14 Ao anjo da igreja em Laodicéia escreva: Estas são as palavras do Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o soberano da criação de Deus.

15 Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente!

16 Assim, porque você é morno, nem frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca.

17 Você diz: Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada. Não reconhece, porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre, cego e que está nu.

18 Dou-lhe este aconselho: Compre de mim ouro refinado no fogo e você se tornará rico; compre roupas brancas e vista-se para cobrir a sua vergonhosa nudez; e compre colírio para ungir os seus olhos e poder enxergar.

19 Repreendo e disciplino aqueles que eu amo. Por isso, seja diligente e arrependa-se.

20 Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo.

21 Ao vencedor darei o direito de sentar-se comigo em meu trono, assim como eu também venci e sentei-me com meu Pai em seu trono.

22 Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.

 

PARTE 2

 

*** Destinatário -> “Ao anjo da igreja em Laodicéia” ***: Mais uma vez, a carta é endereçada ao líder da igreja, mas o texto se aplica a todos os membros. Veja os comentários no estudo #9, #12, e #14.

*** Remetente -> “o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o soberano da criação de Deus” ***: Jesus se apresentou a essa igreja com três características: 1) o Amém; 2) a testemunha fiel e verdadeira; 3) o soberano da criação de Deus. A palavra Amém na verdade vem do Hebraico, através do Grego amēn, e significa em “verdade”. Essa é uma expressão que confirma o que está sendo dito como sendo a verdade absoluta. Vemos Jesus usando essa expressão muitas vezes. Ele frequentemente usava em suas frases a palavra amēn, que foi traduzida como “Em verdade vos digo” (Mateus 5:18; Mateus 6:2; Mateus 6:5; Mateus 6:16 - para mencionar apenas alguns versos). Como vimos no estudo #5, Jesus é também a verdadeira testemunha, que testificou até a morte. Ele fala a verdade sobre Si mesmo, e sobre aquEle que O enviou. Ele é também o soberano da criação de Deus. A palavra em Grego, traduzida como soberano, é a palavra archē, que significa “origem”, “regente”. Essa palavra traz a ideia de prioridade, começo, ponto de origem, e aquilo que vem primeiro. Jesus tem o domínio sobre todas as coisas desde a criação, porque a criação começou com Ele (Colossenses 1:15-16). Em outras palavras, Apocalipse 3:14 diz que Jesus é a verdade, Ele fala a verdade, e Ele tem tudo sob seu controle, porque Ele é o Criador.

*** Avaliação -> “Conheço…” ***: Uma vez que Jesus tem o controle sobre todas as coisas, Ele sabe a condição da igreja em Laodicéia.

- Obras: Assim como o suprimento de água da cidade, a congregação de Laodicéia não é nem quente nem fria. A água morna que chegava na cidade era boa para tomar banho. Mas não era fria o bastante para beber, e nem era quente o suficiente para ser usada com propósitos medicinais. Espiritualmente, Laodicéia estava apenas usando as partes do Evangelho que eram convenientes. Eles estavam de molho em uma mensagem que havia tido sua temperatura modificada para um nível mais confortável. Ao permanecerem nessa zona de conforto, os membros nunca experimentavam os extremos da temperatura. Se eles tivessem colocado o pé em um desses extremos, eles não estariam ainda desapercebidos da sua condição de mornidão. Laodicéia nunca havia bebido continuamente da Água da Vida, que é refrescante. Não estava absorvendo cada palavra que procede da Boca de Deus (Deuteronômio 8:3; Mateus 4:4). Ela também nunca havia colocado a compressa quente da verdade diariamente sobre seu espírito quebrantado, dolorido, e oprimido (Lucas 4:18). Apocalipse 3:16 diz que os cristãos mornos serão expelidos do corpo de Cristo. Os verdadeiros cristãos são, de fato, chamados a seguir um caminho de extrema temperatura, aparentemente inconveniente e desconfortável. Jesus disse: “negue-se a si mesmo, tome sua cruz, e siga-me” (Mateus 16:24). Mas Ele também disse que Seu jugo é suave e o Seu fardo é leve (Mateus 11:30). Carregar uma cruz não é uma tarefa fácil, mas se torna mais fácil porque Cristo já carregou o fardo da morte por Seu povo. O que resta apenas fazer é aguentar problemas temporários enquanto continuamos na Terra, sendo nutridos e recebendo os cuidados dAquele que está no controle do Universo.

