7 E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação.

8 E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.

9 Se alguém tem ouvidos, ouça.

10 Se alguém leva em cativeiro, em cativeiro irá; se alguém matar à espada, necessário é que à espada seja morto. Aqui está a paciência e a fé dos santos.

 

PARTE 6

 

*** Guerra contra os santos ***: No estudo anterior, aprendemos que as atividades blasfemas da besta são extensas. A besta que saiu do mar deseja ter na terra, autoridade semelhante a de Deus. Ela afirma ter o poder de mudar a lei de Deus, de mudar a forma como as pessoas compreendem quem Deus é, de impedir que as pessoas se conectem diretamente a Deus, e de decidir o destino das pessoas. Esse poder sobre os santos é destacado em Apocalipse 13:6 como blasfêmias da besta contra o povo de Deus, “os que habitam no céu”. Essa frase é uma boa ponte para versículo 7. O próprio dragão estava se preparando para guerrear contra o restante do povo fiel (Apocalipse 12:17), e agora a besta do mar se juntou ao dragão neste esforço, demonstrando ainda mais a sua aliança. Seu objetivo: derrotar as pessoas (Apocalipse 13:7). E assim, durante os quarenta e dois meses proféticos (1.260 anos literais durante a Idade Média), o povo de Deus foi oprimido e sofreu tremendamente nas mãos dos poderes político-religiosos da época (veja os estudos #16, #20, #68, #71, #72, #80 e #85).

*** Poder sobre todas as tribos, línguas e nações ***: Sabemos que o dragão tinha dado poder à besta que saiu do mar (Apocalipse 13:2), mas no verso 7 lemos a respeito de quão longe esse poder se estende. A besta que saiu do mar recebeu poder “sobre todas as tribos, línguas e nações.” (Apocalipse 13:7). O dragão quer que a besta do mar passe a competir pelo mesmo território reivindicado por Cristo. Quando estudamos a entronização de Cristo, em Apocalipse 5, vimos como os seres celestiais estavam louvando a Jesus porque Ele havia redimido os seres humanos através da Sua morte na cruz e tornado a salvação disponível para “toda tribo, e língua, e povo e nação” (Apocalipse 5:9). Essa mensagem de salvação deve ser pregada “aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo” (Apocalipse 14:6). Quando vemos essa comparação, podemos compreender a verdadeira natureza da missão da besta que saiu do mar: conquistar o território de Jesus com uma mensagem diferente - uma mensagem concorrente. Devemos ter em mente, em vista dessa grande área de atuação, que a besta pode usar diferentes meios para influenciar as pessoas a afastá-las da verdade. Muito do que é dito a respeito do trabalho da besta envolve aqueles que professam ser cristãos, mas a besta também recebeu domínio sobre aqueles que não pertencem à fé cristã. Nem todas as nações do mundo são cristãs, e o verso diz que a besta recebeu poder sobre todas as nações. Existem muitas maneiras de enganar as pessoas. E a besta, juntamente com o dragão estão trabalhando para manter tantas pessoas quanto possível, longe da verdade a respeito de Deus.

*** E todos os que habitam sobre a terra adoraram a besta ***: Apocalipse 13:3-4 nos diz que quando o ferimento mortal sarar completamente, o povo da terra adorará a besta que saiu do mar e ao dragão. Em Apocalipse 13:8, no entanto, vemos a esperança que neutraliza o tamanho assustador do campo de operação da besta. Mesmo que a besta esteja trabalhando para enganar a todos no planeta, apenas aqueles cujos nomes não estão escritos no livro da vida de Jesus irão cair nos truques da besta e adorar a besta e o dragão. Aqueles que acreditam em Jesus e aceitam a verdade inalterada de Deus serão incluídos no livro da vida de Jesus. De acordo com o Salmo 69:28, esse livro é onde os nomes das pessoas justas são escritos. Cabe a cada um de nós escolher se queremos ou não, ter o nome removidos desse livro. A Bíblia diz que “E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro.” (Apocalipse 22:19). Em outras palavras, se alguém pregar uma mensagem que é contrária ao que está contido na Bíblia, Deus irá remover seu nome do livro da vida. É dessa forma, com muita seriedade, que Deus leva em consideração o nosso livre arbítrio. Somos livres para escolher se queremos ou não ser incluídos no livro de Deus. Ao escolhermos adorar a Deus e amá-Lo de verdade, então, estamos assim escolhendo fazer parte do Seu livro. Se, porém, optarmos por adorar e seguir a besta, então, estaremos com isso, solicitando que nossos nomes sejam removidos do livro da Vida.

Note que há algo especial a respeito do livro da vida. Ele pertence ao “Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.” (Apocalipse 13:8). Isto é importante porque torna claro que nós dependemos de Jesus a fim de sermos salvos. Ninguém mais tem o poder de conceder salvação às pessoas. Somente o sacrifício de Jesus tem poder para nos salvar, e Ele deu a Sua vida sem nenhum custo para nós. Não há nada que possamos fazer ou adicionar ao sacrifício de Jesus que poderia aumentar nossas chances de salvação. Tudo o que tinha que ser feito já foi feito. Ele está oferecendo seu trabalho, sua vida, sua morte e sua ressurreição em troca da nossa aceitação do Seu sacrifício. Não existem trabalhos extras que poderíamos fazer que ajudariam a completar Sua graça salvadora. Sua graça já é perfeita e completa. Tudo o que temos a fazer é dizer sim e segui-Lo. Quaisquer boas obras que fizermos depois do nosso encontro com Cristo serão uma consequência dos Seus poderes de transformação em nossas vidas. Não há necessidade de oferecermos a Ele nossas penitências em troca de perdão ou salvação. A Bíblia diz: “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” (Romanos 5:8). “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16). Deus já tinha um plano de salvação estabelecido desde a fundação da terra. Os seres humanos nem haviam ainda feito nenhum trabalho, bom ou mau, quando Jesus decidiu que iria oferecer Sua própria vida por nós. Isso nos mostra quão profundo é o Seu amor.

*** Você está prestando atenção? ***: Aqui está um chamado muito semelhante ao que vimos nas sete cartas às sete igrejas em Apocalipse 2-3: “Se alguém tem ouvidos, ouça” (Apocalipse 13:9). Jesus está nos chamando para prestar muita atenção na mensagem que Ele está enviando ao seu povo. A mensagem não é sobre como devemos ter medo da besta, do dragão, ou do seu poder. O ponto principal não é o que a besta pode fazer contra nós, mas o que Deus vai fazer com a besta e o dragão no final. A opressão e perseguição contra o povo fiel de Deus são temporárias, mas a destruição de Satanás e de seus aliados é certa e permanente. Apocalipse 13:9 é um chamado para prestar atenção na mensagem no verso 10, que se refere ao sofrimento mencionado nos versículos anteriores: “Se alguém é para o cativeiro, para o cativeiro vai: se alguém matar à espada, é necessário que seja morto à espada. Aqui está a perseverança e a fé dos santos.” (Apocalipse 13:10, Sociedade Bíblica Britânica)

- "Se alguém é para o cativeiro, para o cativeiro vai": Esta declaração é direcionada aos fiéis de Deus. O verso nos lembra do que Jesus disse: “Mas importa que o evangelho seja primeiramente pregado entre todas as nações. Quando, pois, vos conduzirem e vos entregarem, não estejais solícitos de antemão pelo que haveis de dizer, nem premediteis; mas, o que vos for dado naquela hora, isso falai, porque não sois vós os que falais, mas o Espírito Santo. E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai ao filho; e levantar-se-ão os filhos contra os pais, e os farão morrer. E sereis odiados por todos por amor do meu nome; mas quem perseverar até ao fim, esse será salvo.“ (Marcos 13:10-13). Também somos lembrados de Apocalipse 12:11: “E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até à morte.” Nós não devemos nos surpreender se formos confrontados com sofrimento, perseguição, ou até mesmo morte por causa da nossa decisão de ir contra qualquer coisa diferente do que Deus nos ordenou na Bíblia. Se, a fim de permanecermos fiéis tivermos que enfrentar o cativeiro, então será preferível enfrentar a prisão do que abandonar os princípios de Deus.

- “Se alguém matar à espada, necessário é que à espada seja morto": Esta declaração é direcionada aos perseguidores e destaca como será o seu fim: a morte. Esta tradução é encontrada nas versões da Bíblia como King James, Almeida Corrigida e Revisada Fiel, com base no Códice Sinaiticus do 4º século. Algumas outras traduções da Bíblia incluem a segunda declaração no mesmo formato da primeira, como se fosse dirigida ao povo de Deus: “Se alguém há de ser morto à espada, à espada haverá de ser morto” (NVI). Essas traduções são baseadas em outros manuscritos como o Códice Alexandrino do século 5, e estão incluídos em versões como a Nova Versão Internacional, entre outras. A tradução baseada no Códice Sinaiticus parece corresponder mais de perto às palavras de Jesus em Mateus 26:52: “Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão.” Jeremias 15:1-2 e Jeremias 43:11 trazem um aviso semelhante ao povo apóstata e aos opressores do povo de Deus. Com base nesses outros versículos da Bíblia, podemos entender que, mais provavelmente, a segunda declaração em Apocalipse 13:10 é dirigida àqueles que estão perseguindo povo fiel de Deus; àqueles que trazem o cativeiro e a morte. Seu fim é certo, e foi determinado por Deus. Deus trará um fim à injustiça e ao mal.

