13 E realizava grandes sinais, chegando a fazer descer fogo do céu à terra, à vista dos homens.

14 Por causa dos sinais que lhe foi permitido realizar em nome da primeira besta, ela enganou os habitantes da terra. Ordenou-lhes que fizessem uma imagem em honra da besta que fora ferida pela espada e contudo revivera.

15 Foi-lhe dado poder para dar fôlego à imagem da primeira besta, de modo que ela podia falar e fazer que fossem mortos todos os que se recusassem a adorar a imagem.

 

PARTE 2

 

*** Grandes sinais ***: As atividades do ministério da besta que saiu da terra são descritas como "grandes sinais". Ela realiza milagres incríveis projetados para enganar aqueles que habitam na terra (Apocalipse 13:14). As atividades pertinentes ao fim dos tempos são descritas como sendo a capacidade da besta que saiu da terra de fazer fogo descer do céu. Note como o versículo diz que esses milagres foram realizados na frente de todos (Apocalipse 13:13). A palavra traduzida como “homens” em Apocalipse 13:13 é a palavra áthrōpos, que significa humanidade. Refere-se a homens e mulheres. Não há distinção identificando a quem essas pessoas servem - se a Deus ou ao dragão. Os milagres da besta atingem todas as pessoas sem barreiras.

*** Fazendo fogo descer do céu ***: Entre as atividades em que a besta está envolvida durante o fim dos tempos há uma que é possivelmente o mais incrível de todos os sinais que ela fez até aquele ponto. Ela faz fogo descer do céu. Podemos entender que essa atividade específica atingirá seu auge durante o tempo do fim, porque Jesus disse o seguinte sobre o que aconteceria naquele tempo: “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” (Mateus 24:24). O ato enganoso mais poderoso da besta que saiu da terra será fazer fogo descer do céu. Essa ação parece ser um ponto de virada no decorrer dos eventos que levará as pessoas à decisão final sobre sua lealdade espiritual. Mas o que isso significa? Será que vamos ver fogo real descer do céu? Como mencionamos no estudo #93, Apocalipse 13 é cheio de simbolismo e, portanto, há um significado muito profundo por trás das palavras escolhidas para descrever os eventos durante os últimos dias. Primeiro, devemos entender o símbolo escolhido aqui: “fogo descendo do céu”.

Tipicamente, na Bíblia, toda vez que fogo desce do céu, trata-se de um ato de Deus indicando a Sua aceitação de um sacrifício (1 Crônicas 21:26; 2 Crônicas 7:1), Sua presença (Êxodo 19:18) ou Sua justiça (Apocalipse 20: 9; Gênesis 19:24; 2 Reis 1:10, 12). Há também, duas histórias em particular que parecem ter significado neste caso e podem nos ajudar a entender quão séria é essa ação da besta. A primeira é a história do Pentecostes e a segunda, é o episódio em que Elias enfrentou os falsos profetas no monte Carmelo.

- Pentecostes (Atos 2): O Pentecostes marcou o derramamento do Espírito Santo sobre os primeiros cristãos, reunidos em comum acordo em uma casa e juntos em oração, após a ascensão de Cristo ao Céu. A Bíblia descreve o modo como eles foram preenchidos pelo Espírito Santo: “E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.” (Atos 2:3). Este evento marcou o início da obra do Espírito Santo na Terra depois da ressurreição de Jesus e Sua ascensão ao trono de Deus. Jesus havia prometido enviar o Espírito Santo após Seu retorno ao Céu. Jesus começaria a Sua obra no Céu, e o Espírito Santo começaria a Sua obra na Terra, direcionando as pessoas para a verdade e levando-as a aceitar a salvação oferecida por Cristo (João 14:26). De uma forma falsificada, a besta que saiu da terra inicia seu trabalho final durante o tempo do fim, fazendo descer fogo diante de todos, dando a ordem para que as pessoas sigam o falso Cristo na forma da besta que saiu do mar (Apocalipse 13:12). Fica evidente aqui como a besta que saiu da terra representa valores aparentemente cristãos. Vamos parar para pensar sobre isso por um momento. O item falso sempre se parece com o que é real, mas com pequenas alterações. Isso é o que é tão convincente sobre a mensagem da besta - parece certa. Como o fogo durante o Pentecostes impulsionou os primeiros cristãos a espalharem o Evangelho às nações ao seu redor, para espanto de todos (Atos 2:7), podemos esperar que o fogo em Apocalipse 13:13 também irá surpreender o povo da terra e motivá-los a espalhar a mensagem da besta globalmente. Nesse sentido, esse fogo que cai do céu representa um crescimento na “espiritualidade” das pessoas. Porém, devido à fonte desse fogo, os valores espirituais que estão sendo promovidos não são puros e são baseados nos princípios do dragão.

