9     E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue nos compraste para Deus de toda a tribo, e língua, e povo, e nação;

10   E para o nosso Deus nos fizeste reis e sacerdotes; e reinaremos sobre a terra.

 

*** E com teu sangue nos compraste para Deus ***: Vamos agora continuar onde paramos no estudo #34, com a análise da passagem de Apocalipse 5:8, que não está muito clara. Existem algumas interpretações desse trecho. Então, vamos considerar as diferentes possibilidades:

- Opção 1 - Se somente os anciãos estavam cantando o novo cântico em Apocalipse 5:9: No estudo #28, vimos a possibilidade de os 24 anciãos serem a completa representação do povo de Deus através da História. Dessa forma, faz sentido que eles estivessem cantando um novo tipo de música. Uma canção que falava sobre como é a sensação de ser redimido pelo sangue de Jesus. Seres não caídos não necessitam de salvação pessoal. Eles nunca pecaram. Eles não experimentaram a redenção da mesma maneira daquelas pessoas que abandonaram uma vida de pecado. E é por isso que, na proposta da Opção 1, os quatro seres viventes não poderiam cantar a letra “[…] porque foste morto, e com o teu sangue NOS compraste para Deus de toda a tribo, e língua, e povo, e nação” (Apocalipse 5:10). (Tradução da Almeida Corrigida Revisada e Fiel). A maioria dos manuscritos gregos, incluindo o Textus Receptus, inclui a palavra “nos” no verso. No entanto, esse verso, na maioria das traduções em Português, não segue esses manuscritos.

- Opção 2 - Se os anciãos e os quatro seres viventes estavam cantando o novo cântico em Apocalipse 5:9: Nesse caso, a letra da música teria que ser diferente para que os seres viventes estivessem cantando com os anciãos. A passagem que acabamos de mencionar, falando sobre redenção, foi escrita na primeira pessoa (“nos redimiu”) em todos os manuscritos gregos, com excessão de dois. De acordo com Stefanovic, o codex Alexandrinus e a versão da Etiópia não trazem esse trecho na primeira pessoa. Nessas duas versões, a tradução do cântico, que apoia a Opção 2, diz: “[…] pois foste morto, e com teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação.” (Tradução similar na Nova Versão Internacional, Almeida Revisada Imprensa Bíblica, Bíblia na Linguagem de Hoje). Nessa versão do texto os seres viventes e os anciãos estão cantando sobre como Jesus redimiu o povo da Terra, e eles estão prestando louvores a Cristo por causa da Sua vitória.

*** De toda tribo, língua, povo e nação ***: O povo remido não vem de nenhum grupo específico de pessoas no mundo. Jesus disse em João 10:15-17: “Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas. Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor. Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la.” Não importa onde Seus filhos estejam, eles irão ouvir a voz de Deus, e voltar à Deus no momento certo. Não importa sua aparência, língua, ou localização geográfica. Podemos até expandir esse tópico para dizer que o povo de Deus está em toda a parte, independente de afiliações religiosas. Como representantes do povo salvo, os 24 anciãos possivelmente vieram de lugares e nacionalidades diferentes.

*** “Nos fizeste reis e sacerdotes; e reinaremos sobre a terra” *** Mais uma vez, vemos uma diferença no uso da primeira e terceira pessoa na letra da música que estavam cantando. Eles estavam cantando sobre promessas feitas ao povo de Deus por toda a Bíblia. Vemos essas palavras também em Apocalipse (Apocalipse 1:6; Apocalipse 2:26-27; Apocalipse 3:21; Apocalipse 20:4-6). A morte de Cristo definiu a descrição do trabalho do Seu povo. Seus seguidores foram feitos sacerdotes, com a missão de O servirem, levando Sua mensagem por todo o mundo. O sacrifício de Jesus também garantiu que um dia, os remidos de Deus iriam reinar com Ele para sempre (Apocalipse 20:4-6; veja o estudo #5). Essas afirmações são verdade tanto para o povo de Deus na Terra, quanto para os 24 anciãos no Céu. Como vimos no estudo #28, os anciãos têm caraterísticas de sacerdote e de rei: eles têm coroas, tronos, roupas reais, harpas, e incensos.

