Saturday, 29 October 2016 22:24

37. Os sete selos: visão geral * Apocalipse 6

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Antes de entrarmos nos detalhes de cada selo, precisamos ter uma visão geral dos Sete Selos. Os eventos no capítulo 4 e 5 de Apocalipse terminaram com um culto de louvor fenomenal, e com a ascensão de Cristo ao trono. Com Jesus sentado ao lado direito do Pai, e sendo reconhecido como digno de abrir os selos, todos os olhos se voltaram novamente para o livro selado em Suas mãos. Ao Jesus abrir cada um dos selos, vemos a descrição de eventos surpreendentes, mas não vemos a leitura do conteúdo do livro. Não é difícil entender que o livro só pode ser lido depois que todos os selos tiverem sido removidos. No entanto, cada selo é o gatilho de acontecimentos na Terra. E esses eventos estão descritos no capítulo 6 e no começo do capítulo 8 de Apocalipse. Existe uma pausa entre o 6o. e o 7o. selos. Essa pausa funciona como um parêntesis. Essa interrupção é necessária para dar um zoom em algumas informações importantes. Então, quando essas informações são explicadas no capítulo 7, a abertura dos selos volta a prosseguir no capítulo 8.

No Israel antigo, o novo rei costumava exercer seu julgamento sobre seus inimigos logo após ter tomado posse do trono (1 Reis 2; 1 Reis 16:11; 2 Reis 9:14-37 à 2 Reis 10:27; 2 Reis 11:1,13-16). O fato da abertura dos selos ser o primeiro ato de Cristo como Rei, nos faz pensar que os selos têm em si um elemento de julgamento. Mas, ao contrário do julgamento dos reis de Israel, o julgamento contido nos selos não são direcionados aos inimigos de Deus, mas sim ao povo de Deus. Podemos então concluir que Seu julgamento é baseado no amor, e tem a intenção de chamar o povo para o arrependimento. Para relembrar o tema das sete cartas de Apocalipse, os Sete Selos têm a ver com o caminho que o vencedor escolhe. Quando Deus disciplina Seus filhos, é sempre com a intenção de salvá-los, e guiá-los de volta para Si. Como Jesus disse em Apocalipse 3:19, “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.

Jon Paulien, um professor de teologia, especializado em livros da Bíblia escritos pelo apóstolo João, observou que os primeiros quatro selos contêm os mesmos temas das maldições do concerto, encontradas no Pentateuco (primeiros 5 livros da Bíblia). Essas maldições são encontradas em Deuteronômio 28:15-68, e estão enraizadas em Levíticos 26:21-26. Ezequiel fala sobre “quatro maus juízos” ou julgamentos severos, que Deus iria mandar sobre Jerusalém por causa da sua desobediência: espada, fome, pestilência, e feras (Ezequiel 14:21). Jeremias 15:2-3 menciona 4 tipos de maldições que Deus iria derramar sobre Jerusalém. O povo com quem Deus tinha um concerto naquela época não estava disposto a seguir Suas instruções. Ao rejeitar a palavra de Deus, Israel decidiu se opor à proteção de Deus, e inevitavelmente se expor às consequências de sua própria decisão. Como resultado da apostasia de Israel, as pessoas sofreriam os ataques de seus inimigos. A história nos conta como o povo acabou sendo levado para o exílio na Babilônia. Essas maldições eram frequentemente mencionadas no Antigo Testamento, e sempre tinham como objetivo levar as pessoas ao arrependimento. (Jeremias 14; Jeremias 15; Jeremias 21:6-9; Jeremias 24:10; Jeremias 29:17-18; Ezequiel 5:12-17; Ezequiel 6:11-12; Ezequiel 12-23; Ezequiel 33:27-29).

Da mesma maneira que Deus permitiu que Israel sofresse as consequências de sua desobediência, e passasse por guerras, fome, pestilência, e animais ferozes, Ele também prometeu que livraria Seus servos dos seus inimigos (Deuteronômio 32:41-43). Podemos ver que Deus tomava as dores do povo para si, pois chamou os inimigos de Israel "Meus adversários [...] que Me odeiam" (Deuteronomio 32:41). Isso é exatamente o que vemos no 5o. selo. Em Deuteronômio 32:43, lemos: “Jubilai, ó nações, o seu povo, porque ele vingará o sangue dos seus servos, e sobre os seus adversários retribuirá a vingança, e terá misericórdia da sua terra e do seu povo.” Mais uma vez, vemos que, quando o julgamento de Deus é direcionado ao Seu povo, o propósito é redenção. Quando é direcionado aos Seus inimigos, o propósito é a execução da justiça de Deus.

Stefanovic notou que o capítulo 6 de Apocalipse também segue o formato do sermão que Jesus pregou no Monte das Oliveiras (Mateus 24; Marcos 13; Lucas 21). Outra vez vemos os temas de guerra, fome, pestilência, e perseguição mencionados. Além disso, vemos também o paralelo com o 6o. selo, com a menção dos sinais no céu, lamentações, e a Segunda Vinda de Cristo.

*** Visão Geral ***: Da mesma forma como vimos nas Sete Igrejas, os Sete Selos cobrem o período profético do tempo de João até a Segunda Vinda. Mas o ponto de vista apresentado é diferente. As Sete Igrejas descreveram eventos relacionados com a história da igreja. Os Sete Selos estão relacionados com a pregação e aceitação do evangelho através da história. Falam do caminho de altos e baixos onde o vencedor está prosseguindo. No Antigo Testamento, vemos uma descrição parecida da jornada do povo de Israel, e como Deus lidou com o povo durante aquele tempo. Deus iria mandar Seu julgamento sobre as pessoas quando elas estivessem quebrando a aliança que Deus havia estabelecido com elas. Esses julgamentos eram muitas vezes descritos como guerra, fome, pestilência, e animais ferozes. A princípio, essas consequências parecem ser um pouco duras demais. Mas Deus, em Seu infinito amor e sabedoria, sabia o que era necessário ser feito para trazer o povo de volta para Si. Trazer o povo ao arrependimento era o objetivo principal por trás das maldições do concerto do Antigo Testamento. Julgamentos parecidos são também encontrados no Novo Testamento, onde o próprio Jesus estava ensinando sobre os últimos dias nessa Terra. Porque Deus é amor, Sua missão não é condenar aqueles que escolhem serví-Lo. Ele não quer ver ninguém se perder. Ele respeita o nosso direito de escolher o lado ao qual queremos pertencer. Cada escolha traz suas repercussões. Se escolhermos o lado dEle, automaticamente damos a Ele permissão para corrigir o curso do nosso caminho de volta ao rumo certo. Se escolhermos não estar do lado dEle, então, automaticamente nos expomos à garantida execução de Sua justiça, e às consequências de não estarmos escolhendo a vida. Não tem como existir vida longe do Doador da Vida.

   
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