Saturday, 07 January 2017 21:05

47. Os 144.000 * Apocalipse 7:1-8, PARTE 2

1 E depois destas coisas vi quatro anjos que estavam sobre os quatro cantos da terra, retendo os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma.

2 E vi outro anjo subir do lado do sol nascente, e que tinha o selo do Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos, a quem fora dado o poder de danificar a terra e o mar,

3 Dizendo: Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que hajamos selado nas suas testas os servos do nosso Deus.

4 E ouvi o número dos selados, e eram cento e quarenta e quatro mil selados, de todas as tribos dos filhos de Israel.

5 Da tribo de Judá, havia doze mil selados; da tribo de Rúbem, doze mil selados; da tribo de Gade, doze mil selados;

6 Da tribo de Aser, doze mil selados; da tribo de Naftali, doze mil selados; da tribo de Manassés, doze mil selados;

7 Da tribo de Simeão, doze mil selados; da tribo de Levi, doze mil selados; da tribo de Issacar, doze mil selados;

8 Da tribo de Zebulom, doze mil selados; da tribo de José, doze mil selados; da tribo de Benjamim, doze mil selados.

 


Parte 2 - Apocalipse 7:4-8


*** João ouviu um número ***: Em Apocalipse 5:5-6, João ouviu alguém falando que o Leão da tribo de Judá havia chegado, mas quando ele se virou, viu um Cordeiro que havia sido morto. Vemos algo semelhante em Apocalipse 7:4 e 9, e em Apocalipse 9:16-17. Em Apocalipse 7:4, João ouviu o número do povo de Deus que havia sido selado, mas quando olhou, ele viu uma grande multidão que ninguém podia contar (Apocalipse 7:9). Em Apocalipse 9:16, ele ouviu o número dos inimigos de Deus. A primeira pergunta que vem à mente, a respeito do número do povo selado é: esse é um número literal, ou simbólico? Ao analisarmos esse número, e os versos restantes, a resposta a essa pergunta irá ficar mais clara. Mas antes de fazermos isso, vamos checar o número dos inimigos de Deus, e ver em que contexto ele foi dado. Os inimigos, em Apocalipse 9:16-17, foram descritos como uma exército de cavaleiros. Os cavalos tinham cabeças de leões; fogo, fumaça, e enxofre saiam de suas bocas; e eles tinham caudas como uma serpente (Apocalipse 9:17,19). O exército de 200.000.000 de Apocalipse 9, é claramente uma representação simbólica de um grupo de pessoas envolvidas na batalha contra a adoração ao verdadeiro Deus. Esse exército luta contra a verdade de Deus. Como o povo selado de Deus é imune aos ataques contra a verdade, e não podem ser enganados com falsos ensinamentos, as fatalidades espirituais acontecem apenas sobre aqueles que não possuem o selo de Deus na testa. O exército inimigo não se arrependeu de adorar demônios e ídolos, ou de viver uma vida de pecado (Apocalipse 9:20-21). O padrão visto nesses versos é: João ouviu o número do exército inimigo, e então descreveu esse exército usando linguagem simbólica.

*** 144.000 ***: Esse era o número de pessoas seladas pelo Espírito Santo. Eles eram todos das tribos de Israel. Apocalipse 7:5-8 menciona um total de 12 tribos, e cada tribo tinha 12.000 selados. Para visualizarmos melhor o número 144.000, vamos fazer uma representação matemática: 12 x 12.000 = 144.000. Podemos ir além, e representar o número 12.000 como 12 x 1000. Com isso, a nossa equação matemática passa a ser 12 x 12 x 1000 = 144.000. Assim, fica mais fácil ver a ênfase dada ao número 12 e ao número 1000.