*** Visão Geral ***: No estudo #34, vimos que a vitória de Cristo se tornou a letra de uma nova canção. Se os anciãos eram ou não os únicos cantando essa música não é o ponto principal aqui. Se a canção incluiu a palavra “nos” ou “eles” não é essencial para o entendimento da nova canção. O sangue de Jesus é o tema principal da música. Daquele momento em diante, Seu sacrifício passou a ter o poder de redimir todos os filhos de Deus na Terra, tanto no futuro, quanto no passado. E mais, também pode redimir os seres humanos que estavam vivendo no Céu. A força da Cruz pode passar diretamente através de qualquer barreira humana. As promessas de Deus não são limitadas pelos muros de separação que as pessoas elevam ao redor de si mesmas aqui na Terra. Quando Ele chamar Seu povo, para vir para perto dEle, todos aqueles que pertencerem a Ele irão responder ao chamado, não importa onde eles estiverem, ou quem sejam. O sangue de Jesus transformará o pecador arrependido em um sacerdote e rei. O que costumávamos ser, vai cair no esquecimento. O que nos tornamos quando aceitamos a redenção é o que importa agora.

7 E veio, e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono.

8 E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.

9 E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue nos compraste para Deus de toda a tribo, e língua, e povo, e nação;

 

*** Ele recebeu o livro da mão direita do Pai ***: Em Apocalipse 5:1, estudamos que o livro selado estava ao lado direito de Deus (estudo #31), da expressão grega Epi ten dēxian. De acordo com Stefanovic, temos aqui uma outra expressão rara, do grego Ek Tēs Dexias, que também não ocorre em nenhuma outra passagem do Novo Testamento. Mesmo essa expressão podendo significar ‘da mão direita’, ou ‘do lado direito’, podemos entender que ela também se refere ao lado direito de Deus Pai, que está sentado no trono quando Jesus chegou no Céu (veja o estudo #33). O verso 7 dá a entender que Jesus se aproximou do trono, e tomou posse do livro selado.

*** Os quatro seres viventes e os 24 anciãos prostraram-se *** Mais uma vez, os quatro seres viventes e os 24 anciãos estão liderando o louvor. Após Jesus tomar posse do livro, os quatro seres viventes e os 24 anciãos prostraram-se diante do Cordeiro. Essa é uma reação similar à que vimos de João, em Apocalipse 1:17 (estudo #10), quando ele se viu na presença de Jesus. Ao contrário do que lemos em Apocalipse 5:8, onde vemos os anciãos e os seres viventes prostrados, no verso 14, somente os 24 anciãos se prostram em adoração.

*** Cada um deles tinha harpas, e taças de ouro cheias de incenso ***: O anjo em Apocalipse 8:3-5 tem incenso para oferecer, e uma taça dourada que contém as orações dos santos. Então a idéia de que anjos podem participar na entrega das orações dos santos a Deus existe em outra parte de Apocalipse. Mas aqui, o texto começa a ficar um pouco mais complicado. O texto não deixa claro se apenas os 24 anciãos possuíam as harpas e as taças de incenso, ou se os seres viventes também tinham esses instrumentos. À primeira vista, parece que todos eles tinham uma harpa e o incenso, mas não podemos descartar a possibilidade de que apenas os 24 anciãos os tinham nas mãos. Mais a diante, no verso 14, somente os anciãos se prostram, enquanto os quatro seres viventes estavam fazendo outra coisa. A expressão “cada um deles”, no verso 8, vem do grego hekastos, que se refere a cada unidade ou indivíduo distinto, e não a um grupo. Essa expressão se encontra logo após “os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro”. Então surge a pergunta: será que os 24 anciãos estavam fazendo algo diferente dos seres viventes desde o verso 8? A resposta para essa pergunta possivelmente está relacionada com o verso 9, e quem estava cantando o cântico novo.

