1 E vi outro anjo forte, que descia do céu, vestido de uma nuvem; e por cima da sua cabeça estava o arco celeste, e o seu rosto era como o sol, e os seus pés como colunas de fogo;

2 E tinha na sua mão um livrinho aberto. E pôs o seu pé direito sobre o mar, e o esquerdo sobre a terra;

3 E clamou com grande voz, como quando ruge um leão; e, havendo clamado, os sete trovões emitiram as suas vozes.

 

Parte 1 - Apocalipse 10:1-3

 

*** Contexto Geral ***: Como mencionamos antes, a sétima trombeta não ocorre imediatamente após a sexta. Existe uma pausa entre a sexta e a sétima trombetas, assim como vimos umintervalo entre o sexto e o sétimo selos. Cada uma das trombetas não corresponde exatamente ao tempo de cada um dos selos, mas os selos e as trombetas começam e terminam no mesmo ponto, e cobrem o período entre a ressureição de Cristo e Sua Segunda Vinda. No estudo dos selos, esse interlúdio serve para responder à pergunta feita no fim do sexto selo: "Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?" (Apocalipse 6:17). A resposta é clara: o exército de Deus permanecerá até o fim, e se tornará uma grande multidão vitoriosa diante do trono de Deus. O interlúdio entre a sexta e a sétima trombetas serve para expandir ainda mais a essa resposta. Em todas as trombetas, as descrições formam uma imagem bem definida da batalha entre o exército de Deus e o exercito inimigo. O exército de Deus é Sua igreja, e ela luta não com o uso da força física, mas sim com uma arma espiritual poderosa: a Verdade de Deus. Essa pausa explica o papel do exército de Deus e como ele divulga o Evangelho nos últimos dias.

*** Outro anjo forte ***: O anjo descrito em Apocalipse 10:1 nos lembra o anjo de Apocalipse 5:2: "E vi um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de desatar os seus selos?". Nesses dois versos, o anjo é mencionado em associação com o livro, e ambos são descritos como sendo 'anjo forte'. Apocalipse 10:1 começa com a palavra "outro", que nos leva a pensar que esse anjo forte não é um dos sete que estão tocando as trombetas.

- De onde os anjos vem: Não há dúvidas de que o anjo vinha do Céu (Apocalipse 10:1). A palavra grega para anjo é aggelou, e significa "mensageiro". Esse mensageiro forte trazia consigo uma mensagem importante enviada por Deus.

- Sua aparência:

* O anjo estava vestido com uma nuvem. Como vimos nos estudos anteriores, o termo 'nuvem' está frequentemente associado com a presença de Deus (veja o estudo #6). Agora fica ainda mais claro que a mensagem que o anjo trazia consigo era tão importante que estava rodeada pela presença de Deus.

* Um arco-íris estava por cima de sua cabeça. O arco-íris nos faz lembrar a descrição do trono de Deus em Apocalipse 4:3. Mais uma vez, vemos a presença do Pai nesse texto. O anjo não somente vinha do Céu, mas também da própria presença de Deus. Até mesmo sua face resplandecia como o sol.

* Os pés do anjo eram como colunas de fogo, muito semelhantes à descrição das pernas de Jesus em Apocalipse 1:15. Temos agora, não somente uma referência ao Pai mas também ao Filho. O mensageiro segurando o pequeno livro se assemelhava a dois membros da Trindade.

- Em sua mão: O anjo tinha em sua mão um pequeno livro (rolo). Esse livro era diferente do livro mencionado em Apocalipse 5, em dois aspectos: era pequeno e estava aberto. Isso não quer dizer que esses dois livros não estavam relacionados. Se esses livros estão relacionados, então o livrinho de Apocalipse 10 poderia ser apenas uma parte do livro visto em Apocalipse 5. Iremos falar mais do pequeno livro no próximo estudo.

- Onde o anjo estava de pé: Ao segurar o pequeno livro, o anjo poderoso tinha um pé no mar e o outro na terra. A expressão 'terra e mar' nos faz lembrar de três coisas.

* Criação: "E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi. E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu Deus que era bom." (Gênesis 1:9,10). A porção seca (terra), e a porção coberta pela água (mar) se referem à extensão completa do planeta.

* Quarto mandamento: "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou." (Êxodo 20:8-11). Deus criou "os céus e a terra, o mar e tudo que neles há". A expressão aqui também se refere ao planeta inteiro.

* A besta que emerge do mar e a que emerge da terra: "E eu pus-me sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia." (Apocalipse 13:1). "E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão." (Apocalipse 13:11). As bestas representam um poder político-religioso que possuem uma influência global. (Veremos mais detalhes sobre as bestas quando estudarmos Apocalipse 13).

Nesses três exemplos, o conceito envolvendo a terra e o mar se refere ao seu alcance mundial. O anjo estando de pé daquela maneira enfatizava as implicações globais da mensagem contida no livro.

- Sua voz: O anjo clamou em alta voz. Sua voz não somente era forte, mas também se parecia com o rugir de um leão. O clamor do anjo levou os sete trovões a emitirem suas vozes (Apocalipse 10:3). O rugir do leão é usado como símbolo do som da voz do anjo ("como quando ruge um leão"). Não é um som para se passar despercebido.

*** E o anjo forte, é Jesus? ***: O anjo forte tem qualidades que parecem tanto com o Pai quanto com o Filho. A mensagem que ele estava trazendo, claramente vinha do Céu. Ele estava trazendo um livro aberto. O texto não diz que ele prórprio abriu o livro. Aparentemente, o livro havia sido aberto no Céu, antes do anjo ser enviado. Vamos agora voltar ao começo de Apocalipse, e rever a sequencia de como a mensagem iria ser passada para João: "Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo" (Apocalipse 1:1). Deus deu a mensagem para Jesus, Jesus a deu para o anjo, e o anjo a deu para João. A sequência em Apocalipse 10:1-7 aparenta ser a mesma. Durante várias lições anteriores, estudamos essa sequência, chegando a esse ponto: Deus deu o livro selado para Jesus, Jesus começou a abrir os selos do livro, então Jesus deu uma parte do livro que havia sido aberto para o anjo, e o anjo transmitiu a mensagem para João. E o anjo, é Jesus? Não exatamente, mas, de uma certa maneira, sim. Em termos modernos, podemos entender a função desse anjo ao compararmos o fluxo de informação que chega até João com a maneira que tão comumente nos comunicamos hoje. Frequentemente, enviamos mensagens eletronicamente. Recebemos uma mensagem, mas o que vemos não é quem a enviou. O que vemos são letras em uma tela, ou uma gravação em uma máquina. O verdadeiro remetente não é o telefone ou o computador. No entanto, consideramos que a mensagem que recebemos vem diretamente da pessoa que a enviou. De uma maneira semelhante, o anjo forte de Apocalipse 10:1 é o transmissor da mensagem vinda de Deus, através de Jesus. De um modo geral, é como se o próprio Jesus estivesse dando a João a mensagem.

*** Visão Geral ***: Apocalipse 10 e Apocalipse 11:1-14 cobrem o intervalo entre a sexta e sétima trombetas. Essa sessão explica o papel e as atividades dos fiéis filhos de Deus vivendo nos últimos dias. A informação chegou até João através de um anjo forte, enviado por Deus. A aparência impressionante do anjo diz a João que a mensagem possui implicações globais, e que é de extrema importância. Nesse momento, João ainda não sabia o que o livro dizia. Ele passou alguns versos descrevendo a aparência do mensageiro, para deixar claro ao leitor que o anjo trazia consigo informação divina. Os primeiros versos do capítulo 10 preparam a fundação dos versos que vem a seguir. Após ver o anjo forte e ouvir o seu clamor, João se viu pronto a ouvir o que Deus tinha a dizer.

1 And I saw another mighty angel come down from heaven, clothed with a cloud: and a rainbow was upon his head, and his face was as it were the sun, and his feet as pillars of fire:

2 And he had in his hand a little scroll open: and he set his right foot upon the sea, and his left foot on the earth,

3 And cried with a loud voice, as when a lion roars: and when he had cried, seven thunders uttered their voices.

 

Part 1 - Revelation 10:1-3

 

*** Background ***: As we mentioned before, the seventh trumpet doesn't come right after the sixth one. There is a pause between the sixth and seventh trumpets, just like the one we saw between the sixth and seventh seals. Even though each of the trumpets doesn't necessarily correspond exactly to the time frame of each of the seals, they start and finish in the same place, covering the period between Jesus' resurrection and His Second Coming. In the study of the seals, this interlude answered the question raised at the end of the sixth seal: "For the great day of His wrath has come, and who is able to stand?" (Revelation 6:17). The answer is clear: God's army will remain and become a great multitude standing victorious before the throne of God. The interlude between the sixth and seventh trumpets expands that answer even more. Throughout the blowing of the trumpets, the descriptions give us the well-defined picture of a battle between God's army and the enemy army. God's army is His church, and they fight this battle not by the use of force, but they use a mighty spiritual weapon: God's Truth. The interlude here explains the role of God's army and how they spread the Gospel in the last days.

*** Another mighty angel ***: The angel described in Revelation 10:1 reminds us of the one in Revelation 5:2: "And I saw a strong angel proclaiming with a loud voice, Who is worthy to open the scroll, and to loose the seals thereof?". In both verses, the angel is mentioned in association with a scroll, and they are both described as being 'strong' or 'mighty'. Revelation 10:1 starts with the word "another", which leads us to believe that this strong angel is not one of the seven blowing the trumpets.

- Where the angel comes from: There is no doubt that this angel comes from heaven (Revelation 10:1). The Greek word for angel is aggelou, and it means messenger. This strong messenger has an important information sent by God.

- His appearance:

* The angel is clothed with a cloud. As we've studied before, the term cloud is often associated with the presence of God (see study #6). Now it becomes even more clear that the message the angel is carrying is so important that it is surrounded by the presence of God.

* There was a rainbow over his head. The rainbow reminds us of the description of the throne of God, in Revelation 4:3. Once again, we see the presence of the Father in this description. The angel seems to not only come from Heaven, but also from the very presence of God. Even his face was shining like the sun.

* The angel's feet were like pillars of fire, just like the description of Jesus' legs in Revelation 1:15. Now we not only have a reference to the Father but also to the Son. The messenger holding the little scroll resembles these two members of the Trinity.

