Saturday, 19 November 2016 21:35

40. Abrindo o terceiro selo: quem é o cavaleiro no cavalo preto? * Apocalipse 6:5-6

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5 E, havendo aberto o terceiro selo, ouvi dizer o terceiro animal: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo preto e o que sobre ele estava assentado tinha uma balança em sua mão.

6 E ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: Uma medida de trigo por um dinheiro, e três medidas de cevada por um dinheiro; e não danifiques o azeite e o vinho.

 

*** A cor preta ***: A cor preta aparece novamente em Apocalipse 6:12, onde lemos: "[...] e o sol tornou-se negro como saco de cilício [...]". Preto está ligado a um período de escuridão. Muitos textos no Novo Testamento se referem à condição de viver na escuridão, como sendo o tempo pelo qual uma pessoa passa antes de conhecer a mensagem de Deus (Mateus 4:16; Lucas 1:79; João 1:5; João 3:19; Atos 26:18; Colossenses 1:13). É um período de fome espiritual.

*** O terceiro ser vivente ***: Muito provavelmente esse era o ser que tinha o rosto de homem, já que a ordem em que esses seres aparecem no capítulo 6, se assemelha com a que eles aparecem em Apocalipse 4:7. O aspecto humano desse ser aparenta enfatizar a natureza espiritual desse chamado. Para entendermos melhor como a humanidade e espiritualidade estão conectadas, vamos olhar o livro de Daniel, e ler a respeito da transformação de Nabucodonozor (Daniel * 4:28-37). Quando ele atribuiu a si mesmo, toda a glória do que ele havia conquistado, ele passou de rei da Babilônia (cujo símbolo era um leão com asas), à um animal que pastava como um boi. E seu cabelo se tornou como as penas de uma águia (Daniel * 4:33). Quando ele reconheceu e adorou o Deus Eterno, sua humanidade retornou (Daniel 4:34-36). Vemos implícitos nesse relato, os mesmos elementos (leão, boi, homem, e águia) que vemos nos seres viventes de Apocalipse. É interessante notar que Nabucodonozor teve um momento como o 'antes e depois' na sua humanidade. Inicialmente, sem reconhecer a Deus, e depois, quando ele foi transformado após ter passado por uma experiência espiritual profunda. O rei da Babilônia havia respondido ao chamado para arrependimento.

*** O cavaleiro tinha uma balança em sua mão ***: A palavra ‘balança’ usada nesse trecho de Apocalipse foi traduzida do grego zugos, que significa não somente um equipamento para medir peso, mas também jugo, que era colocado em gado, para que trabalhassem unidos. No Antigo Testamento, a palavra balança era usada para representar fome. Comer pão por peso significava que a comida estava escassa e sendo racionada (Levítico 26:26). Por causa da desobediência de Israel, Deus disciplinou Seu povo, cortando o suprimento de pão e água, e provendo o mínimo necessário - uma quantidade que era para ser medida (Ezequiel 4:16).

*** O anúncio do preço ***: Alguém que estava no meio dos seres viventes anunciou o preço da comida a ser racionada. Não ficou claro quem falou. Como a voz vem de perto dos seres viventes, é possível que tenha sido o Pai quem falou, porque a voz tinha autoridade para determinar o preço do trigo e da cevada. E mais, também tinha autoridade de dar a ordem para que nada acontecesse ao óleo ou ao vinho.

*** “Uma medida de trigo por um dinheiro, e três medidas de cevada por um dinheiro” ***: A palavra ‘dinheiro’ é na verdade a palavra denarius nos manuscritos em Grego. O denário era uma moeda Romana, e era o equivalente à quantidade de dinheiro que um trabalhador ganhava em um dia. Naquela época, os grãos eram parte das necessidades básicas na Palestina. Trigo era considerado como o alimento principal, e cevada era tida como sendo o alimento dos pobres e animais. Uma medida de trigo era suficiente para alimentar uma pessoa apenas. Três medidas de cevada poderiam alimentar mais pessoas, mas a cevada era um grão de qualidade inferior. Em outras palavras, a voz estava dizendo que a situação era séria, e que custaria o salário de um dia inteiro para simplesmente comprar comida. Não sobraria dinheiro para comprar mais nada.