*** Taças de ouro cheias de incenso ***: No Santuário do Antigo Testamento, os sacerdotes tinham que manter incenso queimando constantemente (Êxodo 30:7-8). Esse era o serviço do sacerdote (2 Crônicas 26:18-19). E esse era um serviço tão sério, que se não fosse feito corretamente, como especificado por Deus, podia ser uma questão de vida ou morte (Levítico 16:12-13). O fato de que os 24 anciãos têm as taças de incenso, significa que eles têm uma função sacerdotal no céu. As taças de incenso são muito importantes. Apocalipse 5:8 diz que elas “são as orações dos santos”. Assim como a fumaça do incenso no Santuário terrestre cobria a tampa da Arca do Concerto, as orações dos santos fluem diretamente para o trono de Deus. Aqueles segurando o incenso parecem estar envolvidos em trazer as orações do povo até Deus.

*** Eles cantavam um cântico novo ***: Eles estavam cantando um tipo de música que eles nunca haviam cantado antes. Apresentava um novo tema que nunca antes tinha sido visto no Céu. Cristo havia acabado de retornar como o Cordeiro que havia sido morto, então o coro celeste ajustou suas músicas para refletir o novo papel de Jesus Cristo como Redentor. Antes da morte e ressureição de Jesus, Ele não havia ainda pago o preço pela humanidade por completo. Sua missão de mostrar o Pai estava quase terminada mesmo antes da cruz. Mas Jesus tinha que morrer nossa ‘morte eterna’ em nosso lugar para poder validar o plano da salvação. Uma música com esse tema não faria sentido antes de Ele passar por todo o processo. E então, agora que Jesus havia completado essa parte do plano, surgiu a necessidade de cantar uma música refletindo os eventos mais recentes da vitória de Cristo. Jesus havia acabado de receber o direito de abrir o livro e os selos. Iremos continuar a análise de Apocalipse 5:9 no estudo #35.

*** Visão Geral ***: Após Jesus chegar ao Céu, Ele se aproximou do trono, e tomou para si o livro que estava ao lado do Pai. Imediatamente, os quatro seres viventes e os 24 anciãos começaram a adorar a Cristo. A vitória de Jesus Lhe concedeu o direito de abrir o livro selado. Eles não somente estavam tendo um serviço de adoração na sala do trono, mas também estavam envolvidos em atividades sacerdotais. Eles estavam carregando taças de incenso. As orações dos santos pareciam ser importantes o bastante para João mencionar nesse trecho. A vitória de Cristo se tornou a letra do novo cântico. O céu estava comemorando e se alegrando de um jeito inédito. A maneira como o Universo vê Cristo havia sido mudada para sempre. Sua morte e ressurreição significaram não somente vida para Si próprio, mas também para todas as pessoas que acreditam no poder do Seu sacrifício.

Saturday, 03 September 2016 00:30

29. Ao redor do trono * Apocalipse 4:5-8

5  E do trono saíam relâmpagos, e trovões, e vozes; e diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, as quais são os sete espíritos de Deus.

6  E havia diante do trono um como mar de vidro, semelhante ao cristal. E no meio do trono, e ao redor do trono, quatro animais cheios de olhos, por diante e por detrás.

7  E o primeiro animal era semelhante a um leão, e o segundo animal semelhante a um bezerro, e tinha o terceiro animal o rosto como de homem, e o quarto animal era semelhante a uma águia voando.

8  E os quatro animais tinham, cada um de per si, seis asas, e ao redor, e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir.

 

*** Relâmpagos, vozes, e trovões ***: Os versos 2, 3, e 4 do capítulo 4 de Apocalipse, dão uma descrição detalhada do trono de Deus. No verso 5, começamos a ver algumas atividades importantes que acontecem na sala do trono. Lemos sobre os relâmpagos, trovões, e vozes que vêm do trono. Essa descrição nos faz lembrar da cena no Monte Sinai, quando Deus estava dando os Dez Mandamentos para Moisés (Êxodo 19:16; Êxodo 20:18). Esses não são os únicos momentos em que vemos a presença de Deus associada com trovões e relâmpagos. Podemos ver um relato semelhante em Jó 40:9; Salmo 77:18; Salmo 104:7; Ezequiel 1:13. A poderosa e ativa presença de Deus emana de Seu trono.