- 12: O número 12 é um número que aparece tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, e está sempre ligado ao povo de Deus. A Bíblia menciona 12 patriarcas de Sete até Noé, 12 patriarcas de Cem até Jacó, 12 tribos de Israel, 12 espias enviados à Terra prometida, 12 juízes (de Otoniel até Samuel), 12 discípulos, 12 portões na Nova Jerusalém que tem o nome das 12 tribos, e 12 fundações que têm os nomes dos 12 apóstolos. Efésios 2:20 também menciona que a igreja de Deus é edificada sobre o fundamento dos 12 apóstolos e dos profetas, com Cristo sendo a pedra fundamental. Diante disso, vemos que o número 12 representa a igreja. Então, podemos entender a expressão matemática 12 X 12 como sendo a total representação do povo de Deus através da história, desde o Antigo Testamento, passando pelo Novo Testamento, e indo até o fim dos tempos.

- 1000: O texto em Números 31:1-6 nos oferece um contexto importante para podermos entender o cenário descrito em Apocalipse. Ao entrar numa batalha, os Israelitas deveriam estar organizados em grupos de 1000 de cada tribo, para um total de 12,000. Essa formação era conhecida como os milhares de Israel (Números 1:16; Números 10:4; Josué 22:14, 21; 1 Samuel 8:12">1 Samuel 8:12; 1 Samuel 10:19">1 Samuel 10:19; 1 Samuel 18:13">1 Samuel 18:13; 1 Samuel 23:23">1 Samuel 23:23; Miquéias 5:2). Os ‘milhares de Israel' era o termo usado para se referir ao exército israelita. Essa referência militar dos 144,000 encaixa com o padrão que vimos na descrição do exército inimigo, em Apocalipse 9:16. João ouviu o número do povo selado (Apocalipse 7:4), e em seguida descreveu, em linguagem simbólica, o batalhão de Deus que estava pronto para guerra (Apocalipse 7:5-8).

*** As tribos de Israel ***: Os versos 5-8 trazem uma lista das tribos de Israel. Trata-se de uma lista única. É diferente das listas encontradas no Antigo Testamento. Vamos comparar essas listas:

Gênesis 49:1-28

Números 1:5-15

Ezequiel 48:1-29

Apocalipse 7:5-8

Rúben

Rúben

Judá

Simeão

Simeão

Aser

Rúben

Levi

Judá

Naftali

Gade

Judá

Issacar

Manassés

Aser

Zebulom

Zebulom

Efraim

Naftali

Issacar

Efraim

Rúben

Manassés

Manassés

Judá

Simeão

Gade

Benjamim

Benjamim

Levi

Aser

Simeão

Issacar

Naftali

Aser

Issacar

Zebulom

José

Gade

Zebulom

José

Benjamim

Naftali

Gade

Benjamim

 

- Em Gênesis: vemos a lista dos filhos de Jacó, na ordem de nascimento.

- Em Números: essa lista mostra as 12 tribos como eram nos tempos de Moisés, enquanto viajavam pelo deserto. A tribo de Levi não é incluída, porque os Levitas tinham a responsabilidade do sacerdócio. De uma certa maneira, eles eram a 13a tribo, da mesma forma que Cristo era a 13a pessoa com os discípulos. Os Levitas não deveriam receber uma herança de território (Deuteronômio 10:8, 9; Deuteronômio 18:1), e também não eram para ser contados entre os Israelitas (Números 1:49). Essa lista omite a tribo de José, mas em seu lugar, inclui seus dois filhos (Manassés e Efraim). Como o filho favorito, José recebeu uma porção dobrada da herança através de seus filhos, quando Jacó adotou os filhos de José como seus próprios (Gênesis 48:5).

- Em Ezequiel: essa lista mostra como eles deveriam dividir as terras entre as tribos. A lista é a mesma que aparece em Números, com a única diferença da ordem em que os nomes aparecem.

