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13 E naquela mesma hora houve um grande terremoto, e caiu a décima parte da cidade, e no terremoto foram mortos sete mil homens; e os demais ficaram muito atemorizados, e deram glória ao Deus do céu.

14 É passado o segundo ai; eis que o terceiro ai cedo virá.

 

Parte 6

 

*** Um Grande Terremoto ***: Em Apocalipse 11:13, vemos um terremoto capaz de destruir a décima parte da cidade, matando 7.000 homens. Existem dois outros tremores de terra mencionados no livro de Apocalipse que parecem estar relacionados com o de Apocalipse 11:13: um durante o sexto selo (Apocalipse 6:12) e um em Apocalipse 16:18. Com base na linguagem do texto, o terremoto mencionado em Apocalipse 6:12 parece se referir a um terremoto real (veja o estudo de #43 para uma explicação detalhada). O terremoto mencionado em Apocalipse 16:18 é diferente de qualquer outro terremoto visto antes. A reação das pessoas descrita em Apocalipse 11:13 (dando glória a Deus) é exatamente o oposto ao que vemos em Apocalipse 6: 15-16 e Apocalipse 16: 21, onde se escondem e blasfemam contra Deus.

 

Apocalipse 11:13
Apocalipse 6:12-17
Apocalipse 16:18-21
Um grande terremoto
Um grande terremoto
Um grande terremoto
A décima parte da cidade caiu
Todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares
A grande cidade foi dividida em três partes, e as cidades das nações caíram
7000 homens foram mortos
Quem será capaz de resistir no dia da sua ira?
Uma grande saraiva caiu do céu sobre os homens
Os demais ficaram atemorizados, e deram glória ao Deus do céu
Os homens se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas, querendo fugir daquele que está assentado no trono.
Os homens blasfemaram contra Deus

 

Ao contrário do que vemos em Apocalipse 6:12-17, a descrição do terremoto em Apocalipse 11:13 não foi escrita como uma comparação entre o real e o símbolo. Em Apocalipse 11:13, João está fazendo uma declaração sobre o terremoto que afeta a grande cidade sem usar palavras comparativas tais quais a palavra 'como'. Esta forma direta da escrita nos leva a crer que o foco da mensagem aqui é espiritual e não literal. O grande terremoto poderia ser a representação espiritual do tremor de terra real mencionado em Apocalipse 6:12-17. A agitação espiritual seria tão grave que teria poderes extremamente destrutivos.

*** Décima parte da cidade destruída ***: No Antigo Testamento, Deus usou a força dos terremotos como um símbolo da Sua presença entre as pessoas e como isso poderia afetá-los (Ezequiel 38:19-20; Joel 2:10-11; Amós 8: 8; Ageu 2:4-7). Apocalipse 11:13 nos diz que o terremoto destruiu a décima parte da cidade. A primeira pergunta que vem à mente é: qual grande cidade? A resposta é encontrada no meio do estudo sobre as duas testemunhas, apenas alguns versos antes. A Bíblia nos diz que a grande cidade é uma referência à cidade “que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o nosso Senhor também foi crucificado” (Apocalipse 11:8). Vimos no estudo #74 que Sodoma e Egito são símbolos para a maldade das pessoas. A sua imoralidade espiritual e auto-importância as impediu de aceitar que tinham necessidade de ter um salvador. A imoralidade espiritual (Sodoma) refere-se a infidelidade do povo, quando substituem Deus e Sua Verdade por outras formas de culto não especificados por Deus. A auto-importância (Egito) refere-se a elevação do Próprio Eu acima Deus, quando as pessoas abandonem uma vida centrada em Deus por uma vida onde o Próprio Eu é o núcleo. Mais tarde, a grande cidade é mencionada em Apocalipse como Babilônia, como um símbolo de uma potência mundial ímpia, que enganava as nações (Apocalipse 14:8; Apocalipse 16:19; Apocalipse 17:5; Apocalipse 18:2,4,10,21 ).

Lemos em Apocalipse 11:13 que o terremoto provocou uma destruição parcial da grande cidade. Apenas um décimo foi destruído. O terremoto em Apocalipse 16:18-19 dividiu a grande cidade em três partes, fazendo com que as cidades das nações entrassem em colapso. O terremoto em Apocalipse 6:12-17 fez com que as ilhas e as montanhas fossem movidas de seus lugares. A presença de Deus sempre deixa uma marca e as coisas não continuam sendo as mesmas de antes. A destruição da décima parte da cidade implica que os outros noventa por cento dos ímpios da cidade não foram afetados. Isso nos diz que esta ainda não é a destruição final de Deus sobre aqueles que rejeitaram a Cristo. Mesmo que apenas uma parte da cidade tenha destruída, os efeitos do terremoto tiveram um importante impacto espiritual, como veremos mais tarde. Esta é outra razão para entendermos esse terremoto como um evento espiritual.

*** Sete mil homens foram mortos ***: O número sete é importante em toda a Bíblia. Vemos esse número de Gênesis, com a história da criação, até Apocalipse. Em Apocalipse, vemos sete castiçais, sete estrelas, sete igrejas, sete selos, sete trombetas, sete trovões, sete anjos, sete taças, e sete últimas pragas. Como vimos no estudo #11, o número 7 é um número que tem a ver com integridade, plena restauração, purificação completa, vitória, e com as coisas que são abençoadas e santificados por Deus. É um símbolo da perfeição de Deus. O terremoto teve um grande impacto sobre os habitantes da grande cidade. Sete mil morreram. Se estamos à procura de uma perspectiva espiritual, podemos entender que eles morreram espiritualmente. Em outras palavras, eles mantiveram as suas mentes permanentemente contra a Verdade de Deus. O número sete mil era uma representação perfeita, completa e plena das pessoas que rejeitaram a Deus. Este número representa o inverso do 7000 fiéis mencionados na história de Elias (1 Reis 19:18). Na história de Elias, os 7000 representaram a totalidade dos que tinham permanecido ao lado de Deus.

*** O que aconteceu com os demais? ***: Mais de sete mil pessoas estavam vivendo na grande cidade. O terremoto teve um impacto significativo sobre as vidas daqueles que não morreram espiritualmente. Os que sobreviveram ao tremor passaram por uma experiência completamente diferente. Eles reconheceram a supremacia de Deus, ao invés de rejeitá-Lo. Eles passaram a temer Sua presença, no sentido de que eles passaram a respeitar a autoridade de Deus. Tanto é que renderam glória a Ele (Apocalipse 11:13). Esta reação nos faz lembrar da experiência descrita em Daniel * 4:28-37, quando o rei Nabucodonosor passou por 7 anos vivendo como um animal. Ao final da sua tribulação, ele foi capaz de reconhecer a soberania de Deus, e disse: “e eu bendisse o Altíssimo, e louvei e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é um domínio sempiterno, e cujo reino é de geração em geração." (Daniel 4:34).