- Elias no Monte Carmelo (1 Reis 18:19-40): Durante o tempo de Elias, o povo de Deus estava dividido. Eles não estavam seguindo nem a Deus nem a Baal, completamente. A Bíblia ensina que a salvação vem somente quando uma pessoa entrega seu coração inteiro a Deus, e assim o profeta Elias estava preocupado com o estado de indecisão do povo de Deus. Se permanecessem assim, estariam perdidos. Ao fazer fogo descer do céu, Deus mostrou ao Seu povo a verdade - a verdade sobre o Senhor do Céu. Seu fogo também é um sinal de Sua justiça e, consequentemente, a destruição dos falsos profetas foi o próximo passo.

O falso fogo de Apocalipse 13 não tem a intenção de mostrar a verdade a respeito Deus, mas, ao contrário, pretende enganar as pessoas e fazê-las quebrar a lei de Deus. Os Dez Mandamentos são muito claros sobre como não devemos fazer ou adorar imagens (Êxodo 20:4-5). No entanto, durante a grande exibição de poder de Satanás, o povo é chamado a não apenas fazer uma imagem da besta que saiu do mar (aquele que recebeu a ferida mortal e viveu), mas também a adorar esta imagem (Apocalipse 13:14-15). Porém, durante a manifestação do falso fogo, o contrário do episódio de Elias no monte Carmelo irá ocorrer. No monte Carmelo, os falsos profetas foram mortos. Já no fim dos tempos, aqueles que desejam adorar a Deus e não a imagem da besta é que serão os ameaçados de destruição.

Vamos comparar esses três momentos quando vemos o fogo descer do céu:

 Pentecostes - Atos 2 Elias no Monte Carmelo - 1 Reis 18:19-40 Apocalipse 13:13-15
O povo de Deus está reunido em comum acordo (Atos 2:1) O povo de Deus está reunido, mas está dividido quanto a adoração a Deus e Baal. Profetas falsos estão também presentes. (1 Reis 18:19-21) Os seres humanos estão reunidos. Nenhuma distinção foi feita nesse ponto entre o povo de Deus e os seguidores da besta. (Apocalipse 13:13)
Fogo vem do Céu sobre o povo de Deus e a Verdade de Deus se torna conhecida ao Espírito Santo trabalhar através dos apóstolos. (Atos 2:3-4) Fogo desce do Céu sobre o sacrifício, e Deus Se revela como o verdadeiro Deus do Céu. (1 Reis 18:38-39) Fogo desce do céu sobre a terra e os moradores da terra são enganados.(Apocalipse 13:13-14)
Como resultado, as pessoas foram levadas a seguir a Cristo e 3000 pessoas foram batizadas. (Atos 2:41) Como resultado, as pessoas reconheceram que o Senhor é Deus, e os falsos profetas foram mortos. (1 Reis 18:39-40) Como resultado, os moradores da terra foram ordenados a quebrarem os mandamentos de Deus. Eles deveriam adorar à besta e aqueles que recusassem seriam mortos. (Apocalipse 13:14-15)

 

*** A imagem da besta ***: Quando lemos Apocalipse 13:14-5, vemos claramente que a besta que saiu da terra ordenou que o povo da terra fizesse uma imagem da besta que saiu do mar. A besta que saiu da terra tem uma influência política tão significativa que ela pode realmente efetivar esta ordem, como se estivesse soprando o fôlego de vida nesta reprodução da besta que saiu da água (Apocalipse 13:15). Soprar o fôlego da vida em uma imagem é visto pela primeira vez durante a criação (Gênesis 1:26-27; Gênesis 2:7), e é unicamente um poder que pertence a Deus. Como a primeira besta, a segunda besta também afirma ter poderes divinos.