- On his hand: The angel had in his hand a little scroll. This scroll is different than the one in Revelation 5, because of two things: it is little, and it is open. This doesn't mean these two scrolls aren't related. If they are related, the little scroll of Revelation 10 could be just a portion or section of the one in Revelation 5. We will talk more about the little scroll in the next study.

- Where he was standing: While holding the little scroll, the mighty angel had one foot on the sea and the other on the earth. The terms 'earth and sea' remind us of three things.

* Creation: "And God said, Let the waters under the heaven be gathered together unto one place, and let the dry land appear: and it was so. And God called the dry land Earth; and the gathering together of the waters called he Seas: and God saw that it was good." (Genesis 1:9,10). The dry land (Earth) and the portion covered with water (Seas) referred to the entirety of the planet.

* Fourth Commandment: "Remember the sabbath day, to keep it holy. Six days shall you labor, and do all your work: But the seventh day is the sabbath of the LORD your God: in it you shall not do any work, you, nor your son, nor your daughter, your manservant, nor your maidservant, nor your cattle, nor your stranger that is within your gates: For in six days the LORD made heaven and earth, the sea, and all that is in them, and rested the seventh day: therefore the LORD blessed the sabbath day, and hallowed it."(Exodus 20:8-11). God created "heaven and earth, the sea, and everything that is in them". The expression here is also a reference to the entire planet.

* The beast that comes out of the sea and the one that comes out of the land: "And I stood upon the sand of the sea, and saw a beast rise up out of the sea, having seven heads and ten horns, and upon his horns ten crowns, and upon his heads the name of blasphemy." (Revelation 13:1). "And I beheld another beast coming up out of the earth; and he had two horns like a lamb, and he spoke as a dragon." (Revelation 13:11). The beasts, which represent a political-religious power, have a global influence.

In all three instances, the concept involving the Earth and the Sea refer to their worldwide reach. The image of the angel standing in that way emphasizes the global implications of the message contained in the scroll.

- His Voice: The angel cried out with a loud voice. His voice was not only loud, it was like the roar of a lion. The angel cry prompted seven thunders to utter their voices (Revelation 10:3). The lion roar is used as a symbol for the sound of the angel's voice ("as when a lion roars"). It was not a sound to be dismissed.

*** Is the strong angel Jesus? ***: The strong angel has qualities that resemble both Father and Son. The message he is bringing is clearly one sent from Heaven. He is carrying an open book. The text does not say he opened that himself. It seems that the book was open in Heaven before the angel was sent. Let's go back to the beginning of Revelation, and review the sequence of how the message was going to be given to John: "The Revelation of Jesus Christ, which God gave unto him, to show unto his servants things which must shortly come to pass; and he sent and revealed it by his angel unto his servant John" (Revelation 1:1). God gave the message to Jesus, Jesus gave it to the angel, and the angel gave it to John. The sequence in Revelation 10:1-7 seems to be the same. And we have been studying this sequence over the past several lessons, leading to this point: God gave a sealed scroll to Jesus, Jesus started to open the seals of the scroll, then Jesus gave a portion of the scroll that had been opened to the angel, and the angel is transmitting the message to John. Is then the angel Jesus? Not exactly, but in a way, yes. In modern terms, we could understand the function of this angel by comparing the flow of information getting to John to the way we often communicate today. We often send messages to each other in electronic form. We get the message, but what we see is not the sender. What we see are letters on a screen, or we hear a recording on a machine. The actual sender is not the phone or computer. We consider the message as if we had received it directly from that other person. In a similar way, the strong angel of Revelation 10:1 is the carrier of a message coming from God, through Jesus. In a broader sense, it is as if Jesus was there Himself, giving John the message.

*** Overview ***: Revelation 10 and Revelation 11:1-14 cover the interlude between the sixth and the seventh trumpets. This section explains the role and activities of God's end-time faithful people. The information gets to John through a strong angel, sent by God. The striking appearance of the angel tells John that the message has global implications, and is of extreme importance. At this point, John still doesn't know what the scroll actually says. He spent a few verses describing what the messenger looked like, to make it clear to the reader that the angel is bringing with him divine information. The first verses of chapter 10 prepare the foundation for the verses to come. After seeing the strong angel and hearing his cry, John is ready to listen to what God has to say.

18 E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra.

19 E abriu-se no céu o templo de Deus, e a arca da sua aliança foi vista no seu templo; e houve relâmpagos, e vozes, e trovões, e terremotos e grande saraiva.

 

Parte 2 - Apocalipse 11:18-19

 

*** A ira e o julgamento ***: Apocalipse 11:18 começa mencionando pontos contrastantes a respeito daqueles que estão do lado de Deus e aqueles que estão do lado do inimigo. Esse verso diz: "iraram-se as nações". A ira das nações veio por causa do anúncio feito pelo o anjo em Apocalipse 11:15: "Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre." (Apocalipse 11:15). Elas se opuseram ao povo de Deus e Seu domínio. A resposta de Deus à ira das nações é o derramamento de Sua ira. No grego, e expressão usada para a ira das nações é ōrgisthēsan. A expressão usada para a ira de Deus é orgē, que é a palavra-raiz da palavra ōrgisthēsan. Basicamente, Deus responde à ira das nações com Sua própria ira. A ira das nações desafia a autoridade de Deus. Mas essa ira não se compara à ira Deus. A ira de Deus pode eliminar o pecado pela raiz. No Salmo 2:1-2, vemos uma cena semelhante, onde as nações se enraiveceram contra Deus e Seu ungido. Deus respondeu com o derramamento de Sua ira (Salmo 2:5). Em Apocalipse 11:18, vemos que o julgamento segue a ira de Deus. Para os fiéis, julgamento é uma boa notícia: eles serão recompensados. Para os ímpios, significa destruição. Aqui está um diagrama de Apocalipse 11:18:

 

Iraram-se as nações
A ira de Deus é derramada
O julgamento começa a ser executado
Ímpios Fiéis
Os que destroem a Terra deverão ser destruídos Os servos fiéis (profetas, santos e todos que temem a Deus) deverão ser recompensados 

 

*** Destruindo os que destroem a Terra ***: Para podermos entender o que essa expressão quer dizer, precisamos ver a palavra grega que foi traduzida como 'destruir': diaphtheiró, que significa 'destruir completamente, estragar, corromper'. Vemos esse mesmo conceito na história do dilúvio. Os eventos precedendo o dilúvio nos ajudam a entender que tipo de destruição o verso em Apocalipse 11:18 está se referindo. Seria a destruição do meio ambiente? Ou a destruição no sentido espiritual? Vamos então manter em mente o termo 'corromper', ao lermos Gênesis 6:11-13: "A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência. E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra. Então disse Deus a Noé: O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra." (Gênesis 6:11-13). Nessa descrição, Deus iria mandar o dilúvio por causa da corrupção que estava acontecendo. O texto iguala corrupção com violência. Deus enviou o dilúvio por causa da iniquidade das pessoas. Suas iniquidades encheram a Terra. A destruição ambiental do planeta é apenas uma das consequências da doença espiritual que afeta os moradores da Terra. Na verdade, o problema é espiritual. As pessoas que espalham falsos ensinamentos e que encorajam comportamentos que vão contra os mandamentos de Deus são os que destroem a Terra. Apocalipse 19:2 enfatiza a natureza espiritual dessa destruição causada pelos ímpios, porque fala sobre como um sistema politico-religioso (simbolicamente representado por uma prostituta ou Babilônia) corrompeu a Terra com sua fornicação. Aqui, o termo 'fornicação' significa traição aos ensinos de Deus quando se misturam falsas doutrinas que não são baseadas somente nas Escrituras. Essa mulher, representando o poder político-religioso, é quem está destruindo a Terra, pois "os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou das iniquidades dela." (Apocalipse 18:5).

*** O templo de Deus estava aberto, mostrando a Arca da aliança ***: A visão termina com o templo de Deus sendo visto por completo, do lugar Santo até o lugar Santíssimo, onde se encontra a Arca da aliança. No Antigo Testamento, a Arca da aliança era uma caixa dourada que continha os Dez Mandamentos, a vasilha com maná, e a vara florescida de Aarão (Êxodo 16:33,34; Êxodo 25:16, Números 17:10, veja também Hebreus 9:4). O Livro do Concerto era guardado ao lado da Arca (Deuteronômio 31:26). A Arca representava a presença de Deus (Êxodo 30:6), e é por isso que vemos "relâmpagos, e vozes, e trovões, e terremotos e grande saraiva" sendo mencionados logo após a descrição da Arca em Apocalipse 11:19. "Relâmpagos, e vozes, e trovões, e terremotos e grande saraiva" são manifestações frequentemente usadas na Bíblia para descrever a presença de Deus (Apocalipse 4:5; Apocalipse 8:5; Apocalipse 16:18; Êxodo 19:16-19; Êxodo 20:18; Deuteronômio 5:22-23). O conteúdo dentro e perto da Arca representa o acordo que Deus fez com Seu povo. Ao revelar a Arca, Deus, mais uma vez, está mostrando à sua igreja fiel, vivendo no fim dos tempos que Ele não Se esqueceu dela e que Ele está sempre presente. Ele irá manter Sua promessa e destruir o inimigo.

*** Aplicação Profética e Visão Geral ***: O soar da sétima trombeta nos leva ao tempo do fim. O reino do Pai se tornou o reino de Jesus. Esse tempo marca o começo do reino eterno de Jesus. As nações da Terra se tornarão enraivecidas contra Deus e Seu povo. Mas Deus irá defender Seus filhos e destruir aqueles que enchem a Terra com iniquidade. Com a Segunda Vinda, Jesus definirá a sentença dos ímpios, e recompensará aqueles que enchem a Terra com Sua Verdade. A Bíblia diz que Jesus trará Consigo Sua recompensa: "E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra." (Apocalipse 22:12). Seu galardão é a vida eterna. Essa recompensa vem apenas no fim, quando Ele vier. Não vem antes da Sua Segunda Vinda, não vem na forma de um arrebatamento secreto, não vem quando uma pessoa morre - vem somente quando Ele vier! Precisamos estar preparados para aquele dia. E a maneira de nos prepararmos e sermos salvos é acreditar nAquele que Deus enviou, aceitar Seu sacrifício, e nos arrepender de toda iniquidade, e praticar a Verdade de Deus (João 3:16-21).