- Indiferença e auto-suficiência: A igreja em Laodicéia sofria de um quadro agudo de falta de percepção. Ela tinha uma ideia completamente distorcida e desconexa de quem ela realmente era. Jesus a alertou quanto a esse problema. Ela tinha a impressão de que estava cheia do Espírito, de que era espiritualmente rica, de que podia discernir todas as verdades espirituais, e de que estava vestida de justiça. Apesar de ter acesso à verdadeira mensagem do Evangelho, ela era na verdade cheia de si mesma, e portanto miserável, digna de compaixão, pobre, cega e nua (verso 17). Os membros não estavam obtendo sua riqueza diretamente de Jesus. Eles haviam substituído a rica mensagem de Deus pela versão genérica. Seu entendimento das escrituras não estava protegido com o colírio do Espírito Santo. E pensavam que podiam vestir a si mesmos com suas próprias opinões e doutrinas de conveniência. Tanto no contexto espiritual quanto no material, a igreja em Laodicéia sentia que de nada precisava (verso 17).

*** Apelo -> “Eu tenho o que você precisa; arrependa-se ao abrir para Mim a porta do seu coração” ***: A igreja estava tão cega, que não podia nem mesmo ver a sua própria condição deplorável. Jesus a estava chamando ao arrependimento. Mas não somente ela achava que não precisava mudar de rumo, mas também não sabia como se arrepender. Jesus teve que descrever para ela instruções passo a passo do que deveria fazer. Ela precisava olhar para Jesus para receber a verdade refinada pelo fogo. Ela precisava deixar que Ele a vestisse com o manto branco de justiça, lavado pelo sangue de Seu sacrifício. E ela precisava deixar que Jesus abrisse sua mente para que pudesse ver a vontade de Deus mais claramente. A maneira de conseguir todos esses mantimentos era simplesmente seguir Suas instruções. Cada pessoa estava sendo chamada a abrir a porta de seu coração, para que o “Próprio Eu” pudesse sair, e para que Jesus pudesse entrar.

Jesus usou uma palavra interessante quando disse que as pessoas precisavam, adquirir dEle o meio de salvação. Ele usou a palavra “comprar”. A palavra em Grego é agorazó, que significa comprar em um mercado, ou adquirir. Essa declaração de Jesus parece estranha, uma vez que sabemos que a graça de Deus é um presente sem custo para nós (Romanos 3:24; Romanos 5:15; Romanos 6:23). Como poderemos comprar dEle essas coisas? Será que não poderíamos simplesmente ganhá-las de presente? A resposta a essas perguntas vem nos versos em Apocalipse 3:19-20. Como Jesus já havia dito, não temos nada a oferecer. Nós somos miseráveis e destituídos de justiça. E é por isso que Ele diz, no verso 19, a razão pela qual Ele deixa que passemos por esse processo: é porque Ele nos ama. Ele está convidando Seu povo para ser zeloso e para se arrepender. Quando o arrependimento verdadeiro acontece, naturalmente paramos de viver a vida que vivíamos antes. Quando damos para Cristo o nosso “Velho Eu”, abrimos espaço para todos os bens que Jesus nos oferece. Jesus está nos chamando a parar de viver uma vida egocêntrica, e começar a viver uma vida Cristocêntrica.

*** Chamado para ouvir o Espírito -> O Espírito diz às Igrejas ***: A mensagem “Eu sou a única fonte de salvação, portanto arrependa-se e abra seu coração para Mim” é pra ser ouvida por todas as igrejas. Não existem desculpas para não atender a esse chamado. Veja as notas do estudo #14. Jesus está chamando a igreja para se tornar ciente de sua condição espiritual de miséria, pobreza, cegueira, e falta de justiça.

*** Promessa -> “Ao Vencedor” ***: Aquele que é vitorioso recebe uma promessa muito importante:

- Sentar com Jesus em Seu trono: Quando pensamos em um trono, a primeira coisa que vem à mente é a imagem de uma cadeira real da cultura ocidental. Na cultura do Oriente Próximo, o trono não era assim. Mais parecia com um sofá do que com uma cadeira. De qualquer forma, podemos simplesmente confiar na palavra de Jesus, e aceitar que haverá lugar alí para aqueles que vencerem. Da mesma maneira como Jesus se assentou com Seu Pai quando Ele venceu, nós também teremos nossa chance de nos assentarmos com Ele. Cristo irá elevar Seu povo a esse ponto, não porque existe algum mérito nas pessoas, mas porque Ele as ama. O cumprimento dessa promessa pode ser visto em Apocalipse 20:4.