*** Fim do segundo ai ***: A passagem em Apocalipse 11:13 anuncia a presença de Deus através da pregação da Sua mensagem. É interessante notar que a presença de Deus foi sentida na Terra, mesmo esse terremoto tendo acontecido antes da Segunda Vinda. Como vemos em Apocalipse 11:14, o terremoto mencionado em Apocalipse 11:13 acontece antes do soar da sétima trombeta. O primeiro e segundo ais se referem ao soar da quinta e sexta trombetas. Isto significa que os eventos do segundo ai terminam com a proclamação do Evangelho por toda a Terra. Jesus disse em Mateus 24:14: “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim“. Como vimos no estudo #65, o soar da sétima trombeta (terceiro ai) nos leva à Segunda Vinda de Jesus.

*** Visão Geral ***: Seguindo a ordem de eventos que levaram ao fim da história mundial, como descrito por Jesus em Mateus 24:14, o primeiro item da lista é a pregação do Evangelho a todas as nações. Esta ordem também é vista na mensagem dos três anjos, descrita em Apocalipse 14:6-13. O anjo tem o Evangelho na mão, para pregar aos incrédulos. A chamada que o anjo faz às nações forma um paralelo com a reação daqueles que sobreviveram ao terremoto de Apocalipse 11:13. Apocalipse 14:6-7 diz: "E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas". Não há tempo a perder. O destino daqueles que rejeitarem esta chamada é a morte espiritual e, consequentemente, morte eterna. Agora é a hora para nos arrependermos, temer a Deus e dar-Lhe glória.

11  E depois daqueles três dias e meio o espírito de vida, vindo de Deus, entrou neles; e puseram-se sobre seus pés, e caiu grande temor sobre os que os viram.

12  E ouviram uma grande voz do céu, que lhes dizia: Subi para aqui. E subiram ao céu em uma nuvem; e os seus inimigos os viram.

 

PARTE 5

 

*** Depois de três dias e meio o Espírito de Deus entrou nas testemunhas ***: Vimos no estudo #75 que as testemunhas permaneceram mortas por 3.5 dias proféticos. A razão humana havia sido elevada acima de Deus. O Cristianismo parecia ter morrido. Mas algo inesperado aconteceu que deixou todos surpresos. O “Espírito da vida de Deus, entrou [nas duas testemunhas]” (Apocalipse 11:11). A palavra “Espírito” foi traduzida da palavra grega pneuma, que significa “vento, respiração, espírito”. Hoje, temos palavras como pneumologia, pneumonia e pneumotórax. Todas essas palavras se relacionam com os pulmões e a condição de respiração. A relação entre o Pai e o Espírito Santo é tão próxima, que o Espírito é referido como a respiração ou fôlego de Deus. Apocalipse 11:11 diz que o Espírito de Deus entrou nas duas testemunhas, de forma semelhante à passagem que descreve como Deus deu vida a Adão, em Gênesis 2:7: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.” A condição de alma vivente só começou quando Deus soprou o fôlego da vida nas narinas de Adão. Antes do fôlego de Deus estar em Adão, ele não era nada além de um boneco de barro em forma de um homem, deitado no chão. As duas testemunhas em Apocalipse também estavam deitadas sem vida no chão (Apocalipse 11:8) até o momento em que o próprio Deus soprou vida nelas. A restauração e ressurreição das duas testemunhas não teve nada a ver com algum esforço humano. Aconteceu por um milagre de Deus.

Existe uma outra passagem da Bíblia que nos ajuda a compreender ainda mais o significado da ressurreição de testemunhas. Ezequiel 37:1-14 fala sobre a visão dos ossos secos. Ezequiel foi chamado para profetizar aos ossos secos, para que eles se juntassem outra vez e para que se formassem carne e pele. Os ossos só passaram a viver quando Deus enviou Seu fôlego. Eles ficaram de pé e se tornaram um grande exército. O texto é claro sobre quem os ossos secos representam: são toda a casa de Israel (Ezequiel 37:11). A restauração do povo de Deus não aconteceu por acaso ou por trabalho árduo do povo, mas aconteceu porque Deus fez com que isso acontecesse: “E sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir os vossos sepulcros, e vos fizer subir das vossas sepulturas, ó povo meu. E porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos porei na vossa terra; e sabereis que eu, o SENHOR, disse isto, e o fiz, diz o SENHOR.” (Ezequiel 37:13-14). As pessoas precisavam saber que Deus é o Senhor.

*** Um grande temor caiu sobre os povos da Terra ***: As pessoas da Terra permaneceram olhando para as duas testemunhas mortas, deitadas no chão por três dias e meio e não fizeram nada para restaurar sua dignidade (Apocalipse 11:9). Os habitantes da Terra pensaram que a morte da mensagem de Deus era um bom motivo para comemorar (Apocalipse 11:10). Para sua surpresa e medo, as duas testemunhas se levantaram depois que Deus as trouxe de volta à vida. Como vimos nos estudos anteriores, as pessoas da Terra são os que não temem a Deus e não guardam os Seus mandamentos. Elas não só foram surpreendidas por esta mudança inesperada dos acontecimentos, mas também ficaram com medo. O mundo estava pensando que as duas testemunhas haviam sido silenciadas para sempre, mas depois de apenas alguns dias, as testemunhas de Deus se levantaram de uma maneira forte.

*** A grande voz do céu chamou as testemunhas para o céu ***: Uma vez que Deus soprou vida em Suas testemunhas, Ele as chamou de volta para Si, "e subiram ao céu em uma nuvem” (Apocalipse 11:12) . Esta sequência de eventos nos faz lembrar da ressurreição e ascensão de Jesus. No terceiro dia após Sua morte na cruz, Jesus ressuscitou. Sua ascensão em uma nuvem aconteceu algum tempo depois, após ter passado alguns dias com os discípulos (Atos 1:3, 9). o tempo entre a ressurreição e ascensão foi gasto ensinando Seus discípulos a respeito de tudo o que as escrituras tinham a dizer sobre Ele (Lucas 24:44-45). O versículo em Apocalipse não diz quanto tempo passou entre a ressurreição das testemunhas e sua ascensão. O verso não diz se isso aconteceu imediatamente ou se elas passaram algum tempo na Terra continuando seu testemunho. Porem, as semelhanças com a morte e ressurreição de Cristo nos faz pensar que elas não foram levadas para o Céu imediatamente.