- Em Apocalipse: essa lista traz de volta a tribo de José e a tribo de Levi. A tribo de um dos filhos de José foi removida (Efraim), e a tribo de Dã também foi eliminada da lista. José ainda tem sua porção dobrada, uma vez que ela inclui o nome do próprio José, e de seu filho Manassés. A tribo de Judá é colocada em primeiro lugar, provavelmente porque essa é a tribo da linhagem de Jesus. Cristo é chamado de Leão da tribo de Judá em Apocalipse 5:5. Os nomes de Efraim e Dã foram removidos da lista de Apocalipse possivelmente porque suas tribos eram apóstatas. Uma vez que o número 144.000 é a representação do povo que não se contaminou com falsos ensinamentos religiosos (Apocalipse 14:4), essa lista não poderia incluir esses dois nomes. A tribo de Dã fez para si imagens de escultura (Juízes 18:30), e se tornou um centro de idolatria (1 Reis 12:29-31; 2 Reis 10:29, Jeremias 8:4-17). O próprio Jacó se referiu a Dã como sendo uma serpente (Genesis 49:17">Genesis 49:17). A tribo de Efraim também se tornou um símbolo da idolatria e apostasias do povo (Oséias 4:17; Oséias 8:9-11; Oséias 12:1). No Salmo 78:9-10, lemos a respeito de como Efraim não foi fiel ao concerto que Israel tinha com Deus. A tribo de Efraim eventualmente se juntou ao lado inimigo (Isaías 7:2-9).

*** Literal ou simbólico? ***: Ao olharmos para as listas das 12 tribos, podemos ver que a de Apocalipse não segue a ordem de nascimento dos filhos de Jacó, ou a ordem tribal do Israel do tempo e Moisés. Apenas inclui as tribos que o Antigo Testamento não considera como sendo permanentemente contra a Palavra de Deus. Deixou de fora as tribos apóstatas de Dã é Efraim. Logo no início da lista de Apocalipse, podemos ver que não se trata de uma representação literal das tribos originais, se não ela deveria começar com a tribo de Rúben, o primogênito. Outra coisa a se considerar, é que com a conquista dos Assírios, a maioria das tribos desapareceram. Dez tribos formavam o reino israelita do norte. Com os ataques dos Assírios, as tribos do norte foram todas destruídas ou assimiladas a outras culturas, por volta do 8o século A.C. (2 Reis 17:5-23). Seus descendentes eram os Samaritanos, os quais os judeus desprezavam por não serem mais israelitas de puro sangue. Eles haviam se misturado tanto, casando-se entre si e com pessoas de outras nações, que já não era mais possível definir com clareza uma linhagem tribal. No tempo de João, as 13 tribos já não existiam da mesma forma como no tempo de Moisés. O apóstolo Paulo escreveu sobre como os seguidores de Cristo passaram a ser o Israel espiritual (Romanos 2:28-29; Romanos 9:6-8; Gálatas 3:29; Gálatas 6:16; Tiago 1:1), e sobre como eles irão receber todas as promessas feitas ao Israel literal.

*** Significado do Israel simbólico ***: Gálatas 3:29 diz: "E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa." Em outras palavras, aqueles que pertencem à Cristo são israelitas, não de nascença, mas por que nasceram de novo. Renascer na fé de Jesus Cristo, como Salvador, nos dá uma nova linhagem. Recebemos uma nova documentação. Deus mudou o nome de Jacó para Israel após Jacó ter lutado com Deus (Gênesis 32:22-32). Seu nome mudou de Jacó para Israel. O nome Israel significa: “como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste.” (Gênesis 32:28). De uma certa maneira, o nome Israel está relacionado com 'aquele que vence', sobre o qual temos estudado desde as Sete Igrejas. Nos tempos bíblicos, os nomes traziam um significado importante. E da mesma forma, podemos ver essa importância na lista de nomes em Apocalipse. O evangelista Doug Batchelor, em seus estudos de Apocalipse, sugere que a ordem da lista de Apocalipse faz muito sentido quando consideramos o significado de cada nome.

1. Judá = “Louvarei ao Senhor” (Gênesis 29:35)
2. Rúben = “Porque o Senhor atendeu à minha aflição” (Gênesis 29:32)
3. Gade = “Afortunada” (Gênesis 30:11)
4. Aser = “Feliz eu sou” (Gênesis 30:13)
5. Naftali = “Com grandes lutas tenho lutado” (Gênesis 30:8)
6. Manassés = “Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho” (Gênesis 41:51)
7. Simeão = “O Senhor ouviu que eu era desprezada” (Gênesis 29:33)
8. Levi = “se unirá meu marido a mim” (Gênesis 29:34)
9. Issacar = “Deus me tem dado o meu galardão” (Gênesis 30:18)
10. Zebulom = “Deus me deu uma boa dádiva; desta vez morará o meu marido comigo” (Gênesis 30:20)
11. José = “Que o Senhor me acrescente” (Gênesis 30:24)
12. Benjamim = “Filho do lado direito” - Do hebraico Binyamin. “Bin” significa ‘Filho’ e “Yamin” significa ‘do lado direito’ (Jacó mudou o nome para Benjamim após seu nascimento, Gênesis 35:18).

