Saturday, 30 December 2017 23:58

93. A besta que emerge da terra: um novo poder * Apocalipse 13:11-12 - PARTE 1

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11 E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão.

12 E exerce todo o poder da primeira besta na sua presença, e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada.

 

PARTE 1

 

*** Contexto Geral ***: Durante os últimos sete estudos, nos aprofundamos nos detalhes que envolvem a besta que saiu do mar, que foi o primeiro dos aliados de Satanás neste planeta. Aprendemos que a primeira besta é um poder religioso e político que procura dominar e enganar o mundo. Como vimos no estudo #86, o termo ‘besta’ é usado na Bíblia para se referir a uma força governamental de influência global. O simbolismo em Apocalipse 13 não pára no termo ‘besta’. Todo o capítulo inclui muitos símbolos, inclusive o lugar de origem da besta. A primeira besta saiu do mar. O termo ‘mar’ é uma referência a uma parte do planeta que o dragão queria reivindicar para si mesmo quando foi expulso do Céu. A Bíblia diz que, depois que o dragão perdeu a guerra no Céu, ele dirigiu a sua atenção para os habitantes do mar e da terra (Apocalipse 12:12, ver também estudos #84 e #85). A porção do planeta em que Satanás estava interessado era o próprio povo.

*** Uma segunda besta ***: Em sua visão, João tinha testemunhado a primeira besta emergir do mar. Depois que ele descreveu as atividades da besta que saiu do mar e a ferida mortal que ela recebeu, ele passou a contar que viu mais uma besta surgir. A segunda besta veio da terra, a outra parte do planeta que Satanás estava reivindicando para si próprio. Isso significa que Satanás queria conquistar toda a população do mundo. A besta que saiu da terra era um novo governo poderoso.

Em Apocalipse 12:13-16, lemos sobre como Satanás perseguiu a Igreja, retratada como a mulher, e como Deus tinha preparado para ela um lugar de refúgio. Então vimos como Satanás atacou a mulher com uma terrível enchente de água que saiu de sua boca. A água levou embora a mulher, mas a terra veio em seu socorro e engoliu a água. Note como a terra, que ajudou a mulher, é também o lugar de origem da segunda besta. O que temos em Apocalipse 13 é a expansão dos detalhes sobre a guerra contra o povo de Deus visto no capítulo 12. Os mesmos elementos estão presentes no capítulo 13. A água que sai da boca da besta são as mentiras que Satanás está espalhando sobre Deus e sobre salvação. Apocalipse 12:16 diz que a terra engoliu a enchente, ‘salvando’ assim a mulher. Na realidade, a terra ficou contaminada pelos falsos ensinamentos que saíram da boca do dragão. É a partir desta terra contaminada que a segunda besta emerge. Devemos entender que a besta que saiu da terra tem o mesmo discurso venenoso que o dragão. Sabemos disso porque ela fala como o dragão (Apocalipse 13:11).

*** Ela tem chifres como um cordeiro, mas fala como um dragão ***: A primeira besta tinha uma aparência muito semelhante ao próprio dragão, com dez chifres e sete cabeças. Nesse sentido, se parecia com o dragão e também agia como o dragão. A besta que saiu da terra, no entanto, não se parece com o dragão. Ela só tem dois chifres e realmente se parece com um cordeiro. Em Apocalipse 5:6, vimos Jesus como o “um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete pontas e sete olhos”. A besta que saiu da terra se apresenta de forma muito favorável, com a aparência de um cordeiro, uma figura semelhante à de Cristo. A besta que saiu da terra se parece com um cordeiro, mas não é exatamente como o Cordeiro que foi morto. Ao lermos o próximo atributo da besta, descobriremos que, apesar de ser parecida com um cordeiro inocente, seu verdadeiro caráter e lealdade se alinham com Satanás, porque ela prega a mensagem do dragão. A apresentação externa da besta parece ser apenas um meio de enganar as pessoas e distraí-las de sua verdadeira agenda satânica. Por causa das semelhanças entre a primeira besta e a besta descrita em Daniel * 7, é mais fácil identificar quem é representado pelos dez chifres. No entanto, os dois chifres na segunda besta não são tão fáceis de compreender plenamente. Ainda assim, podemos ver a natureza dupla da segunda besta na maneira como João a descreveu:

- Ela tem dois chifres (Apocalipse 13:11)
- Ela se parece com um cordeiro por fora, mas na verdade é como um dragão por dentro (Apocalipse 13:11)
- Ela mesma tem grande poder, mas o usa para dirigir a adoração a outra entidade (Apocalipse 13:12)
- Ela deslumbra as pessoas com grandes milagres, mas persegue quem não quer obedecer aos seus decretos (Apocalise 13:14-15)
- Ela dá vida a uma imagem, mas mata pessoas reais (Apocalipse 13:15)

Apocalipse 13:14 diz que a besta que saiu da terra engana as pessoas por meio de milagres extraordinários. A segunda besta é capaz de apresentar seus argumentos de uma maneira que os faz parecer corretos e atraentes. Agora podemos ver como a mulher em Apocalipse 12 se sentiu compelida a aceitar a ajuda da terra. A terra parecia tão amigável ao vir em seu socorro! Na realidade, a terra levou a mulher para longe do lugar que Deus havia preparado para ela.