*** Sete lâmpadas de fogo ***: Em frente ao trono, estão sete lâmpadas. Essas lâmpadas estão acesas, e são os sete Espíritos de Deus. A palavra grega usada para 'lâmpada' nesse verso, é a palavra lampade, que se refere a uma lamparina com um pavio, e óleo. Em Zacarias 4, vemos sete lâmpadas, que eram os olhos do Senhor “que percorrem por toda a Terra” (Zacarias 4:10). Em Apocalipse 5:6, lemos que os sete Espíritos são sete olhos enviados por toda a Terra. Como vimos no estudo #5, os sete Espíritos de Deus são a perfeita representação do Espírito Santo. Ele está presente ali, diante do trono.

*** O mar de vidro ***: João menciona o mar de vidro em Apocalipse 4:6 e em Apocalipse 15:2. Aqui, no capítulo 4, ele descreve esse elemento como estando em frente ao trono. Ele o compara com três coisas: mar, vidro, e cristal. O mar dá a ideia de água e movimento. O vidro e o cristal são objetos sólidos e estáticos. Todos três têm uma qualidade de transparência, e podem refletir a luz, dependendo de como ela atinge a superfície do objeto. Não ficou claro se o vidro está servindo para descrever uma superfície lisa e plana, ou para indicar uma área texturizada como cacos de vidro. Apocalipse 15:2 traz ainda mais uma comparação: fogo. João diz que ele viu “algo semelhante a um mar de vidro misturado com fogo”. Algumas traduções falam que o povo vitorioso estava de pé “junto ao mar de vidro”. Mas, o original em Grego, diz que o povo estava de pé no mar de vidro. No capítulo 4, os salvos ainda não estão no céu. O fogo, apesar de presente, representando o Espírito Santo diante do trono do Pai, não é mencionado como sendo parte do mar de vidro nessa hora. Levando-se em conta a linguagem do Santuário, a água estava presente, na bacia de bronze. A bacia era também chamada de mar (2 Reis 25:13-16; 1 Crônicas 18:8; 2 Crônicas 4:6; Jeremias 52:17,20). O sacerdotes tinham que se lavar antes dos sacrifícios, e antes de entrarem na Tenda do Encontro. Isso era um símbolo do batismo, como vimos no estudo #9. Em Mateus 3:11, lemos as palavras de João Batista a respeito de Cristo: “E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo.” Daniel * 7:10 menciona um rio de fogo que emana do trono de Deus. É interessante notar que em Apocalipse 15:2, quando os salvos estão de pé no mar de vidro, fogo está misturado ali. Mas no capítulo 4, que é a cena que acontece antes dos remidos chegarem, o fogo é descrito em separado. Muito provavelmente, essa não é uma combinação literal de mar, vidro, ou fogo. O mar de vidro parece ser um local difícil de ser descrito. O ponto é que, ele marca uma área importante diante do trono de Deus, onde os vencedores irão estar um dia.

*** Os quatro seres viventes ***: Esse não é o único momento em que esses seres aparecem em Apocalipse. Eles estão sempre perto do trono de Deus, rendendo louvores e O servindo (Apocalipse 4:6,8-9; Apocalipse 5:6,8-9,14; Apocalipse 6:1,3,5-7; Apocalipse 14:3; Apocalipse 19:4). Essa também não é a primeira vez eles são mencionados na Bíblia. Podemos ler a respeito deles em Ezequiel 1:5-10; Ezequiel 10:12,14,20-22; Isaías 6:2-3. Eles nos lembram os querubins dourados na Arca do Concerto, no Santuário Terrestre (Êxodo 25:18-21; 1 Reis * 6:23-28). A imagem de Deus sentado entre querubins é vista também em outras passagens do Antigo Testamento (2 Reis * 19:15; Salmo 80:1; Salmo 99:1; Isaías 37:16). Isaías os chama de serafins, e diz que eles O louvam, dizendo “Santo, santo, santo, é o Senhor dos Exércitos” (Isaías 6:2-3). Em Apocalipse 4:8, João nos diz que eles não descansam nem de dia, nem de noite, e permanecem louvando a Deus continuamente, dizendo “Santo, santo, santo é o Senhor, o Deus todo-poderoso, que era, que é e que há de vir.” Tanto em Isaías quanto em Apocalipse, vemos esses seres louvando a Trindade.