Aprendemos nos estudos #90 e #92 como a besta que saiu do mar havia perdido sua força política quando recebeu a ferida mortal. No auge de seu poder, a besta que saiu do mar pregava seus valores alterados e perseguia até a morte quem se recusasse a obedecê-los. Construir uma imagem dessa besta significa recriar esse mesmo cenário. Note que são as próprias pessoas que devem criar essa imagem (Apocalipse 13:14). Dessa forma, as pessoas terão um senso de propriedade no projeto. Elas devem recriar o sistema da primeira besta e prestar devoção e lealdade total a ela, na forma de adoração. Esta é uma referência ao que vemos descrito em Daniel * 3.

O rei Nabucodonosor ordenou a construção de uma estátua de ouro (Daniel * 3:1). A estátua era muito parecida com a que ele havia visto no sonho que recebeu de Deus (Daniel * 2:31-33). Houve, no entanto, uma grande diferença nesta estátua. Ela era completamente dourada. Em seu sonho, apenas a cabeça da imagem era feita de ouro. A cabeça de ouro representava o reino babilônico, e como Deus lhe havia dito, seu reino um dia teria fim e outros reinos o seguiriam (Daniel * 2:38-43). Ao construir uma estátua inteiramente dourada, Nabucodonosor estava fazendo uma declaração decisiva. Ele estava negando publicamente o que Deus lhe havia dito e estava substituindo a verdade de Deus pela sua própria versão alterada. Ele queria que o reino babilônico durasse para sempre e nunca fosse conquistado por nenhum outro reino. Como líder supremo, Nabucodonosor tinha o poder de ordenar que seu povo não apenas construísse essa estátua, mas também que a adorasse sob seu comando. Aqueles que se recusassem adorar a imagem seriam enviados para a morte (Daniel * 3:5-6). Agora podemos entender ainda melhor o significado por trás da imagem da besta. Basicamente, ela representa os valores espirituais alterados e o sistema religioso apoiado pelo governo do tempo do fim. Assim como aconteceu durante os tempos medievais - o tempo da besta que saiu do mar - aqueles que se recusam a seguir as doutrinas pregadas pela imagem da besta pagarão com suas próprias vidas.

*** Mas, e a liberdade religiosa? ***: Não ter a liberdade de adorar quem você quer soa muito estranho para nós que vivemos na cultura ocidental atual. Como pode uma sociedade construída com base na liberdade religiosa mudar tanto ao ponto de matar aqueles que não se conformam com as ordenanças de seus líderes? Será possível que tal mudança aconteça tão rápido? A mudança cultural pode acontecer gradualmente ou pode ser o resultado de um grande evento. A velocidade com que isso acontecerá não é o foco da profecia. Nós vemos em nossa história recente como os bairros pacíficos se tornam selvagens durante uma crise. Pessoas saqueando abertamente após um grande desastre, como um furacão, enchente ou guerra. Vemos isso nos noticiários com mais frequência do que gostaríamos de admitir. Uma mudança de comportamento como essa não é tão improvável quanto gostaríamos de pensar. Mas a principal razão pela qual a perseguição aos que se recusam a adorar a imagem da besta vai acontecer é porque Deus disse que aconteceria. E isso não tem nada a ver com o tempo humano. Esta advertência, no entanto, não tem a intenção de nos assustar ou nos desencorajar a permanecer fiéis. Isso é o que o inimigo gostaria, não é mesmo? O propósito de Deus é nos preparar para os eventos finais. Jesus já disse que viriam tempos difíceis como nunca antes visto (Mateus 24:21). Não podemos esquecer que também é Ele que nos diz para não temer: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” (João 16:33). A consciência dessas provações do tempo do fim deve servir apenas para nos lembrar que Deus é quem está no controle e que Ele já possui a vitória.

*** Enganos ***: Quando a besta que saiu da terra exibe sinais e maravilhas na frente de todo o mundo, ela está realmente revelando o desejo de Satanás de enganar e desviar as pessoas da verdade de Deus. Está claro aqui que a besta que saiu da terra exerce falsamente a obra do Espírito Santo. A besta que saiu da terra chama a atenção para o falso cristo e ensina falsas doutrinas, enquanto o Espírito Santo aponta para Jesus Cristo e nos ensina a verdade. Enganação é a base do trabalho satânico. Jesus chamou Satanás de o pai da mentira (João 8:44). Parece que suas táticas se tornarão ainda mais intensas durante o fim dos tempos. O discurso do dragão, refletido nas atividades de suas duas bestas, visa afastar as pessoas do verdadeiro Deus e dos Seus mandamentos.