- “Aqui está a paciência e a fé dos santos”: O povo de Deus não é chamado para pegar a espada e revidar com luta. Os fiéis são chamados a suportar as provações e perseguições. Eles estão sendo chamados a ter fé e a confiar que Deus está no controle. Mesmo que se encontrem do outro lado da espada da besta, os filhos de Deus são chamados a confiar na espada de Deus, a espada que sai da boca de Jesus (Apocalipse 1:16). Sua espada é a Sua verdade, contida na Bíblia. A verdade sai da Sua boca, não sai da boca de homens que procuram mudar a mensagem, a fim de adequá-la a seus próprios propósitos. Cristo nos chama a perseverar até o fim: “mas quem perseverar até ao fim, esse será salvo.” (Marcos 13:13). Somos capazes de suportar não porque haja qualquer força em nós mesmos, mas porque há força na Palavra de Deus, e porque aqueles que suportam têm fé: “Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.” (Apocalipse 14:12).

*** Quebrando a Lei de Deus ***: A besta que saiu do mar recebeu um poder muito vasto. Poder para enganar o mundo inteiro. Não apenas aqueles que professam ser cristãos e podem ser contaminados por mensagens alteradas. A besta tem o objetivo de enganar o mundo inteiro, dentro e fora da igreja, através de qualquer meio necessário. A besta que saiu do mar está buscando culto e uma posição equivalente à Deus. Este comportamento vai diretamente contra o 1º e 2º mandamentos de Deus (Êxodo 20:1-6), que dizem que não devemos ter outros deuses além do Deus no céu, e que não devemos criar ou servir a outros deuses. Como a besta prega doutrinas falsas para o mundo, deturpando o caráter de Deus, a besta também está quebrando o 3º mandamento (Êxodo 20:7), que diz que não devemos tomar o nome de Deus em vão. A Bíblia diz que o poder político-religioso do tempo do fim iria procurar “mudar os tempos e a lei” (Daniel * 7:25), e o quarto mandamento (Êxodo 20: 8-11) é o único dos dez que tem a ver com tempo. O verso fala sobre o momento especial que o próprio Deus escolheu como Seu santo dia e como um memorial para a conexão que Ele estabeleceu com Seu povo. O quarto mandamento começa dizendo “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus [...]” (Êxodo 20: 8-10). A Bíblia nos ensina a guardar o sétimo dia. O próprio Jesus guardou o sétimo dia (Lucas 4:16; Mateus 12: 8). Como seguidores de Cristo, não deveríamos também fazer o mesmo? Os cristãos do primeiro século guardavam o sábado (Lucas 23: 52-56; Atos 13:42,44; Atos 15:21; Atos 16:13; Atos 17: 2-3; Atos 18: 4). Paulo nos adverte contra a desobediência ao quarto mandamento e nos convida para entrar no descanso de Deus: “Assim, ainda resta um descanso sabático para o povo de Deus; pois todo aquele que entra no descanso de Deus, também descansa das suas obras, como Deus descansou das suas. Portanto, esforcemo-nos por entrar nesse descanso, para que ninguém venha a cair, seguindo aquele exemplo de desobediência.” (Hebreus 4:9-11, NVI).

Ao escolherem ir diretamente contra as instruções do Pai Celeste, Satanás e seus agentes estão quebrando o 5º mandamento (Êxodo 20:12), que requer obediência aos pais. Apocalipse 13:7 nos diz que a besta e o dragão estão travando uma guerra contra o povo de Deus. Eles querem evitar que as pessoas recebam a vida eterna. Através de perseguição, prisão e até mesmo morte, o dragão e a besta fazem tudo o que podem para manter as pessoas afastadas do Doador da Vida. Ao fazerem isso, eles quebram o 6º mandamento (Êxodo 20:13), que diz: “Não matarás”. Jesus disse que Satanás foi um “homicida desde o princípio” (João 8:44). Satanás quer fazer a Igreja se afastar de seu Noivo, Jesus Cristo, e quer fazer com que ela escolha traí-Lo ao acreditar nos falsos ensinamentos do dragão. Essa associação entre Satanás e a Igreja tem a intenção de quebrar o 7º mandamento (Êxodo 20:14), que adverte contra o adultério. O dragão pretende roubar a noiva de Deus e mantê-la para si mesmo. Não porque ele ama a noiva, mas porque ele odeia a Deus. Satanás está em busca de vingança contra Deus ao tentar tirar a Igreja das mãos de Deus. Nesse processo, ele quebra o 8º mandamento (20:15), que diz “Não furtarás”.

Além disso, o dragão, e agora também a besta, vêm espalhando mentiras sobre o caráter de Deus desde o princípio! Jesus chamou Satanás de o pai da mentira (João 8:44). Os falsos ensinos que saem da sua boca são a sua arma mais forte nesta guerra espiritual. O 9º mandamento (Êxodo 20:16) nos adverte contra esse comportamento. Devemos procurar ser como o Pai Celestial e não como o pai da mentira. Toda essa rebelião contra Deus começou porque Satanás desejou ascender acima das estrelas de Deus e ser semelhante ao Altíssimo (Isaías 14:13-14). Satanás cobiçou a casa de Deus, Sua noiva, Seus servos e Seus pertences. Satanás colocou a si próprio no centro de sua vida e acabou esquecendo seu propósito como anjo e ser criado. Ao fazer isso, ele acabou quebrando o 10º mandamento (Êxodo 20:17), que nos adverte contra a cobiça daquilo que não nos pertence. Ao dragão e seus agentes seguirem quebrando cada um dos mandamentos de Deus, eles trabalham para induzir as pessoas a imitarem seu exemplo. Isso acontece porque o quebrar da Lei envia uma mensagem clara. Uma mensagem sobre a falta de amor a Deus. Lembre-se do que Jesus disse: “Se me amais, guardai os meus mandamentos.” (João 14:15).

*** Visão Geral ***: O poder da besta que saiu do mar está nos chamando para não guardarmos os mandamentos de Deus, mas Jesus está nos chamando para seguirmos a Deus. Jesus nos advertiu: quem escolher seguir a Cristo seria odiado, rejeitado e perseguido, assim como Ele foi. As pessoas vão nos odiar e nos rejeitar quando pregarmos a mensagem inalterada da Bíblia. A besta que saiu do mar é quem está enganando as pessoas, fazendo com que pensem que os mandamentos de Deus são uma coisa do passado ou que acreditem que eles foram alterados. É verdade, nós não somos salvos pela lei, somos salvos pela graça através da fé (Efésios 2:8). Mas os mandamentos são importantes porque eles são como a luz do motor no painel de um carro, que acende quando há um problema e informa o motorista que ele precisa levar o carro ao mecânico. A luz de nosso motor espiritual nos diz que temos que buscar o único que pode nos consertar, que pode nos perdoar. Você consideraria reparar seu problema do motor removendo a luz do painel do carro? Não, nunca. Se optarmos por ignorar a nossa luz do motor, então não teremos como saber que precisamos do nosso Salvador Jesus Cristo. Assim como a luz no painel não pode corrigir o problema no carro ou evitar que o motor se quebre, os Dez Mandamentos não têm poder para livrar o pecador do pecado. Só Jesus pode fazer isso. O que a besta e o dragão mais gostariam é que todas as pessoas rejeitassem e ignorassem a luz que Deus deu aos Seus filhos. O objetivo do dragão é evitar que o mundo inteiro busque o perdão de Deus por seus pecados. E essa é a guerra que a besta que saiu do mar e o dragão estão travando contra todas as nações. Ao quebrarem os mandamentos de Deus, eles enganam as pessoas para que passem a quebrá-los também. Não podemos esquecer como a Bíblia descreve os fiéis do tempo do fim: eles são “os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo” (Apocalipse 12:17). No Novo Testamento, Paulo descreveu a lei de Deus como santa, justa e boa (Romanos 7:12). Aqui está o que Jesus disse sobre a lei de Deus: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir.” (Mateus 5:17). “Se me amais, guardai os meus mandamentos.” (João 14:15). “do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor.” (João 15:10). “Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido.” (Mateus 5:18).

3 Também vi uma de suas cabeças como se fora ferida de morte, mas a sua ferida mortal foi curada. Toda a terra se maravilhou, seguindo a besta,

4 e adoraram o dragão, porque deu à besta a sua autoridade; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? quem poderá batalhar contra ela?

5 Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias; e deu-se-lhe autoridade para atuar por quarenta e dois meses.