15 E o sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre.

16 E os vinte e quatro anciãos, que estão assentados em seus tronos diante de Deus, prostraram-se sobre seus rostos e adoraram a Deus,

17 Dizendo: Graças te damos, Senhor Deus Todo-Poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir, que tomaste o teu grande poder, e reinaste.

 

Parte 1 - Apocalipse 11:15-17

 

*** Contexto ***: Após a sexta trombeta, vemos um interlúdio semelhante ao que vimos entre o sexto e o sétimo selos. Iremos estudar esse interlúdio nas lições seguintes. Por enquanto, vamos continuar com a última trombeta, e ver o que acontece ao soar do último "ai".

Em Apocalipse 10:5-7, vemos que um anjo faz um anúncio importante. O fim irá somente ocorrer quando a última trombeta tocar. Quando isso acontecer, o "segredo de Deus" será completamente cumprido. Deus vem revelando Seu segredo através dos profetas por todos os tempos. Uma parte de Seu segredo é revelada na pregação do Evangelho ao mundo. O exército de Deus irá terminar a proclamação do evangelho ao som da última trombeta: "E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim" (Mateus 24:14).

*** O anúncio ***: Quando o sétimo anjo tocar a trombeta, os seres celestiais irão proclamar algo importante. O "segredo de Deus" está completo, e por isso eles anunciam em "grandes vozes": "[...] Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre." (Apocalipse 11:15). A última vez que vimos o coro celestial dizendo algo em grande voz, eles estavam louvando a Jesus (Apocalipse 5:12). Nesses dois momentos, os vinte e quatro anciãos caíram em terra e adoraram a Deus após terem feito o anúncio.

Apocalipse 5:12,14 Apocalipse 11:15,16
"Que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças." "E o sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre."
"E os quatro animais diziam: Amém. E os vinte e quatro anciãos prostraram-se, e adoraram ao que vive para todo o sempre." "E os vinte e quatro anciãos, que estão assentados em seus tronos diante de Deus, prostraram-se sobre seus rostos e adoraram a Deus"

A cena que João descreve imediatamente após o soar da trombeta, acontece no Céu. Isso é diferente do que aconteceu ao toque das trombetas anteriores, onde a cena seguinte ocorre na Terra. O evento que acontece em seguida ao toque da trombeta dá início a um serviço especial de adoração no Céu.

*** O reino desse mundo ***: Quando Deus completou a criação do nosso planeta, Ele deu a Adão e Eva o governo desse novo reino (Gênesis 1:26-30). Quando eles pecaram, os seres humanos perderam o domínio sobre a Terra, e o entregaram àquele a quem eles deram ouvidos: Satanás. Ele passou a ser o "príncipe desse mundo", como Jesus se referiu a ele algumas vezes (João 12:31; João 14:30; João 16:11). Jesus teria que providenciar uma maneira de tomar de volta o governo desse mundo, para que pudesse libertar as pessoas da escravidão do pecado. Sob o domínio de Satanás, as pessoas se encontram atadas pelo pecado. Quando elas acreditam no sacrifício que Jesus fez por elas, elas são libertas do pecado, e já não mais pertencem ao inimigo. Jesus pagou o preço para adquirir o "reino desse mundo". Ao acreditarmos nas mentiras de Satanás, perdemos nossa liberdade. Ao acreditarmos na Verdade de Jesus, ganhamos a liberdade de volta.

*** O reino de nosso Senhor e de Seu Cristo ***: A última trombeta anuncia que o reino desse mundo está sob nova administração. Esse reino Se tornou o reino de "Nosso Senhor e de Seu Cristo" (Apocalipse 11:15). O significado da palavra 'Cristo' é muito especial. Cristo não é o sobrenome de Jesus. 'Cristo' é um título. A palavra vem do grego, Cristos, que significa "o ungido". Cristos é o equivalente direto da palavra em hebraico 'Messias', que também significa 'o ungido'. O rei de Israel era comumente chamado de 'ungido' (Salmo 2:2; 1 Samuel * 24:6; 2 Samuel * 3:39; 2 Samuel * 22:51). Os termos 'ungido' e 'rei' estão relacionados no que se trata do governo exercido sobre o povo escolhido de Deus. Jesus foi quem o Pai havia escolhido para se assentar com Ele em Seu trono, e governar o Universo juntos. O reino da Terra passou a ser o reino do Pai e do Filho. Esse reino durará para sempre, assim como a profecia que lemos em Daniel * 2:44 diz: "Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre".

*** Os vinte e quatro anciãos adorando ***: Quando todos reconheceram que o perfeito reino do Senhor e de Seu Cristo duraria para sempre, os vinte e quatro anciãos se prostraram sobre seus rostos para adorar a Deus e lhe dar graças por aquilo que Ele havia feito. Eles se dirigem a Deus como "Senhor Deus Todo-Poderoso" (Apocalipse 11:17). O que eles dizem em seguida pode ser diferente, dependendo do manuscrito em que se baseia a versão da Bíblia. As versões baseadas no Textus Receptus dizem: "que és, e que eras, e que hás de vir" (Apocalipse 11:17). As versões baseadas nos manuscritos Sinaíticos dizem nesse mesmo verso: "que és e que eras", e omitem "que hás de vir". A expressão grega para "hás de vir" é erchomenos e foi usada em Apocalipse 1:4, em referência ao Pai (veja o estudo #5). Também vemos essa expressão em Apocalipse 1:8, em uma declaração semelhante à de Apocalipse 11:17: "'Eu sou o Alfa e o Ômega', diz o Senhor Deus, 'o que é, o que era e o que há de vir, o Todo-poderoso'." (Apocalipse 1:8). De qualquer forma, essa é uma clara referência a Deus. Os vinte e quatro anciãos O identificam como sendo aquEle no comando. Algumas versões usam o termo "reinaste", para a palavra grega ebasileusas. Essa palavra grega na verdade seria melhor traduzida como "começou a reinar". Quando levamos tudo isso em consideração, podemos entender que o serviço especial de louvor é comemorativo, marcando o início do reino eterno do Senhor Todo-Poderoso.

*** Visão Geral ***: A sétima trombeta é recebida com muita alegria no Céu. Seres celestes adoram a Deus com grande voz, e estão agradecidos por tudo que Deus fez por eles. O Senhor Todo-Poderoso é o líder supremo do Universo. Sua verdade se espalhou por toda a Terra. Todos tiveram uma chance de tomar uma decisão. O "segredo de Deus" foi revelado aos seres humanos. Com a Segunda Vinda de Jesus, o reino desse mundo passa a ser o reino do Pai e do Filho, e juntos, em uníssono, começam Seu reino eterno. No capítulo 5 de Apocalipse, quando Jesus asentou-Se ao lado direito do Pai, eles estavam reinando indubitavelmente sobre o resto do Universo. Mas a Terra ainda tinha pessoas sendo influenciadas pelos argumentos do acusador. Deus ainda está dando uma chance aos moradores da Terra, para que mudem de ideia, se arrependam, e se voltem para Ele. Ao soar da sétima trombeta, acaba o tempo de mudar de lado. Quando esse momento chegar, aqueles que ouviram o que o Espírito vinha falando todo esse tempo - aqueles que permaneceram fiéis até o fim, serão preenchidos por uma alegria e gratidão transbordantes, porque chegou o tempo do reino de Deus começar, em todo Seu poder.

19 Porque o poder dos cavalos está na sua boca e nas suas caudas. Porquanto as suas caudas são semelhantes a serpentes, e têm cabeças, e com elas danificam.

20 E os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras de suas mãos, para não adorarem os demônios, e os ídolos de ouro, e de prata, e de bronze, e de pedra, e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar.

21 E não se arrependeram dos seus homicídios, nem das suas feitiçarias, nem da sua fornicação, nem dos seus furtos.

 

Parte 3 - Apocalipse 9:19-21

 

*** Seu poder está na sua boca e na sua cauda ***: Na quinta trombeta, a força de tormenta que o exército de gafanhotos possuía estava na cauda. Vemos que na sexta trombeta, a intensidade das atividades demoníacas aumentou, porque seu poder não somente está na cauda, mas também na boca. O poder da cauda provoca uma grande tortura, mas o poder da boca causa a morte. Até mesmo o poder da cauda parece ser mais forte na sexta, do que na quinta trombeta.. O poder da cauda dos cavalos, (em Apocalipse 9:19,) passou a ser comparado ao poder das serpentes, e não mais ao poder da cauda de um escorpião, como vimos na quinta trombeta (Apocalipse 9:10, estudo #59).

Isaías 9:14-15 nos diz que os falsos profetas são as caudas. Eles ensinam grandes mentiras. Satanás é mencionado como sendo o "pai das mentiras" (João 8:44), e a "antiga serpente" (Apocalipse 20:2). Os falsos mestres, na sexta trombeta, serão como Satanás (como serpentes - Apocalipse 9:19). Eles ferem as pessoas com mentiras que saem de suas bocas, como fogo, fumaça, e enxofre. O que eles ensinam queima, sufoca, e consome aqueles que seguem esses ensinamentos.

*** O que aconteceu com o restante? ***: Os que não foram mortos pelo fogo, fumaça e enxofre que saía da boca dos gafanhotos, tiveram um fim tão terrível quanto os que morreram: eles não sse arrependeram de seus pecados. O arrependimento é o foco principal das pragas enviadas pelas primeiras seis trombetas. Com o soar do alarme de cada uma delas, Deus estava dando aos habitantes da Terra uma chance de mudar seus caminhos. Durante a quinta trombeta, aqueles que decidiram não seguir a Deus se fizeram vulneráveis aos ataques de Satanás. Eles foram atormentados com suas mentiras. Na sexta trombeta, um-terço dessas pessoas sofreram morte espiritual por causa das doutrinas demoníacas que elas aceitaram (Apocalipse 9:18; estudo #62).