Vamos manter em mente que toda a visão sobre as testemunhas é simbólica. As testemunhas não são um grupo específico de pessoas. Como vimos antes no estudo #72, as duas testemunhas representam a Bíblia e a Igreja. Quando temos esses dois elementos juntos, temos a pregação ativa do Evangelho ao mundo. O foco da visão com as duas testemunhas é a pregação do Evangelho às nações.

*** Visão Geral ***: O mundo pensou que tinha destruído a Palavra de Deus e Seu povo. Comemorou ainda a morte das duas testemunhas de Deus. Obras humanas, no entanto, nunca prevalecerão contra a Verdade de Deus. Diversas vezes, ao longo da História, os infiéis tentaram destruir a Bíblia e os verdadeiros seguidores de Deus. Mesmo quando a situação parecia sem esperança, Deus demonstrou Seu poder e novamente deu vida a Sua verdade, dando-se a conhecer mais uma vez. Assim como Elias e Moisés foram levados para o céu no final de suas carreiras proféticas, e assim como Jesus subiu ao Céu quando Seu trabalho na Terra foi concluído, as duas testemunhas de Deus também serão recompensadas no final, uma vez que a sua missão tiver terminado. Deus continuará a dar às pessoas uma chance, enquanto ainda houver aqueles que quiserem se voltar para Ele. Nós vamos descobrir em nosso próximo estudo se a demonstração do poder de Deus na vida das duas testemunhas serviu de oportunidade para chamar infiéis ao arrependimento.

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9  E homens de vários povos, e tribos, e línguas, e nações verão seus corpos mortos por três dias e meio, e não permitirão que os seus corpos mortos sejam postos em sepulcros.

10  E os que habitam na terra se regozijarão sobre eles, e se alegrarão, e mandarão presentes uns aos outros; porquanto estes dois profetas tinham atormentado os que habitam sobre a terra.

 

PARTE 4

 

*** Povos, e tribos, e línguas, e nações ***: Mais uma vez vemos a distinção entre as pessoas que pertencem a Deus e as pessoas que não se voltaram para Deus. Ambos os versos (Apocalipse 11:9-10) começam mencionando as pessoas que se opõem às duas testemunhas de Deus. A expressão "povos e tribos, línguas e nações" foi utilizada anteriormente no livro de Apocalipse. Em Apocalipse 10:11, a voz do Céu chama João para profetizar "outra vez a muitos povos, e nações, e línguas e reis." Nos versículos anteriores, o texto focaliza as testemunhas de Deus, em quem elas eram e o que elas faziam. Vemos uma mudança nos versículos 9 e 10. As testemunhas estão mortas no meio da rua, e o leitor pode agora ver o que o resto das pessoas estavam fazendo na "grande cidade, que espiritualmente se chama Sodoma e Egito" (Apocalipse 11:8). Em Apocalipse 14:6-7, vemos que a mensagem que está sendo enviada para as nações é uma mensagem que aponta para a Verdade de Deus, chamando as pessoas ao arrependimento: "E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo, Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas." O anjo tinha o "evangelho eterno", e estava fazendo um convite àqueles que "habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo" para temerem a Deus e dar-Lhe glória. Aqueles que habitam sobre a terra, e cada nação, tribo, língua e povo representam aquelas pessoas que ainda não aceitaram o Evangelho e não adoram a Deus.

*** Os cadáveres na rua por três dias e meio ***: Agora que sabemos que as "pessoas que habitam sobre a terra" não reconhecem a supremacia de Deus, podemos entender sua reação à morte de Suas testemunhas. Os habitantes da Terra ficaram apenas olhando para as testemunhas, mortas no meio da rua (Apocalipse 11:8-9), e não fizeram nada por três dias e meio. Elas não enterraram as testemunhas e nem as tiraram para fora do caminho. Isso nos faz lembrar da linguagem usada em Apocalipse 11:2, onde lemos sobre como os gentios iriam pisar sobre a Cidade Santa por quarenta e dois meses. Quarenta e dois meses é a mesma quantidade de tempo profético que as duas testemunhas tinham para pregar a mensagem de Deus: 1260 dias. Quarenta e dois meses e 1260 dias é igual a 3,5 anos. Como dissemos muitas vezes antes em nossos estudos, em profecia, um dia = 1 ano profético (veja os estudos #16, #20, #68, #71 e #72 para uma explicação mais aprofundada). Apocalipse 11:9 nos diz que as testemunhas foram deixadas mortas na rua por 3,5 dias, que profeticamente equivale a 3,5 anos. Comparado com 1260 anos de pregação, permanecer morto na rua por 3,5 anos não parece ser um tempo muito longo. É evidente que o versículo está comparando o período em que as testemunhas ficaram mortas com o tempo que eles estavam vivas profetizando: 1 dia profético permanecendo mortas para cada ano profético que elas pregaram vestidas de saco.

Como vimos no estudo #74, o período de 1260 anos aconteceu durante a Idade Média, culminando com a Revolução Francesa. Durante a Revolução Francesa, o governo estabeleceu uma nova religião ateísta, o Culto à Razão, visando substituir o cristianismo (10 de Novembro de 1793). Podemos certamente procurar eventos relacionados ao cristianismo e à Bíblia que aconteceram 3,5 anos após a Razão ter sido elevada ao status de religião, mas perderíamos o ponto principal, se isso fosse tudo o que fizéssemos. Apocalipse 11:8-9 contêm pistas importantes para entendermos o objetivo principal do simbolismo usado no texto bíblico:

- Povos e tribos, línguas e nações: A reação à morte das duas testemunhas vai além do povo da França. Ela incluiu todo o planeta. Embora nem todos os países estivessem satisfeitos com o que os líderes franceses estavam fazendo no momento, os ideais por trás da nova religião permaneciam fortes. A Era do Iluminismo ou Era da Razão, como era chamada, dominou todo o mundo durante o século 18. Apesar de ter sido iniciada na França, o movimento não se limitou somente a esse país.

A grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito: A palavra-chave nessa frase é 'espiritualmente'. A atitude que tinham para com Deus é o que caracteriza o aspecto espiritual do problema na época. A França tinha seus próprios objetivos e estava lutando suas batalhas políticas. Nem todos os conflitos tinham um fundo religioso. No âmbito geral, suas batalhas são irrelevantes. Sua rejeição de Deus é o que está sendo enfatizado nos textos bíblicos, não suas guerras mesquinhas.