6 E abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome e do seu tabernáculo e dos que habitam no céu.
(versão: Almeida Corrigida e Revisada Fiel)

 

PARTE 5


*** Contexto Geral ***: Até agora, vimos que João descreveu a besta que sai do mar em muitos detalhes. Ele descreveu suas origens, seus poderes e suas atividades. Vimos como a descrição dessa besta em Apocalipse 13:1-2 está intimamente relacionada com a descrição dos poderes político-religiosos descritos em Daniel * 7 e Daniel * 8 (veja os estudos #86, #87 e #88 ). Antes de prosseguirmos para Apocalipse 12:3, precisamos ter uma compreensão muito clara dos componentes que formam a besta que sai do mar e como tudo isso está relacionado com as visões de Daniel.

Na visão de Daniel descrita em Daniel * 7, ele viu 4 animais. Juntos, os quatro animais tinham um total de sete cabeças (Daniel * 7:4-7): 1 cabeça de leão, 1 cabeça de urso, 4 cabeças de leopardo e 1 cabeça da quarta besta (assumimos uma cabeça porque o verso menciona que a besta tinha dentes). O animal de Apocalipse 13:1 também tem 7 cabeças, assim como o dragão vermelho (Apocalipse 12:3). Em Daniel * 7, as cabeças representam reinos (Daniel * 7:17,23). Em Apocalipse 13, aprendemos um significado ainda mais profundo para essas sete cabeças-reinos: elas representam as atividades satânicas ao longo da história (veja o estudo #86). A Bíblia nos diz que o primeiro animal de Daniel * 7 é Babilônia, o segundo é a Medo-Pérsia, o terceiro é a Grécia e o quarto reino é Roma.

O quarto animal em Daniel * 7 tem dez chifres, assim como o dragão e a besta que sai do mar. Os chifres são dez reis que surgiriam da quarta besta. Em outras palavras, dez nações divididas surgiriam logo após a queda do Império Romano. Daniel * 7:8 nos diz que um poder diferente emergiria do Império Romano (que é o quarto animal). Esse poder estava representado por um pequeno chifre. Este pequeno chifre é novamente mencionado em Daniel * 8:9-12. No estudo #86, incluímos uma tabela comparando as bestas descritas em Daniel e Apocalipse. Nós vimos como a besta que sai do mar em Apocalipse 13 alinha perfeitamente com o poder do pequeno chifre em Daniel * 8:9-12. Com isso em mente, devemos separar os dois poderes apresentados em Daniel * 7:7-8. O quarto animal é um poder e o pequeno chifre é outro poder. O pequeno chifre saiu da quarta besta. Em outras palavras, o Império Romano é o quarto animal de Daniel * 7 e, do Império Romano, saiu esse outro poder, mencionado como o pequeno chifre. Quando este outro poder se levantou, ele destruiu três reinos existentes (que faziam parte das dez nações que surgiram após a queda de Roma). O pequeno chifre tem olhos como um homem e uma boca que fala com arrogância (Daniel * 7:8). A besta do mar também tem uma boca. Sua boca se parece com uma boca de leão, e como vimos no estudo #89, a boca do leão é uma boca orgulhosa que não rende glória a Deus. A besta que sai do mar aparenta ser o pequeno chifre em Daniel * 7:8, mas descrita em mais detalhes.

*** Cabeça ferida ***: Devemos ter cuidado para não misturarmos as sete cabeças e os dez chifres. Eles representam diferentes aspectos dos poderes da besta. As cabeças são as atividades satânicas executadas pelos chifres (veja o estudo #86). Apocalipse 13:3 começa descrevendo que João viu uma das cabeças sendo mortalmente ferida. Foi ferida por uma espada (Apocalipse 13:14). Note que uma das cabeças da besta que saiu do mar morreu. Ela recebeu uma ferida mortal (Apocalipse 13:3). A morte desta cabeça indica que a besta, a partir daquele ponto, já não estava mais executando suas atividades da mesma forma que antes. Mas a ferida começou a sarar. A Bíblia nos diz que um dia essa ferida será completamente curada (Apocalipse 13:3, 12, 14). Quando isso acontecer, o mundo irá testemunhar as atividades da besta ganharem vida, e voltarem a ser tão fortes e ativas quanto eram antes da ferida mortal. Esta cena é a tentativa de Satanás de imitar o que aconteceu com Jesus, que morreu e ressuscitou. Quando Jesus ressuscitou, Ele ascendeu ao céu, onde os seres celestiais estavam ao redor do trono adorando o Pai. Uma vez que Jesus se assentou no trono com o Pai, ele continuou a exercer Sua plena autoridade no Céu e seu poder sobre a Terra. O Universo se maravilhou diante do Cordeiro que foi morto e O adorou (Apocalipse 5). Preste atenção na ordem em que os eventos acontecem. A mesma ordem é descrita em Apocalipse 13. Uma vez que a ferida sarou, "toda a terra se maravilhou, seguindo a besta" (Apocalipse 13:3), e adoraram o dragão, e então adoraram a besta. Quando estudarmos Apocalipse 17, veremos qual das sete cabeças foi mortalmente ferida.

*** Adorando o dragão e o animal ***: As pessoas que se maravilharam com a cura da ferida mortal da besta, se sentiram compelidas a adorar o dragão e a besta. Eles adoraram a besta que saiu do mar dizendo: “Quem é semelhante à besta? quem poderá batalhar contra ela?” (Apocalipse 13:4). Aqui temos duas perguntas. A primeira pergunta, “quem é como a besta”, nos faz pensar que queriam dizer que ninguém mais, além do próprio dragão, é como a besta. A pergunta “Quem é como a besta” é também um contraponto ao título de Jesus quando Ele lutou contra o dragão durante a guerra no céu. A Bíblia nos diz que Miguel e seus anjos lutaram contra o dragão e seus anjos (Apocalipse 12:7). O nome Miguel significa “Quem é como Deus”. Nós também vemos a pergunta “quem é como Deus” no Antigo Testamento (Êxodo 15:11; Salmo 35:10; Miquéias 7:18). Satanás está tentando imitar todos os aspectos da Trindade. A segunda pergunta é “quem poderá batalhar contra ela”. Mais uma vez, a resposta implícita a esta pergunta é ‘ninguém’. A cena da guerra no céu vem facilmente à mente. Satanás é aquele que se rebelou contra Deus. Como vimos antes, Apocalipse 12:7 diz que o único que é como Deus lutou contra o dragão. Então, os verdadeiros seguidores de Deus sabem que Jesus é quem defende o Seu povo, mas os povos da terra foram enganados e levados a pensar que ninguém pode ir contra a besta que sai do mar. Nem mesmo o próprio Deus.

*** A besta fala blasfêmias ***: Assim como o pequeno chifre em Daniel * 7, a besta que sai do mar tem uma boca que fala com arrogância. Através de suas proclamações, a besta não apenas se exalta, mas também fala blasfêmias. Em nossos estudos #87 e #89, aprendemos que a blasfêmia ocorre quando alguém se faz igual a Deus e atribui a si mesmo poderes que pertencem somente a Deus, tais como: mudar a lei de Deus (Daniel * 7:25) e perdoar pecados (Lucas 5:20-24). A besta que sai do mar está anunciando ao mundo seus próprios poderes de mudar a lei de Deus e de perdoar pecados. A besta que sai do mar é um poder religioso com influência política que afirma ter poderes que, na realidade, pertencem apenas a Deus. Esse poder religioso, o chifre pequeno, como a Bíblia diz em Daniel * 7, surgiu durante o tempo do Império Romano. Apocalipse 13:5 revela que esse poder religioso-político continua a exercer seu poder inquestionável por um período profético de quarenta e dois meses. Já vimos em muitos estudos diferentes que esse período ocorre durante a Idade Média e é um período literal de 1260 anos (veja estudos #16, #20, #68, #71, #72, #80 e #85) . Essa é a mesma quantidade de tempo que Daniel * 7:25 afirma que o pequeno chifre exerceria suas atividades de falar blasfêmias e pressionar os santos. As blasfêmias se estendem bastante e são direcionadas não somente contra Deus, mas também contra o Seu nome, Seu tabernáculo e Seu povo (Apocalipse 13:6). Esse verso expande ainda mais a gravidade do que a besta está dizendo e amplifica o significado de blasfêmia:

- Blasfêmias contra Deus: como já vimos antes, a blasfêmia contra Deus ocorre quando alguém reivindica ter poderes que pertencem somente a Deus, tais como mudar a lei de Deus (Daniel * 7:25) e perdoar pecados (Lucas 5:20-24).