Quando paramos para considerar o que significa estar espiritualmente morto, podemos ver que a expressão dá a entender que aqueles que morreram não estavam envolvidos em nenhuma atividade espiritual, e não possuíam nenhum interesse espiritual. Eles foram completamente absorvidos pelo Próprio Eu, e abandonaram os valores de Deus. Os que restarem, aqueles que ainda possuem algum interesse espiritual, não estarão tão melhores assim do que os que morreram. Eles preferem continuar e com suas rotinas errôneas e de idolatria. Eles ainda procuram adorar uma força sobrenatural (o verso em Apocalipse 9:20 menciona demônios), ou a representação de poderes sobrenaturais através de ídolos constituídos de materiais terrestres.

*** Adorando demônios e ídolos ***: Essa não é a primeira vez na Bíblia em que os ímpios são vistos adorando "ídolos de ouro, e de prata, e de bronze, e de pedra, e de madeira" (Apocalipse 9:20). Vemos esse conceito sendo usado em Salmos 115:4-7 e em Daniel * 5:23. A Lei de Deus nos ensina que aqueles que O amam não irão praticar idolatria: "Então falou Deus todas estas palavras, dizendo: Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam." (Êxodo 20:1-5). De acordo com Apocalipse 9:19,20, os sobreviventes do ataque ali descrito, não vão se arrepender, porque eles não amam a Deus. Eles preferem permanecer completamente contra os mandamentos de Deus.

*** Ídolos que não podem "ver, nem ouvir, nem andar" ***: Como mencionamos antes, essa expressão também é encontrada no Antigo Testamento (Salmos 115:4-7 e em Daniel * 5:23). Quando lemos esses textos de Salmos e de Daniel, ao mesmo tempo considerando o livro de Apocalipse, podemos ver que esses ídolos não possuem nenhuma das qualidades atribuídas a Jesus até agora:

Jesus é digno de louvor (Apocalipse 5:12-13) As pessoas não devem adorar artefatos feitos por mãos humanas (Apocalipse 9:20; Êxodos 20)
Jesus vê tudo com Seus olhos de chamas (Apocalipse 1:14; Apocalipse 2:18 e 19) Os ídolos não veem (Apocalipse 9:20; Salmos 115:4-7; Daniel 5:23)
Jesus ouve as preces, e sabe tudo que se passa em Sua igreja. (Apocalipse 6:10-11; Apocalipse 2:2,9,13, 19; Apocalipse 3:1, 8, 15) Os ídolos não ouvem (Apocalipse 9:20; Salmos 115:4-7; Daniel 5:23)
Jesus anda em meio a Sua igreja, e se importa profundamente com ela. (Apocalipse 1:13,20; Apocalipse 2:1) Os ídolos não andam (Apocalipse 9:20; Salmos 115:4-7; Daniel 5:23)

Os ídolos não sabem ou veem nada do que se passa com as pessoas que os criaram. Por outro lado, aquEle que nos criou conhece tudo a respeito de todas as coisas. A mensagem de Apocalipse 9:20 é forte. Mais uma vez, Jesus está nos dizendo que adorar objetos é tão ruim quanto adorar demônios. Adorar coisas ou seres e não a Deus é exatamente o tipo de coisa que os quatro primeiros dos Dez Mandamentos nos dizem, para não fazermos. (Êxodo 20:1-7)

*** Os pecados dos quais não se arrependeram ***: Aqueles que não foram mortos pelo ataque dos gafanhotos, estavam cometendo pecados terríveis. O pior de tudo, é que eles não se arrependeram de suas ações. O quebrar dos primeiros quatro Mandamentos, como diz o Apocalipse 9:20 e 21, leva ao quebrantar de mais Mandamentos. Os ímpios estavam cometendo homicídios, feitiçarias, fornicação e furtos. Existe uma consequência muito séria pelo não arrependimento do pecado. Quando as pessoas não se arrependem, elas não aceitam o perdão. Só seremos perdoados dos nossos pecados se arrependidos, aceitarmos o perdão que Cristo nos oferece gratuitamente. Deus não nos força a pedir ou nem mesmo aceitar o perdão. Cabe a nós tomar essa decisão. As pessoas em Apocalipse 9:21 haviam feito a sua escolha. Eles se colocaram do lado do pecado. A Bíblia é clara a respeito do que acontecerá com aqueles que se comportarem dessa maneira: eles sofrerão morte eterna (Romanos 1:18-32; Lucas 13:3,5; Apocalipse 21:8; Apocalipse 22:15).

*** Aplicação Profética ***: A sexta trombeta nos leva ao tempo do fim. A última batalha espiritual está próxima. As atividades inimigas serão mais intensas, como nunca se viu antes. Jesus disse em Mateus 24:24: "Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos." Vivemos hoje muito perto do fim. É difícil dizer exatamente em que ponto estamos, visto que já passamos pelos eventos da quinta trombeta, mas é possível que ainda não tenhamos passado pelas coisas descritas na sexta trombeta, em sua força total. As táticas enganadoras de Satanás estão, no entanto, acontecendo com bastante força. É possível que estejamos em um período de transição entre a quinta e a sexta trombetas. É possível que estejamos já completamente dentro do tempo da sexta, uma vez que a sexta trombeta é à intensificação da quinta. O importante é sabermos que: estamos muito perto do fim.

*** Visão Geral ***: Deus vem dando aos moradores da Terra, uma oportunidade atrás da outra para que se arrependam. Deus não quer que ninguém pereça, mas Ele quer que as pessoas se arrependam e tenham vida eterna (2 Pedro 3:9; João 3:16). A cena na sexta trombeta nos dá a ideia de que Deus está esperando até o último minuto para que todos se voltem para Ele e segurem Sua mão salvadora. O presente da Salvação ainda é possível durante a sexta trombeta. As pessoas ainda têm a escolha de se arrependerem ou não. O tempo de cada trombeta não é dividido de forma igual. Alguns períodos são mais curtos, outros mais longos. Porém, independentemente de quanto tempo temos exatamente até a volta de Jesus, temos apenas o tempo da nossa própria vida para tomarmos uma decisão: a quem vamos servir?

13 E tocou o sexto anjo a sua trombeta, e ouvi uma voz que vinha das quatro pontas do altar de ouro, que estava diante de Deus,

14 A qual dizia ao sexto anjo, que tinha a trombeta: Solta os quatro anjos, que estão presos junto ao grande rio Eufrates.

15 E foram soltos os quatro anjos, que estavam preparados para a hora, e dia, e mês, e ano, a fim de matarem a terça parte dos homens.

 

Parte 1 - Apocalipse 9:13-15

 

*** Voz que vinha do altar de ouro ***: João ouviu uma voz vinda do altar de incenso. Porque será que a voz vinha do altar, e de quem era a voz? Para responder essa pergunta, precisamos entender a linguagem do Santuário usada nesse trecho. Precisamos primeiro revisar os itens no tabernáculo terrestre. O altar de ouro que João mencionou ficava na frente do trono de Deus (Apocalipse 9:13). A arca do concerto representava o trono de Deus no tabernáculo do Antigo Testamento. O altar de ouro em Apocalipse 9:13 é claramente identificado como o altar de incenso. No Antigo Testamento, esse altar ficava no primeiro cômodo, o Lugar Santo (Êxodo 30:6; Êxodo 40:5,26). A arca ficava no Lugar Santíssimo. O véu separava o Lugar Santo do Lugar Santíssimo, entre o altar e a arca (Êxodo 40:21). Os candelabros e a mesa dos pães asmos também estavam no Lugar Santo (Êxodo 40:22-25).

João disse, em Apocalipse 9:13, que a voz vinha do altar de ouro, mais especificamente das suas pontas. Durante o ritual de sacrifício, parte do sangue do animal sacrificado era derramada debaixo do altar de sacrifício fora da tenda. Parte do sangue era trazida para dentro da tenda, e salpicada nas pontas do altar (Levítico 4:18). Isso simbolizava os pecados que haviam sido retirados do povo sendo registrados no santuário. Uma vez por ano, esses registros eram apagados durante uma cerimônia especial, no Dia da Expiação (Levítico 16:29-34). O sacerdote também trazia brasas do altar que ficava no lado de fora, para queimar incenso no altar de ouro. Isso representava as orações das pessoas sendo trazidas diante de Deus (Apocalipse 8:3,4). Na sequência dos eventos apresentados em Apocalipse 6:9,10, vimos na abertura do quinto selo, o sangue dos mártires sendo derramado debaixo do altar (estudo #42). Suas orações foram trazidas diante de Deus, e colocadas no altar de ouro. Eles estavam clamando para que a justiça de Deus fosse derramada sobre Seus inimigos. A voz que João ouviu nos dá a entender que Deus não esqueceu o clamor dos santos. Ele ouviu as orações, e Suas ações durante o toque das trombetas continuam a ser uma demonstração da Sua justiça, para vingar o sangue dos Seus seguidores inocentes.

*** Ordem para soltar os anjos no Rio Eufrates ***: A ordem veio para soltar os quatro anjos que estão presos no Eufrates. Existem dois elementos-chave nessa frase: quatro anjos e rio Eufrates,

- O grande rio Eufrates: "Deus estabeleceu os limites da Terra que Ele havia dado aos Israelitas: "E porei os teus termos desde o Mar Vermelho até ao mar dos filisteus, e desde o deserto até ao rio; porque darei nas tuas mãos os moradores da terra, para que os lances fora de diante de ti." (Êxodo 23:31). O rio Eufrates marcava a separação entre o povo de Deus e seus inimigos. Assíria e Babilônia se encontravam além do rio (Isaías 7:20; Jeremias 46:10). Estes eram dois dos principais inimigos de Israel. Isaías descreveu os ataques sobre Israel como águas transbordantes do Eufrates, inundando desde Judá até Jerusalém (Isaías 8:7-8). Ao interpretar esses versos, alguns estudiosos da Bíblia propõem que o Eufrates representa o limite entre o Império Romano e o Império Parto. Essa proposta é muito pobre. Uma invasão militar literal seria muito restrita e localizada, tendo em vista que a sexta trombeta lida com um evento que irá acontecer em uma escala global. A interpretação que segue os símbolos vistos no Antigo Testamento parecem se encaixar muito melhor com a maneira como João vem usando as Escrituras até esse ponto.

- Quatro anjos: Os quatro anjos em Apocalipse 9:14-16, que estão segurando os ventos, parecem ser os mesmos anjos de Apocalipse 7:1-3.