A cidade onde também o seu Senhor foi crucificado: Foi com essa mentalidade de rejeição ao ensino de Deus que a nação judaica não aceitou a Jesus e o mandou para a Cruz. Assim como as duas testemunhas, o tempo que Jesus profetizou na Terra foi 3,5 anos. No Seu caso, foram 3,5 anos literais. Ao fim desse tempo, Ele morreu.

*** Os moradores da Terra comemorando ***: Agora podemos começar a ver o que esses versos estão tentando nos dizer. Eles estão comparando o caminho das duas testemunhas com o de Cristo. A diferença surge no fato de as testemunhas permaneceram sem sepultamento, enquanto Jesus foi colocado em uma tumba. As testemunhas sofreram uma humilhação terrível tendo-se em vista os padrões da época. Isso não pareceu incomodar as nações da Terra. Pelo contrário. Elas estavam comemorando a morte dos mensageiros de Deus. A Bíblia fala sobre os comportamentos comumente exibidos por aqueles que rejeitaram a mensagem de Deus. Um exemplo é a respeito das pessoas no tempo de Noé: "E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca" (Mateus 24:37-38). Lemos sobre um outro exemplo em Daniel 5, quando o rei Belsazar, cheio de auto-confiança, estava dando uma festa usando os utensílios que pertenciam ao tabernáculo de Deus. Enquanto ele estava celebrando, mal sabia ele que seu reino estava sendo tomado por seu inimigo. O padrão aqui é que aqueles que rejeitam a mensagem de Deus parecem simplesmente prosseguir com o seu dia, festejando, pisando sobre a Verdade, como se nada mais importasse. Apesar dos avisos enviados por Deus, eles parecem não estar cientes do que irá vir sobre eles - destruição pelo dilúvio ou pelo ataque inimigo, como vimos em nossos dois exemplos.

*** As duas testemunhas atormentando as pessoas da Terra ***: Podemos nos perguntar, por que exatamente elas estavam celebrando a morte das duas testemunhas? Apocalipse 11:10 parece responder a essa pergunta: é porque as duas testemunhas estavam atormentado as pessoas da Terra. O versículo menciona as duas testemunhas como sendo os "dois profetas". Em toda a Bíblia, vemos o trabalho dos profetas, chamando as pessoas e os líderes ao arrependimento. Um exemplo deste "tormento" é visto quando Deus mandou Elias chamar o rei Acabe ao arrependimento, e enviou 3,5 anos de seca sobre a terra por causa da sua idolatria (1 Reis 16:29-33 e 1 Reis 17:1; Lucas 4:25; Tiago 5:17). Quando Acabe se encontrou com Elias após 3,5 anos, Acabe chamou o profeta de "o perturbador de Israel": "E sucedeu que, vendo Acabe a Elias, disse-lhe: És tu o perturbador de Israel?" (1 Reis 18:17). Isso é exatamente o que aqueles que rejeitam a Deus pensam a respeito dos Seus mensageiros. O que eles pregam os atinge em seu ponto vulnerável, e isso os torna desconfortáveis. Eles veem o povo de Deus como perturbadores, ameaçando sua falsa sensação de segurança. A resposta de Elias a Acabe esclarece o cenário e identifica qual é o verdadeiro problema: "Então disse ele: Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do Senhor, e seguistes a Baalim," (1 Reis 18:18).

*** Visão Geral***: Quando a nova religião que substituiu a Verdade de Deus pelo raciocínio humano começou, as duas testemunhas de Deus pereceram. Elas foram apagadas, e permaneceram mortas nas ruas do mundo. As nações da Terra assistiram essa cena por 3,5 anos, e não fizeram nada para restaurar sua dignidade. Pelo contrário, elas celebraram o aparente fim daqueles que estavam constantemente lhes lembrando de se arrependerem e se voltarem a Deus. Mesmo Deus tendo advertido suas perigosas escolhas ateístas e alertado sobre as consequências inevitáveis, elas ainda preferiram rejeitar o Evangelho e levar uma vida centrada na lógica humana e nos prazeres temporários. As filosofias iniciadas com a Era do Iluminismo ainda estão vivas hoje. Seus argumentos ainda podem enganar aqueles que não estão ligados a Deus. O mundo verá os cristãos como uma ameaça à sua ordem. Os cristãos serão marcados como perturbadores. Como Jesus disse: "E sereis odiados por todos por amor do meu nome; mas quem perseverar até ao fim, esse será salvo." (Marcos 13:13). Não podemos perder o foco no prêmio que aguarda aqueles que permanecem fiéis até o fim: a vida eterna com Deus.

7  E, quando acabarem o seu testemunho, a besta que sobe do abismo lhes fará guerra, e os vencerá, e os matará.

8  E jazerão os seus corpos mortos na praça da grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o nosso Senhor também foi crucificado.

 

PARTE 3

 

*** Quando acabarem o seu testemunho ***: Apocalipse 11:7 começa falando de um prazo que determina quando o próximo evento irá acontecer. Esse tempo é referente ao mesmo em que as duas testemunhas acabam o seu testemunho. Para descobrirmos quando isto ocorrerá, precisamos retornar a Apocalipse 11:3, onde aprendemos que as duas testemunhas profetizam vestidas de saco por 1.260 dias. Os eventos descritos no versículo 7 e 8 não acontecerão até que esse tempo tenha acabado. Como vimos no estudo #71, o período de 1.260 dias proféticos (ou 42 meses / 3,5 anos proféticos) é igual a o tempo literal de 1.260 anos durante a Idade Média (veja também o estudo #16, #20 e #68 para uma explicação detalhada). Sabemos disso porque o livro de Daniel também menciona este mesmo período de tempo, que iria ocorrer durante o Império Romano (Daniel 7:25).

*** A besta que emerge do abismo ***: No final desse período de 1.260 anos, a besta que emerge do abismo iria surgir e guerrear contra as duas testemunhas (Apocalipse 11:7 ). Essa mesma besta é também mencionada como a besta que emerge do mar (Apocalipse 13:1-10). A expressão em grego traduzida como o abismo, ou o poço do abismo é abussos, que significa "o abismo, profundidade insondável", e também morada dos espíritos malignos. É do abismo que a força inimiga sai, simbolizada pelo exército de gafanhotos (Apocalipse 9:1-2, Apocalipse 13:7; Daniel 7:21; veja também o estudo #57). Com base em todas essas passagens, podemos entender que a guerra sendo travada contra o povo de Deus e Sua mensagem ocorreu após o período de testemunho enquanto vestidos de saco. O ataque é liderado por poderes satânicos, uma vez que a besta que ataca as duas testemunhas sai do abismo. Mas quem ou o que é esta besta? Ele definitivamente não é um animal grotesco vindo para atacar a igreja. O ataque é real, mas devemos entender o símbolo, a fim de compreendermos quem é o atacante.