- Blasfêmias contra o nome de Deus: certa vez, Moisés perguntou a respeito do nome de Deus, e "Deus disse a Moisés: ‘EU SOU O QUE EU SOU. Isto é o que você deve dizer aos israelitas: ‘EU SOU me enviou para você’". Êxodo 3:14). Uma blasfêmia contra o nome de Deus implica que a besta que saiu do mar não professa que Deus é quem Ele diz que é. A besta está passando informações incorretas sobre o caráter de Deus. Ao falar com os líderes religiosos da época, Jesus advertiu que ninguém deveria chamá-los de "‘pai’, porque vocês só têm um Pai, aquele que está nos céus” (veja Mateus 23:8-9). A besta que sai do mar afirma ter não somente os poderes de Deus, mas também uma posição igual ao do Pai. Ao fazer com que Deus aparente ser inferior ao que Ele é, a besta se faz parecer mais importante do que ela é.

- Blasfêmias contra o tabernáculo de Deus: a Bíblia menciona algumas coisas que podem ser consideradas como o templo de Deus, ou o Seu tabernáculo: Sua casa de culto ou templo (Mateus 21:13), o próprio Jesus (João 2:19-22) e Seu povo (1 Coríntios 6:19-20; 1 Coríntios 3:16-17). O templo de Deus é o lugar onde Ele habita, onde Ele executa Suas atividades, seja nos corações de Seu povo ou no Céu, ou mesmo em Seu templo físico, que é o símbolo da conexão especial que Ele tem com Seus seguidores. O propósito principal do tabernáculo é a conexão direta entre Deus e o povo, agora possível através de Jesus Cristo. A besta que sai do mar afirma ter o poder de alterar a ordem dessa conexão. A Bíblia diz: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” (1 Timóteo 2:5). Qualquer poder religioso ensinando que existem outros mediadores entre os seres humanos e o Pai, é culpado de blasfêmia de acordo com este ensinamento bíblico.

- Blasfêmias contra o povo de Deus: a expressão “os que habitam no céu” é uma referência aos fiéis seguidores de Deus. Isto serve de contraste para com aqueles que não seguem a Deus, e são referidos como "aqueles que habitam na terra" (Apocalipse 13:8, 12, 14). Como pode a besta blasfemar contra seres humanos? Os seres humanos não possuem poderes divinos inatos ou uma posição soberana no Universo. Isso parece ser difícil de entender, mas vamos analisar dessa maneira: os seres humanos receberam um presente muito especial de Deus e que Deus respeita tremendamente. Os seres humanos receberam o livre arbítrio para escolher ou não a Deus; para amá-Lo ou não. Deus não força ninguém a servi-Lo. Veja o que Jesus instruiu os discípulos a fazer ao enviá-los para pregar o Evangelho e o que deveriam fazer se a mensagem fosse rejeitada: “E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés.” (Mateus 10:14). Jesus nunca disse para matar ou perseguir aqueles que discordassem e rejeitassem os ensinamentos de Deus. O destino dessas pessoas está nas mãos de Deus, e não cabe aos seres humanos tomar tal decisão. O destino delas será divulgado no dia do julgamento (Mateus 10:15). Este tipo de blasfêmia é uma ponte para o que iremos ler em Apocalipse 13:7-8, onde a besta começa a guerrear contra o povo de Deus. A besta que sai do mar afirma ter poder sobre aqueles que não concordam com suas proclamações e poder de determinar o destino deles.

*** Visão geral ***: A besta que sai do mar faz afirmações muito ousadas. Ela se exalta, e diz que tem poderes que, de acordo com a Bíblia, pertencem apenas a Deus. Com muitas blasfêmias, anuncia ao mundo que não somente tem o poder de mudar a lei de Deus e de perdoar pecados, mas também que possui a autoridade de Deus na Terra. Além disso, a besta afirma ter o direito de alterar a conexão direta que Deus estabeleceu com seus seguidores e de decidir o destino do povo de Deus. As blasfêmias que saem da boca da besta são as suas atividades. No final dos 1260 anos, essas atividades pararam por um período. Mas, quando a ferida mortal começou a sarar, essas atividades gradualmente começaram de novo. Observe a ordem em que as atividades da besta são mencionadas. A perseguição contra o povo de Deus é a última a ser mencionada, como as blasfêmias contra “os que habitam no céu”. Quando a besta atingir a cura completa da cabeça que foi ferida, podemos esperar que a besta retome todas as suas atividades com força total. Atualmente, já podemos ver em prática, a maioria das atividades de blasfêmia da besta. Elas são apresentadas com o rótulo de religião cristã por certas denominações. O mais importante é lembrar que o povo de Deus não precisa ser definido por uma denominação que prega tais blasfêmias. Muitas pessoas que pertencem a essas denominações realmente amam a Jesus e irão ouvir a voz de Deus quando Ele disser: "Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados" (Apocalipse 18:4). Deus irá chamar seus seguidores sinceros a deixarem qualquer poder político-religioso que pregue uma mensagem contrária ao que está contido na Bíblia. Aqueles que conhecem a voz de Deus ouvirão e seguirão o chamado de Deus. Não podemos nos esquecer de que a besta que sai do mar não é uma pessoa. Ela é um sistema religioso com influência política que existe há vários séculos. Não devemos nos comportar como a própria besta e reivindicar o direito de decidir o seu destino. Assim, não seríamos melhores do que a besta. Todos têm o direito de decidir por si mesmos a quem desejam servir. Cabe a Deus determinar sua sentença. E a sentença da besta que sai do mar já foi revelada: “E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre.” (Apocalipse 19:20).

2 A besta que vi era semelhante a um leopardo, mas tinha pés como os de urso e boca como a de leão. O dragão deu à besta o seu poder, o seu trono e grande autoridade. (NVI)

 

PARTE 4

 

*** Boca como a boca de um leão ***: Daniel * 7:4 descreveu a primeira besta, e disse que ela “parecia um leão, e tinha as asas de águia. Eu o observei até que as suas asas foram arrancadas, e ele foi erguido do chão de modo que levantou-se sobre dois pés como um homem, e recebeu coração de homem.” Note que a besta-leão tem pelo menos um elemento em comum com os animais que se seguiram: asas (leopardo) e a capacidade de se levantar (urso), e características humanas (chifre pequeno que surgiu da quarta besta). Os reinos da Medo-Pérsia, da Grécia e de Roma tinham coisas em comum com a Babilônia. Vale ressaltar que Daniel * 8 não menciona Babilônia porque, no momento da visão descrita em Daniel * 8, a Babilônia já tinha caído, como mencionamos anteriormente.

Na noite em que Babilônia caiu, Daniel foi chamado à presença do rei, porque a mão de Deus tinha deixado uma mensagem na parede (Daniel * 5:1-12). O rei tinha acabado de pedir que todas as taças de ouro e de prata do templo de Jerusalém que estavam guardadas, fossem trazidas para serem usadas na sua comemoração pagã. Enquanto eles estavam no meio da festa, uma mão apareceu, escrevendo na parede. Ninguém conseguia entender o que estava escrito. Nenhum dos magos, astrólogos, ou adivinhos do rei podiam ler a mensagem. Mas a rainha-mãe se lembrou de como Daniel havia interpretado sonhos no tempo de Nabucodonosor, e assim Daniel foi trazido para interpretar a mensagem. Daniel lembrou o rei de como Deus havia dado tudo para seu pai Nabucodonosor e como, com o passar do tempo, seu coração se encheu de orgulho, até o ponto onde seu coração foi feito semelhante ao de um animal, até Nabucodonosor ser capaz de “reconhecer que o Deus Altíssimo domina sobre os reinos dos homens e coloca no poder a quem ele quer" (Daniel * 5:21). Em seguida, Daniel disse ao rei: “Mas tu, Belsazar, seu sucessor, não te humilhaste, embora soubesses de tudo isso. Pelo contrário, tu te exaltaste acima do Senhor dos céus. Mandaste trazer as taças do templo do Senhor para que nelas bebessem tu, os teus nobres, as tuas mulheres e as tuas concubinas. Louvaste os deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que não podem ver nem ouvir nem entender. Mas não glorificaste o Deus que sustenta em suas mãos a tua vida e todos os teus caminhos.” (Daniel * 5:22-23). A mensagem na parede dizia: “MENE, MENE, TEQUEL, UFARSlM” (Daniel * 5:25), que significa “Deus contou os dias do teu reinado e determinou o seu fim". "Foste pesado na balança e achado em falta." "Teu reino foi dividido e entregue aos medos e persas“ (Daniel 5: 26-28).