 

Apocalipse 7:1-3 Apocalipse 9:14-16
Quatro anjos Quatro anjos
Estavam nos quatro cantos da Terra Presos no Rio Eufrates
Segurando os quatro ventos soprando sobre a Terra Bloqueando o exército inimigo de gafanhotos
Receberam poder para ferir a terra e o mar Receberam o poder de matar um-terço dos seres humanos
Receberam ordens para não soltar os ventos até que o povo de Deus recebesse o selo na testa Foram soltos, permitindo que o exército inimigo de cavaleiros atacasse

 

 Quando analisamos esses dois textos, vemos algumas coisas interessantes. Esse paralelo sugere que os ventos e os cavaleiros inimigos são equivalentes. Como veremos nos próximos estudos, não são os anjos que estão matando as pessoas, mas sim o exército inimigo que esses anjos estavam bloqueando. Deus havia dado a eles autoridade para restringir o inimigo. Em Apocalipse 7, os anjos receberam a ordem para esperar até que o povo de Deus fosse selado. O selo seria sua proteção contra os ventos. Em Apocalipse 9:15, apenas a terça parte dos homens é morta. Como vimos nas primeiras quatro trombetas, o termo 'um-terço' representa as pessoas que rejeitaram a verdade de Deus. Eles não possuem o selo de Deus.

*** Os quatro anjos estavam preparados ***: Os quatro anjos tinham uma missão específica: segurar os ventos inimigos atrás dos limites que marcam o território inimigo. O rio Eufrates era o limite que separava o território de Deus e o do inimigo. Os anjos estavam sob ordens. Eles não podiam permitir que o inimigo atacasse até que o povo de Deus estivesse completamente protegido. Deus havia tornado Seu povo imune às armas demoníacas. Ele estava no controle do momento em que os anjos deveriam ser soltos. Não cabia aos anjos determinar quando seria esse momento. Isso cabia somente a Deus. Deus sabia a "hora, e dia, e mês, e ano" (Apocalipse 9:15).

*** Visão Geral ***: A sexta trombeta começa com o lembrete de que Deus não Se esqueceu das orações dos mártires, que foram trazidas diante de Deus como incenso queimado (Apocalipse 6:9-11; Apocalipse 8:3,4). Eles estavam pedindo que a justiça de Deus fosse executada. O aparente evento estranho que seguiu a cena no altar descrita em Apocalipse 9:14,15 deve ser compreendido sob o conceito de que Deus permite que julgamentos aconteçam quando as pessoas decidem não seguir Suas instruções e rejeitar Sua proteção. Deus não força ninguém a permanecer sob Sua proteção contra a própria vontade. Aqueles que querem seguir a Deus não são o alvo do julgamento da quinta trombeta. Apenas um-terço da humanidade deveria ser ferida quando as forças inimigas fossem soltas. Apenas aqueles sem o selo de Deus estariam vulneráveis aos ataques satânicos. A extensão das atividades inimigas expandiu na quinta trombeta de acordo com os limites determinados por Deus. A intensidade dessas atividades irão para o nível máximo no momento em que Deus soltar os anjos que estão impedindo o exército inimigo. Quando os anjos forem soltos, o mundo irá presenciar atividades sobrenaturais e malignas de um modo nunca visto antes. Ainda assim, os fiéis de Deus, que foram selados pelo Espírito Santo, não deverão ter medo. Deus sempre providencia uma maneira de proteger aqueles que escolhem seguí-Lo.

11 Tinham um rei sobre eles, o anjo do Abismo, cujo nome, em hebraico, é Abadom, e, em grego, Apoliom.

12 O primeiro ai passou; dois outros ais ainda estão por vir.

 

Parte 4 - Apocalipse 9:11-12

 

*** O rei do exército de gafanhotos/escorpiões ***: Até agora, aprendemos com a mensagem da quinta trombeta, que um dos anjos havia pecado e havia sido mandado para fora do Céu. Esse anjo é Satanás. Ele passou a ter domínio sobre a Terra quando Adão e Eva deram ouvidos às mentiras que ele estava pregando a respeito do caráter de Deus. Adão e Eva decidiram seguir o que Satanás estava lhes dizendo através da serpente. Ao fazer isso, os humanos deram a ele permissão de assumir a liderança sobre a Terra. Deus permitiu que Satanás executasse suas atividades por algum tempo. No entanto, Deus também impôs alguns limites. Satanás não poderia ter domínio total sobre todos os seres humanos. Ele proibiu as atividades satânicas de enganarem aqueles que verdadeiramente creem em Deus. Aqueles que possuem o Selo de Deus são imunes às táticas enganadoras de Satanás. Suas mentiras, no entanto, podem afetar, por algum tempo, aqueles que não creem na Verdade. Em algum ponto da História, Satanás e seus anjos caídos e o falso profeta saíram com força total, para enganar as nações e atormentar os não-crentes. As armas usadas para infringir a tormenta funcionam à base de mentiras, assim como a arma que a serpente usou para atormentar a Eva, quando ela estava perto da árvore proibida.

Eva acreditava em Deus, mas a partir do momento que ela parou para considerar as acusações da serpente, pensamentos duvidosos tomaram conta de sua mente. Ela se viu numa situação onde tinha que escolher entre confiar em Deus ou em sua própria importância. Esse é o tipo de tormenta que Satanás causa nas pessoas que decidem se colocar em primeiro lugar. Eva rejeitou a proteção que Deus oferece ao crente, e ao rejeitar essa proteção, ela se tornou vulnerável às armas inimigas. Os métodos de tortura que Satanás usa afetam aqueles que rejeitaram a proteção de Deus. A tormenta passa a ser a infindável busca para satisfazer o Próprio Eu. Até hoje, os argumentos da serpente aparentam ser atraentes e razoáveis, mas são, na verdade, muito perigosos. Tanto, que o exército de Satanás foi descrito de uma maneira bizarra, e comparada a cavalos parecidos com gafanhotos, e mortais como escorpiões.

O inimigo lança mentiras mortais sobre as pessoas. O exército de Satanás está trabalhando para destruir aquilo que Deus possui de mais preciso: a humanidade. Veremos na sétima trombeta, que Deus irá derramar Sua ira sobre aqueles "que destroem a Terra" (Apocalipse 11:18). Ao contrário de um bando de gafanhotos de verdade, que não possui um rei (Provérbios 30:27) e que destrói a terra por instinto, o bando de Satanás possui um líder. Apocalipse 9:11 identifica quem é esse líder. Ele tem dois nomes, um em hebraico (Abadom), e outro em grego (Apoliom). Em hebraico, a palavra Abadom significa 'destruição'. Em grego, Apoliom significa 'destruidor'. Satanás é esse rei destruidor. Destruição com longas consequências vem quando as pessoas acreditam e seguem filosofias e propostas satânicas. Certa vez, Jesus disse aos que não acreditavam em Suas palavras: "Mas agora procurais matar-me, a mim, homem que vos tem dito a verdade que de Deus tem ouvido; Abraão não fez isto. Vocês pertencem ao pai de vocês, o diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira." (João 8:40, 44). Não existe solução para a pessoa que se recusa a aceitar a verdade. Jesus oferece uma saída para o problema do pecado, mas a pessoa precisa escolher ter seus olhos e ouvidos espirituais abertos. O entendimento das verdades de Deus cura a alma das feridas causadas pelas armas de Satanás (Mateus 13:15).

Satanás é o líder por trás dos ataques aos habitantes da Terra. Ele está injetando mentiras venenosas e enganando as pessoas. 1 Pedro 5:8 diz: "Sejam sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar." Se parássemos por aqui, iria parecer que a situação é sombria e sem esperança. Precisamos lembrar de que quando as pessoas estão verdadeiramente e profundamente enraizadas na Palavra de Deus, as flechas de Satanás não podem penetrar seus corações. O verso que vem imediatamente antes do que fala que Satanás está procurando devorar as pessoas, diz: "Lancem sobre Ele [Jesus] toda a sua ansiedade, porque Ele tem cuidado de vocês." (1 Pedro 5:7). Os fiéis de Deus precisam confiar nEle. Ele é nosso Protetor. Deus também irá proteger aqueles que decidirem voltar e se arrepender. Todos nós precisamos estar dispostos a receber Sua proteção.

*** O primeiro "ai" passou; dois outros "ais" ainda estão por vir ***: A quinta trombeta identifica o ataque organizado de Satanás. Esse ataque tem como objetivo enganar as pessoas e mantê-las cegas quanto à verdade de Deus. Após a descrição da quinta trombeta, lemos em Apocalipse 9:12 um alerta muito parecido com o de Apocalipse 8:13. A intensidade da tormenta mental aumentou da terceira para a quarta e da quarta para a quinta trombetas. Podemos esperar agora que os eventos prestes a acontecer nas próximas duas trombetas serão ainda mais intensos para aqueles que escolherem não seguir a Deus.

*** Aplicação profética ***: A quarta trombeta representou o período de apostasias visto durante o Iluminismo, do século 16 ao século 18 (veja o estudo #55). A quinta trombeta representa as consequências espirituais que se seguiram após esse período. Uma das armas filosóficas de Satanás vista nesse período, é a transição de uma perspectiva onde Deus é o centro do pensamento, para uma, onde o homem é o foco. As pessoas trocaram Deus pelo Próprio Eu. Eles trocaram a raciocínio Bíblico por emoções egocêntricas. O envolvimento com uma ou outra religião ou denominação, ou a oposição completa a qualquer forma de crença em Deus, já não mais eram as estratégias de Satanás. Enquanto o Próprio Eu estiver no centro das atenções, as Igrejas que se dizem ser Cristãs podem continuar a promover explosões emotivas sem propósito; a encorajar comportamentos, durante o culto, que não conduzem ao entendimento da verdade de Deus; ou a pregar uma mensagem focalizada somente nos benefícios materiais a serem aproveitados na Terra. Ao colocar o Próprio Eu no centro do palco, Satanás está trabalhando para criar um cenário onde não existe distinção entre os cristãos de nome, ateus, e pessoas de qualquer outra crença. O Próprio Eu é o equalizador. O Próprio Eu é o que se tem em comum. As pessoas cheias do Próprio Eu nunca poderão funcionar com seus motores abastecidos por completo. Os seres humanos não foram criados para funcionar à base do Próprio Eu. A não ser que tenham o combustível correto, as pessoas serão atormentadas a buscarem algo que possa preencher o vazio. Satanás está à procura de uma oportunidade para devorá-las (1 Pedro 5:8). O período profético da quinta trombeta cobre do século 18 até o tempo atual.