*** Visão Geral ***: As pessoas que estão indecisas sobre a quem ou como devem adorar se tornam um alvo fácil para os dardos venenosos de Satanás. O dragão deseja receber adoração e, ao mesmo tempo, fazer com que as pessoas parem de adorar o verdadeiro Deus. Ao usar a besta que saiu do mar como foco de adoração, Satanás é capaz de atingir seu objetivo de maneira sutil e fácil de aceitar. Lembre-se, a besta que saiu do mar é um símbolo para uma liderança espiritual, representando valores aparentemente bons e saudáveis. Irá parecer que segui-la será a coisa certa a fazer. Por sua vez, isso pode facilmente criar o sentimento global de que aqueles que se recusam a seguir a besta são realmente criadores de problemas. É por isso que devemos entender a diferença entre as ações de Deus e qualquer obra falsa vinda de Satanás. Quando Deus envia fogo do Céu, é um sinal da Sua justiça e amor - um ato que chama as pessoas ao arrependimento e adoração verdadeira. Isso traz as pessoas de volta às Escrituras. Devemos entender que qualquer outro ensinamento que nos chame a fazer algo contrário ao que é dirigido por Deus, e escrito na Bíblia, é uma armadilha inimiga com a intenção de nos enganar. As tradições estabelecidas por humanos nunca devem tomar o lugar dos ensinamentos bíblicos. Como já estudamos antes, os agentes de Satanás, descritos como bestas, são na verdade poderes de liderança religiosa e política - em outras palavras, grupos de humanos influentes. A única maneira de não permitir que as mentiras de Satanás nos enganem é estarmos dispostos a receber o Espírito Santo, como os apóstolos no dia de Pentecostes, e escolher adorar apenas o Deus do Céu, como Elias no Monte Carmelo. Enquanto jejuava por 40 dias no deserto, o próprio Jesus se voltou para as Escrituras e a Verdade estabelecida por Deus como uma resposta defensiva ao pedido enganoso de Satanás por adoração: “Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás.” (Lucas 4:8).

11 E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão.

12 E exerce todo o poder da primeira besta na sua presença, e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada.

 

PARTE 1

 

*** Contexto Geral ***: Durante os últimos sete estudos, nos aprofundamos nos detalhes que envolvem a besta que saiu do mar, que foi o primeiro dos aliados de Satanás neste planeta. Aprendemos que a primeira besta é um poder religioso e político que procura dominar e enganar o mundo. Como vimos no estudo #86, o termo ‘besta’ é usado na Bíblia para se referir a uma força governamental de influência global. O simbolismo em Apocalipse 13 não pára no termo ‘besta’. Todo o capítulo inclui muitos símbolos, inclusive o lugar de origem da besta. A primeira besta saiu do mar. O termo ‘mar’ é uma referência a uma parte do planeta que o dragão queria reivindicar para si mesmo quando foi expulso do Céu. A Bíblia diz que, depois que o dragão perdeu a guerra no Céu, ele dirigiu a sua atenção para os habitantes do mar e da terra (Apocalipse 12:12, ver também estudos #84 e #85). A porção do planeta em que Satanás estava interessado era o próprio povo.

*** Uma segunda besta ***: Em sua visão, João tinha testemunhado a primeira besta emergir do mar. Depois que ele descreveu as atividades da besta que saiu do mar e a ferida mortal que ela recebeu, ele passou a contar que viu mais uma besta surgir. A segunda besta veio da terra, a outra parte do planeta que Satanás estava reivindicando para si próprio. Isso significa que Satanás queria conquistar toda a população do mundo. A besta que saiu da terra era um novo governo poderoso.