O elemento 'besta' também foi utilizado no livro de Daniel como um símbolo de um poder político e religioso que pudesse dominar o povo de Deus durante um determinado período de tempo (Daniel 7:17, 21). Esta besta não é Satanás, porque Apocalipse menciona Satanás como sendo o dragão (Apocalipse 12:9). A besta que sai do mar recebe poder diretamente do dragão (Apocalipse 13:2). O foco do verso não necessariamente está na identificação precisa dessa besta. Basicamente, a informação dada nos textos informa ao leitor que essa besta é um agente demoníaco responsável pela morte das duas testemunhas. Vamos estudar a identidade da besta nos próximos capítulos de Apocalipse.

*** Corpo morto na rua ***: A besta que sai do abismo acaba matando as duas testemunhas. Seria de se esperar que as duas testemunhas tivessem cada uma seu próprio corpo caído onde elas tinham sido mortas. Não é isso o que lemos em Apocalipse 11:8. Como Stefanovic menciona em seu livro*, a expressão em grego está escrita no coletivo singular "to ptōma autōn", que significa "o corpo morto deles". Apocalipse 11:9, o texto original em grego também inclui esta referência no singular, e só depois o texto volta para a forma plural 'corpos' (ptōmata). Vimos essa unidade das duas testemunhas em Apocalipse 11:5, onde vemos a expressão apresentada no singular: "a boca deles" (tou stomatos autōn). As duas testemunhas são uma unidade. O mensageiro e a mensagem, unidos para a divulgação da verdade de Deus ao mundo - a Igreja fiel e a Escritura, trabalhando em conjunto. Como elas viviam como uma unidade testemunhando, eles também morreram como um só, na mão desse poder político representado pela besta que vem do abismo. O "corpo deles" estava deitado no meio da cidade, em desgraça. Nos tempos antigos, deixar os mortos sem sepultamento era uma grande tragédia e humilhação (1 Reis 13:22-31; Salmo 79:3,4; Jeremias 8:1-2; Jeremias 14:16). Deixando as testemunhas sem um enterro apropriado seria como tirar sua dignidade.

*** A grande cidade onde Cristo foi crucificado ***: De acordo com Apocalipse 11:8, as duas testemunhas morreram na mesma grande cidade em que Cristo foi morto. O texto, no entanto, é simbólico, e menciona duas grandes cidades, e nenhuma delas está diretamente apontando para Jerusalém. Em contraste às duas testemunhas que têm um só corpo, temos aqui uma cidade que tem dois nomes. Como diz o texto, a referência é espiritual. As duas cidades mencionadas, Sodoma e Egito, devem ser entendidas em um contexto espiritual: "a grande cidade, que espiritualmente se chama Sodoma e Egito" (Apocalipse 11:8). Assim como Jesus, as duas testemunhas foram rejeitadas e perseguidas antes de morrer.

Sodoma: esta grande cidade é conhecida pela maldade e comportamentos imorais de seus cidadãos (Gênesis 18:20,21; Gênesis 19:4-11).

Egito: esta grande cidade, em relação ao povo de Deus, é conhecida por sua arrogância quanto ao reconhecimento da soberania de Deus, como vemos nas palavras do faraó: "Quem é o Senhor, cuja voz eu ouvirei, para deixar ir Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir Israel." (Êxodo 5:2).

De certa forma, ambas as cidades oprimiram o povo de Deus que ali viveram. E Deus teve que intervir em ambas as ocasiões. A grande cidade, onde as duas testemunhas morreram demonstra arrogância imoral e autossuficiência, onde os valores centralizados em Deus não são acolhidos. Imoralidade espiritual refere-se ao envolvimento com falsos ensinamentos que levam à completa negação da divindade de Deus. Isso é exatamente o que aconteceu em Jerusalém, quando os líderes judeus ignoraram todas as profecias que apontavam para Jesus. Eles se recusaram a apoiar a mensagem de Jesus, o que os levou a negar a divindade de Cristo. Eles rejeitaram completamente o Seu sacrifício.

*** Aplicação Profética ***: A grande evidência que aponta para o tempo na história em que a morte das duas testemunhas aconteceu é encontrada no período profético fornecidos nos textos de Apocalipse 11:3,4,7 e Daniel 7:25. As testemunhas foram autorizadas a pregar por 1.260 anos, e então elas seriam mortas. Esse período, como mencionamos anteriormente, ocorreu durante o tempo da Idade Média. Com base nesses versos, vemos que um evento aconteceria, onde Deus seria negado publicamente, em um ato de imoralidade espiritual. Isto significa que crenças ateístas seriam amplamente promovidas. Muitas vezes na Bíblia, Deus se refere à Sua relação com Seu povo como ao de um casal de noivos. A relação deve ser tão sólida e fiel como a de um marido e mulher. Quando os israelitas se envolveram em rituais pagãos e quebraram seu pacto com Deus, Deus comparou esse ato com adultério ou prostituição (Ezequiel 16:15-59; Oséias 1:2). É nesse sentido que a imoralidade espiritual, simbolizada pela cidade de Sodoma, combinado com as filosofias ateísticas e arrogantes, simbolizadas pelo Egito, precisam ser compreendidas. Após a Idade Média, houve um período na história em que o mundo presenciou um movimento com essas características, ocorrido justamente durante a Revolução Francesa. A razão estava sendo valorizada acima de tudo, e a Bíblia e o cristianismo estavam sendo abertamente rejeitados e desprezados. A cena em que as duas testemunhas são mortas nas praças da rejeição de Cristo certamente se aplicam ao que aconteceu durante a Revolução Francesa. Essa interpretação não pára por aí e vai além disso. Esse cenário vai estar presente em diferentes intensidades até a Segunda Vinda de Jesus. Certamente essa situação se tornará cada vez mais intensa à medida que nos aproximamos dos acontecimentos finais desse mundo.

