado para se referir ao Faraó do tempo de Israel antigo (Leviatã: Salmo 74:14; Isaías 27:1; Raabe: Salmo 89:10; Isaías 30:7; Isaías 51: 9). Existem também outras referências a monstros utilizados como símbolos de Babilônia (Jeremias 51:34), e Faraó (Ezequiel 29:3; Ezequiel 32:2). A cor vermelha era frequentemente utilizada como a cor do derramamento de sangue (2 Reis 3:22-23; Naum 2:3); e do pecado (Isaías 1:18). Esta cor é também associada com a besta (Apocalipse 17:3); uma prostituta vestida de escarlate que “tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua fornicação”, e com “a mulher [que] estava embriagada do sangue dos santos, e do sangue das testemunhas de Jesus" (Apocalipse 17:4, 6). Nem todas as menções à cor vermelha, no entanto, estão ligadas ao pecado e símbolos malignos. Números 19:2 nos diz que Deus ordenou aos israelitas que trouxessem uma “uma novilha ruiva, que não [tivesse] defeito, e sobre a qual não [tivesse] sido posto jugo”. Eles a trouxeram ao sacerdote, para que ele pudesse oferecê-la como um sacrifício a Deus. E assim, vermelho também era associado com sacrifício. Em Apocalipse 6:4, vimos um cavalo vermelho, vindo do Céu, indo para a Terra, representando a oportunidade que as pessoas têm de se apresentarem a Deus, redimidas pelo sangue de Jesus (veja o estudo #39). No entanto, o símbolo usado em Apocalipse 12:3 não parece indicar que o vermelho está sendo usado como símbolo de redenção, porque é uma referência ao dragão. O significado parece se encaixar melhor com o derramamento de sangue, o pecado e abominação. Por quê essa conclusão? Porque a Bíblia é muito clara sobre quem o dragão é: “a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo” (Apocalipse 12:9).

*** A aparência do dragão ***: Além de ser vermelho, o dragão tem uma aparência muito estranha. Ele tem “sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas”. Temos aqui mais símbolos que explicam outros símbolos. Então, vamos por partes, a fim de entendermos melhor esse texto.

Sete cabeças e dez chifres: Esta expressão é tirada do livro de Daniel. Daniel recebeu uma visão sobre os reinos da terra que se seguiriam após a queda do Império Romano (Daniel 7:7-8). O anjo explicou a Daniel: “Quanto aos dez chifres, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; e depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis.” (Daniel 7:24-25). Com o desaparecimento do Império Romano por volta do ano 476 DC, dez tribos surgiram na Europa, e tomaram conta do território romano. Essas tribos eram os: ostrogodos, visigodos, francos, vândalos, alamanos, suevos, anglo-saxões, hérulos, lombardos, e burgúndios. Assim como a profecia de Daniel havia predito (Daniel 7:8; Daniel 7:24), sete delas permanecem até hoje, mas três foram destruídas. As tribos restantes se tornaram alguns dos países europeus que temos nos tempos modernos. O Francos se tornaram o povo francês, os alamanos se tornaram os alemães, os anglo-saxões se tornaram o povo inglês, os lombardos se tornaram os italianos, os suevos se tornaram o povo português, os visigodos se tornaram os espanhóis, e os burgúndios se tornaram os suíços. As três tribos extintas são os hérulos, vândalos e ostrogodos. Em Apocalipse 12:3, o dragão tem sete cabeças e dez chifres. Há mais chifres do que cabeças. Os dez chifres são provavelmente uma referência aos dez chifres vistos originalmente em Daniel 7:7, antes de três serem destruídos. As sete cabeças restantes parecem ser uma referência para as sete potências europeias que permaneceram. Apocalipse está ligando essas tribos europeias ao dragão vermelho, indicando que estavam ocorrendo atividades satânicas naquela região. É importante distinguir as atividades satânicas dos cidadãos desses países. De nenhuma maneira a Bíblia está chamando os cidadãos desses países de pessoas más. O livro de Apocalipse retrata sistemas, poderes organizados de governo. Apocalipse não é um livro sobre um ser humano em específico.

Sete coroas sobre a cabeça: A palavra usada para coroa aqui é diadema, que é diademata em grego. Esta coroa é muito diferente da coroa da vitória (stephanos) que a mulher grávida estava usando em Apocalipse 12:1. O diadema é uma coroa real, como as muitas coroas (diademas) sobre a cabeça de Jesus em Apocalipse 19:12-16. Satanás, o dragão, está aqui se apresentando como o único digno de usar a coroa real. O objetivo de Satanás, desde o início, era “subir acima das alturas das nuvens” e “ser como o Altíssimo” (Isaías 14:14). O dragão se posicionou por trás dos poderes da Terra, como uma figura de autoridade, tendo como objetivo oprimir o povo de Deus ao longo da história.