Em Apocalipse 12:13-16, lemos sobre como Satanás perseguiu a Igreja, retratada como a mulher, e como Deus tinha preparado para ela um lugar de refúgio. Então vimos como Satanás atacou a mulher com uma terrível enchente de água que saiu de sua boca. A água levou embora a mulher, mas a terra veio em seu socorro e engoliu a água. Note como a terra, que ajudou a mulher, é também o lugar de origem da segunda besta. O que temos em Apocalipse 13 é a expansão dos detalhes sobre a guerra contra o povo de Deus visto no capítulo 12. Os mesmos elementos estão presentes no capítulo 13. A água que sai da boca da besta são as mentiras que Satanás está espalhando sobre Deus e sobre salvação. Apocalipse 12:16 diz que a terra engoliu a enchente, ‘salvando’ assim a mulher. Na realidade, a terra ficou contaminada pelos falsos ensinamentos que saíram da boca do dragão. É a partir desta terra contaminada que a segunda besta emerge. Devemos entender que a besta que saiu da terra tem o mesmo discurso venenoso que o dragão. Sabemos disso porque ela fala como o dragão (Apocalipse 13:11).

*** Ela tem chifres como um cordeiro, mas fala como um dragão ***: A primeira besta tinha uma aparência muito semelhante ao próprio dragão, com dez chifres e sete cabeças. Nesse sentido, se parecia com o dragão e também agia como o dragão. A besta que saiu da terra, no entanto, não se parece com o dragão. Ela só tem dois chifres e realmente se parece com um cordeiro. Em Apocalipse 5:6, vimos Jesus como o “um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete pontas e sete olhos”. A besta que saiu da terra se apresenta de forma muito favorável, com a aparência de um cordeiro, uma figura semelhante à de Cristo. A besta que saiu da terra se parece com um cordeiro, mas não é exatamente como o Cordeiro que foi morto. Ao lermos o próximo atributo da besta, descobriremos que, apesar de ser parecida com um cordeiro inocente, seu verdadeiro caráter e lealdade se alinham com Satanás, porque ela prega a mensagem do dragão. A apresentação externa da besta parece ser apenas um meio de enganar as pessoas e distraí-las de sua verdadeira agenda satânica. Por causa das semelhanças entre a primeira besta e a besta descrita em Daniel * 7, é mais fácil identificar quem é representado pelos dez chifres. No entanto, os dois chifres na segunda besta não são tão fáceis de compreender plenamente. Ainda assim, podemos ver a natureza dupla da segunda besta na maneira como João a descreveu:

- Ela tem dois chifres (Apocalipse 13:11)
- Ela se parece com um cordeiro por fora, mas na verdade é como um dragão por dentro (Apocalipse 13:11)
- Ela mesma tem grande poder, mas o usa para dirigir a adoração a outra entidade (Apocalipse 13:12)
- Ela deslumbra as pessoas com grandes milagres, mas persegue quem não quer obedecer aos seus decretos (Apocalise 13:14-15)
- Ela dá vida a uma imagem, mas mata pessoas reais (Apocalipse 13:15)

Apocalipse 13:14 diz que a besta que saiu da terra engana as pessoas por meio de milagres extraordinários. A segunda besta é capaz de apresentar seus argumentos de uma maneira que os faz parecer corretos e atraentes. Agora podemos ver como a mulher em Apocalipse 12 se sentiu compelida a aceitar a ajuda da terra. A terra parecia tão amigável ao vir em seu socorro! Na realidade, a terra levou a mulher para longe do lugar que Deus havia preparado para ela.

*** Ela tem o poder da primeira besta ***: A primeira besta recebeu seus poderes do dragão (Apocalipse 13:4). A segunda besta “exerce todo o poder da primeira besta” (Apocalipse 13:12). Isto significa que a besta que saiu da terra também recebeu o poder do dragão. Mesmo que a besta que saiu da terra não se pareça com o dragão e não aparente ser ligada ao dragão, suas ações e sua mensagem refletem os valores do dragão. Suas ações fazem as pessoas quebrarem os mandamentos de Deus: ele leva as pessoas a adorarem alguém que não é Deus. Ela faz com “que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta” (Apocalipse 13:12). Assim como a primeira besta, a segunda besta não só exerceu uma influência política global quando surgiu, mas também estabeleceu sua presença na arena espiritual. No entanto, a sua abordagem diferiu significativamente. Enquanto a besta que saiu do mar procura ser adorada e ser deus na terra, a besta que saiu da terra prefere ser temida em vez de receber adoração. E assim, ela dirige o culto à besta que saiu do mar e ameaça matar a todos os que não lhe obedecem (Apocalipse 13:15).