- Cheio de olhos, tanto ao redor como por dentro; tinham seis asas e quatro faces diferentes: Ezequiel 10:12 os descreve como sendo cheio “de olhos ao redor”. Ele diz também que cada um deles tem 4 faces: como a de um homem, de um leão, de um boi, e de uma águia (Ezequiel 1:5-10). Ezequiel viu um ser com quatro faces, e João viu quatro seres, cada um com uma face diferente (Apocalipse 4:7). Ezequiel deu uma descrição longa e detalhada sobre esses seres. Mas, aparentemente, para João, eles não eram o foco da cena, e talvez, apenas um lado de cada um desses seres estava sendo revelado para ele. Poderia ser também uma ordem diferente de anjos. Independente da anatomia específica desses seres, o papel que eles desempenham parece ser muito especial. Eles lideram o coro de louvor e adoração, e eles servem a Deus, literalmente bem de perto. Esses seres também estão envolvidos com a abertura dos primeiros quatro selos (Apocalipse 6:1-8). Existem muitas opiniões a respeito do que cada face representa. Pode ser que seja uma referência a sua força, serviço, inteligência, e rapidez. Pode ser também um símbolo das qualidades do caráter de Deus, incluindo Sua agilidade, habilidade de ver tudo e saber de tudo.

*** Visão Geral ***: Trovões e relâmpagos estavam saindo do trono de Deus. Isso quer dizer que o trono não estava vazio. A magnitude da Sua glória podia ser sentida, vista, e ouvida. O Espírito Santo estava também nessa cena, em toda Sua perfeição e plenitude, descrito como os sete Espíritos de Deus. Mas nem todos os membros da Trindade estavam presentes. Jesus não estava ali. Mesmo assim, as criaturas celestes perto do trono de Deus continuavam louvando a Trindade continuamente, ao dizerem: “Santo, santo, santo é o Senhor, o Deus todo-poderoso” (Apocalipse 4:8). Essa descrição se refere a um momento no qual nem Jesus e nem os remidos estavam presentes. Ninguém estava de pé no mar de vidro ainda. Baseado no que lemos no capítulo 4, podemos entender que isso acontece antes da Segunda Vinda de Cristo. Um momento em que Jesus não estava no Céu, mas em que o Espírito Santo estava. Na realidade, O Espírito Santo é onipresente. Sua presença na sala do trono não impede Suas atividades de acontecerem na Terra ao mesmo tempo. Mas para que João pudesse entender, assim como nós hoje também, a cena foi mostrada a João dessa maneira. Podemos entender que essa parte da visão parece descrever o que estava acontecendo no Céu antes da ascensão de Jesus. O capítulo 4 nos mostra como é a sensação de estar na presença de Deus.

1   Depois dessas coisas olhei, e diante de mim estava uma porta aberta no céu. A voz que eu tinha ouvido no princípio, falando comigo como trombeta, disse: "Suba para cá, e lhe mostrarei o que deve acontecer depois dessas coisas".

2   Imediatamente me vi tomado pelo Espírito, e diante de mim estava um trono no céu e nele estava assentado alguém.

3   Aquele que estava assentado era de aspecto semelhante a jaspe e sardônio. Um arco-íris, parecendo uma esmeralda, circundava o trono,

4   ao redor do qual estavam outros vinte e quatro tronos, e assentados neles havia vinte e quatro anciãos. Eles estavam vestidos de branco e tinham na cabeça coroas de ouro.

 

Nos capítulos 1 a 3 de Apocalipse, temos Jesus andando em meio às igrejas, e o foco está sobre o que está acontecendo nas igrejas aqui na Terra. O texto no capítulo 1 utiliza simbologia referente ao Santuário do Antigo Testamento. Já estudamos as referências que João fez sobre os candelabros, os itens de bronze, e as vestimentas sacerdotais. A última das sete cartas às igrejas da Ásia termina com uma promessa ao vencedor, que diz que aquele que vencer irá sentar com Jesus em Seu trono, da mesma maneira que Ele se assentou no trono com Seu Pai (Apocalipse 3:21). Esse verso é a transição perfeita para o capítulo 4, onde vemos a descrição dos eventos acontecendo no Céu. Esses eventos são essenciais para entendermos o restante do livro de Apocalipse. A linguagem do Santuário continua no capítulo 4 e 5, onde iremos ler sobre o que está acontecendo ao redor do trono de Deus.