*** A situação ***: Apocalipse 12:4 descreve a situação em que o dragão é encontrado. Mais adiante neste capítulo, o texto irá expandir mais a respeito da primeira parte do verso, onde diz: “E a sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra”. Os eventos descritos na primeira metade de Apocalipse 12:4 levaram aos acontecimentos descritos na segunda metade do verso: “e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho.

E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu: No estudo das trombetas (#57, #58 e #59), vimos como o exército de gafanhotos tinha caudas venenosas que atacavam as pessoas a nível espiritual. A Bíblia diz: “o profeta que ensina a falsidade é a cauda”, e ele será cortado do meio do povo de Deus (Isaías 9:14,15). As mentiras do dragão enganaram um terço das estrelas do céu. A expressão 'estrelas é usada em Apocalipse como um símbolo para mensageiros (Apocalipse 1:20), neste caso, mensageiros celestes: anjos. No estudo das trombetas, vimos o exército satânico pronto para atacar e torturar aqueles que não têm o selo de Deus (Apocalipse 9:4, estudo #58). O ataque dos gafanhotos descrito em Apocalipse 9 atinge aqueles que rejeitam o puro Evangelho (na era cristã). Em Apocalipse 12, o exército está pronto para atacar o filho da mulher, assim que ele nasce. Os eventos descritos nos primeiros versos de Apocalipse 12 aconteceram antes e durante a primeira vinda do Messias, ou seja, antes do ataque dos gafanhotos sobre os ímpios. A queda de Lúcifer e seus anjos, do Céu, o levou ao seu primeiro ataque aos seres humanos. No Jardim do Éden, Lúcifer, que se tornou Satanás, enganou Eva e a convenceu a comer do fruto proibido (Gênesis 3). Os julgamentos contidos nas primeiras quatro trombetas são sempre direcionados a apenas um-terço da Terra (Apocalipse 8:7-13), e não a todo o planeta. Quando o antigo Israel se voltou para o paganismo e desobediência, Deus usou seus profetas para enviarem a mensagem a respeito dos juízos de Deus que cairiam sobre eles. Esses julgamentos deveriam afetar um-terço da nação (Ezequiel 5:11-12; Zacarias 13:8-9). A expressão de ‘um-terço' é usada para se referir a um grupo de seres que se opõem à verdade Deus e se colocam ao lado dos falsos ensinamentos de Satanás. Em outras palavras, a primeira metade de Apocalipse 12:4 diz que as mentiras de Satanás enganaram uma parte considerável dos anjos celestiais, mas não toda a população angelical. Satanás e os anjos que se aliaram a ele foram lançados à Terra (Apocalipse 12: 9). Eles já não queria seguir o estilo de vida do Céu.

O dragão estava pronto para devorar a criança: Depois que Adão e Eva pecaram, Deus lhes deu a primeira promessa de um Salvador, que iria esmagar a cabeça da serpente, para resolver de uma vez por todas, o problema do pecado que havia entrado na Terra. Desde então, Satanás passou a esperar a vinda do Messias. Ele estava descontente com sua situação. Ele não mais possuía sua posição no céu, e então embarcou numa missão para enganar a criação preciosa de Deus, que Ele havia formado à Sua própria imagem e semelhança: os seres humanos. Desde o Éden, Satanás sabia que Deus enviaria alguém que seria capaz de infligir um ferimento mortal na sua existência. A cabeça do pecado seria permanentemente esmagada pela semente da mulher (Gênesis 3:15, veja Estudo #78 para obter os detalhes sobre esta promessa). Os ideais de Satanás de ser como Deus o corroeram de tal forma ao ponto de ficar diante da mulher, a igreja de Deus, pronto para atacar. Israel estava prestes a dar à luz ao Messias (veja o estudo #78 para ver os detalhes). A segunda parte do versículo nos dá a ideia de que Satanás estava esperando ansiosamente por esse momento. Ele estava preparando um ataque. Ele estava pronto para tragar a criança, e tinha um plano para derrotar o Messias.