*** Visão Geral ***: Depois que o tempo permitido para a sua pregação se esgotou, as duas testemunhas, foram perseguidas e mortas. A mensagem de Deus foi desprezada e rejeitada. O culto à razão tomou o lugar de Deus. É importante entender o ataque às duas testemunhas não como um ataque a uma denominação em particular na época da Revolução Francesa. Foi um ataque à verdade de Deus, representada por Seus verdadeiros seguidores e pela Bíblia. A ênfase na "grande cidade, que espiritualmente se chama Sodoma e Egito" (Apocalipse 11:8) nos diz que temos de nos concentrar no aspecto espiritual de qualquer evento histórico que a profecia esteja apontando. A elevação da razão como um substituto de Deus chegou a um estado de imoralidade espiritual. Ela foi promovida em nome da paz e da iluminação do pensamento humano. Deus e Sua mensagem estavam sendo rejeitados, da mesma forma como Jesus foi rejeitado antes da cruz.

 

 

*Comentário Bíblico de Stefanovic: Revelation of Jesus Christ.

5 E, se alguém lhes quiser fazer mal, fogo sairá da sua boca, e devorará os seus inimigos; e, se alguém lhes quiser fazer mal, importa que assim seja morto.

6 Estes têm poder para fechar o céu, para que não chova, nos dias da sua profecia; e têm poder sobre as águas para convertê-las em sangue, e para ferir a terra com toda a sorte de pragas, todas quantas vezes quiserem.

 

PARTE 2

 

*** Quem quer fazer mal às duas testemunhas? ***: Apocalipse 11:1-2 falou sobre a restauração da comunicação entre Deus e Seu povo. Deus estava garantindo a Seus filhos que aqueles que escolhessem se conectar a Ele teriam uma linha direta de comunicação, e seriam protegidos pela Sua presença. Apocalipse 11:3-4 falou mais especificamente sobre quem vai fazer a obra de Deus, espalhando a sua mensagem na Terra: Suas duas testemunhas. Elas têm o mesmo propósito, e irão apresentar o caráter de Deus para o mundo. Esta mensagem é realizada pelo poder do próprio Deus, através da Bíblia e de Sua Igreja. Apocalipse 11:5-6 apresenta mais uma característica das duas testemunhas: elas têm poderes especiais. Em sua missão de difundir a verdade, elas terão que enfrentar oposição, assim como Jesus declarou: "Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo." (João 16:33). O próprio alvo de seu testemunho é o que poderá prejudicá-las: o mundo. A expressão "o mundo" é uma referência ao grupo no átrio exterior, os que não deverão ser medidos (Apocalipse 11:2). "O mundo" é o equivalente a "aqueles que habitam sobre a terra". (Veja os estudos #42 e #56).

*** Poder 1: fogo que sai da sua boca ***: O primeiro poder é o fogo que poderá sair de sua boca, que tem a capacidade de devorar seus inimigos (Apocalipse 11: 5). No estudo #72, aprendemos que as duas testemunhas são a Bíblia e a Igreja. Esse grande poder saindo da boca das testemunhas nos lembra da espada de dois gumes saindo da boca de Jesus (Apocalipse 1:16; Apocalipse 2:12,16). Hebreus 4:12 diz: "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração". A Palavra de Deus é a defesa de Seus seguidores. Existe poder na Palavra de Deus, porque Ele é a fonte da mensagem. Os seguidores de Deus se defendem ao continuarem a falar da Verdade. A Verdade é o que protege os cidadãos do Céu, e é o que devora os habitantes da Terra. Ao rejeitarem o Evangelho, os inimigos de Deus estarão escolhendo a sua própria destruição.

O simbolismo visto neste verso, de um fogo consumidor descendo para acudir os servos de Deus, também nos lembra a história de Elias e os soldados enviados pelo rei Acazias. O rei estava doente e enviou mensageiros para perguntar a Baal-Zebube, deus de Ecrom, se ele se recuperaria dessa doença. (2 Reis 1:2). Deus mandou Elias interceptar os mensageiros, e enviar de volta uma mensagem ao rei Acazias. Deus desaprovava os comportamentos pagãos que o rei de Israel estava exibindo. Por três vezes, o rei mandou soldados para prenderem Elias. Nas duas primeiras vezes, desceu fogo do céu que consumiu os soldados ao chegaram perto da casa de Elias. Deus estava claramente protegendo a vida de Seu profeta.

Nós vemos na Bíblia o poder que a Palavra de Deus tem. No livro de Jeremias, temos a descrição de quão sério Deus considera o que Ele mesmo diz. Por causa da desobediência do povo, Deus disse a Jeremias que Ele iria transformar a mensagem na boca do profeta em fogo, e Ele iria transformar as pessoas em madeira, de modo que eles seriam consumidos pela Palavra de Deus (Jeremias 5:14). Israel estava indo por um caminho muito perigoso. Jeremias disse: "Negaram ao Senhor, e disseram: Não é ele; nem mal nos sobrevirá, nem veremos espada nem fome." (Jeremias 5:12). Eles estavam dizendo coisas que eram o oposto ao que Deus havia dito anteriormente. Eles estavam negando a Palavra de Deus. Essa mesma Palavra é o que iria consumir as pessoas desobedientes.

Note que tanto no relato do profeta Jeremias, quanto no de João, o fogo vem de Deus. O poder é realmente proveniente do Senhor, e não do próprio profeta. Deus é Quem é responsável pela defesa de Seu povo e Sua mensagem. Aqueles que vivem dentro da Verdade encontram liberdade e segurança, enquanto os que estão do lado de fora serão destruídos. A destruição não vem sem aviso. Desde o princípio, Deus disse a Adão e Eva que se eles escolhessem o pecado, eles certamente morreriam (Gênesis 2:17). Quando Deus acende Sua luz de perfeição e completa glória, a escuridão deixa de existir. É por isso que Ele insiste com o Seu povo para que se voltem para Ele e O escolham novamente, para que eles não sejam destruídos. Aqueles que optarem por se opor à Sua Verdade terão que enfrentar sérias consequências. Deus respeita a liberdade de escolha das pessoas a tal ponto que Ele lhes permite escolher de que lado preferem ficar: da vida ou da morte.

*** Poder 2: controlar a chuva ***: O segundo poder atribuído às duas testemunhas é o poder "para fechar o céu, para que não chova nos dias da sua profecia". Esta é outra referência a Elias. O rei Acabe havia conduzido os israelitas à uma profunda situação de paganismo. Devido a esta terrível apostasia, Deus enviou Elias para dar um aviso ao rei. Se não se arrependessem, Deus enviaria uma seca que duraria 3,5 anos (o que equivale a 42 meses ou 1.260 dias - Lucas 4:25; Tiago 5:17). Durante esse tempo, muitos profetas de Deus foram perseguidos e precisaram se esconder (1 Reis 18: 4). Esse líder da nação de Israel foi o mais perverso de todos (1 Reis 16:30), e não quis mudar sua maneira de agir. O período de 42 meses é significativo na história de Elias, e é um paralelo ao período descrito em Apocalipse em que as duas testemunhas estariam profetizando vestidas de saco (Apocalipse 11:3). Para Elias e os profetas restantes, este foi um momento difícil, mas mesmo assim, eles nunca ficaram sem a proteção e cuidado do Senhor. Eles passaram por um período de fome espiritual e física por causa das más escolhas feitas por aqueles que rejeitavam a mensagem de Deus.