*** Porta aberta no Céu, e o convite dAquele que tem a voz como de uma trombeta ***: Após João receber a mensagem sobre as igrejas, ele olha para cima, e vê uma porta aberta no Céu. Então, João ouve Aquele que tem a voz como uma trombeta. É a mesma voz que ele ouviu em Apocalipse 1:10 (estudo #7). Jesus está chamando João a subir e entrar pela porta aberta. Jesus quer mostrar para ele o que precisa acontecer no futuro, do ponto de vista de João. Essa frase nos lembra o que Jesus disse a João em Apocalipse 1:19. Mas aqui, João não recebe a ordem de escrever o que Jesus está mostrando. Jesus o convida a ver as coisas. Assim que João ouviu esse convite, ele foi imediatamente levado em visão, recebendo a mensagem de Cristo. Da mesma maneira que ele falou em Apocalipse 1:10, ele "está no Espírito". Essa porta que João atravessa, leva a um ambiente no Céu, e ele viu ali um trono muito bonito. A palavra porta (no Grego thura), ocorre muitas vezes no Antigo Testamento, e na maioria das vezes, se refere ao Santuário ou Templo. Esse fato é muito importante, como vamos ver nos próximos versos. Essa porta era a passagem para o Santuário Celeste.

*** O trono, e Aquele que se assenta no trono ***: João logo vê um trono magnífico. O trono de Deus é mencionado em 16 dos 22 capítulos de Apocalipse, e em várias ocasiões, o trono é usado para representar o próprio Deus. O trono é o tema central do capítulo 4. Tudo é descrito em relação ao trono. João então vê quem está sentado no trono. Ele O identificou como "o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, que é, e que há de vir" (Apocalipse 4:8), e "Senhor" (Apocalipse 4:11). Mas em outros versos, João se refere à Deus como o "que estava assentado sobre o trono" (Apocalipse 4:3,9,10; Apocalipse 5:1,7,13). O Antigo Testamento traz frequente essa imagem de Deus assentado em Seu trono no Céu, mostrando de onde Ele reina em toda Sua glória e poder (1 Reis 22:19; Salmo 47:8; Salmo 93:1-2; Salmo 97:1-9; Salmo 99:1-5; Isaías 6:1; Ezequiel 1:26; Daniel * 7:9).

*** Descrição de Deus: Ele se parece com as pedras jaspe, sardônica, e esmeralda ***: algumas versões da Bíblia traduzem sardônica ou sárdio (do grego sardiō) como rubi. Esmeralda (do grego smaragdinō), é às vezes traduzida como turquesa. Todas essas três pedras eram encontradas na vestimenta do rei de Tiro (Ezequiel 28:13). Estão também na fundação da Nova Jerusalém (Apocalipse 21:19). Mas como o simbolismo do Santuário é tão forte nesse capítulo, precisamos nos concentrar no que encontramos ali para podermos entender melhor o significado dessas pedras. Elas são encontradas no peitoral do Sumo Sacerdote no Antigo Testamento (Êxodo 28:17-20). Sárdio e jaspe são a primeira e última pedra no peitoral. Elas representam as tribos de Rúben e Benjamin, respectivamente. A esmeralda é a 4a. pedra no peitoral, representando a tribo de Judá. Sob a luz da linguagem do Santuário, essa descrição das pedras identifica Aquele que está sentado no trono como tendo as mesmas características de Cristo: "primeiro e último" (Apocalipse 1:11,17), e "Leão da tribo de Judá (Apocalipse 5:5). Aquele sentado no trono é um com Cristo.

*** O arco-íris ao redor do trono ***: Ezequiel 1:28 também descreve o arco-íris ao redor do trono de Deus, e diz que "era o aspecto da semelhança da glória do Senhor." O arco-íris é um arco de 7 cores que Deus colocou no céu após o dilúvio, como uma aliança perpétua entre Deus e Seu povo, lembrando que Ele nunca mais iria destruir a Terra com água outra vez (Gênesis 9:12-17). Podemos entender que a glória de Deus é para nós um lembrete do quanto podemos confiar nEle.