*** Visão Geral ***: A rebelião de Lúcifer contra Deus levou à propagação de grandes mentiras no céu. Lúcifer conseguiu enganar um número significativo de anjos e os convenceu a se juntarem à sua causa. Lúcifer tornou-se o dragão, a antiga serpente, o pai da mentira (Apocalipse 12:9). Ele passou a lançar suas mentiras sobre os seres humanos. Ele esperou pelo momento em que Deus enviaria um Salvador para a Terra. O Redentor nasceria como um bebê. Um recém-nascido parecia ser um alvo fácil. Então Satanás se posicionou para atacadoras. Ele queria destruir o Messias antes que o Messias pudesse esmagar a cabeça da serpente. A fim de alcançar seu objetivo, Satanás infiltrou os poderes terrestres da época com suas mentiras e formas enganosas. Mas ele não percebeu que Deus já havia predito quão mal sucedido esse plano satânico seria - o filho da mulher, o Messias, sairia vitorioso e esmagaria a serpente de forma fatal. Não importa quão incansavelmente o dragão trabalhe em seus planos de ataque, seu fim já foi revelado ao Universo. Satanás será destruído para sempre (Apocalipse 20:10). Deus vai curar todas as cicatrizes causadas pelo pecado. “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” (Apocalipse 21:4). Cristo reinará por toda a eternidade (Apocalipse 11:15). Amém.

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1  E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça.

2  E estava grávida, e com dores de parto, e gritava com ânsias de dar à luz.

 

PARTE 1 - A mulher

 

*** Contexto Geral ***: A primeira metade do livro de Apocalipse lida com os eventos desde a ressurreição de Cristo até o tempo da Sua Segunda Vinda. Nos últimos 73 estudos, cobrimos os primeiros 11 capítulos do livro. Vimos que a Bíblia apresenta a a História do mundo em diferentes ângulos. O foco está no ponto de vista espiritual da História. Estamos agora para iniciar a segunda metade de Apocalipse. Os capítulos 12 a 22 irão nos mostrar o que estava contido no pequeno livro mencionado em Apocalipse 10 (veja estudos #66 a #69 para mais detalhes). O conteúdo do livrinho se concentra no que vai acontecer durante o fim dos tempos. Apocalipse 11:18 nos dá o resumo do que está por vir na segunda metade do livro do Apocalipse: “E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra." Como o Dr. Stefanovic destacou em seu comentário, existem 5 tópicos principais em Apocalipse 11:18 que introduzem o que será discutido em Apocalipse 12 a 22:5:

1) As nações se enfureceram; 2) veio a sua ira; 3) o tempo dos mortos serem julgados; 4) tempo de dar a recompensa aos servos de Deus; 5) tempo para destruir aqueles que destroem a terra. Apocalipse capítulos 12 a 14 lidam com o primeiro tópico “as nações se enfureceram”. Esta ira é refletida na forma como Satanás e seus agentes trabalham para se opor povo de Deus.

*** O primeiro sinal: uma mulher ***: Tanto a primeira quanto a segunda metade do livro de Apocalipse começam incluindo uma palavra que é crucial para a interpretação do livro. Em Apocalipse 12:1, vemos a palavra grega sēmeion, que é o substantivo relacionado com o verbo sémainó (usado em Apocalipse 1:1). O substantivo sēmeion significa um sinal ou uma marca. É um símbolo. Vimos a forma verbal da palavra pela primeira vez em Apocalipse 1:1: “Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo”. A palavra escolhida para traduzir o verbo sémainó foi 'notificou'. Esta palavra é uma pista muito importante sobre a forma como devemos entender todas as imagens contidas na mensagem. As informações estão sendo transmitidas em uma linguagem simbólica. O termo aqui se refere aos eventos extraordinários que estão descritos no capítulo 12.

João começa o capítulo 12 afirmando que ele estava vendo uma cena incomum e de grande impacto: uma mulher excepcional. Muitos cristãos podem pensar que esta mulher é Maria, a mãe de Jesus. Mas como veremos neste estudo, a mulher é o símbolo de um outro elemento, da mesma maneira como o dragão é um símbolo para Satanás (Apocalipse 12:3). Como já discutimos várias vezes durante nossos estudos até agora, em analogias da Bíblia, o termo mulher é usado como um símbolo para a igreja do Antigo ou Novo Testamento (Jeremias 6:2; Isaías 51:16; Isaías 54:5-6; Ezequiel 16:8-14; Oséias 2:14-23; Amós 5:2; Jeremias 3:20; Oséias 1:2; Oséias 2:2-13; Ezequiel 16:15-19; Ezequiel 16:32; 2 Coríntios 11: 2; Efésios 5:25-32; Apocalipse 12:1-6; Apocalipse 19:7-8). Quando a Bíblia fala sobre uma mulher fiel, faz referência à igreja fiel. Da mesma forma, quando fala numa mulher infiel, é uma referência a uma igreja infiel. Isaías 26:17 compara o antigo Israel a uma mulher grávida: “Como a mulher grávida, quando está próxima a sua hora, tem dores de parto, e dá gritos nas suas dores, assim fomos nós diante de ti, ó Senhor!” Miquéias 4:10 também compara o Israel antigo com uma mulher na hora do parto: “Sofre dores, e trabalha, para dar à luz, ó filha de Sião, como a que está de parto, porque agora sairás da cidade, e morarás no campo, e virás até babilônia; ali, porém, serás livrada; ali te remirá o SENHOR da mão de teus inimigos.” (Veja também Isaías 66:7-9; Jeremias 4:31).