Bachelor sugere que a ordem dessa lista em Apocalipse descreve a condição dos 144.000. Essa lista conta a história de salvação vivida pela igreja, a noiva de Cristo: “Louvarei ao Senhor porque o Senhor atendeu à minha aflição. Afortunada e feliz eu sou. Com grandes lutas tenho lutado, mas Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho. O Senhor ouviu que eu era desprezada. E se unirá meu marido a mim. Deus me tem dado o meu galardão. Deus me deu uma boa dádiva; desta vez morará o meu marido comigo. Que o Senhor me acrescente Seu Filho do lado direito.”

*** Mais a respeito dos 144.000 ***: O texto em Apocalipse 14:1-5 nos dá mais alguns detalhes sobre os 144.000 que complementa o que aprendemos até agora. O texto diz que eles foram “comprados da Terra” (Apocalipse 14:3). Aqui temos a clara confirmação de onde esse grupo é encontrado. Eles estão na Terra, e não no céu. Continuando a leitura dos versos de Apocalipse 14:4-5, vemos: "Estes são os que não estão contaminados com mulheres; porque são virgens. Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá. Estes são os que dentre os homens foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro. E na sua boca não se achou engano; porque são irrepreensíveis diante do trono de Deus.” Em analogias bíblicas, tanto no Antigo quanto no Novo Testamentos, o conceito de ‘mulher’ é usado para se referir à igreja (estudo #20). O trecho “contaminados com mulheres; porque são virgens” pode ser entendido ao termos em mente a comparação feita pelo próprio Jesus, sobre Sua vinda sendo uma festa de casamento, onde Sua noiva (a igreja) está adornada e pronta para se unir para sempre ao seu Noivo. Os 144.000 são a igreja pura que não foi enganada com falsos ensinamentos, e que possuem a pura mensagem de Deus. Isso não quer dizer que esse grupo nunca pecou antes. No Israel antigo, todas as tribos transgrediram a lei de Deus em algum ponto, e foram consideradas infiéis. Mas Deus nunca parou de trabalhar com eles, e quando Israel se tornava obediente aos Seus mandamentos, Deus chamava o povo de mulher fiel e pura (Isaías 54:5-6; Ezequiel 16:8-14; Oséias 2:14-23; Amós 5:2).

*** Visão Geral ***: Os 144.000 são um grupo real de pessoas. Eles são os seguidores de Cristo (Apocalipse 14:4). Mas a contagem literal desse povo não parece ser o ponto principal da mensagem, porque, na verdade, João não pode contar exatamente quantas pessoas estavam entre os salvos (Apocalipse 7:9). O número 144,000 funciona mais como uma descrição de trabalho dos fiéis. Mas será que são eles os que estarão vivos no fim dos tempos? Ou será que os 144.000 são os fiéis de todos os tempos da história? A resposta é sim para ambas as perguntas. Deus tem sempre Seu exército pronto, em todas as fases da história humana. Assim como os inimigos de Deus são descritos como sendo um exército, o povo de Deus também é descrito como os milhares de Israel, organizados em formação militar. O Seu povo vem lutando uma guerra espiritual. Essa batalha envolve a escolha que as pessoas precisam fazer sobre quem elas irão prestar louvor e adoração. Essa é ainda a mesma batalha que começou no Céu, e que passou para a Terra quando a serpente levantou falsas acusações contra Deus. Adão e Eva decidiram acreditar nessas mentiras. Mas Deus ofereceu a eles uma solução para o problema. Os 144.000 são aqueles que acreditam na solução de Deus: eles acreditam naquele que Deus enviou: o Redentor Jesus Cristo.