*** Visão Geral ***: O objetivo do exército de gafanhotos é destruir a Terra. Isso é alcançado através de armas que podem afetar a espiritualidade das pessoas. O ataque à Verdade não acontece por acaso, e é planejado pelo rei da destruição, o pai da mentira (João 8:44), o Próprio Satanás. Forças demoníacas trabalham para convencer as pessoas a mudarem o que está no centro de sua existência. A proposta atrativa de ter o Próprio Eu no centro é muito forte. Ele faz com que essa ideia pareça ser a maneira de trazer unificação, paz e igualdade. No entanto, a conexão verdadeira não pode acontecer fora dos padrões estabelecidos por Deus. Um elo estável e permanente pode ocorrer somente quando as pessoas se aderirem à Palavra de Deus. Deus precisa estar no centro. Nós não somos chamados a comprometer a verdade para que possamos ter um melhor relacionamento uns com os outros. Somos chamados para um caminho completamente novo, onde nós é que somos transformados por Deus. Não podemos mudar e adaptar Deus para ser quem nós queremos que Ele seja, dependendo das crenças individuais ou em nome da paz. Deus não força ninguém a mudar de lado, e a se conectar com Ele diretamente. Não somos chamados a forçar ninguém a se conectar também. Satanás é que está coagindo as pessoas a se unirem de uma maneira não natural. É por isso que ele tem poder de afligir essas pessoas, porque elas não estão aderidas a uma parte central sólida. Satanás trabalha para colocar em movimento suas maneiras de atormentar, prendendo as pessoas em uma busca infindável para preencher seu vazio interno. Isso é o que ele quer que elas acreditem: quando o Próprio Eu passa a ser o centro da vida, a necessidade de um Salvador passa a não existir; se não existe um salvador, não existe esperança; se não existe esperança, a vida passa a não ter significado e um significado precisa ser estabelecido; se um significado novo precisa ser estabelecido, ele precisa fazer com que o Próprio Eu se sinta bem e satisfeito; se o Próprio Eu não pode se sentir bem e satisfeito, então a vida não tem um significado real, e não existe nenhuma esperança porque não existe um Salvador, e portanto, o Próprio Eu precisa ser o centro da vida. Esse é um movimento pendular sem fim, que insensibiliza as pessoas, fazendo com que elas não interrompam o ciclo. Elas se tornam incapazes de ver e de ouvir o chamado de Deus ao arrependimento. Mateus 13:15 diz: "Pois o coração deste povo se tornou insensível; de má vontade ouviram com os seus ouvidos, e fecharam os seus olhos. Se assim não fosse, poderiam ver com os olhos, ouvir com os ouvidos, entender com o coração e converter-se, e eu os curaria."

7    E o parecer dos gafanhotos era semelhante ao de cavalos aparelhados para a guerra; e sobre as suas cabeças havia umas como coroas semelhantes ao ouro; e os seus rostos eram como rostos de homens.

8    E tinham cabelos como cabelos de mulheres, e os seus dentes eram como de leões.

9    E tinham couraças como couraças de ferro; e o ruído das suas asas era como o ruído de carros, quando muitos cavalos correm ao combate.

10  E tinham caudas semelhantes às dos escorpiões, e aguilhões nas suas caudas; e o seu poder era para danificar os homens por cinco meses.

 

Parte 3 - Apocalipse 9:7-10

 

*** A aparência dos gafanhotos ***: Após estudarmos os primeiros 6 versos de Apocalipse 9, fica claro que João usa o conceito de gafanhotos para representar as forças satânicas agindo na Terra. Nos últimos dois estudos, vimos quem são essas forças e o que estão fazendo. Apocalipse 9:7-10 nos dá os detalhes da aparência desses gafanhotos. João usa uma série de símbolos para descrever quão amedrontador é o bando de gafanhotos. João parece seguir o conteúdo e a linguagem de Joel * 2:4-10. É possível que a descrição estranha dos gafanhotos seja para ser entendida como um todo, ao demonstrar a tormenta terrível que eles irão trazer. Mas vale à pena ver quais conceitos encontramos na Bíblia que podem nos ajudar a compreender a natureza do inimigo de Deus.

- Gafanhotos como cavalos de guerra: Frequentemente, no Antigo Testamento, cavalos estão associados com um exército (1 Reis 20:25; 1 Reis 4:26; Êxodo 14:23; 2 Crônicas 1:14; Jeremias 46:4). O bando de gafanhotos aparenta estar pronto para guerra. Os gafanhotos já estão nessa guerra há muito tempo. Ela começou no Céu (Apocalipse 12:7-9), antes da queda de Satanás. Podemos ver que os gafanhotos vêm guerreando, espiritualmente, contra aqueles que possuem o selo de Deus. Apocalipse 12:11 nos diz que a maneira de vencer o mau e ser vitorioso nessa guerra, é "pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho". Esses gafanhotos semelhantes a cavalos estão em uma missão de machucar as pessoas e de atormentá-las com mentiras que as afetam espiritualmente. Isso pode ser visto como um contraste aos cavalos mencionados nos Sete Selos. Quando estudamos os selos, vimos que o primeiro cavaleiro tinha uma missão de conquistar (Apocalipse 6:2). Cavalo e cavaleiro saíram para conquistar para Deus. Essa conquista é o símbolo da Verdade se espalhando, à medida que o Evangelho é pregado por todo o mundo (estudo #38). Os gafanhotos saindo do poço do abismo se parecem com cavalos, mas eles não são os mesmos cavalos encontrados no exército de Deus. Eles saem em uma missão exatamente contrária: espalhar informações falsas.

- Coroas semelhantes ao ouro: A palavra grega usada aqui para 'coroa' é a palavra stephanos, que é a coroa de vitória, e não a coroa real. A Bíblia nos ensina que iremos receber a coroa stephanos quando a vitória de Cristo se tornar evidente, após Seu retorno (2 Timóteo 4:8; 1 Pedro 5:4). Além disso, aqueles com o selo de Deus passam a vestir o robe branco de vitória após saírem da tribulação (Apocalipse 7:9). Os gafanhotos, no entanto, possuem sua própria versão da vitória, diferente daquilo que Deus estabeleceu. Nesse sentido, os gafanhotos estão enganando o mundo com sua aparência impressionante. Ao falar sobre a tribulação, Jesus nos alertou a respeito de como falsos profetas iriam fazer de tudo para enganar as pessoas (Mateus 24:24).

- Rostos como rostos de homem: Essa não é a primeira vez em que a Bíblia descreve um inimigo de Deus como tendo feições humanas. Lemos em Daniel 7:8,25 sobre o chifre pequeno que tinha "olhos, como os de homem, e uma boca que falava grandes coisas" "contra o Altíssimo". As entidades satânicas, representadas pelos gafanhotos, são parecidas com os humanos. Por outro lado, os seres humanos foram criados à imagem e semelhança de Deus (Genesis 1:27). Quando Deus criou o homem, Deus deu a ele vida e uma natureza espiritual. O rosto humano que os gafanhotos possuem faz com que eles pareçam ter algum valor espiritual.

- Cabelo como de mulheres: Nas analogias bíblicas, o termo mulher é sempre usado como símbolo de Igreja, seja esta fiel ou não (Jeremias 6:2; Isaías 51:16; Efésios 5:25-32; veja outras referências bíblicas no estudo #20). O componente "mulher" na descrição dos gafanhotos, sugere que o inimigo também se apresenta na forma de igreja.

- Dentes como de leão: Em Joel * 1:1-12, lemos sobre como a terra seria destruída pelos gafanhotos. Mas quem realmente causaria a destruição não seriam os gafanhotos. Seria a nação que tinha dentes de leão (Joel * 1:6). No livro de Salmos, Davi usou a imagem de dentes como um símbolo de como o povo poderia se tornar vítima das mentiras do leão (Salmo 57; Salmo 58). Os dentes de leão sugerem que os gafanhotos também possuem uma força governamental.

- Couraças como de ferro: A couraça é uma parte da armadura projetada para proteger o coração e outros órgãos vitais. Em Efésios 6:10-17, lemos sobre a armadura de Deus. O verso 14 desse trecho nos diz que os cristãos devem usar couraças feitas de justiça. A justiça de Deus é o que protege o coração daquele que crê, dos ataques do inimigo. Os gafanhotos de Apocalipse também têm couraças , mas elas não são feitas de um material espiritual. Elas parecem ser feitas de ferro. Voltando ao assunto do pequeno chifre em Daniel * 7, que tinha feições de homem, vemos algo muito interessante. O pequeno chifre saiu da quarta besta, que tinha "dentes grandes de ferro" (Daniel * 7:7-8). Daniel usou a ideia de uma besta para representar reinos (Daniel 7:17). Baseado na descrição do leão vista em Joel * 1:6, e Daniel 7:17, vemos que as atividades satânicas descritas em Apocalipse 9 estão, de uma certa forma, envoltas por uma nação governando aqui na Terra.

- Ruídos das asas: Mais uma vez, vemos uma forte semelhança daquinta trombeta com  com Joel * 2. Joel * 2:5 diz: "Como o estrondo de carros, irão saltando sobre os cumes dos montes, como o ruído da chama de fogo que consome a pragana, como um povo poderoso, posto em ordem para o combate." Em Joel * 2:4-5, vemos que os cavalos de guerra correm e as carruagens saltam sobre os topos das montanhas. O verso em Apocalipse usa a palavra 'asas'. Temos aqui, não somente o conceito de um exército correndo, mas também voando. Apocalipse 9:9 dá ao leitor a ideia de movimento, velocidade e som alto, aos gafanhotos se moverem ferozmente em direção à guerra. Eles parecem estar atacando: "quando muitos cavalos correm ao combate." (Apocalipse 9:9).