*** Visão da História da igreja e aplicação profética ***: Laodicéia é a última igreja das sete. Isso significa que não haverá nenhum outro período profético na história desse mundo entre este e a volta de Cristo. A visão profética dessa igreja se encaixa no período antes da volta de Cristo. Ela representa o povo de Deus vivendo nos últimos dias desse planeta. Como nunca antes na história, o povo nos últimos dias está sendo bombardeado com a cultura que eleva o Próprio Eu: “a solução dos problemas pode ser encontrada dentro de você”; “acredite em você mesmo”; “continue em sua própria jornada”; “você consegue”. Ao mesmo tempo, a importância de Cristo está sendo diminuída e Ele está sendo empurrado para fora de cena. Agindo assim, a sociedade pensa que vai poder acomodar a diversidade cultural e permanecer politicamente correta. As filosofias no mundo hoje aparentam ser muito boas, e aparentam estar preocupadas com o bem-estar de uma sociedade globalizada. Mas não podemos nos deixar enganar. Colossenses 2:8 diz: “Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo.” Os desafios que os cristãos enfrentam hoje são diferentes daqueles presentes nos períodos proféticos anteriores. É muito mais difícil vencer um problema que você nem sabe que tem. Assim como na igreja em Laodicéia, no primeiro século, Cristo está nos chamando hoje, Sua igreja no tempo do fim, para vir para Ele, e deixar que Ele nos mostre o que realmente precisamos.

*** Visão geral ***: Mais uma vez, vemos as realidades contrastantes sendo mencionadas nessa carta. Mas, dessa vez, o contraste não é primariamente entre o mundo e a igreja. É entre a ideia que a igreja tem de si mesma, e a opinião que Cristo tem da igreja. Esses dois conceitos são completamente opostos um ao outro. Jesus não mencionou a divisão na igreja. Ele não mencionou nenhum grupo herético, ou algum pecado específico prevalente entre os membros. Também não disse nenhuma palavra a respeito de perseguição. Isso não quer dizer que essas coisas não estavam presentes. O ângulo que Cristo usou na carta mostra que Jesus dá prioridade à salvação desse grupo de pessoas que nem está ciente da condição miserável em que se encontra. Não haverá dúvida nenhuma sobre como essas pessoas serão salvas. Não tem como elas serem salvas através de suas boas obras, ou seus próprios méritos. Elas não têm nenhum. Somente através da graça de Deus é que poderão ser salvas. Somente quando aceitamos as vestes da salvação, podemos nos apresentar diante de Deus, como seres puros e completos, dignos de nos assentarmos em Seu trono. O presente da salvação é gratuito, no sentido que não existe nada que possamos adicionar à oferta perfeita de Cristo. Mas, para podermos receber esse presente, precisamos fazer uma escolha: nos render ao mundo, ou vencê-lo. Podemos dar a Cristo o nada que somos, e recebermos tudo em troca; ou podemos manter nossa crença em nós mesmos, nos prendermos à ideia de que podemos ter tudo do jeito que queremos, e assim deixar de receber todas as promessas que Jesus fez ao vencedor. Vivemos hoje no período profético de Laodocéia. Nós somos essa igreja. Mas somos também o foco do infinito amor de Cristo. Há esperança. E Jesus está aguardando o momento em que iremos abrir o coração e deixar que Ele entre.

14 Ao anjo da igreja em Laodicéia escreva: Estas são as palavras do Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o soberano da criação de Deus.

15 Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente!

16 Assim, porque você é morno, nem frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca.

17 Você diz: Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada. Não reconhece, porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre, cego e que está nu.

18 Dou-lhe este aconselho: Compre de mim ouro refinado no fogo e você se tornará rico; compre roupas brancas e vista-se para cobrir a sua vergonhosa nudez; e compre colírio para ungir os seus olhos e poder enxergar.

19 Repreendo e disciplino aqueles que eu amo. Por isso, seja diligente e arrependa-se.

20 Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo.

21 Ao vencedor darei o direito de sentar-se comigo em meu trono, assim como eu também venci e sentei-me com meu Pai em seu trono.

23 Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.