*** “E não danifiques o azeite e o vinho” ***: Enquanto o preço dos grãos estava severamente inflacionado, não havia preço estabelecido para o óleo ou o vinho. O consumo dessas duas coisas não havia sido limitado. O antigo Testamento menciona óleo e vinho como sendo necessidades comuns da vida diária (Deuteronômio 7:13; Deuteronômio 28:51; 2 Crônicas 32:28; Oséias 2:8,22; Joel * 2:19). As oliveiras e as vinhas conseguem tolerar a seca mais facilmente que os grãos. Por isso, em uma seca de verdade, os grãos são os primeiros a sofrerem. Então, vemos que a fome mencionada no 3o. selo é parcial, já que nem todos os itens da dieta do povo seriam restritos.

*** Aplicação simbólica e profética ***: Continuando na linha de pensamento simbólica apresentada nos dois cavalos e cavaleiros, precisamos também entender a mensagem espiritual que o terceiro cavaleiro traz. O primeiro cavalo simboliza a divulgação do evangelho. O segundo cavalo simboliza o que acontece quando as pessoas aceitam ou rejeitam a mensagem. Então, a fome representada com a vinda do terceiro cavalo precisa estar ligada a uma fome espiritual, onde o acesso à Palavra de Deus é limitado. É provavelmente a consequência da rejeição da verdade. Em Amós 8:10-13, lemos o que Deus está dizendo ao profeta: “E tornarei as vossas festas em luto, e todos os vossos cânticos em lamentações; e porei pano de saco sobre todos os lombos, e calva sobre toda cabeça; e farei que isso seja como luto por um filho único, e o seu fim como dia de amarguras. Eis que vêm dias, diz o Senhor DEUS, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR. E irão errantes de um mar até outro mar, e do norte até ao oriente; correrão por toda a parte, buscando a palavra do Senhor, mas não a acharão. Naquele dia as virgens formosas e os jovens desmaiarão de sede.” Deus está falando de uma fome espiritual; uma fome “de ouvir as palavras do SENHOR”. A Palavra de Deus é comparada ao grão (Mateus 13:3-30; Lucas 8:11; ao Pão da vida (Mateus 4:4); e ao próprio Jesus (João 6:35-58; 1 Coríntios 10:16; João 1:1,14,29).

Na Bíblia, os líderes Israelitas tinham que ser ungidos com óleo, como um sinal de que Deus os havia escolhidos para o trabalho (Levíticos 8:12; 1 Samuel * 10:1). Óleo, então, pode ser entendido como sendo um símbolo para o Espírito Santo (Atos 10:34-43; 1 João 2:20-28). Vinho pode representar salvação através do sangue de Jesus, derramado por Seus filhos (Mateus 26:27-29; Marcos 14:23-25; Lucas 22:20). João 15:1-11 diz que Jesus é a verdadeira vinha. Salvação vem através dEle.

O 3o. selo marca um paralelismo com a igreja em Pérgamo, onde as falsas doutrinas começaram a entrar na igreja, diluindo a mensagem do Evangelho. Divisão na igreja causada pelas diferentes crenças, é evidência de uma guerra espiritual. Quanto mais as pessoas se afastam da mensagem original, mais séria a seca espiritual se torna e, consequentemente, mais severa a fome. Mas, nem toda a esperança se perdeu. Ao vencedor em Pérgamo, Jesus prometeu que Ele daria de comer do Maná escondido. Os verdadeiros seguidores do Senhor, que se mantêm fiéis a Ele, irão um dia receber o próprio Cristo, e nunca mais terão fome da Palavra outra vez.

*** Visão Geral ***: O cavalo preto e seu cavaleiro saem do céu em direção à Terra, para controlar os recursos disponíveis na Terra, com a Sua balança. Mas a salvação e o trabalho feito pelo Espírito Santo não deverão ser afetados pela fome espiritual, porque essas atividades são independentes da escolha humana. Essas são operações divinas. Por outro lado, rejeitar ou aceitar o Pão da Vida são prerrogativas humanas. Porém, aqueles que escolherem rejeitar, irão trazer à tona uma condição miserável de seca e fome espiritual. Com esse entendimento, podemos ver que o cavaleiro no cavalo preto é Jesus. Com Sua balança, Ele está mostrando ao mundo, as consequência da rejeição à Sua mensagem. Mas, ao mesmo tempo, Ele garante que Suas promessas de enviar o Espirito Santo e de conceder a Vida Eterna irão continuar inalteradas e disponíveis para quem acreditar.

   
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