*** 24 tronos e 24 anciãos, vestidos de branco, e com uma coroa na cabeça ***: a atenção de João é então direcionada para outros tronos. Ele primeiro vê 24 tronos, e só depois menciona os 24 anciãos. No Antigo Testamento, lemos sobre um grupo de 24 sacerdotes que alternavam no ofício do Santuário (1 Crônicas 24:1-19). Mais uma vez, o simbolismo do Santuário está presente aqui, e faz sentido. A presença de 24 anciãos ali é algo esperado. No verso 4, João nos dá uma breve descrição desses anciãos. Eles também são mencionados em outras partes de Apocalipse, então vamos analisar todas as informações que temos deles para podermos entender quem eles são. Será que eles são anjos? Ou seres humanos? Podemos traçar um paralelo entre a descrição dos 24 anciãos e as promessas feitas para o vencedor, no livro de Apocalipse. O vencedor recebe promessas de coisas que o anciãos já possuem:

  24 Anciãos Os vencedores
1) Eles sentam em tronos ao redor do trono de Deus (Apocalipse 4:4) They will sit in a throne with God (Revelation 3:21)
2) Eles usam vestes brancas, e têm na cabeça a coroa stephanos (Apocalipse 4:4) Eles irão usar vestes brancas e coroas de vitória (stephanos) (Apocalipse 3:5; Apocalipse 2:10)
3) Eles adoram a Deus (apocalipse 4:10-11; Apocalipse 5:14; Apocalipse 11:16; Apocalipse 19:4) Eles irão adorar Deus (Apocalipse 7:10)
4) Eles têm em suas mãos harpas; e taças de incenso, que são as orações dos santos (Apocalipse 5:8) Eles irão receber harpas (Apocalipse 15:2), e oram/clamam a Deus (Apocalipse 6:10)
5) Deus os fez reino e sacerdotes, e reinarão sobre a Terra (Apocalipse 5:10)* Eles foram constituídos reino e sacerdotes (Apocalipse 1:6), Eles irão reinar sobre a Terra (Apocalipse 2:26-27)
7) Eles foram remidos pelo sangue de Jesus (Apocalipse 5:9) Eles serão redimidos pelo sangue de Jesus (Apocalipse 7:14)

* Manuscritos do Textus Receptus, que é um dos manuscritos no qual as traduções mais antigas da Bíblia foram baseadas, como por exemplo, a versão King James.

 

Todos os seres não caídos, como os anjos e outros seres celestiais, adoram a Deus. O fato de que os anciãos adoram a Deus, não nos ajuda a identificá-los mais especificamente. Os não caídos nunca pecaram, e portanto, não podem ser considerados como sendo remidos. Isso torna evidente, que os anciãos não poderiam ser seres não caídos ou anjos, uma vez que Apocalipse 5:9 diz que os anciãos foram remidos pelo sangue (traduções baseadas nos manuscritos do Textus Receptus, veja também versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel). Outro argumento que apoia essa visão, é o de que não existem promessas na Bíblia feitas a anjos, dizendo que eles irão reinar sobre a Terra. O povo escolhido de Deus na Terra são aqueles chamados de reino e sacerdotes. Somente o povo remido recebe a promessa de uma veste branca de justiça e uma coroa de vitória. Nunca os anjos são descritos como tendo uma coroa dessas. E por fim, somente os remidos recebem a promessa de se assentarem no trono com Deus. Os anjos são sempre mencionados como estando de pé ou prostrados na presença de Deus. Podemos ver que os 24 anciãos são muito provavelmente seres humanos. Humanos que já foram glorificados. Mas como esses humanos foram parar no Céu antes da Segunda Vinda de Cristo?