 

PARTE 1

 

*** História ***: Laodicéia estava localizada a um pouco mais de 72 km ao sudoeste de Filadélfia, e a um pouco mais de 64 km a leste de Éfeso (algumas fontes falam em 160 km). Ela ficava bem perto de Colosso, a cerca de 16 km de distância. Hoje, as ruínas ficam próximas à vila de Eskihisar, no distrito de Denzili, na Turquia. Ela teve alguns outros nomes antes de ter o nome mudado para Laodicéia durante o reinado de Antiochus II Teos (261-243 AC). Ele mudou o nome em homenagem a sua esposa Laodice. O significado do nome Laodicéia vem do Grego laos (povo) e dike (justo, direito, relacionado a julgamento). Em 188 AC, a cidade foi dominada pelo rei de Pérgamo, e em 133 AC, passou para os Romanos. Sob o regime do Império Romano, a cidade floresceu e se tornou um dos centros comerciais mais importantes da Ásia Menor. Ela estava estrategicamente localizada na rota comercial. Laodicéia recebeu de Roma o título de Cidade Livre. Durante o reino de Antioco III o Grande (222-187 AC), cerca de 2.000 famílias judias foram transportadas de Babilônia para a Frígia. E por isso, muitos dos habitantes em Laodicéia eram Judeus. Acredita-se que os Judeus costumavam mandar ouro anualmente de Laodicéia para o templo em Jerusalém.

A cidade era muito bonita, e até hoje, as ruínas refletem uma cidade vibrante da antiguidade. Laodicéia tinha um estádio, ginásio, teatros, casas de banho, senado (bouleuterion), templos, e um sarcófago. Sua riqueza contribuiu para o avanço da ciência e literatura. Laodicéia era também famosa pela sua escola de medicina, especialmente porque oferecia tratamento para problema dos olhos, através do colírio que eles preparavam ali. Laodicéia era também conhecida pela manufatura de lã preta, e também por suas intituições financeiras. Já existia um sistema bancário naquele tempo! A cidade era tão rica, que eles cunhavam a própria moeda. A inscrição nessas moedas nos diz que o povo em Laodicéia adorava a Zeus, Aclépio, Apolo, e os imperadores. No ano 60 DC, houve um grande terremoto que destruiu a cidade. Os cidadãos recusaram os fundos enviados pelo Império para a restauração, e decidiram pagar a reconstrução, do próprio bolso. Eles sentiam que não precisavam de nenhuma ajuda externa.

Possivelmente uma das coisas mais interessantes sobre Laodicéia, era o sistema de aquedutos da cidade. A água vinha de Hierápolis, de uma fonte de água quente na região. Criaram um jeito engenhoso de transportar a água quente até alguns tanques, para dalí fazerem a distribuição pela cidade. Esse processo tinha dois problemas. Primeiro, a água era rica em minérios, e segundo, a água tinha que ser transportada por pelo menos 9,5 km. Quando a água chegava em Laodicéia, já não estava mais quente. Também não estava totalmente fria. A água chegava morna. Essa água tépida era boa para tomar banho, mas não servia para consumo humano. Ela não era fresca o bastante para beber, e não era quente o suficiente para uso medicinal.

*** Visão Bíblica ***: Laodicéia não somente é mencionada em Apocalipse, mas também é mencionada quatro vezes no livro de Colossenses (Colossenses 2:1; Colossenses 4:13; e Colossenses 4:15-16). Na carta de Paulo para a igreja de Colosso, ele expressou sua preocupação com a igreja ali, e também com a de Laodicéia. Ele se importava profundamente com as igrejas vizinhas de Laodicéia, Hierápolis, e Colosso. Paulo menciona uma carta à Laodicéia que nós não temos hoje, e encorajou tanto os colossenses quanto aos laodiceanos, a lerem as epístolas uma da outra (Colossenses 4:16).

O começo da carta aos Colossenses nos lembra o começo da carta a Laodicéia em Apocalipse: “Ele [Jesus] é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste. […] Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude, e por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra quanto as que estão no céu, estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz.” (Colossenses 1:15-20)

Na carta aos Colossenses, Paulo diz que Jesus é o centro de todas as coisas criadas. Tudo foi criado por Ele e para Ele, não somente na Terra, como também no Céu. Esse texto deixa claro que os seres humanos não estão no mesmo patamar que Jesus e o Pai. Nosso próprio estado de seres criados não pode nem ser comparado à perfeita junção e unidade que Jesus sendo Deus, tem com o Pai.