No topo de sua influência, a besta que saiu da terra irá exercer todos os poderes da primeira besta. Isso significa que no tempo do fim, a segunda besta vai estar fazendo o que a primeira besta fez durante a Idade Média. A besta que saiu do mar perseguiu e matou aqueles que ela considerava hereges e que desejavam seguir a Bíblia e não às tradições acumuladas ao longo do tempo. Tais tradições ajudaram a fortalecer a autoridade do sistema da besta. Quanto mais as pessoas seguem cegamente a tradição, mais poder o sistema da besta recebe. A primeira besta matou e perseguiu. A segunda besta irá fazer o mesmo, e, certamente, de uma forma muito mais intensa. Jesus disse: “Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver. E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias.” (Mateus 24:21-22).

A primeira besta teve que sofrer uma ferida mortal para que um segundo poder pudesse vir e alcançar as pessoas que a haviam rejeitado. Agora temos um breve vislumbre das semelhanças entre o trabalho realizado pela segunda besta e a obra do Espírito Santo. Após a ascensão de Cristo, Deus enviou o Espírito Santo à Terra a fim convencer as pessoas “do pecado, da justiça e do juízo” e ensina-las “em toda a verdade” (João 16:5-15). A besta que saiu da terra surgiu após a besta que saiu do mar, para ensinar para as pessoas, a mensagem do dragão. Mas, uma grande diferença entre esses dois trabalhos é que a falsa trindade se estabeleceu a fim de enganar o mundo, enquanto a verdadeira Trindade está trabalhando para salvá-lo.

*** Ela direciona as pessoas a adorarem a primeira besta ***: O direcionar as pessoas para que adorem a primeira besta é a manifestação do discurso de dragão que Apocalipse diz que a segunda besta tem. De acordo com os mandamentos de Deus, não devemos adorar outros deuses (Êxodo 20:3). A primeira besta alegou ter mudado a lei de Deus, e a besta que saiu da terra manteve essa mudança. Lembre-se que a primeira besta era um sistema religioso que afirmava professar a fé cristã. A segunda besta é também um sistema que apresenta valores cristãos para o povo. Assim como o dragão, a besta que saiu da terra inclui em sua mensagem alguns elementos de verdade misturados com alguns falsos ensinamentos. Lembra como Satanás tentou a Jesus ao citar versículos da Bíblia de maneira incorreta? (Mateus 4:1-11). Lembra como a serpente convenceu Eva torcendo o que Deus lhe havia ensinado sobre a árvore? (Gn 3:1-5). Isso é que torna tão atraente a mensagem da besta. Os argumentos soam bons o suficiente para serem considerados bons e corretos. Jesus pôde resistir à tentação ao se apegar à verdade bíblica (“está escrito”) e à sua relação com o Pai. Eva caiu em tentação porque ela seguiu a mensagem convincente da serpente - ela se concentrou nas boas qualidades que a árvore aparentava oferecer (Gênesis 3:6). Ela abandonou a Palavra de Deus naquele momento.

Em Mateus 24:24 lemos a advertência de Jesus contra os que ensinam a fé Cristã de forma diferente da Sua mensagem original: “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” Observe a ordem em que Jesus disse que estes impostores viriam:

1) imitadores de Cristo;
2) pessoas professando uma mensagem falsa, em nome de Cristo.

As bestas que apareceram em cena, em Apocalipse 13, seguiram exatamente essa ordem. A besta que saiu do mar é um sistema de imitadores de Cristo, e a besta que saiu da terra é um sistema de falsos profetas. Tanto é, que mais adiante, em Apocalipse 16:13; 19:20; 20:10, a besta que saiu da terra é referida como falso profeta.