Não podemos ignorar o fato de que esse texto sobre a mulher de Apocalipse 12 vem logo após o texto sobre as duas testemunhas. Como vimos nos estudos #72 a #77, as duas testemunhas são um símbolo da Bíblia e da Igreja. Desta forma, a mulher de Apocalipse 12 também está ligada às duas testemunhas, porque as duas testemunhas são a mulher fiel espalhando ativamente o Evangelho. Assim como as duas testemunhas, a mulher de Apocalipse 12 passa por um período de dificuldades que durou 1.260 dias (Apocalipse 11:3; Apocalipse 12:6). Esta é outra indicação de que a mulher de Apocalipse 12 não pode ser uma pessoa real, como Maria, porque a Bíblia nunca menciona tal período na vida de Maria. Além disso, Apocalipse 12:17 diz que, algum tempo depois, o dragão passou a lutar com o remanescente da mulher. Esse verso enfatiza mais ainda a natureza simbólica do termo 'mulher'. Os dois sinais no céu vistos em Apocalipse 12 seguem um padrão: João vê um símbolo, ele descreve o símbolo e a situação em que o símbolo é encontrado:

 

 
Apocalipse 12:1-2
Apocalipse 12:3-4
Um sinal no céu (o símbolo)
Uma mulher
Um dragão vermelho
Descrição
vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e sobre sua cabeça uma coroa de doze estrelas
que tinha sete cabeças e dez chifres e sete coroas sobre as suas cabeças
Situação
grávida, prestes a dar à luz, passando pelas dores do parto
sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra

 

Os cristãos do século 1 estavam familiarizados com a descrição simbólica do povo de Deus como a noiva de Cristo. Esse conceito está presente tanto no Antigo quanto no Novo Testamento: “Porque o teu Criador é o teu marido; o Senhor dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; que é chamado o Deus de toda a terra." (Isaías 54:5); “Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é mãe de todos nós." (Gálatas 4:26). A Igreja é, ao mesmo tempo, a mãe do Messias e Sua noiva. Apocalipse 12 se refere mais especificamente a Israel. Jesus nasceu como um judeu, na tribo de Judá. Jesus veio à Terra como um ser humano, a fim de salvar seu próprio povo e de lhes restaurar ao Pai.

*** O que ela estava vestindo ***: Existem três elementos a respeito da roupa da mulher: o que estava sobre seu corpo, debaixo dos seus pés e sobre sua cabeça. Note que temos aqui a descrição do que ela está vestindo da cabeça aos pés. Ela tem uma roupa completa. Os símbolos usados para descrever sua roupa (o sol, a lua e as estrelas), muitas vezes aparecem juntos na Bíblia. Um exemplo disso é o sonho de José a respeito de seus pais e irmãos (Gênesis 37:9). Outro exemplo é o quarto dia da criação (Gênesis 1:16). A roupa da mulher de Apocalipse 12 reflete aquEle a quem ela considera ser a fonte da verdade e de salvação: Jesus Cristo.

Vestida com o sol: A roupa que a mulher estava usando nos lembra a descrição de Jesus no monte da transfiguração, onde Elias e Moisés apareceram próximo a Ele: “E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz“. (Mateus 17:2). Sua descrição também nos faz lembrar da noiva de Salomão, que era pura como o sol e tão bonita como a lua (Cantares 6:10). Jesus é quem fornece vestes puras e de justiça para aqueles que vencerem (Apocalipse 3:5, veja também Zacarias 3:4-5). A mulher de Apocalipse 12 é a Igreja fiel de Israel.