1 E depois destas coisas vi quatro anjos que estavam sobre os quatro cantos da terra, retendo os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma.

2 E vi outro anjo subir do lado do sol nascente, e que tinha o selo do Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos, a quem fora dado o poder de danificar a terra e o mar,

3 Dizendo: Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que hajamos selado nas suas testas os servos do nosso Deus.

4 E ouvi o número dos selados, e eram cento e quarenta e quatro mil selados, de todas as tribos dos filhos de Israel.

5 Da tribo de Judá, havia doze mil selados; da tribo de Rúbem, doze mil selados; da tribo de Gade, doze mil selados;

6 Da tribo de Aser, doze mil selados; da tribo de Naftali, doze mil selados; da tribo de Manassés, doze mil selados;

7 Da tribo de Simeão, doze mil selados; da tribo de Levi, doze mil selados; da tribo de Issacar, doze mil selados;

8 Da tribo de Zebulom, doze mil selados; da tribo de José, doze mil selados; da tribo de Benjamim, doze mil selados.

 

Parte 1 - Apocalipse 7:1-3

 

*** Contexto ***: O capitulo 7 de Apocalipse funciona como uma pausa entre a abertura do sexto e sétimo selos. É a resposta detalhada para a pergunta levantada no fim do sexto selo: “Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?” (Apocalipse 6:17; estudos #43 e #44). Os ímpios estavam tentando se esconder nas rochas porque eles não podiam tolerar a presença da total glória de Deus. O poder da glória de Deus é revelada naquele momento de uma maneira tão intensa, que eles estavam questionando se alguém poderia tolerá-la. Após João ver em visão, os eventos do sexto selo, ele começou a descrever o que ele viu logo em seguida.

*** Quatro anjos, quatro cantos, quatro ventos ***: O número 4 parece ser bem significativo nessa passagem. Ele é repetido 3 vezes. Vimos 4 anjos chamando 4 cavaleiros durante a abertura dos primeiros 4 selos. No entanto, não podemos afirmar com certeza que os 4 anjos do capítulo 7 são os mesmos do capítulo 6. Mas eles têm algo em comum. Eles estão envolvidos nas atividades que estão para ser executadas em uma escala global. Os quatro anjos do capítulo 6 chamam cavaleiros que precisam completar seu trabalho por todo o mundo. Os anjos no capitulo 7 seguram os ventos enquanto estão nos quatro cantos da Terra. No antigo Oriente Próximo, a expressão “quatro cantos da Terra” era o equivalente ao que chamamos hoje de pontos cardeais (Norte, Sul, Leste, Oeste). Vemos essa expressão sendo usada no Antigo Testamento (Isaías 11:12; Ezequiel 7:2; Jeremias 49:36). Os quatro anjos estão segurando “os quatro ventos da Terra”. No Antigo Testamento, ventos são como carruagens sob o poder de Deus, executando Seu julgamento (Jeremias 4:11-13; Isaías 66:15-16). Era esperado que os ventos do Senhor caíssem com furor sobre os ímpios (Jeremias 23:19; Jeremias 30:23. Algumas traduções usam a palavra tempestade, ou vendaval). O vento do Senhor, vindo do leste, iria vir e destruir a prosperidade da terra de Efraim (Oséias 13:15). Efraim era uma das tribos de Israel que decidiu adorar outros deuses, e pecar abertamente contra Deus (Oséias 13:1-2). O livro de Daniel diz que “os quatro ventos do céu agitavam o mar grande.” (Daniel * 7:2). Existem mais duas outras menções dos quatro ventos no livro de Daniel (Daniel * 8:8; e Daniel * 11:4). Os anjos em Apocalipse 7:1 estão segurando os ventos para que eles não soprem “sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma”. Baseado nos textos do Antigo Testamento mencionados, quando os ventos sopram, os julgamentos de Deus caem sobre aqueles que não estão vivendo de acordo com os mandamentos de Deus. Em outras palavras, os julgamentos de Deus estão para cair sobre a Terra, mas antes que isso possa acontecer, existe uma atividade que precisa ser concluída: o selamento dos servos de Deus, na testa (Apocalipse 7:3).