*** Poder 3: transformar água em sangue ***: O terceiro poder nos lembra de uma outra pessoa na Bíblia: Moisés. Deus deu a Moisés as palavras para falar com faraó: "Assim diz o Senhor: Nisto saberás que eu sou o Senhor: Eis que eu com esta vara, que tenho em minha mão, ferirei as águas que estão no rio, e tornar-se-ão em sangue." (Êxodo 7:17). Esta foi a primeira praga que caiu sobre o Egito. Deus mencionou o objetivo da praga: "Nisto saberás que eu sou o Senhor". Os egípcios adoravam muitos ídolos, inclusive o rio Nilo. Com essa praga, Deus estava mostrando a eles que Ele era mais poderoso do que o rio. Mais uma vez, a verdade de Deus estava quebrando as mentiras do inimigo.

*** Poder 4: ferir a terra com pragas ***: O quarto poder é também uma referência ao resto das pragas do Egito (Êxodo 7-11). Apocalipse 11:6 menciona uma cláusula adicional a esse poder: as duas testemunhas podem ferir a terra com essas pragas quantas vezes elas quiserem. Num primeiro momento, isso parece estranho, porque as tendências humanas naturais são de vingança e abuso deliberado do poder. A diferença aqui é que esse poder está disponível apenas para os verdadeiros seguidores, as verdadeiras testemunhas. Eles estão a serviço do Criador. Como vimos em Apocalipse 11:1-4, eles não podem ter acesso a tal poder a menos que estejam ligados a Deus e a serviço da divulgação da verdade. Assim como o fogo que veio do céu, as pragas também são enviadas por Deus. As testemunhas são o meio pelo qual Deus envia Sua mensagem para a Terra. Já que elas estão sempre dispostas a seguir as instruções de Deus, elas têm o poder de passar a Sua mensagem adiante muitas vezes, assim como Seu servo Moisés. O propósito da mensagem nunca muda: trazer as pessoas para Deus, para que tenham a oportunidade de escolher reconhecer que Deus é o Senhor e Salvador.

*** Visão Geral ***: No estudo #72 aprendemos que as duas testemunhas exercem o papel de rei e sacerdote. Elas têm uma missão profética e real/celestial. Com base na descrição das duas testemunhas mencionadas em Apocalipse 11:5-6, vemos ainda um outro aspecto do seu papel profético. Estão demonstrando um poder semelhante ao de Elias e de Moisés. Elas são preenchidas com o Espírito Santo. Elas mergulham fundo no trabalho da pregação do Evangelho, não por causa de quão forte elas são, mas por causa de quão forte é Aquele a Quem elas servem. Como agentes da Palavra de Deus, as duas testemunhas são capazes de mostrar aos outros quem é Deus, "Não por força, nem por poder, mas pelo espírito [de Deus]" (Zacarias 4:6). No Monte da Transfiguração, Moisés e Elias vieram falar com Jesus a respeito dos momentos finais da vida de Jesus na Terra (Lucas 9:31). Este momento foi um vislumbre do que a Segunda Vinda será: Moisés representando aqueles que morreram no Senhor, e Elias representando aqueles que estarão vivos na Segunda Vinda (veja 1 Tessalonicenses 4:15-17). Em Malaquias 4:5-6 lemos uma profecia sobre a vinda de Elias, que acontecerá antes do Dia do Senhor. Isso não significa que o próprio Elias virá para o nosso planeta para retomar o seu ministério aqui. Podemos entender os que fazem parte do povo de Deus vivendo durante os últimos dias serão Suas poderosas testemunhas, assim como Seus profetas foram no passado.

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3  E darei poder às minhas duas testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de saco.

4  Estas são as duas oliveiras e os dois castiçais que estão diante do Deus da terra.

 

Parte 1

 

*** Duas testemunhas vestidas de saco ***: A mesma voz do Céu continuou falando com John na visão (veja os estudos #70 e #71). A voz tinha o poder de mandar João medir o templo, o altar, e os adoradores, e para não medir o átrio exterior (Apocalipse 11:1-2). Ele também tinha o poder de autorizar duas testemunhas a profetizarem por um tempo muito longo (Apocalipse 11:3). John continuou a receber uma mensagem diretamente de Deus, mencionando duas testemunhas. Mas quem são elas?

O que elas fazem?: As duas testemunhas não parecem ter o poder por conta própria para realizar a missão de Deus. Elas são capazes de seguir em frente com a tarefa porque esse é o plano de Deus. As duas testemunhas foram enviadas para profetizar, assim como João havia sido ordenado no início da visão (Apocalipse 10:11). Como vimos no estudo # 69, a palavra profetizar significa "'pregar' fortalecido pelo poder divino prenunciando, profetizando". Essa é a primeira pista que temos para nos ajudar a identificar as duas testemunhas: elas pregam a mensagem de Deus, através da inspiração divina.

O que elas vestem?: De acordo com Apocalipse 11:3, as duas testemunhas estão vestidas de saco. A palavra 'saco' foi usada anteriormente em Apocalipse 6:12 para descrever o escurecimento do sol. Nessa comparação, podemos ver que saco era um tecido escuro feito de pelos humanos e de animais. Não é de surpreender que o pano de saco ou roupa peluda era o vestuário típico dos profetas na Bíblia (Isaías 20: 2; Zacarias 13:4;  2 Reis 1:8; Mateus 3:4). Essa roupa também era usada como um símbolo de arrependimento, amargura, e humildade diante de Deus (1 Reis 21:27;  2 Reis 19:1; Isaías 37:1-2; Daniel 9:3; Joel 1: 8; Jonas 3:5 -8). A roupa das duas testemunhas sugere que elas têm um papel profético. Elas carregam uma mensagem de Deus. E como os profetas da Bíblia, elas sofrem muito em sua missão, muitas vezes perseguidos, rejeitados, e mortos.