Laodicéia tinha um problema muito sério de acordo com a avaliação de Jesus: os membros da igreja não tinham necessidade de nada (Apocalipse 3:17). Eles eram auto-suficientes. Esse modo de pensar carrega em si um obstáculo muito grande. É muito mais difícil fazer com que as pessoas compreendam a necessidade de ter um Salvador, quando elas não precisam de nada além delas mesmas e de suas posses. Os membros estavam procurando preencher suas necessidades físicas e materiais sem incluir Jesus. Era como se eles merecessem bênçãos materiais baseadas em seus próprios méritos ou tamanho da sua contribuição monetária. O “Eu”, e o “Meu” haviam se tornado o centro de tudo, e Cristo foi colocado pra fora da cena. Como lemos em Apocalipse 3:20, Jesus estava do lado de fora, batendo à uma porta fechada. Mais uma vez, vemos o problema do “Próprio Eu”, que não pára de crescer. A primeira igreja, em Éfeso, havia começado a perder o amor a Deus. Em cada uma das cinco “não tão boas igrejas”, o amor ao Próprio Eu começou a crescer mais e mais. O problema se tornou tão sério na igreja em Sardes, que ela se tornou uma igreja morta. Laodicéia, então, conseguiu bater o recorde, e se tornou ainda pior do que a igreja morta. E mesmo assim, não estava ciente de sua própria condição.

Podemos ver que a atitude dessa igreja era exatamente o oposto do que João Batista havia pregado: “É necessário que Ele cresça e eu diminua.” (João 3:30). Laodicéia havia trocado o Evangelho centralizado em Cristo por uma mensagem focalizada no Próprio Eu. A necessidade egoísta de “crescer” tende a se fortalecer com o tempo. A elevação do Prórprio Eu ao status de divindade é o conceito demoníaco mais antigo que existe. Funcionou com a Eva. Ela foi tentada com a ideia de que ela seria como Deus, se ela comesse da fruta proibida (Gênesis 3:5).

A bem da verdade é que, nem mesmo no último dia, quando formos transformados em seres perfeitos, seremos como Deus. A igreja de Laodicéia estava se concentrando nas coisas materiais, enquanto empurrava Jesus pela porta afora. Eles estavam se sentindo no direito de se colocarem no mesmo nível que Deus, baseados no seu próprio mérito. Eles tinham seu próprio ouro, suas próprias vestes, seu próprio colírio. Todos estes eram símbolos falsificados de um relacionamento com Cristo. Não importa quão bons nós somos, Jesus é o único que pode nos salvar da nossa própria miséria, nudez, e cegueira. E a essa igreja, Jesus oferece a maior bênção de todas. Essa bênção surpreendente não parece combinar com o estado lamentável da igreja. Sentar no trono de Deus é um privilégio que vai além da imaginação de qualquer um. Jesus não está pedindo que nos tornemos um deus para que possamos merecer essa honra incomparável. Ele apenas nos pede para deixarmos que Ele entre em nossa vida. A verdade é que nós não merecemos nada além da morte. Mas, através do sangue de Jesus, Ele nos torna dignos de nos assentarmos com Ele.

*** Visão Geral ***: A igreja em Laodicéia é uma igreja terrível. É egocêntrica, egoísta, e materialista. Mas aquele que vence essa miserável condição de mornidão, irá receber uma bênção além de qualquer medida. Esse ato de arrependimento parece quase impossível de se conseguir, principalmente porque a igreja não tem a menor ideia do quanto ela necessita espiritualmente. Somente pela graça de Jesus Cristo é que essa igreja pode vencer essa realidade adversa. Isso vai mostrar ao mundo claramente, que não há mérito nenhum no vencedor. Jamais poderia haver algum mérito no vencedor, baseado na descrição da igreja contida nessa carta. Nada que podemos fazer por nós mesmos pode mudar nossa natureza para que passemos a ser levemente semelhantes àquele que é digno de se sentar no trono de Deus. Um caráter perfeito assim, somente pode ser desenvolvido através de um relacionamento diário com Cristo. Fé em nós mesmos, em nossa própria “justiça”, e em nosso conhecimento limitado, não chega nem aos pés dos presentes que Deus pode nos oferecer quando estamos conectados com Ele. As coisas que nós podemos trazer para esse relacionamento são como “trapos de imundice” (Isaías 64:6). “Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida juntamente com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões — pela graça vocês são salvos. Deus nos ressuscitou com Cristo e com ele nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus, para mostrar, nas eras que hão de vir, a incomparável riqueza de sua graça, demonstrada em sua bondade para conosco em Cristo Jesus. Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2:4-9). Para a igreja que atingiu o fundo do poço espiritual, Jesus prometeu a maior demonstração de graça e misericórdia. A igreja pode experimentar do poder transformador do Seu Amor. Aqueles que estiverem dispostos, serão elevados à maior posição do Universo. Eles se assentarão com o Pai, em Seu trono, não porque são como Deus, mas porque eles eles abriram seu coração para que Cristo pudesse entrar.

   
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