Saturday, 27 August 2016 01:42

28. Uma porta aberta para o trono * Apocalipse 4:1-4

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1   Depois dessas coisas olhei, e diante de mim estava uma porta aberta no céu. A voz que eu tinha ouvido no princípio, falando comigo como trombeta, disse: "Suba para cá, e lhe mostrarei o que deve acontecer depois dessas coisas".

2   Imediatamente me vi tomado pelo Espírito, e diante de mim estava um trono no céu e nele estava assentado alguém.

3   Aquele que estava assentado era de aspecto semelhante a jaspe e sardônio. Um arco-íris, parecendo uma esmeralda, circundava o trono,

4   ao redor do qual estavam outros vinte e quatro tronos, e assentados neles havia vinte e quatro anciãos. Eles estavam vestidos de branco e tinham na cabeça coroas de ouro.

 

Nos capítulos 1 a 3 de Apocalipse, temos Jesus andando em meio às igrejas, e o foco está sobre o que está acontecendo nas igrejas aqui na Terra. O texto no capítulo 1 utiliza simbologia referente ao Santuário do Antigo Testamento. Já estudamos as referências que João fez sobre os candelabros, os itens de bronze, e as vestimentas sacerdotais. A última das sete cartas às igrejas da Ásia termina com uma promessa ao vencedor, que diz que aquele que vencer irá sentar com Jesus em Seu trono, da mesma maneira que Ele se assentou no trono com Seu Pai (Apocalipse 3:21). Esse verso é a transição perfeita para o capítulo 4, onde vemos a descrição dos eventos acontecendo no Céu. Esses eventos são essenciais para entendermos o restante do livro de Apocalipse. A linguagem do Santuário continua no capítulo 4 e 5, onde iremos ler sobre o que está acontecendo ao redor do trono de Deus.

*** Porta aberta no Céu, e o convite dAquele que tem a voz como de uma trombeta ***: Após João receber a mensagem sobre as igrejas, ele olha para cima, e vê uma porta aberta no Céu. Então, João ouve Aquele que tem a voz como uma trombeta. É a mesma voz que ele ouviu em Apocalipse 1:10 (estudo #7). Jesus está chamando João a subir e entrar pela porta aberta. Jesus quer mostrar para ele o que precisa acontecer no futuro, do ponto de vista de João. Essa frase nos lembra o que Jesus disse a João em Apocalipse 1:19. Mas aqui, João não recebe a ordem de escrever o que Jesus está mostrando. Jesus o convida a ver as coisas. Assim que João ouviu esse convite, ele foi imediatamente levado em visão, recebendo a mensagem de Cristo. Da mesma maneira que ele falou em Apocalipse 1:10, ele "está no Espírito". Essa porta que João atravessa, leva a um ambiente no Céu, e ele viu ali um trono muito bonito. A palavra porta (no Grego thura), ocorre muitas vezes no Antigo Testamento, e na maioria das vezes, se refere ao Santuário ou Templo. Esse fato é muito importante, como vamos ver nos próximos versos. Essa porta era a passagem para o Santuário Celeste.

*** O trono, e Aquele que se assenta no trono ***: João logo vê um trono magnífico. O trono de Deus é mencionado em 16 dos 22 capítulos de Apocalipse, e em várias ocasiões, o trono é usado para representar o próprio Deus. O trono é o tema central do capítulo 4. Tudo é descrito em relação ao trono. João então vê quem está sentado no trono. Ele O identificou como "o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, que é, e que há de vir" (Apocalipse 4:8), e "Senhor" (Apocalipse 4:11). Mas em outros versos, João se refere à Deus como o "que estava assentado sobre o trono" (Apocalipse 4:3,9,10; Apocalipse 5:1,7,13). O Antigo Testamento traz frequente essa imagem de Deus assentado em Seu trono no Céu, mostrando de onde Ele reina em toda Sua glória e poder (1 Reis 22:19; Salmo 47:8; Salmo 93:1-2; Salmo 97:1-9; Salmo 99:1-5; Isaías 6:1; Ezequiel 1:26; Daniel * 7:9).

*** Descrição de Deus: Ele se parece com as pedras jaspe, sardônica, e esmeralda ***: algumas versões da Bíblia traduzem sardônica ou sárdio (do grego sardiō) como rubi. Esmeralda (do grego smaragdinō), é às vezes traduzida como turquesa. Todas essas três pedras eram encontradas na vestimenta do rei de Tiro (Ezequiel 28:13). Estão também na fundação da Nova Jerusalém (Apocalipse 21:19). Mas como o simbolismo do Santuário é tão forte nesse capítulo, precisamos nos concentrar no que encontramos ali para podermos entender melhor o significado dessas pedras. Elas são encontradas no peitoral do Sumo Sacerdote no Antigo Testamento (Êxodo 28:17-20). Sárdio e jaspe são a primeira e última pedra no peitoral. Elas representam as tribos de Rúben e Benjamin, respectivamente. A esmeralda é a 4a. pedra no peitoral, representando a tribo de Judá. Sob a luz da linguagem do Santuário, essa descrição das pedras identifica Aquele que está sentado no trono como tendo as mesmas características de Cristo: "primeiro e último" (Apocalipse 1:11,17), e "Leão da tribo de Judá (Apocalipse 5:5). Aquele sentado no trono é um com Cristo.