*** Nem sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra as árvores ***: O trabalho dos quatro anjos era segurar os quatro ventos da Terra, para que não soprassem sobre a Terra, ou sobre o mar, ou sobre as árvores, até que chegasse a hora certa. Note que está implícito no verso 2, que esses anjos eventualmente teriam que danificar a terra e o mar. Mas o verso 2 não menciona as árvores. Os quatro anjos não receberam poder para danificar as árvores. Mas ainda assim, o anjo mencionado no verso 2 adiciona “árvores” à lista de pedidos para os quatro anjos segurando os quatro ventos da Terra. Eles não deveriam soltar os ventos até que todos os seguidores de Deus tivessem sido selados. A expressão “terra e mar” nos traz de volta à criação, como mencionada nos 10 Mandamentos: “Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou.” (Êxodo 20:11). Tudo que existe na terra, e no mar está sob o domínio do Criador. Toda adoração deve ser direcionada àquEle “que fez o céu, e a terra, e o mar” (Apocalipse 14:7). Mas existe alguém que quer receber esse poder e esse louvor para si mesmo. Apocalipse 12:12 diz: “[…] Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo.” Vemos aqui o plano de Satanás para derramar sua ira sobre todo o território de Deus. Não é de surpreender que os dois poderes político-religiosos do fim dos tempos (representados como bestas) surgem do mar e da terra. Quando os ventos forem soltos, aqueles que pertencem ao mar e à tera serão atingidos.

Danos causados a árvores nos levam a pensar nas 10 Pragas do Egito, mais especificamente a oitava praga (Êxodo 10:1-20). Essa praga foi aquela com gafanhotos, que vieram com um vento leste enviado por Deus. E os gafanhotos “cobriram a face de toda a terra, de modo que a terra se escureceu; e comeram toda a erva da terra, e todo o fruto das árvores, que deixara a saraiva; e não ficou verde algum nas árvores, nem na erva do campo, em toda a terra do Egito.” (Êxodo 10:15). Após algum tempo, Deus removeu os gafanhotos com um vento oeste, que os jogou no Mar Vermelho (Êxodo 10:19). A nona praga foi aquela onde a escuridão tomou conta da Terra. A escuridão era tão intensa, que podia ser apalpada (Êxodo 10:21). De uma certa maneira, essa situação é semelhante à que vimos no sexto selo, onde o sol, a lua, e as estrelas são escurecidos (estudo #43). A décima praga (Êxodo 11) poderia cair sobre qualquer um, egípcios ou hebreus. Morte viria sobre qualquer um deles que não tivesse a marca na porta. A marca servia como sinal da sua obediência a Deus. À luz do simbolismo baseado o Antigo Testamento, podemos entender que o anjo está pedindo aos quatro anjos que esperem um pouco mais para soltar os ventos dos julgamentos de Deus, enquanto eles terminam de selar o povo de Deus.

*** Outro anjo vindo do leste ***: O anjo mencionado em Apocalipse 7:2 vem do leste, ou como algumas versões dizem, do lado do sol nascente. Tanto no Antigo, quanto no Novo Testamentos, leste, ou oriente, é comumente associado com Deus ou Cristo: o Jardim do Éden estava no oriente (Genesis 2:8">Genesis 2:8); a glória de Deus vem do oriente (Ezequiel 43:2); os magos viram a estrela no Oriente indicando o nascimento do Messias (Mateus 2:2,9); Jesus é chamado de oriente do alto (ou sol nascente vindo do alto) para nos visitar (Lucas 1:78); Jesus é a Estrela da Manhã (Apocalipse 22:16); a Segunda Vinda de Jesus será como o relâmpago que sai do oriente e brilha até o ocidente, quando “Ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.” (Mateus 24:27,31). O anjo de Apocalipse 7:2 pode ser entendido como um mensageiro enviado por Deus, uma vez que ele vem do leste/sol nascente. Pode até ser que ele seja uma referência ao próprio Cristo, dizendo aos Seus anjos que ainda não é hora de soltar os ventos.