Ambos os reis da Babilônia (Nabucodonosor e Belsazar) tinham um grave problema de orgulho. Quando Nabucodonosor se vangloriou sobre suas realizações, ele se tornou como um animal selvagem, e passou sete anos pastando, até que reconheceu a soberania de Deus (Daniel * 4:28-37). As habilidades mentais de Nabucodonosor foram restauradas nesse ponto, e ele foi capaz de retomar suas atividades de rei. Belsazar, por outro lado, se manteve orgulhoso e não rendeu glória a Deus (Daniel 5:23). Belsazar utilizou incorretamente os itens que haviam sido consagrados a Deus. Ele os usou para seus próprios interesses egoístas. A boca do leão é uma boca orgulhosa que se vangloria, uma boca que proclama a justiça própria, e que afirma ter autoridade para mudar os ensinamentos que foram estabelecidos originalmente pelo próprio Deus. Assim como Belsazar usou as taças que pertenciam ao templo para satisfazer o próprio ego, a boca do leão proclama ter direitos autodeterminados de usar a taça de Deus com um conteúdo diferente, fazendo com que todos os “habitantes da terra se [tornem embriagados] com o vinho da sua prostituição” (Apocalipse 17:2, veja também Apocalipse 17:4). A taça de Deus pode ser entendida como sendo Seus ensinamentos, que estão contidos na Bíblia. Lembre-se que o poder do chifre pequeno tinha feições humanas e procuraria “alterar os tempos e a lei” (Daniel 7:8, 25) contidos na Bíblia.

*** Presentes do dragão ***: Vimos no nosso último estudo como Satanás criou uma versão falsificada da Trindade, onde ele se coloca no lugar do Pai e a besta que sai do mar se coloca no lugar de Jesus. Mais à frente no capítulo 13 de Apocalipse, iremos ver quem se coloca no lugar do Espírito Santo. O final do verso de Apocalipse 13:2 diz: “O dragão deu à besta o seu poder, o seu trono e grande autoridade.” O dragão está imitando as ações do Pai. O Pai deu o Seu poder, trono e autoridade para Cristo (Apocalipse 2:27; Apocalipse 3:21). O fato de que essa figura político-religiosa, simbolizada pela besta que sai do mar, aceitou poderes do dragão torna evidente que eles estão trabalhando em conjunto para enganar o mundo. Ambos têm o mesmo objetivo (Apocalipse 12:9; Apocalipse 17:2).

*** Visão Geral ***: A besta que sai do mar recebeu seu poder do dragão (como leopardo), e imediatamente se prontificou para devorar aqueles que se opusessem aos seus decretos (como o urso). Ela exerce o poder que recebeu ao proclamar orgulhosamente a sua autoridade para alterar princípios espirituais estabelecidos pelo próprio Deus, e para tomar decisões no lugar de Deus. Esse comportamento é muito semelhante ao da besta-leão em Daniel * 7:4, que se levantou como um homem (em dois pés) e que tinha a mente (ou coração) de um homem. Este é um contraste com o que aconteceu com Nabucodonosor, um homem que foi reduzido a ficar de quatro, como um animal, e que recebeu a mente de um animal até que pudesse reconhecer a soberania de Deus. O homem que foi transformado em uma besta teve que desistir de sua autoridade de domínio. Por outro lado, a besta que foi transformada em homem reivindicou sua autoridade de domínio. A boca prepotente do leão indica que a besta que saiu do mar não reconhece a Deus como governante supremo, mas sim o dragão, de quem ele aceita poder, autoridade e um trono para reinar sobre os habitantes do planeta. Deus nos revelou essa informação para que não nos encontremos entre aqueles que são enganados pelos esquemas satânicos. Devemos nos perguntar se os ensinamentos que estamos seguindo estão contaminados pelo veneno saindo da taça da besta. Os falsos ensinos que saem de sua taça podem embebedar as pessoas com crenças que os distraem da verdadeira mensagem contida na Bíblia. Se você está acreditando em doutrinas que foram alteradas por seus líderes religiosos, você deve orar por orientação divina e coragem para romper com a tradição. Ninguém na Terra tem poderes para alterar o que foi determinado por Deus. Jesus disse: “Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido.” (Mateus 5:18).

2 A besta que vi era semelhante a um leopardo, mas tinha pés como os de urso e boca como a de leão. O dragão deu à besta o seu poder, o seu trono e grande autoridade. (NVI)

 

PARTE 3

 

*** Contexto Geral ***: A conexão entre Apocalipse 13 e o livro de Daniel é inegável. Mais especificamente, os capítulos 7 e 8 de Daniel fornecem muitos detalhes que nos ajudam a entender a identidade da besta que sai do mar descrita em Apocalipse 13. Para podermos ver o quadro geral, temos que voltar para Daniel 2. Neste capítulo, lemos que o rei babilônico Nabucodonosor teve um sonho sobre os poderes dominantes do mundo, que se estenderam desde a Babilônia até o ponto em que surgiram os governos divididos após a queda do Império romano. O sonho terminou com o reino divino que “o Deus do céu estabelecerá” (Daniel * 2:44). No sonho, havia uma estátua, e cada um dos segmentos dela era feito de um material diferente. Cada segmento representava um reino distinto. A cabeça de ouro é Babilônia (Daniel * 2:36-38). O peito e os braços de prata representam o reino que causou a queda de Babilônia (Daniel * 2:39, primeira parte), e esse reino foi a Medo-Pérsia. Os quadris e coxas de bronze representam o reino que veio a seguir: a Grécia (Daniel 2:39, última parte). O último e quarto reino é representado pelas pernas de ferro. Esse reino iria quebrar e destruir tudo (Daniel 2:40). A história nos diz que o Império Romano é o reino que derrubou a Grécia. Depois que o Império Romano chegou ao poder, nenhum outro reino surgiu com uma mesma força e poder unificados, como aconteceu nos reinados antecedentes. De certa forma, o Império Romano se desintegrou e deu lugar a nações divididas. Impérios menores surgiram, porém, nunca conquistando o domínio com um governo de influência global, como os quatro reinos mencionados no sonho. Diretrizes governantes fragmentadas substituíram o domínio romano. No entanto, a influência romana ainda era predominante, e isso foi representado no sonho como os pés da estátua, que eram de ferro misturado com barro. Para resumir muitos séculos de história, temos neste sonho a sequência dos poderes de governos globais, começando com a Babilônia, seguidoa pela Média-Pérsia, Grécia, e, finalmente, Roma. Depois disso, vemos o surgimento de nações divididas, que ainda continuam divididas hoje.

Daniel * 7 e 8 dão mais detalhes sobre os eventos históricos a respeito da ascensão e queda dos regimes políticos poderosos. Ambos os capítulos seguem a mesma ordem apresentada em Daniel * 2. Em Daniel * 7, o profeta viu 4 animais em vez de uma estátua. Mas os mesmos reinos ainda estavam representados. Daniel viu um leão, um urso, um leopardo, e uma quarta besta. João, por outro lado, viu apenas uma besta, mas esta possuía elementos dos quatro animais mencionados em Daniel * 7. A descrição em Apocalipse 13:2 vem na ordem inversa: uma besta que parecia um leopardo, um urso e um leão. Daniel teve a visão enquanto vivia na época do leão, e olhou para o futuro ao descrever os reinos que estavam por vir. João, no entanto, estava vivo durante o reino do quarto animal, e ele olhou para o passado para descrever a natureza da besta que sai do mar. Imagine que há uma linha entre Daniel e João. Ambos estão olhando para a linha. Esta linha representa como a história se desenrola. Quando Daniel vê a linha, ele vê os reinos como eles iriam ascender e cair, em ordem histórica: Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma. Quando João olha para esta linha do tempo, ele olha para o passado, e vê a história de onde ele está e o que veio imediatamente antes, e assim por diante, de modo que ele vê Roma, Grécia, Medo-Pérsia e Babilônia.

O cronograma dos reinos do mundo também está representado em Daniel 8, mas nessa visão, eles são retratados como outros animais. Na época da visão, Babilônia já tinha caído, por isso, não havia mais necessidade de incluí-la no cenário. Em Daniel 8 vemos 3 elementos importantes: um carneiro, uma cabra e um chifre pequeno que cresceu. Daniel descreveu essas três peças como símbolos para três poderes que iriam surgir.

A besta que sai da água não é uma repetição de todos os quatro animais em Daniel * 7. Note que Apocalipse 13:2 diz que a besta que saiu do mar era "como” ou "semelhante". Do ponto de vista de João, ele estava vivendo no momento da quarta besta de Daniel * 7. Ao descrever a besta do mar com características dos animais que apareceram antes do Império Romano, João está dizendo que a besta do mar incorporou elementos daqueles três reinos anteriores.