*** O arco-íris ao redor do trono ***: Ezequiel 1:28 também descreve o arco-íris ao redor do trono de Deus, e diz que "era o aspecto da semelhança da glória do Senhor." O arco-íris é um arco de 7 cores que Deus colocou no céu após o dilúvio, como uma aliança perpétua entre Deus e Seu povo, lembrando que Ele nunca mais iria destruir a Terra com água outra vez (Gênesis 9:12-17). Podemos entender que a glória de Deus é para nós um lembrete do quanto podemos confiar nEle.

*** 24 tronos e 24 anciãos, vestidos de branco, e com uma coroa na cabeça ***: a atenção de João é então direcionada para outros tronos. Ele primeiro vê 24 tronos, e só depois menciona os 24 anciãos. No Antigo Testamento, lemos sobre um grupo de 24 sacerdotes que alternavam no ofício do Santuário (1 Crônicas 24:1-19). Mais uma vez, o simbolismo do Santuário está presente aqui, e faz sentido. A presença de 24 anciãos ali é algo esperado. No verso 4, João nos dá uma breve descrição desses anciãos. Eles também são mencionados em outras partes de Apocalipse, então vamos analisar todas as informações que temos deles para podermos entender quem eles são. Será que eles são anjos? Ou seres humanos? Podemos traçar um paralelo entre a descrição dos 24 anciãos e as promessas feitas para o vencedor, no livro de Apocalipse. O vencedor recebe promessas de coisas que o anciãos já possuem:

  24 Anciãos Os vencedores
1) Eles sentam em tronos ao redor do trono de Deus (Apocalipse 4:4) They will sit in a throne with God (Revelation 3:21)
2) Eles usam vestes brancas, e têm na cabeça a coroa stephanos (Apocalipse 4:4) Eles irão usar vestes brancas e coroas de vitória (stephanos) (Apocalipse 3:5; Apocalipse 2:10)
3) Eles adoram a Deus (apocalipse 4:10-11; Apocalipse 5:14; Apocalipse 11:16; Apocalipse 19:4) Eles irão adorar Deus (Apocalipse 7:10)
4) Eles têm em suas mãos harpas; e taças de incenso, que são as orações dos santos (Apocalipse 5:8) Eles irão receber harpas (Apocalipse 15:2), e oram/clamam a Deus (Apocalipse 6:10)
5) Deus os fez reino e sacerdotes, e reinarão sobre a Terra (Apocalipse 5:10)* Eles foram constituídos reino e sacerdotes (Apocalipse 1:6), Eles irão reinar sobre a Terra (Apocalipse 2:26-27)
7) Eles foram remidos pelo sangue de Jesus (Apocalipse 5:9) Eles serão redimidos pelo sangue de Jesus (Apocalipse 7:14)

* Manuscritos do Textus Receptus, que é um dos manuscritos no qual as traduções mais antigas da Bíblia foram baseadas, como por exemplo, a versão King James.

 

Todos os seres não caídos, como os anjos e outros seres celestiais, adoram a Deus. O fato de que os anciãos adoram a Deus, não nos ajuda a identificá-los mais especificamente. Os não caídos nunca pecaram, e portanto, não podem ser considerados como sendo remidos. Isso torna evidente, que os anciãos não poderiam ser seres não caídos ou anjos, uma vez que Apocalipse 5:9 diz que os anciãos foram remidos pelo sangue (traduções baseadas nos manuscritos do Textus Receptus, veja também versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel). Outro argumento que apoia essa visão, é o de que não existem promessas na Bíblia feitas a anjos, dizendo que eles irão reinar sobre a Terra. O povo escolhido de Deus na Terra são aqueles chamados de reino e sacerdotes. Somente o povo remido recebe a promessa de uma veste branca de justiça e uma coroa de vitória. Nunca os anjos são descritos como tendo uma coroa dessas. E por fim, somente os remidos recebem a promessa de se assentarem no trono com Deus. Os anjos são sempre mencionados como estando de pé ou prostrados na presença de Deus. Podemos ver que os 24 anciãos são muito provavelmente seres humanos. Humanos que já foram glorificados. Mas como esses humanos foram parar no Céu antes da Segunda Vinda de Cristo?