*** O selo na testa ***: Lemos em Ezequiel 9, a visão que o profeta recebeu sobre a descrição de Jerusalém antes do povo ser levado em cativeiro. Ezequiel viu um mensageiro vestido de linho, e com um tinteiro de escrivão. Sua missão era marcar a testa dos fiéis antes que os ímpios da casa de Israel e Judá fossem destruídos. Os que estavam a cargo da destruição não deveriam nem chegar perto daqueles que tinham a marca na testa. Está implícito que o item selado pertence àquele que colocou o selo. É interessante notar que a abertura de um selo (sexto) revela o selamento de outra coisa (dos salvos). Da mesma maneira que os selos no livro que estava do lado direito de Deus serviram para proteger o conteúdo e autenticidade da mensagem no rolo, o selo de Deus em Seus filhos serve para protegê-los contra falsificações, e para evitar que sejam destruídos juntamente com aqueles que não escolherem ficar ao lado da verdade de Deus. O selo, em Apocalipse, é um símbolo que representa propriedade. Deus é quem está reivindicando a posse de todos aqueles que quiserem pertencer a Ele. Paulo diz em Efésios 1:13-14: “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória.” Deus é quem sela Seu povo com o Espírito Santo (2 Coríntios 1:21-22; Efésios 4:30). Deus conhece quem pertence a Ele; aqueles que Deus sabe que pertencem a Ele, podem ter o selo (2 Timóteo 2:19). O selo do Espírito Santo é descrito mais especificamente em Apocalipse 14:1, e Apocalipse 22:4: “e nas suas testas estará o seu nome.” O selo de Deus é o nome do Pai escrito na testa dos fiéis. Essa é uma das promessas feita à igreja de Filadélfia, àqueles que vencerem: “e escreverei sobre ele o nome do meu Deus” (Apocalipse 3:12).

Em Êxodo 13:14-16, lemos que o fato de Deus ter poupado aqueles com a marca de sangue na porta na última praga do Egito, era pra ser um sinal na testa e na mão do povo. Eles precisavam lembrar que a mão poderosa de Deus os havia livrado do Egito. Mas em Ezequiel 9 e Apocalipse 7, o sinal é apenas colocado na testa. Existe uma diferença importante entre a décima praga do Egito e o selamento do povo de Deus, como Paulo havia descrito nos versos já mencionados. Em Êxodo 10, o povo tinha que demonstrar fisicamente o que eles creditavam em seu coração. Não era suficiente apenas acreditar que Deus podia poupá-los, e que poderia livrá-los dos egípcios. Eles precisavam ir mais além, e tomar uma atitude. Eles precisavam pintar a porta com o sangue de um cordeiro inocente (Êxodo 12:7,13). O sacrifício daquele cordeiro apontava para um Salvador que haveria de vir. Nos últimos dias, o sacrifício do Cordeiro já é passado, realizado na morte de Cristo na cruz. Não há nada que ninguém possa fazer para ser salvo. Jesus já fez o que precisa ser feito para salvar a humanidade. O que resta é acreditar nAquele a quem Deus enviou (João 6:29). Ninguém pode trazer salvação para si mesmo, baseando-se em seus próprios esforços e méritos. É apenas através do sangue de Jesus que podemos ser selados. Apenas quando acreditamos. E então, agora que estamos do lado da história que se encontra após a cruz, faz sentido que o símbolo usado não inclua a mão (ação), mas apenas a testa (crença).