De acordo com a Bíblia, quando as pessoas morrem, elas não são imediatamente levadas para um local de fogo eterno, ou para o céu (estudo #10). A Bíblia ensina que os mortos não sabem nada (Eclesiastes 9:5), eles estão como em um sono (Salmo 90:5; João 11:11-14; 1 Tessalonicenses 4:13), e que as pessoas irão receber sua recompensa somente no último dia (Apocalipse 22:12). No entanto, a Bíblia menciona algumas pessoas especiais, que receberam sua recompensa adiantadamente, e tiveram o privilégio de serem levadas para o céu antes da Segunda Vinda de Cristo. Sabemos que Enoque, Moisés, e Elias foram levados ao Céu (Gênesis 5:24; Hebreus 11:5; 2 Reis 2:11; Judas 1:9; Mateus 17:3). Enoque e Elias nunca nem passaram pela morte. A Bíblia também nos diz que quando Cristo morreu e ressuscitou, “abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados” (Mateus 27:52). Da mesma forma como era costume do rei vitorioso na antigüidade, após vencer a batalha contra Seu inimigo, Cristo levou consigo os despojos de guerra. Em outras palavras, Ele levou para Si pessoas, com o objetivo de integrá-las à população de Seu próprio País Celestial. O Salmo 68:18 e Efésios 4:8 nos diz que Jesus levou para Si muitos cativos, na Sua ascensão ao Céu. Essas pessoas haviam sido escravizadas à breve existência na Terra, e se encontravam escravizadas ao seus sepulcros. Mas Jesus as tirou dessa condição. Não sabemos quantas pessoas foram ressuscitadas naquele momento. Existe a possibilidade de que elas foram levadas ao Céu para servirem como oficiais do Santuário - representantes vivos da humanidade no céu. O fato de que haviam 24 anciãos é importante, porque 24 é o dobro de 12. O número 12 está em destaque em Apocalipse, uma vez que o livro menciona as 12 tribos de Israel (como símbolo da igreja no Antigo Testamento), e os 12 discípulos (como símbolo da igreja no Novo Testamento). A nova Jerusalem é descrita como tendo 12 portões, com os nomes das doze tribos, e 12 fundações, que têm on nome dos doze apóstolos (Apocalipse 21:12-14). O número 12 + 12 representa a totalidade do povo de Deus através da História.

Todas as passagens Bíblicas incluídas nesse texto de hoje, nos dizem que o normal não é que as pessoas vão para o céu quando elas morrem. De fato, todos esses cativos, assim como Moisés, foram ressuscitados primeiro antes de serem levados. E é isso que vai acontecer no último dia também. Aqueles que morreram na fé de Jesus irão ser ressuscitados primeiro (1 Tessalonicenses 4:16). Vez após vez, vemos que essas pessoas que morreram na Terra e que foram levadas ao Céu, sempre, sem exceção, passaram pelo processo de ressureição primeiro - inclusive Jesus. Não podemos descartar a possibilidade de o grupo de 24 anciãos ser formado por essas pessoas mencionadas na bíblia. Pelas que foram levadas sem terem passado pela morte, e também por aqueles que foram ressuscitados e então levados. Eles são os perfeitos representantes do povo de Deus, que irá se unir a eles no último dia: “[…] e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois disso, os que estivermos vivos seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre.” (1 Tessalonicenses 4:16-17).

*** Visão Geral ***: Os primeiros quatro versos no capítulo 4 apresentam dois temas principais, que vão aparecer várias vezes nos próximos capítulos: o trono de Deus, e os 24 anciãos. O trono, no entanto, é o foco central. Tudo é descrito usando o trono como ponto de referência (sobre o trono, ao redor do trono, do trono, diante do trono, em meio ao trono). João descreve o trono como sendo algo espetacular, e ele usa, em sua descrição, algumas pedras preciosas da vestimenta do Sumo Sacerdote do Antigo Testamento. A aliança inquebrável de Deus também está presente, e representa Sua misericórdia e glória infalível. A palavra de Deus é verdadeira, e confiável. Dele são a primeira e a última palavra. A descrição do trono do Pai nos faz lembrar dos atributos usados para descrever Cristo. O trono de Deus é uma referência direta ao próprio Pai, e sua unidade com o Filho. O paralelismo com o Santuário do Antigo Testamento é bastante evidente, e isso indica claramente onde João se encontra em visão. O Santuário na Terra era apenas uma cópia (ou sombra) do que está no Céu (Hebreus 8:2,5). Agora que situamos onde a visão está acontecendo, podemos esperar encontrar mais coisas que existiam no Santuário Terrestre. E realmente encontramos: 24 anciãos que servem como sacerdotes - eles carregam taças cheias de incenso que são as orações dos santos (Apocalipse 5:8). Esses sacerdotes representam os remidos de Deus.

   
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