*** Quando surgiu a besta que saiu da terra? ***: A maior parte das atividades em que a besta que saiu da terra está envolvida, parece acontecer no tempo do fim, após a cura da ferida mortal sobre uma das cabeças da besta que saiu do mar. Mas toda a atenção que a besta que saiu da terra direciona para a besta que saiu do mar, sugere que a segunda besta está envolvida no processo de cura da ferida mortal. Houve a necessidade de um poder diferente surgir porque a primeira potência tinha recebido um golpe fatal na cabeça e já não mais podia exercer o poder necessário para conduzir suas metas no campo político, como antes. Muitas pessoas haviam tomado uma posição de oposição aos poderes da primeira besta. Então, uma vez que a primeira besta perdeu o seupoder de alcance, a segunda besta teve a oportunidade de apresentar-se e oferecer modalidades espiritual e política atraentespara as pessoas. Isso nos faz pensar que a segunda besta apareceu durante a fase “já não é”, ou seja, logo após o ferimento mortal em uma das cabeças da besta que saiu do mar (veja os estudos #92, Apocalipse 17:8). Durante nosso último estudo, vimos como o momento do ferimento mortal parece se encaixar bem com o tempo em torno da Revolução Francesa. Esse não é um tempo aleatório, mas sim, baseado nas profecias de Daniel, que devido à sua extensão, não estudaremos na lição de hoje. Em algum momento durante a Revolução Francesa, um poder governamental surgiu longe da Europa, muito amigável para com os cristãos, e também possuindo valores cristãos. As linhas definindo quais governos específicos são esses não são muito claras. Talvez isso queira nos dizer que o foco não deve estar em identificar qual nação é a besta que saiu da terra, mas sim, quais comportamentos bestiais devemos esperar.

*** Visão Geral ***: Jesus disse: “E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo. E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.” (Mateus 24:11-14). A palavra traduzida como iniquidade é a palavra grega anomia, que literalmente significa falta de lei. O amor das pessoas para o Senhor vai diminuir, porque abandonaram os princípios de Deus. Elas perderam o foco em Deus e começaram a se concentrar em si mesmas. Um estado em que as pessoas estão sem lei é um estado de pecado. A falta de lei é o objetivo final do dragão. É evidente aqui que a Lei de Deus desempenha um papel muito importante durante os eventos finais. Ela permite que os registros celestiais mostrem de que lado estamos, não para o benefício de Deus, porque Ele já sabe tudo, mas para o nosso próprio benefício e para o benefício de todo o universo. Aqueles que mantém a Lei de Deus são os que amam a Deus (Apocalipse 12:17), portanto, aqueles que não a mantém são aqueles que O rejeitam. Vimos no estudo #92 como a besta que saiu do mar e o homem do pecado (homem sem lei/'anthrōpos tēs anomias' em grego) descrito em 2 Tessalonicenses 2:3-4 são a mesma entidade. A besta que saiu da terra é um poder que parece correto e bom, mas na verdade procura levar as pessoas para longe da Lei de Deus. Ela age parecendo ser muito amigável, e atraente. Mais uma vez, devemos enfatizar: o livro do Apocalipse não lida com um único indivíduo. É sempre a respeito de um sistema que se estabeleceu para amplificar a mensagem do dragão ao mundo. A boa notícia é que realmente não importa se nós, como indivíduos, vivemos ou não sob tais governos semelhantes à besta. A Bíblia diz que o mundo inteiro está sob a influência do sistema da besta. Todo o mundo é afetado por esse sistema. Se continuarmos tentando encaixar um governo único como sendo a besta, poderemos não enxergar o fato de que os enganos vêm de todas as direções. A Bíblia diz que os líderes mundiais, bem como aqueles que habitam no planeta, beberam o vinho da fornicação oferecidos pelos agentes de Satanás (Apocalipse 17:2). Em vez disso, devemos nos concentrar no comportamento esperado que a besta que veio da terra demonstra, assim, seremos capazes de reconhecer a ocasião em que qualquer governo resolver falar como o dragão. Enganos podem vir de todas as nações, e como disse Jesus, seremos odiados por todas as nações por causa do Seu nome (Mateus 24:9). Além disso, a guerra espiritual ainda não terminou e Deus ainda está estendendo oportunidades de salvação e a verdadeira mensagem a todas as nações rebeldes. Jesus disse: “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”. (Mateus 24:14). O mais importante a se lembrar é que Jesus já providenciou um caminho para a vitória. Na verdade, a vitória está garantida para aqueles que confiam em Deus, que O amarem até o fim, e que acreditam na salvação trazida pela morte e ressurreição de Jesus Cristo.

   
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