*** Como um leopardo ***: Daniel * 7:6 descreveu a terceira besta, e disse “que se parecia com um leopardo. E nas costas tinha quatro asas, como asas de uma ave. Esse animal tinha quatro cabeças, e recebeu autoridade para governar.” A Grécia chegou ao poder muito rapidamente, conquistando uma vasta porção do mundo conhecido, em velocidade nunca antes vista até aquele momento. Daniel * 8:5 nos diz que “de repente um bode, com um chifre enorme entre os olhos, veio do oeste, percorrendo toda a extensão da terra sem encostar no chão.” De acordo com Daniel * 8:21, “O bode peludo é o rei da Grécia, e o grande chifre entre os seus olhos é o primeiro rei”. Depois que a Grécia conquistou a Medo-Pérsia (a vitória do bode contra o carneiro), “o bode tornou-se muito grande, mas no auge da sua força o seu grande chifre foi quebrado, e em seu lugar cresceram quatro chifres enormes, na direção dos quatro ventos da terra.” (Daniel 8:8). As semelhanças entre o leopardo e o bode são muito fortes. Quando comparamos estes versos com os relatos históricos sobre o surgimento do Império Grego, podemos entender perfeitamente a simbologia. Alexandre o Grande foi o rei da Grécia que percorreu o mundo, conquistando novos territórios tão rapidamente como se tivesse asas. Alexandre tinha quatro generais, que trabalhavam sob sua liderança, Cassandro, Ptolomeu, Antígono e Seleuco. No ápice de seu poder, Alexandre morreu (o grande chifre foi quebrado), e os quatro generais assumiram o poder, dividindo o reino sob cada um dos seus domínios (as quatro cabeças do leopardo e os quatro chifres enormes do bode). Uma coisa que tanto o leopardo quanto a besta que saiu do mar, têm em comum é que ambos receberam poder de uma fonte externa (Daniel * 7:6, Apocalipse 13:2).

*** Pés como os de urso ***: Daniel * 7:5 descreve a segunda besta como tendo “a aparência de um urso. Ele foi erguido por um dos seus lados, e na boca, entre os dentes, tinha três costelas. E lhe foi dito: ‘Levante-se e coma quanta carne puder!'” A aparência assimétrica da segunda besta (ela tinha um lado maior do que o outro) também é descrita em Daniel * 8:3-4, ao mencionar o carneiro que estava em pé perto da água: “e diante de mim, junto ao canal, estava um carneiro, seus dois chifres eram compridos, um mais que o outro, mas o mais comprido cresceu depois do outro. Observei o carneiro enquanto ele avançava para o oeste, para o norte e para o sul. Nenhum animal conseguia resistir-lhe, e ninguém podia livrar-se do seu poder. Ele fazia o que bem queria e foi ficando cada vez maior.” O reino que conquistou Babilônia foi, de fato, os poderes combinados dos medos e persas. No início, os medos eram o poder mais forte dos dois, mas com o tempo os persas se tornaram a parte dominante (mencionada como a besta que foi erguida por um dos seus lados, e, como um chifre passou a ser mais alto do que o outro). As três costelas nos dentes do urso são equivalentes às três direções que o carneiro avançava ao estabelecer seu território. A profecia de Daniel não foi a primeira sobre a conquista dos medos contra Babilônia. Tanto Isaías quanto Jeremias profetizaram sobre a queda de Babilônia. “Eis que eu despertarei contra [Babilônia] os medos, que não farão caso da prata, nem tampouco desejarão ouro.” (Isaías 13:17). “Preparem as nações para o combate contra ela: os reis dos medos, seus governadores e todos os seus oficiais, e todos os países que governam. A terra treme e se contorce de dor, pois permanecem de pé os planos do Senhor contra a Babilônia: desolar a terra da Babilônia para que fique desabitada.” (Jeremias 51:28-29). Estas profecias foram feitas muitos anos antes de Babilônia ter caído nas mãos dos poderes unidos dos medos e persas. A besta-urso em Daniel * 7:5 foi chamada para se levantar e devorar muita carne. O carneiro foi descrito como uma força muito forte, tão forte que “nenhum animal conseguia resistir-lhe, e ninguém podia livrar-se do seu poder” (Daniel 8:4). Isso nos faz lembrar de como Apocalipse nos diz que o mundo iria adorar a besta que sai do mar: “Quem é como a besta? Quem pode guerrear contra ela?” (Apocalipse 13:4). O aparecimento da besta do mar foi tão imponente que deu às pessoas do mundo a impressão de que ela era invencível. Ela poderia se levantar e devorar qualquer coisa à sua frente. Assim como a besta-urso, que tinha três costelas em sua boca, a besta do mar (sendo o poder do chifre pequeno em Daniel * 7:8) destruiu três chifres quando assumiu seu poder. No ano 538 AD, três dos dez reinos que surgiram após o Império Romano ter se desintegrado, foram destruídos. Esses três reinos foram: Hérulos, Vândalos e Ostrogodos. A História nos diz que um poder religioso que estava se fortalecendo politicamente naquela época foi o responsável pela destruição desses reinos. Exatamente como Daniel havia profetizado.

*** Visão Geral ***: A besta que sai do mar é um sistema político-religioso que surgiu a partir do Império Romano (quarto animal em Daniel * 7) e que tem características dos reinos que o precederam. A besta que sai do mar recebeu seu poder do dragão, de modo semelhante ao modo como a besta-leopardo em Daniel * 7:6 recebeu seu poder de uma fonte externa. Com seus pés como os de urso, a besta que sai do mar está pronta para se levantar e exercer o poder que recebeu do dragão, da mesma forma como a besta em Daniel * 7:5 estava preparada para conquistar os territórios em seu caminho, ao se levantar. Esse poder político-religioso demonstra, através de suas ações, que está disposto a dominar e devorar quem tentar interferir com seus planos. A besta que sai do mar acredita que ninguém pode se livrar de seu domínio. No entanto, a Bíblia é clara a respeito do fim que essa besta terá. Ela não é invencível. Quando Jesus voltar, Ele irá deixar claro que os ensinamentos apresentados pela falsa trindade não vêm de Deus. Com isso, Deus dará fim aos enganos da besta. Veja o relato de João quando descreveu os detalhes de sua visão a respeito de como será o fim da besta que sai do mar e do falso profeta: "E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre.” (Apocalipse 19:20). Esses falsos sistemas religiosos e políticos serão desfeitos para sempre. A volta de Jesus desmascara todas as falsidades que os agentes de Satanás espalharam pelo planeta. A única maneira de nos protegermos contra os ataques de Satanás através da besta que sai do mar e do falso profeta é permanecer na Verdade de Deus. A besta procura mudar os tempos e a lei de Deus. Mas a Bíblia descreve os fiéis como sendo aqueles que guardam os mandamentos de Deus, exatamente como Ele os estabeleceu.

1 E eu pus-me sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia.

 

PARTE 2

 

*** Dez chifres ***: Os chifres são um pouco diferentes das cabeças. As cabeças estão relacionadas às actividades da besta ao longo da história, enquanto os dez chifres representam os poderes políticos presentes durante um determinado período de tempo (Apocalipse 17:12). A besta do mar nos faz lembrar da quarta besta de Daniel 7:7, que também tinha dez chifres. Daniel diz que o quarto animal era “diferente de todos os outros”, e que era “muito terrível” (Daniel 7:19). O anjo explicou a Daniel o significado do quarto animal e de seus chifres: “Disse assim: O quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços. E, quanto aos dez chifres, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; e depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis. E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo.“ (Daniel 7:23-25). Nestes versos, podemos ver muitos aspectos importantes da besta, mas devemos ressaltar apenas um agora, que tem a ver com a forma como o dragão queria atacar o remanescente, aqueles “que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus Cristo.” (Apocalipse 12:17). Um chifre poderoso iria surgir dentre os outros dez, iria procurar “mudar os tempos e a lei”, e iria dominar o povo de Deus durante o mesmo período de tempo que vimos no estudo das duas testemunhas e da mulher que fugiu para o deserto (estudos #72 e #78). O período é “um tempo, tempos e metade de um tempo”, o que equivale a 3,5 anos proféticos, ou 42 meses proféticos, o que representa 1.260 anos literais. Este é o momento na história em que os cristãos sofreram tremendamente durante a Idade Média. Nesse tempo, o Império Romano estava no comando. Isso coloca o Império Romano como as pernas de ferro e como o quarto reino visto em Daniel * 2 e Daniel * 7 respectivamente. Agora podemos entender a ascensão e queda dos reinos que possuíam domínio global, exatamente como vimos nas profecias descritas em Daniel 2.

O número 10 não é um número aleatório. A besta tinha dez chifres por uma razão específica. Apocalipse 17:12 nos diz que os dez chifres são dez autoridades políticas que iriam receber poder diretamente da besta, que é a figura política principal. O anjo explicou a Daniel o significado exato dos dez chifres: são dez reinos que viriam a partir do quarto animal (Império Romano). Vimos estes dez reinos como os dez dedos da estátua na profecia descrita em Daniel * 2. Eles eram reinos que, em parte, tinham a força do ferro (Império Romano) e a fraqueza do barro. Estes reinos foram divididos para nunca se unirem novamente sob domínio humano.