- Caudas: No estudo #58, aprendemos: "o profeta que ensina a falsidade é a cauda", e ele será cortado de entre o povo de Deus (Isaías 9:14-15). O veneno do escorpião está na cauda. Os escorpiões usam suas caudas para injetar veneno em suas vítimas. O foco do simbolismo nesse trecho são as mentiras que estão envenenando aqueles que não têm o cuidado de se protegerem com a verdade de Deus. A formação militar dos gafanhotos nos informa que eles estão prontos para batalha, mas que seu ataque contra as pessoas acontece a nível espiritual, através de mentiras e enganos. Eles estão no meio de uma guerra espiritual.

*** O poder de danificar por cinco meses ***: O poder dessa entidade estranha, parecida com cavalo e escorpião, vai afetar as pessoas com suas mentiras por um período limitado de tempo: cinco meses. Como vimos no estudo #58, esse período nos lembra de alguns exemplos na Bíblia, mais especificamente da história da Arca de Noé (veja o estudo #58 para uma explicação detalhada sobre o período de cinco meses).

*** Visão Geral ***: O exército de gafanhotos representa as forças demoníacas em uma formação de ataque. Suas armas são muito perigosas: ensinamentos falsos que podem confundir as pessoas e levá-las para longe da verdadeira mensagem de Deus. Os ataques estão somente direcionados às pessoas que não receberam o selo de Deus (Apocalipse 9:4). Aqueles com Seu selo são imunes a esses ataques, porque quando eles passam a conhecer e a viver a Verdade, eles não mais acreditam em nenhumas das mentiras que são apresentadas a eles. Ainda há tempo para os habitantes da Terra se arrependerem e se voltarem a Deus. O alerta da quinta trombeta os informa de sua vulnerabilidade aos ataques do inimigo. Também tem o propósito de relembrar os que possuem o selo de Deus acerca da força que podem ter contra o inimigo através do sangue de Jesus Cristo.

4  E foi-lhes dito que não fizessem dano à erva da terra, nem a verdura alguma, nem a árvore alguma, mas somente aos homens que não têm nas suas testas o selo de Deus.

5  E foi-lhes permitido, não que os matassem, mas que por cinco meses os atormentassem; e o seu tormento era semelhante ao tormento do escorpião, quando fere o homem.

6  E naqueles dias os homens buscarão a morte, e não a acharão; e desejarão morrer, e a morte fugirá deles.

 

Parte 2 - Apocalipse 9:4-6

 

*** A ordem para não danificar a erva verde ***: Apocalipse 9:4 começa com uma ordem. Os gafanhotos mencionados em Apocalipse 9:3, que saíram do poço do abismo, recebem a ordem para não fazer aquilo que os gafanhotos fazem de melhor: danificar a vegetação verde e viva . Vimos a menção a árvores e ervas verdes na primeira trombeta (Apocalipse 8:7 - estudo #52). Na primeira trombeta, Deus havia permitido que um-terço da vegetação fosse queimada. Na quinta trombeta, Ele não permite que nenhuma erva verde seja destruída. Se havia alguma dúvida quanto as árvores e as ervas verdes serem um símbolo do povo de Deus (Jeremias 17:7-8), o verso em Apocalipse 9:4 a remove completamente. Nesse verso, os que não possuem o selo de Deus são mencionados em contraste às ervas e árvores. Portanto, os que possuem o selo de Deus são protegidos durante os ataques dos gafanhotos que vimos no começo da quinta trombeta (estudo #57). Por outro lado, a vegetação morta representa aqueles que não possuem o selo de Deus e podem ser afetados.

*** Que não os matassem, mas que os atormentassem por cinco meses ***: Os versos 4 e 5 de Apocalipse 9 começam de uma maneira parecida: “E foi-lhes dito” e “E foi-lhes permitido”. Essas ordens, ditas no tempo passivo, começaram em Apocalipse 9:3, quando os gafanhotos receberam poderes de escorpião. Como vimos no estudo #57, Deus é quem permite que o inimigo revele ao mundo seu próprio caráter maligno. Assim como na história de Jó, Deus coloca limites estabelecendo até que ponto Satanás e seus anjos podem prosseguir com suas atividades demoníacas. Durante o primeiro ataque de Satanás a Jó, Deus estabeleceu um limite. Satanás podia atacar diretamente qualquer coisa que Jó possuísse, mas não poderia tocá-lo (Jó 1:12). Uma série de calamidades se seguiu na vida de Jó, em especifico a perda de todas as suas posses e de todos os seus filhos. Deus não estava atacando Jó. Satanás estava. Esse é o mesmo caso na passagem de Apocalipse. Deus é quem determina os limites, dizendo aos gafanhotos que as pessoas que possuem o selo de Deus estão fora dos limites de ataque. Além disso, aqueles que não possuem o selo de Deus também não deveriam ser mortos, mas deveriam sentir os efeitos das atividades satânicas por um período limitado de tempo. Os gafanhotos poderiam usar seu poder de escorpião para atormentar os não-selados por cinco meses. Existem dois períodos de cinco meses mencionados na Bíblia. O primeiro, vemos após Isabel ter concebido: ela se escondeu por cinco meses. Ela estava grávida de João Batista, o homem que clamaria no deserto “Endireitai o caminho do Senhor” (João 1:23). No sexto mês de gravidez de Isabel, o anjo Gabriel anunciou a Maria a concepção de Jesus (Lucas 1:24-27). O anuncio da primeira vinda de Jesus veio após o término do período de cinco meses de isolamento de uma mulher fiel. A outra passagem incluindo um período de cinco meses é encontrada na história de Noé e do Dilúvio. Esse evento aparenta ser muito significativo para o entendimento dos cinco meses de Apocalipse. Naquela época, os judeus contavam o tempo e os meses, baseando-se no ciclo lunar. Os meses tinham 30 dias, e o ano tinha 360 dias. De tempos em tempos, eles acrescentavam um mês extra para compensar. O período de 150 dias é um período de cinco meses de 30 dias cada.

 

O Dilúvio

O ataque dos gafanhotos na quinta trombeta

Todas as fontes do grande abismo se romperam, e as janelas dos céus se abriram (Gênesis 7:11)

Gafanhotos saíram do poço do abismo para danificar a terra (Apocalipse 9:2-4)

Noé e sua família, e todos os seres viventes dentro da Arca foram protegidos durante o Dilúvio (Gênesis 7:23)

Aqueles com o selo de Deus são protegidos dos ataques dos gafanhotos (Apocalipse 9:4)

As águas perigosas prevaleceram por 150 dias (cinco meses) (Gênesis 7:24; Gênesis 8:3)

O tormento que os gafanhotos vão proporcionar irá durar por cinco meses (Apocalipse 9:5; Apocalipse 9:10)

 

Assim como vimos em Gênesis, o período de cinco meses também é mencionado duas vezes em Apocalipse. Ao contrário do texto em Gênesis, o começo e o fim do período de cinco meses em Apocalipse não é bem definido, em termos de datas precisas. Isso sugere que o foco não está em saber especificamente quando os cinco meses começam ou terminam. O foco central do texto aparenta estar no fato de que esse é um período temporário. Da mesma maneira como ocorreu na história de Noé, os fiéis na fase da quinta trombeta também serão protegidos contra os ataques dos gafanhotos. Após Jesus falar aos seus seguidores, que Ele havia visto Satanás cair do Céu (Lucas 10:18), Jesus deu para eles um poder especial: “Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum.” (Lucas 10:19).

*** As pessoas vão querer morrer, mas não conseguirão ***: O tormento será tão severo durante o período de cinco meses, que aqueles sem o selo desejaram morrer. O estado de estresse mental será tão intenso durante esse período, que as pessoas buscarão ativamente a morte. O texto indica que as pessoas passariam a buscar voluntariamente, maneiras de se matarem, para acabar com o sofrimento através de suas próprias forças. Elas iriam lidar com o problema por conta própria. Dizer que alguém buscaria a morte é uma afirmação muito forte. Esse estado mental de desespero nos faz lembrar de Jó. Ele desejou encontrar a morte e acabar com todo seu sofrimento de uma vez (Jó 3:21). De fato, ele desejou que nunca tivesse nascido (Jó 3:11-13). Mas, será que o texto de Apocalipse está falando de uma maneira literal? Será que as pessoas estão procurando por morte física? Precisamos pensar no aspecto profético de todas as trombetas. Quando pensamos assim, percebemos que nunca houve na história um momento em que as pessoas não podiam morrer, ser mortas, ou cometerem suicídio. O tormento em Apocalipse parece ser mais significativo a nível espiritual. Os escorpiões têm permissão de atacar apenas a vegetação morta ou a que está morrendo: as pessoas que não possuem o selo de Deus. A “vegetação” sendo atacada já está espiritualmente infectada e afligida (terceira e quarta trombetas). Isso significa que esse tormento é um agravamento do problema que eles já possuem. Jeremias 8:3 fala sobre como as pessoas que não são parte da família de Deus preferem escolher “antes a morte do que a vida”. É tão comum ver as pessoas fazendo más escolhas em tantos aspectos da vida. Escolhas que sabemos ser prejudiciais. Uma morte espiritual completa e numa escala global nesse ponto da história, não está dentro dos limites dos parâmetros de Deus.

*** Tormento de escorpião, quando fere o homem ***: No estudo #57, vimos que os gafanhotos saindo do poço do abismo tinham poderes de escorpião (Apocalipse 9:3). Em Apocalipse 9:5, podemos entender que o tormento que esses gafanhotos infligem é como o de escorpião, “quando fere o homem”. Escorpiões usam suas caudas para inserir veneno em suas vítimas. Muitas vezes, seu veneno não chega a ser mortal para humanos adultos, com algumas exceções. Mas isso não quer dizer que não existe sofrimento para o ser humano envolvido. As atividades demoníacas representadas pelo ataque dos gafanhotos aparentam estar focalizadas em envenenar as pessoas em uma intensidade ainda maior do que a que foi vista durante o envenenamento das águas com absinto (terceira trombeta, estudo #54). Isaías 9:14,15 nos diz: “Assim o Senhor cortará de Israel a cabeça e a cauda, o ramo e o junco, num mesmo dia. (O ancião e o homem de respeito é a cabeça; e o profeta que ensina a falsidade é a cauda).” A cauda do dragão vermelho, Satanás, enganou a terça parte dos anjos, assim como seduziu a todo o mundo (Apocalipse 12:4,9). O tormento semelhante ao do escorpião, quando fere o homem, em Apocalipse 9:5, acontece por causa da cauda, que é o símbolo dos falsos profetas, picando as pessoas com suas falsas informações e guiando todas elas para um caminho de morte.