Duração do seu testemunho enquanto vestidas de saco: Mais uma vez, vemos esse período profético dos 1260 dias. Este é o mesmo período que vimos em Apocalipse 11:2, quando o povo de Deus sofreria opressão nas mãos daqueles que não seguem a Verdade de Deus (veja os estudos #16, #20, #68#71 para uma explicação mais aprofundada). Esse período corresponde à Idade Média, um tempo em que o povo fiel de Deus sofreu terrivelmente.

*** As duas testemunhas são as duas oliveiras e dois castiçais ***: Apocalipse 11:4 nos dá um outro aspecto das duas testemunhas, para nos ajudar a identificá-las de forma mais clara. Este texto é uma referência à visão descrita em Zacarias 4. Na visão de Zacarias, ele viu um candelabro e duas oliveiras. As oliveiras eram os "dois ungidos, que assistem junto ao Senhor de toda a terra." (Zacarias 4:14). O sumo sacerdote Josué (Zacarias 3:1), e Zorobabel, o governador de Judá (Zacarias 4:6) representavam os dois ungidos. Estes dois homens estavam envolvidos na restauração do templo em Israel (Esdras 5:2; Zacarias 4:9; Ageu 2:2; Zacarias 4:9-10). As sete lâmpadas na visão de Zacarias eram os "os olhos do Senhor, que percorrem por toda a terra" (Zacarias 4:10). A Palavra de Deus a Zorobabel era a seguinte: "Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos" (Zacarias 4:6). Na visão de Zacarias, vemos que a restauração do templo teria que ser feita através da colaboração de dois líderes humanos: o sumo sacerdote e o governador. Um representa a liderança espiritual, e o outro representa o rei. Eles não estavam procurando satisfazer seus próprios desejos egoístas. Eles estavam seguindo as instruções de Deus. Na visão, eles são um símbolo daquilo que Deus espera de Seu povo: que eles se tornam reis e sacerdotes no serviço do Senhor. Agora que entendemos a referência de Zacarias 4, podemos ver que Apocalipse 11:4 descreve ainda um outro aspecto das duas testemunhas: o seu papel como rei e sacerdote (Apocalipse 1:6; Apocalipse 5:10), e objetivo de restauração da Verdade de Deus ao testemunharem pregando o Evangelho a todo o mundo.

*** Por que duas testemunhas? ***: A tradição judaica exigia que no mínimo duas a três testemunhas confirmassem uma ocorrência para que o testemunho pudesse ser considerado verdadeiro (Deuteronômio 19:15; Deuteronômio 17:6; Números 35:30; Mateus 18:16; João 8:17;  2 Coríntios 13:1; 1 Timóteo 5:19; Hebreus 10:28). É por isso que Jesus enviou os discípulos a pregar o Evangelho em grupos de dois (Marcos 6:7; Lucas 10:1). Esta prática continuou também durante a igreja primitiva (Atos 13:2; Atos 15:39-41).

*** Quem são as testemunhas de acordo com a Bíblia? ***: Existem vários pontos de vista sobre este assunto. É importante lembrar que apenas os pontos de vista que estão de acordo com a Bíblia devem ser tomados como verdade. Vamos ver o que a Bíblia tem a dizer sobre quem ela considerado como testemunhas de Deus:

1 João 5:7-12 - A Trindade, e aqueles que acreditam que a vida está em Jesus: "Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra: o Espírito, e a água e o sangue; e estes três concordam num. Se recebemos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior; porque o testemunho de Deus é este, que de seu Filho testificou. Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu. E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida."

Apocalipse 1:5 - Jesus Cristo: "E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados"

João 5:39 - as Escrituras: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam”.

Lucas 24:27, 44 - Moisés e os profetas, e os Salmos: "E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras." "E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos."

Apocalipse 1:2, 9 - O livro do Apocalipse contém a Palavra de Deus e o testemunho de Jesus: "O qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que tem visto." "Eu, João, que também sou vosso irmão, e companheiro na aflição, e no reino, e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo"

João 15:27 - Os discípulos: "E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio."

Lucas 24:46-48 - Os discípulos: "E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. E destas coisas sois vós testemunhas."

Atos 2:32; Atos 3:15 - Aqueles que testemunharam a morte e ressurreição de Cristo: "Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas." "E matastes o Príncipe da vida, ao qual Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas."

- Atos 1:8; Atos 5:32 - A igreja: "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra." "E nós somos testemunhas acerca destas palavras, nós e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem."

*** Visão Geral ***: As duas testemunhas trazem uma mensagem que está garantida ser verdadeira. Elas vêm de uma maneira humilde mas com uma mensagem corajosa, assim como vinham os profetas na Bíblia. Sua mensagem tem o objetivo de trazer as pessoas de volta a Deus. Eles fazem isso em sua capacidade de sacerdote e rei no serviço do Senhor. A Bíblia nos diz que Deus tinha suas testemunhas desde o início dos tempos. As duas primeiras testemunhas são parte da Trindade. Os três membros são testemunhas um do outro (João 3:16; João 15:8; João 16:7-8; Mateus 17:5; João 5:36-37;  1 Coríntios 2:12; João 15:26;  1 João 4:2;  1 João 2:23; Romanos 8:14-15). A próxima referência bíblica como testemunha de Deus é a própria Bíblia, através dos livros da lei, os livros dos Profetas e os Salmos. Estes compunham a Bíblia nos tempos antigos. Do ponto de vista de João, ainda não havia o Novo Testamento. É importante compreender claramente que para nós hoje, vivendo nos tempos modernos, podemos incluir os ensinamentos do Novo Testamento como sendo uma testemunha, por ser a própria descrição do ministério do Messias na Terra. A Igreja é a próxima testemunha, mencionada na Bíblia, representada pelos discípulos, João, e aqueles que testemunharam a morte e ressurreição de Jesus. Para resumir, temos aqui três testemunhas: Deus, a Bíblia, e a Igreja. Apocalipse 1:3 começa por dizer que Deus "dará poder a [Suas] duas testemunhas". E esta é a grande pista que precisávamos para saber quem são as duas testemunhas mencionadas em Apocalipse 11: A Bíblia e a Igreja. Sem o poder de Deus, a Igreja seria incapaz de levar a diante a mensagem contida na Bíblia. Sem o poder de Deus, não poderia haver a compreensão da mensagem contida na Sua Palavra. A mensagem seria apenas tinta nas páginas de um livro. As duas testemunhas devem andar unidas, como uma unidade, levando a Palavra de Deus "até aos confins da terra" (Atos 1:8). Elas têm o mesmo propósito: restaurar a Verdade de Deus.

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