*** Dez coroas ***: A palavra grega para coroa, usada em Apocalipse 13:1 é a palavra diadema, que significa coroa real. Tanto a besta como o dragão são descritos como tendo a coroa real. Um detalhe interessante é que, enquanto a besta temas dez coroas em seus chifres, o dragão tem sete coroas, e elas estão em suas cabeças (Apocalipse 12:3). Lembre-se que o objetivo do dragão era ser como Deus e se assentar no trono de Deus. Ele queria ter a autoridade suprema para si próprio. Como vimos antes, o número sete é usado na Bíblia com muita frequência, e, muitas vezes, se refere à plenitude, integridade e perfeição. O dragão se apresenta como tendo uma autoridade perfeita e completa enquanto governante. Isso faz parte do seu engano, porque ele não tem nenhuma autoridade divina, sequer. O dragão não só afirma ter autoridade, mas também a capacidade de passá-la para seus agentes (Apocalipse 13:4). A autoridade foi transferida para cada um dos chifres, ou seja, para cada um dos dez poderes políticos que surgiram após a queda do Império Romano. O anjo explicou a Daniel que “os dez chifres, daquele mesmo reino são dez reis que se levantarão” (Daniel 7: 24-25). Com o desaparecimento do Império Romano por volta do ano 476 DC, dez tribos surgiram na Europa, e tomaram conta do território romano. Essas tribos eram os: ostrogodos, visigodos, francos, vândalos, alamanos, suevos, anglo-saxões, hérulos, lombardos e burgúndios. (Veja o estudo #79). As coroas são diferentes dos chifres assim como os chifres são diferentes das cabeças. Enquanto os chifres representam um poder político, as coroas representam a autoridade que o dragão passou para cada um dos reinos. Esta é uma estratégia que Satanás está usando para imitar o poder e a autoridade que pertencem a Deus. A Bíblia nos diz que Cristo é "o Senhor dos senhores e o Rei dos reis” (Apocalipse 17:14) e que Jesus tem sobre Sua cabeça "muitas coroas" (Apocalipse 19:12).

*** O nome de blasfêmia *** : Existe mais um detalhe que é revelado sobre a besta que saiu do mar em Apocalipse 13:1. Ela tem nomes de blasfêmia sobre as suas cabeças. A besta descrita em Apocalipse 17 é "cheia de nomes de blasfêmia”. (Apocalipse 17:3). O poder representado pelo chifre pequeno descrito em Daniel * 7 tinha uma boca que falava com arrogância (Daniel 7:8, NVI). Daniel * 7:25 traz mais detalhes sobre quais eram essas palavras arrogantes: “E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo." Apocalipse 13:6 diz: "E [a besta] abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu.“ Mas o que é blasfêmia de acordo com a Bíblia? João 10:33 traz a resposta a esta pergunta. Uma certa vez, os líderes judeus queriam apedrejar Jesus porque, em suas mentes, Jesus havia blasfemado contra Deus. Apesar de estarem acusando a Jesus injustamente, as acusações de blasfêmia foram expressadas claramente: “Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo.” Jesus lhes respondeu: "que dizer a respeito daquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo? Então, por que vocês me acusam de blasfêmia porque eu disse: ‘Sou Filho de Deus’?" (João 10:36). Uma outra vez, os fariseus acreditaram que Jesus estava falando blasfêmia quando Ele demonstrou sua autoridade de perdoar pecados. Perdoar os pecados só pode acontecer por uma ação divina. Para mostrar que Ele é Deus, um com o Pai, Jesus respondeu a essas acusações, afirmando que "o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados“ (Lucas 5:24). A blasfêmia acontece quando alguém se faz igual a Deus, e atribui a si mesmo poderes que pertencem somente a Deus, tais como: o poder de mudar a Lei de Deus (Daniel 7:25) e de perdoar pecados (Lucas 5:20-24).

*** Visão Geral e Aplicação Profética ***: O dragão passou a lutar contra os remanescentes da mulher, aqueles que ainda "guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus" (Apocalipse 12:17). A fim de organizar o seu ataque, Satanás recrutou ajudantes para sua equipe. O primeiro foi a besta do mar, um forte poder político que surgiu após a queda do Império Romano e que tentaria fazer coisas que somente Deus é capaz de fazer. As palavras de blasfêmias da besta que saiu do mar refletem as suas falsas alegações de que ela tem autoridade para perdoar pecados, de alterar a Lei de Deus, e de ser igual a Deus. Como temos estudado, a besta representa um poder secular de diferentes nações emergentes na Europa. Dez reinos surgiram após a queda do Império Romano, e estes dez reinos deram origem às nações europeias atualmente em vigor. Note como este poder não é somente político, mas também religioso, pois afirma ter atributos e capacidades divinas. Assim como a besta e a mulher de Apocalipse 17, que, combinados, funcionam como um símbolo para a igreja apostatada (prostituta) e seu poder político (besta), a besta do mar é uma força política que exerce uma influência religiosa sobre o povo. Isto se torna evidente em Apocalipse 13:12, onde lemos que toda a terra adorará a besta que veio do mar. Precisamos estar cientes da origem e dos objetivos desta primeira besta, para que não nos deixemos ser enganados pelas mentiras que Satanás lança sobre as pessoas através de seus agentes. Devemos examinar cada doutrina religiosa e compará-la com o que a Bíblia diz. Se a doutrina em questão não está incluída nas Escrituras, então fica evidente que ela foi criada pelo homem e, portanto, não faz parte da Verdade de Deus. Pode até ser muito próxima de um ensino bíblico, mas se possui algumas pequenas alterações, sabemos que ela não vem de Deus. Lembra como Satanás, no deserto, citou versos bíblicos para Jesus, com leves modificações? (Mateus 4:1-11). Suas citações foram muito parecidas com o versículo original, mas ele mudou o suficiente para que se tornassem uma tentação, um instrumento concebido para fazer Jesus pecar. Veja como mesmo pequenas alterações à verdade de Deus podem ser perigosas! Não devemos nos enganar. Satanás criou uma entidade falsificada para substituir o papel de Jesus como Salvador e rei soberano. A nossa opção deve ser a de permanecer firmes nos ensinamentos de Jesus Cristo, para que possamos ser contados entre os fiéis remanescentes “que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” (Apocalipse 12:17).

 

1 E eu pus-me sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia.

 

PARTE 1

 

*** Besta ***: Ao se tornar um inimigo derrotado, o dragão passou a perseguir os que permaneceram fiéis a Deus (Apocalipse 12:17). Seu objetivo é enganar tantas pessoas quanto possível. Qualquer pessoa disposta a beber da sua água será envenenada com suas mentiras a respeito do que está contido na Bíblia. Você se lembra de como a Bíblia descreveu aqueles que não haviam sido enganados pelo dragão? Eles são os “que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus Cristo.” (Apocalipse 12:17). O capítulo 13 de Apocalipse fala sobre como o dragão vai atacar as pessoas. Ele vai agir através de seus agentes: a besta que vem do mar e a besta que vem da terra.

Vamos começar por discutir em detalhe a besta que vem do mar. Existe muito em comum com as bestas descritas em Daniel * 7 e 8, e uma forte correlação com a estátua em Daniel * 2. Mas antes de mergulharmos no assunto, precisamos entender o conceito do símbolo usado aqui: uma besta. O que é essa besta? Definitivamente não é um animal selvagem. A Bíblia nos diz a resposta. Lembre-se que a chave para os símbolos de Apocalipse é encontrada na própria Bíblia, não na tecnologia, invenções modernas, ou superstição. A besta é um símbolo para rei ou reino (Daniel * 7:17, Daniel * 7:23). A primeira característica do símbolo 'besta' é o seu poder político. Ela representa um sistema de governo muito forte.

Satanás quer enganar as pessoas em larga escala, e por isso precisou contar com a ajuda de alguns grandes governos que surgiram ao longo da história. Podemos observar que o capítulo 13 de Apocalipse não contém um texto politicamente correto de acordo com parâmetros atuais, mas a Bíblia é muito clara sobre o papel que esses governos conhecidos tiveram em ajudar o dragão. É importante compreender que o livro de Apocalipse não aponta para um único indivíduo como sendo a besta. A besta é um sistema, composto de muitas pessoas, e essas pessoas podem mudar ao longo dos anos. Essas pessoas também foram confrontadas com os seus desafios pessoais de aceitar a Cristo ou o dragão. Devemos entender esse ponto sobre as bestas de Apocalipse 13, caso contrário, vamos ficar muito confusos, tentando encaixar um único indivíduo como sendo a identidade da besta. A besta é um governo, não uma pessoa.

*** Na areia do mar ***: Algumas traduções bíblicas de Apocalipse 13:1 dizem que João é quem estava na praia. Já outras, colocam lá o dragão, em vez de João. De qualquer maneira, esse detalhe não é relevante, porque o verso diz que João viu o que aconteceu ali, e isso o coloca nesse local, através da visão. A Bíblia diz que a besta que veio do mar e o dragão estavam trabalhando juntos. Nesse sentido, o dragão também estava ali, esperando a besta a surgir, para que pudesse dar a ela o seu poder (Apocalipse 13:5). Note que eles estavam de pé “sobre a areia do mar”. Vemos essa expressão na Bíblia quando o texto tenta transmitir a idéia de uma quantidade muito grande, na maioria das vezes, referindo-se à quantidade de pessoas (alguns exemplos: Isaías 10:22; Gênesis 32:12; Jeremias 15: 8; 2 Samuel * 17:11; Oséias 1:10; Jeremias 33:22; 1 Samuel * 13: 5; Romanos 9:27; Hebreus 11:12).