De acordo com a Bíblia, quando as pessoas morrem, elas não são imediatamente levadas para um local de fogo eterno, ou para o céu (estudo #10). A Bíblia ensina que os mortos não sabem nada (Eclesiastes 9:5), eles estão como em um sono (Salmo 90:5; João 11:11-14; 1 Tessalonicenses 4:13), e que as pessoas irão receber sua recompensa somente no último dia (Apocalipse 22:12). No entanto, a Bíblia menciona algumas pessoas especiais, que receberam sua recompensa adiantadamente, e tiveram o privilégio de serem levadas para o céu antes da Segunda Vinda de Cristo. Sabemos que Enoque, Moisés, e Elias foram levados ao Céu (Gênesis 5:24; Hebreus 11:5; 2 Reis 2:11; Judas 1:9; Mateus 17:3). Enoque e Elias nunca nem passaram pela morte. A Bíblia também nos diz que quando Cristo morreu e ressuscitou, “abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados” (Mateus 27:52). Da mesma forma como era costume do rei vitorioso na antigüidade, após vencer a batalha contra Seu inimigo, Cristo levou consigo os despojos de guerra. Em outras palavras, Ele levou para Si pessoas, com o objetivo de integrá-las à população de Seu próprio País Celestial. O Salmo 68:18 e Efésios 4:8 nos diz que Jesus levou para Si muitos cativos, na Sua ascensão ao Céu. Essas pessoas haviam sido escravizadas à breve existência na Terra, e se encontravam escravizadas ao seus sepulcros. Mas Jesus as tirou dessa condição. Não sabemos quantas pessoas foram ressuscitadas naquele momento. Existe a possibilidade de que elas foram levadas ao Céu para servirem como oficiais do Santuário - representantes vivos da humanidade no céu. O fato de que haviam 24 anciãos é importante, porque 24 é o dobro de 12. O número 12 está em destaque em Apocalipse, uma vez que o livro menciona as 12 tribos de Israel (como símbolo da igreja no Antigo Testamento), e os 12 discípulos (como símbolo da igreja no Novo Testamento). A nova Jerusalem é descrita como tendo 12 portões, com os nomes das doze tribos, e 12 fundações, que têm on nome dos doze apóstolos (Apocalipse 21:12-14). O número 12 + 12 representa a totalidade do povo de Deus através da História.

Todas as passagens Bíblicas incluídas nesse texto de hoje, nos dizem que o normal não é que as pessoas vão para o céu quando elas morrem. De fato, todos esses cativos, assim como Moisés, foram ressuscitados primeiro antes de serem levados. E é isso que vai acontecer no último dia também. Aqueles que morreram na fé de Jesus irão ser ressuscitados primeiro (1 Tessalonicenses 4:16). Vez após vez, vemos que essas pessoas que morreram na Terra e que foram levadas ao Céu, sempre, sem exceção, passaram pelo processo de ressureição primeiro - inclusive Jesus. Não podemos descartar a possibilidade de o grupo de 24 anciãos ser formado por essas pessoas mencionadas na bíblia. Pelas que foram levadas sem terem passado pela morte, e também por aqueles que foram ressuscitados e então levados. Eles são os perfeitos representantes do povo de Deus, que irá se unir a eles no último dia: “[…] e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois disso, os que estivermos vivos seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre.” (1 Tessalonicenses 4:16-17).

*** Visão Geral ***: Os primeiros quatro versos no capítulo 4 apresentam dois temas principais, que vão aparecer várias vezes nos próximos capítulos: o trono de Deus, e os 24 anciãos. O trono, no entanto, é o foco central. Tudo é descrito usando o trono como ponto de referência (sobre o trono, ao redor do trono, do trono, diante do trono, em meio ao trono). João descreve o trono como sendo algo espetacular, e ele usa, em sua descrição, algumas pedras preciosas da vestimenta do Sumo Sacerdote do Antigo Testamento. A aliança inquebrável de Deus também está presente, e representa Sua misericórdia e glória infalível. A palavra de Deus é verdadeira, e confiável. Dele são a primeira e a última palavra. A descrição do trono do Pai nos faz lembrar dos atributos usados para descrever Cristo. O trono de Deus é uma referência direta ao próprio Pai, e sua unidade com o Filho. O paralelismo com o Santuário do Antigo Testamento é bastante evidente, e isso indica claramente onde João se encontra em visão. O Santuário na Terra era apenas uma cópia (ou sombra) do que está no Céu (Hebreus 8:2,5). Agora que situamos onde a visão está acontecendo, podemos esperar encontrar mais coisas que existiam no Santuário Terrestre. E realmente encontramos: 24 anciãos que servem como sacerdotes - eles carregam taças cheias de incenso que são as orações dos santos (Apocalipse 5:8). Esses sacerdotes representam os remidos de Deus.

   
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