*** Visão Geral ***: Quando os gafanhotos saíram do poço do abismo, e se moveram para atacar a Terra, Deus limitou quão longe poderiam ir. Os gafanhotos representam as atividades satânicas que almejam deter as pessoas para que não alcancem a Verdade. Portanto, aqueles que plenamente aceitaram a Verdade estarão imunes a esse ataque, porque eles buscaram uma constante conexão com o Senhor. Aqueles que não estão conectados com Deus ainda sentem a necessidade de se conectarem com algo, e eles encontram caudas de gafanhotos que mais se parecem com escorpiões. Eles desejam atormentar essas pessoas com falsos ensinamentos e filosofias contrárias à verdade de Deus. Essa tortura irá durar por algum tempo, mas chegará ao fim. O período de cinco meses serve para lembrar ao leitor que os fiéis de Deus não serão atingidos, assim como Noé não foi atingido e permaneceu protegido dentro da Arca. É importante ter em mente que Noé sentiu a Arca se mover e tremer com a tempestade violenta do lado de fora. Deus não impediu Noé de passar por essa experiência, mas Ele o manteve protegido durante o Dilúvio. Se Deus é aquEle a Quem servimos, então não temos nada a temer. A mensagem principal é: não há como a cauda venenosa das mentiras do inimigo nos agarrar quando estamos completamente rodeados pela verdade de Deus e protegidos com o Seu selo.

1  E o quinto anjo tocou a sua trombeta, e vi uma estrela que do céu caiu na terra; e foi-lhe dada a chave do poço do abismo.

2  E abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço, como a fumaça de uma grande fornalha, e com a fumaça do poço escureceu-se o sol e o ar.

3  E da fumaça vieram gafanhotos sobre a terra; e foi-lhes dado poder, como o poder que têm os escorpiões da terra.

 

Parte 1 - Apocalipse 9:1-3

 

*** Estrela que caiu do Céu ***: Vimos a estrela que caiu do Céu quando falamos sobre a terceira trombeta (Apocalipse 8:10-11). No estudo #54, vimos que a Estrela que caiu do Céu era Satanás. Ele era conhecido como Lúcifer antes de ser expulso do Céu. Lemos sobre a sua queda em Isaías 14:12-21. "Como caíste desde o céu, ó Lúcifer, filho da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!" (Isaías 14:12).” Com base em Apocalipse 9:1 e Apocalipse 9:11, podemos ver que a estrela que caiu do Céu é também identificada como sendo o anjo do poço do abismo. Sua queda aconteceu antes do toque das trombetas. Na terceira trombeta, a Estrela caída se chamava Absinto, que envenenou a mensagem original do Evangelho (simbolizado pelo termo 'águas'). Misturou a verdade com falsos ensinamentos e deu essa mistura de beber ao povo. As águas envenenadas causaram a morte de muitos.

*** A chave do poço do abismo ***: Antes de falarmos sobre a chave, precisamos primeiro entender o que é o poço do abismo. A expressão grega usada aqui é “phreatos tēs abyssou”. Ela significa exatamente buraco do abismo. A palavra abismo é também encontrada em Gênesis 1:2: "E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas." A palavra hebraica traduzida como "abismo" é ṯə-hō-wm. Algumas versões traduzem esse termo como "profundezas". Vemos a palavra ṯə-hō-wm usada também na história do Dilúvio. A Bíblia diz que "No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram" (Gênesis 7:11, veja também Gênesis 8:2). Esses não são os únicos exemplos onde a palavra abismo é usada. Foi usada também para descrever um lugar vazio, de desolação (Jeremias 4:23-30). Um conceito semelhante é encontrado em Ezequiel 26:19, com a palavra "assolada" ou "abandonada"; e em Isaías 24:21-23, com a palavra "masmorra", onde os exércitos rebeldes do Céu e os reis da Terra serão confinados antes de sua punição (Isaías 24:21-23).

Vamos agora falar sobre a chave desse lugar. Essa chave é um instrumento que pode fechar ou abrir o abismo. Sozinha, a chave é apenas um objeto. Sua importância vem do saber quem a tem e quem pode usá-la. 'Chave' é um símbolo de autoridade e de controle. Lemos no Novo Testamento, que Jesus é quem tem o poder de enviar as forças demoníacas para o abismo. Certa vez, Jesus retirou muitos demônios de um homem (Lucas 8:26-39). Eles estavam sujeitos ao comando de Jesus para deixarem aquele homem. O poder de Deus era (e ainda é) maior que a força que os anjos caídos podem ter sobre as pessoas. Os demônios imploraram que Jesus "não os mandasse para o abismo" (Lucas 8:31). Jesus não somente tinha o poder para mandar que saíssem do homem, mas também para mandar todos eles para o abismo. Jesus é quem tem as chaves do poço do abismo. Jesus é também aquEle que tem as chaves da morte e dos sepulcros (Apocalipse 1:18; veja estudo #10).

A palavra abismo é um símbolo da capacidade que Deus tem de deter e restringir os anjos maus enquanto eles aguardam Seu julgamento. É mais importante entender esse conceito do abismo como sendo o poder que Deus tem sobre eles, do que como um local real ou caverna subterrânea onde eles se reúnem. O ponto é: Deus está no controle (Judas 1:6; 2 Pedro 2:4; Apocalipse 20:1-3). Eles não podem prosseguir com suas atividades a não ser que Deus lhes dê a permissão. Os verso em Apocalipse 9:1,2 nos diz que Satanás recebeu permissão de sair do abismo e iniciar seu trabalho de cobrir a Terra com sua fumaça. A princípio, essa ação pode parecer estranha. Nós não compreendemos tudo que Deus enxerga da situação em que nos encontramos. Da mesma maneira como Deus deu a Satanás permissão para testar Jó (Jó 1:6-12), Ele está dando permissão para que Satanás prepare seus ataques na Terra. Jó saiu de sua experiência com um relacionamento com Deus muito mais forte e com uma confiança no Senhor mais revigorada. Do mesmo modo, os ataques do inimigo não poderão derrubar as pessoas do caminho da Eternidade se elas confiarem em Deus completamente, mesmo quando não estiverem compreendendo o que estiver acontecendo.

*** Fumaça saiu do abismo, e escureceu o sol e o ar ***: Assim que Satanás recebeu a permissão de agir, vários símbolos foram usados no texto para nos dizer o que aconteceu em seguida. O primeiro símbolo é fumaça, que saiu do poço do abismo. João descreve essa fumaça como a que sai de uma fornalha. No Antigo Testamento, o termo "fumaça de fornalha" aparece na descrição da destruição de Sodoma e Gomorra (Gênesis 19:28) e quando o Senhor desceu no Monte Sinai, para dar a Moisés os Dez Mandamentos (Êxodo 19:18). No fim do verso em Apocalipse 9:2, vemos que a fumaça saindo do abismo é responsável pelo escurecimento do sol e do ar. Ao contrário do escurecimento que ocorreu na quarta trombeta, que foi parcial e afetou um-terço dos astros, a escuridão vista no quinto selo é completa. Até mesmo o ar é afetado. Esse tipo de escuridão nos faz lembrar da escuridão descrita na nona. praga do Egito (Êxodo 10:21). Nesse ponto do verso de Apocalipse, ainda não sabemos do que essa fumaça se trata. Apenas sabemos seu efeito: escuridão na Terra.

*** Gafanhotos saem da fumaça ***: O fato de a escuridão de Apocalipse 9:2 também afetar o ar, não é uma coincidência. A razão disso se torna clara no texto seguinte: do poço do abismo saiu voando uma nuvem de gafanhotos. Nas pragas do Egito, vemos a praga dos gafanhotos (Êxodo 10:1-20), que aconteceu imediatamente antes da praga da escuridão que mencionamos antes. Durante a praga dos gafanhotos, a terra do Egito também foi coberta de escuridão (Êxodo 10:15). Escuridão e gafanhotos são símbolos dos julgamentos de Deus (Joel * 1:1-12). A consequência da rejeição à luz é a escuridão espiritual (João 3:18-21).

*** Gafanhotos com poder de escorpião ***: Os gafanhotos saindo do abismo não eram gafanhotos comuns. Eles haviam recebido poder para serem como escorpiões. Mais uma vez, temos aqui a expressão "foi-lhes dado poder". Esses gafanhotos receberam a permissão de fazer seu trabalho com habilidades de escorpião. Eles parecem estar numa missão de vida ou morte. A natureza dessa cena é bastante simbólica, o que se acentua pelo fato desses gafanhotos se comportarem de uma maneira diferente do que naturalmente haveria de se esperar. Mas isso vai se tornar mais claro nos próximos estudos.

*** Visão Geral ***: O poço do abismo são as circunstâncias pelas quais os anjos caídos são restringidos e atados sob o poder de Deus. Eles não têm permissão de agir e obliterar a humanidade. Deus respeita o livre arbítrio dos seres humanos tão profundamente, que Ele permite que as pessoas escolham em quem querem acreditar. Em alguns momentos, Ele permite que as forças demoníacas entrem em ação. As pessoas têm que fazer uma escolha. Será que querem acreditar nas águas contaminadas e na nuvem de gafanhotos e, ao mesmo tempo, rejeitar a Luz da Vida? Ou será que querem receber Cristo em suas vidas, e seguirem a verdade de Deus? Os primeiros três versos da quinta trombeta parecem ser assustadores. Mas o ponto principal que precisamos focalizar é que Deus é quem está no controle da situação. Ele sabe o quanto limitar as atitudes desses anjos caídos que estão saindo da restrição em um enxame. Precisamos manter em mente a história de Jó, e nos lembrarmos de que se formos fiéis, nossa salvação é garantida. Podemos não entender os métodos de Deus. Podemos até não entender o próprio Deus. Mas podemos confiar no Seu poder e santidade, e nos assegurarmos de que tudo que Ele faz é com a intenção de nos fazer saber que Ele é Deus.

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