Lua debaixo dos seus pés: A lua não tem luz própria, mas reflete a luz do sol. A mulher de Apocalipse 12, ou igreja fiel, está de pé, firme sobre a lua. A Bíblia nos diz o seguinte a respeito das escrituras: “A tua palavra é lâmpada para os meus pés, e luz para o meu caminho.” (Salmo 119:105). Aqui temos o segundo aspecto das duas testemunhas que vimos em Apocalipse 11:1-14. A mulher de Apocalipse 12 possui os mesmos atributos das duas testemunhas. 2 Coríntios 4:6 diz: “Porque Deus, que comandou a luz para brilhar fora da escuridão, brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo" (Veja também Apocalipse 1:16).

Coroa de 12 estrelas sobre a cabeça: como vimos nos estudos anteriores, o número 12 representa a igreja em qualquer ponto no tempo. Em nosso estudo #47, vimos que o número 12 é um número que aparece tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, e ele está sempre ligado ao povo de Deus. A Bíblia menciona 12 patriarcas de Sete até Noé, 12 patriarcas de Cem até Jacó, 12 tribos de Israel, 12 espias enviados à Terra prometida, 12 juízes (de Otoniel até Samuel), 12 discípulos, 12 portões na Nova Jerusalém que tem o nome das 12 tribos, e 12 fundações que têm os nomes dos 12 apóstolos. Efésios 2:20 também menciona que a igreja de Deus é edificada sobre o fundamento dos 12 apóstolos e dos profetas, com Cristo sendo a pedra fundamental. A mulher de Apocalipse 12 tem sobre sua cabeça uma coroa de 12 estrelas. A palavra grega para coroa usada aqui é stephanos. A coroa stephanos é a coroa da vitória usada nos tempos gregos para celebrar os atletas vencedores. A coroa stephanos é diferente da coroa real. A coroa real é chamada diadema em Apocalipse (Apocalipse 12:3; Apocalipse 13:1; Apocalipse 19:12).

*** Sua situação ***: A mulher estava grávida, prestes a dar à luz, já labutando com as dores do parto (Apocalipse 12:2). Olhando pelo ângulo de que estamos falando do povo escolhido de Deus, aqui representado pela mulher, podemos ver claramente que ela é o cumprimento da promessa que Deus deu a Adão e Eva no Jardim do Éden. Deus disse para a serpente: “Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gênesis 3:15). A princípio, esse verso parece ser difícil de entender. Então vamos olhar mais de perto e ver o que ele realmente ele está dizendo: “E [Deus porá] inimizade entre [a serpente] e a mulher, entre a semente [da serpente] e a semente [da mulher]; [o filho da mulher] ferirá a cabeça [da serpente], e [a serpente ferirá] o calcanhar [do filho da mulher].” Esta foi a primeira promessa de um Salvador dada à humanidade. Daquele ponto em diante, o povo de Deus começou a esperar por um menino que iria esmagar o pecado de uma forma mortal. O Messias viria de entre o povo de Deus (Atos 13:23). Apocalipse 22:16 é o versículo chave para entender a gravidez da mulher, e Quem é seu filho: “Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã.” Jesus é descendente de seu povo, a Igreja. Ele é o leão da tribo de Judá (Apocalipse 5: 5). Ao mesmo tempo, Ele é a raiz da Igreja. A Igreja existe por causa de Cristo.

*** Visão Geral ***: Apocalipse 12 marca a parte do livro de Apocalipse que trata especificamente dos eventos finais. Ela começa por dar ao leitor um breve histórico de quem são os personagens principais: o povo de Deus, o inimigo de Deus, e Jesus Cristo. A narrativa flui a partir da perspectiva do povo de Deus, simbolizada por uma mulher grávida. Esta mulher era diferente de qualquer outra. Ela estava vestida com mantos de justiça, mantendo-se firme na Palavra de Deus. Ela possuía a coroa de vitória, prometida ao povo fiel de Deus. Mais uma vez, a Bíblia e o povo de Deus estão conectados. Vimos pela primeira vez um vislumbre dessa ligação em Apocalipse 1:3, que diz que recebemos uma bênção especial quando lemos, ouvimos e mantemos as palavras da profecia desse livro. O Messias veio ao mundo através da Igreja de Israel. Jesus é Emanuel, que significa Deus conosco (Mateus 1:23). Jesus se fez homem para nos salvar do pecado. Todos os três personagens de Apocalipse 12 são retratados em João 1:1-18. Jesus é a Luz, a Palavra que se fez carne, que o mundo rejeitou. Ele resplandeceu nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra Ele. Seu servo (João Batista, que representa a missão que a Igreja deve carregar) foi chamado para pregar sobre esta Luz para o mundo, como testemunha diante da humanidade. “Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus”. (João 1:12).

   

Bíblia - JF de Almeida RC  

   
   
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