*** Saiu do mar ***: Vimos em estudos anteriores que Satanás veio para os habitantes do mar e os da terra (veja os estudos #84 e #85). Essas pessoas representam a totalidade do planeta que havia rejeitado a pura mensagem de Deus (Apocalipse 17:8). Agora vemos que este grupo é muito numeroso. O fato de que a besta sai do mar apenas reforça esse entendimento. O Antigo Testamento menciona o mar como sendo a morada de uma criatura terrível que iria oprimir Israel (Jó 26:12-13 [Raab, em hebraico significa monstro marinho, às vezes traduzido como “soberba”]; Salmo 74:13-14; Isaías 27:1; Isaías 51:9-10; Ezequiel 32:2) . Os animais em Daniel * 7 também saíram do mar (Daniel * 7:3). Em Apocalipse 17:3,7,8,12, João descreve a besta como vindo do abismo (veja também Apocalipse 9:1 e o estudo # 57), que é o lugar reservado para as forças demoníacas. Em Apocalipse 17:1,3, lemos que a mulher sobre a besta está sentada sobre muitas águas. Há muitos paralelos entre o símbolo 'besta que vêm do mar' e o símbolo de 'mulher sentada sobre a besta, que está sentada sobre muitas águas'. Vamos estudar isso com mais detalhes mais à frente. Apocalipse 17:15 diz que as águas onde ela está assentada são “povos, e multidões, e nações, e línguas”. O poder político que estava alinhado com Satanás estava saindo de uma região onde havia muitas pessoas. Essa área era geograficamente importante porque a partir dali eles poderiam tentar enganar o mundo inteiro.

*** Sete cabeças ***: A besta que vem do mar está profundamente ligada ao dragão, e de acordo com a Bíblia, o dragão é Satanás (Apocalipse 12:9). Note que o próprio dragão tem sete cabeças, dez chifres e sete diademas (Apocalipse 12:3). A besta descrita em Apocalipse 13:1 e o animal descrito em Apocalipse 17:3 têm também sete cabeças e dez chifres. O dragão e a besta do mar trabalham como uma unidade. As cabeças da besta parecem estar relacionadas com a capacidade da besta de executar suas atividades. Ao longo da história, a besta estava trabalhando através de uma de suas cabeças, uma após a outra. Em um determinado ponto, uma das cabeças recebeu um ferimento muito grave, e a besta parou suas atividades por algum tempo. Mas, ela retornou ao seu trabalho satânico, uma vez que a lesão começou a sarar (Apocalipse 13:12-13).

*** Visão Geral ***: O dragão recrutou dois agentes para executar seu plano de engano em uma escala global. O primeiro agente foi a besta que emerge do mar. Essa besta representa um forte poder político e religioso que trabalha diretamente com Satanás. A semelhança entre o dragão e a besta não é mera coincidência. Basicamente quem vê a besta, vê o dragão. Satanás criou uma cópia do relacionamento da Trindade. Satanás quer ocupar o lugar de Deus Pai, e a besta que sai do mar se posiciona também como Deus, mas numa função como a de Cristo. Jesus disse certa vez: "Se vocês realmente me conhecessem, conheceriam também o meu Pai. Quem me vê, vê o Pai.” (Trechos dos versos em João 14:7,9). É esse relacionamento de unidade entre o Pai e o Filho que Satanás tenta imitar, ao apresentar a besta que sai do mar. Esse poder político e religioso tem sua missão na terra, de influenciar e enganar o mundo inteiro e espalhar suas filosofias contrárias aos ensinamentos de Deus (Apocalipse 17:2). Satanás criou um plano elaborado para levar as pessoas à direção contrária do caminho da salvação. Por isso devemos procurar analisar os ensinos religiosos que aprendemos e compará-los ao que está escrito na Bíblia. Veja que os enganos de Satanás estão disfarçados de cristianismo! Quando o dragão saiu para atacar os remanescentes, sua tática principal foi se infiltrar no sistema político e religioso onde os fiéis estavam. A falta de conhecimento da Bíblia coloca as pessoas em risco de serem enganadas pela falsa trindade de Satanás. Crer nas tradições que são passadas de geração em geração sem compará-las com as Escrituras é um comportamento muito comum, e no entanto, extremamente perigoso. A Bíblias diz: “Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo” (Colossenses 2:8). As atividades de Satanás representadas pelas cabeças do dragão ou da besta têm o objetivo de escravizar as pessoas da forma descrita em Colossenses 2:8. Somente se estivermos enraizados em Cristo poderemos resistir aos ataques do inimigo.

Abaixo, está uma tabela comparando as visões contidas nos livros de Daniel e Apocalipse, descrevendo as potências mundiais que surgiram desde a Babilônia até a Segunda Vinda de Jesus.

 

Interpretação

Daniel * 2:

1 Estátua

Daniel *  7:

4 Bestas

Daniel * 8:

2 Animais

Apocalipse 13:1-6: Besta

Apocalipse 17:

1 mulher em 1 besta

Bestas = reinos -  Daniel 7:17

O rei da Babilônia, teve um sonho: viu uma estátua

Daniel * 2:31

O profeta teve uma visão: viu o mar e 4 animais grandes

Daniel * 7: 2-3

O profeta teve uma visão: ele se viu perto da água, e viu 2 animais

Danie *l 8: 2

O profeta teve uma visão: ele viu o mar e uma besta

Apocalipse 13:1

 

Reino: Babilônia

 

A cabeça de ouro é o reino da Babilônia -  Daniel * 2:38

Descrição: cabeça de ouro

Daniel * 02:32

Descrição: leão com asas de águia

Daniel *  7: 4

(Babilônia não está representada nesse capítulo porque já tinha perdido o domínio quando o profeta recebeu a visão)

Descrição: boca de um leão

Apocalipse 13:2

 

Reino: Medo-Pérsia

 

Depois de Babilônia surgiu um reino inferior -  Daniel * 2:39

-

O carneiro com o dois chifres representa os reis da Média e da Pérsia -  Daniel * 8:20

Descrição: o tórax e braços de prata

Daniel * 2:32

Descrição: urso devorador, com lados desiguais

Daniel *  7:5

Descrição: um carneiro com 2 chifres desiguais

Daniel * 8: 3

Descrição: pés de urso

Apocalipse 13:2

 

Reino: Grécia

O reino de bronze é um reino que governaria sobre toda a terra -  Daniel * 2:39

-

O bode representa o reino da Grécia, e o grande chifre é o primeiro rei. Os quatro chifres que surgiram no lugar do chifre quebrado representam quatro reinos que surgiriam a partir dessa nação -  Daniel * 8: 21-22

Descrição: ventre e coxas de bronze

Daniel * 2:32

Descrição: leopardo com 4 asas e 4 cabeças

Daniel *  7:6

Descrição: um bode com um chifre, que se partiu, e 4 chifres surgiram em seu lugar

Daniel * 8:5-8

Descrição: leopardo

Apocalipse 13:2

 

Reino: Roma (pernas) e Europa dividida (pés e 10 dedos)

Um reino forte como ferro, que esmagaria tudo a sua frente. Em seguida, vemos os reinos divididos, que seriam em parte fortes e em parte frágeis, mas que não mais se tornariam um só reino -  Daniel 2: 40-43)

-

Reino que dominaria e esmagaria todo o mundo. Este reino iria dar origem a outros 10 reis. Um outro reino iria surgir e fazer com que três deles caíssem. Esse reino iria falar contra o Altíssimo; oprimiria os santos por um tempo, dois tempos e metade de um tempo; e tentaria alterar tempos e a lei-  Daniel * 7:23-25

-

Reino: o chifre pequeno é um governante que iria se considerar superior aos outros; destruiria os homens poderosos e o povo santo;  teria sucesso por meio de seus enganos; e iria se opor ao Príncipe dos príncipes -  Daniel *  8:23-25

Descrição: pernas de ferro e pés de ferro misturado com barro (10 dedos do pé estão implícitos)

Daniel * 2:33

Descrição: uma besta com 10 chifres, dentes de ferro, e um pequeno chifre com olhos como um homem e uma boca que falava blasfêmias. Quando o chifre pequeno surgiu, 3 chifres foram destruídos.

Daniel *  7:7-8

Descrição: um chifre pequeno que se achava  ser igual a Deus, e que cresceu excessivamente

Daniel * 8: 9-12

Descrição: 7 cabeças com um nome de blasfêmia sobre elas, 10 chifres com coroas, e uma boca para proferir blasfêmias; tendo autoridade para agir por quarenta e dois meses.

Apocalipse * 13:1, 5

Descrição: uma mulher sentada sobre uma besta escarlate. A besta está cheia de nomes de blasfêmia e tem 7 cabeças e 10 chifres.

Apocalipse 17:3

   
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