Quando Deus falou com o profeta, a respeito de estabelecer um Novo Concerto, Ele queria marcar Seus filhos de uma maneira especial, uma maneira que mostrasse que eles pertenciam a Ele: “Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.” (Jeremias 31:33; veja também Hebreus 10:16). O selo de Deus é colocado naqueles que são fiéis à Palavra de Deus, Seus mandamentos. Não apenas a um ou dois, mas todos os Seus mandamentos. Eles são todos iguais diante do Senhor. “Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos.” (Tiago 2:10). Não cabe a nós escolhermos quais deles queremos obedecer. Não podemos nos abrir parcialmente à Palavra de Deus. No entanto, o foco não está no seguir uma lista de quesitos, como se isso fosse nos salvar. O foco está no aceitar a vontade de Deus em nossa vida - “todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.” (Mateus 26:39) - por causa do nosso amor por Ele. Quando O amamos acima de nós mesmos, a escolha de seguir toda a Sua verdade e de viver aquilo que Ele quer para nós, não se torna uma obrigação ou um fardo, mas um prazer (Salmo 1:1-2; Salmo 40:8; Salmo 119:66-72, 92, 173-174). A lei é um espelho que nos mostra o pecado (Romanos 3:20), e somente o sangue de Jesus pode limpar o pecado que se tornou evidente por causa da lei (Romanos 3:24-25). Se amamos a Deus, porque haveríamos de rejeitar o instrumento dado por Ele para que pudéssemos detectar a iniquidade? Se não pudermos detectar o pecado, nos tornaremos cegos para a nossa necessidade de ter um Salvador. Se não soubermos que precisamos de um Salvador, então não sentiremos a necessidade de nos arrependermos e aceitarmos Sua Salvação purificadora. Se rejeitarmos Sua Salvação, iremos nos perder para sempre. E é por isso que o inimigo quer retirar a Lei de Deus do coração das pessoas. A lei de Deus é parte da verdade de Deus. Se rejeitarmos mesmo que apenas uma parte de Sua verdade, rejeitamos também o Espírito Santo. Jesus enviou o Espírito Santo para nos ensinar a verdade. Como disse o próprio Jesus: “Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.” (João 14:15, 16 e 21).

*** Contraponto ***: O selamento dos fiéis de Deus, e consequente proteção da ira de Deus, contrasta com a identificação dos ímpios. Lemos a respeito disso na Quinta Trombeta, onde os gafanhotos preenchem a terra, mas são impedidos de causarem danos à erva da terra, plantas verdes, ou árvores; têm promissão de causar tormento apenas àqueles que não possuem o selo de Deus (Apocalipse 9:3-4). Veja o que podemos entender nesses versos no capítulo 9: aqueles que não possuem o selo de Deus estão do lado oposto ao grupo da vegetação. O ponto principal é que as árvores, a grama, e as plantas verdes, são um símbolo daqueles que possuem o selo de Deus na testa. Aqueles que não possuem o selo de Deus, carregam a marca da besta. A marca da besta naqueles que rejeitam Deus, é o nome da besta, escrito na mão, ou na testa (Apocalipse 13:16-17). Todos na Terra irão receber uma marca. Essa marca identifica de que lado as pessoas escolheram estar. Como estudamos muitas vezes antes, existem apenas dois lados. Aqueles que escolherem carregar o selo de Deus, estarão protegidos contra a Sua ira e julgamentos. Mas aqueles que têm a marca da besta não estarão imunes à ira de Deus.

*** Visao Geral ***: Aquele que vence é aquele que carrega o nome de Deus em sua testa. O aceitar a verdadeira mensagem de Deus é o que permite que os fiéis sejam selados. A presença do Espirito Santo no coração de uma pessoa é o selo necessário para diferenciar o cidadão do Céu, dos habitantes da Terra. Aqueles a quem Deus reconhece como pertencendo a Ele próprio, têm seus pecados perdoados e esquecidos para sempre. O selamento do povo de Deus não começa nos últimos dias. Na verdade, é quando ele acaba. A ordem para os anjos segurando os quatro ventos diz que os ventos serão soltos em breve, mas somente após o selamento se completar. Como Paulo disse, o selamento já havia começado naquele tempo. O selamento ocorre quando uma pessoa aceita a mensagem e passa a viver essa mensagem no seu dia-a-dia, durante sua caminhada com o Senhor. Aqueles que pertencem a Deus, são aqueles que guardam os mandamentos de Deus, e que têm a fé de Jesus (Apocalipse 14:12). O selamento de Deus é condicional a aceitação de Sua verdade. Cabe a cada um de nós decidir a que lado queremos pertencer. Ninguém vai ficar sem um selo ou uma marca.

   
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