*** Ela tem o poder da primeira besta ***: A primeira besta recebeu seus poderes do dragão (Apocalipse 13:4). A segunda besta “exerce todo o poder da primeira besta” (Apocalipse 13:12). Isto significa que a besta que saiu da terra também recebeu o poder do dragão. Mesmo que a besta que saiu da terra não se pareça com o dragão e não aparente ser ligada ao dragão, suas ações e sua mensagem refletem os valores do dragão. Suas ações fazem as pessoas quebrarem os mandamentos de Deus: ele leva as pessoas a adorarem alguém que não é Deus. Ela faz com “que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta” (Apocalipse 13:12). Assim como a primeira besta, a segunda besta não só exerceu uma influência política global quando surgiu, mas também estabeleceu sua presença na arena espiritual. No entanto, a sua abordagem diferiu significativamente. Enquanto a besta que saiu do mar procura ser adorada e ser deus na terra, a besta que saiu da terra prefere ser temida em vez de receber adoração. E assim, ela dirige o culto à besta que saiu do mar e ameaça matar a todos os que não lhe obedecem (Apocalipse 13:15).

No topo de sua influência, a besta que saiu da terra irá exercer todos os poderes da primeira besta. Isso significa que no tempo do fim, a segunda besta vai estar fazendo o que a primeira besta fez durante a Idade Média. A besta que saiu do mar perseguiu e matou aqueles que ela considerava hereges e que desejavam seguir a Bíblia e não às tradições acumuladas ao longo do tempo. Tais tradições ajudaram a fortalecer a autoridade do sistema da besta. Quanto mais as pessoas seguem cegamente a tradição, mais poder o sistema da besta recebe. A primeira besta matou e perseguiu. A segunda besta irá fazer o mesmo, e, certamente, de uma forma muito mais intensa. Jesus disse: “Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver. E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias.” (Mateus 24:21-22).

A primeira besta teve que sofrer uma ferida mortal para que um segundo poder pudesse vir e alcançar as pessoas que a haviam rejeitado. Agora temos um breve vislumbre das semelhanças entre o trabalho realizado pela segunda besta e a obra do Espírito Santo. Após a ascensão de Cristo, Deus enviou o Espírito Santo à Terra a fim convencer as pessoas “do pecado, da justiça e do juízo” e ensina-las “em toda a verdade” (João 16:5-15). A besta que saiu da terra surgiu após a besta que saiu do mar, para ensinar para as pessoas, a mensagem do dragão. Mas, uma grande diferença entre esses dois trabalhos é que a falsa trindade se estabeleceu a fim de enganar o mundo, enquanto a verdadeira Trindade está trabalhando para salvá-lo.

*** Ela direciona as pessoas a adorarem a primeira besta ***: O direcionar as pessoas para que adorem a primeira besta é a manifestação do discurso de dragão que Apocalipse diz que a segunda besta tem. De acordo com os mandamentos de Deus, não devemos adorar outros deuses (Êxodo 20:3). A primeira besta alegou ter mudado a lei de Deus, e a besta que saiu da terra manteve essa mudança. Lembre-se que a primeira besta era um sistema religioso que afirmava professar a fé cristã. A segunda besta é também um sistema que apresenta valores cristãos para o povo. Assim como o dragão, a besta que saiu da terra inclui em sua mensagem alguns elementos de verdade misturados com alguns falsos ensinamentos. Lembra como Satanás tentou a Jesus ao citar versículos da Bíblia de maneira incorreta? (Mateus 4:1-11). Lembra como a serpente convenceu Eva torcendo o que Deus lhe havia ensinado sobre a árvore? (Gn 3:1-5). Isso é que torna tão atraente a mensagem da besta. Os argumentos soam bons o suficiente para serem considerados bons e corretos. Jesus pôde resistir à tentação ao se apegar à verdade bíblica (“está escrito”) e à sua relação com o Pai. Eva caiu em tentação porque ela seguiu a mensagem convincente da serpente - ela se concentrou nas boas qualidades que a árvore aparentava oferecer (Gênesis 3:6). Ela abandonou a Palavra de Deus naquele momento.

Em Mateus 24:24 lemos a advertência de Jesus contra os que ensinam a fé Cristã de forma diferente da Sua mensagem original: “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” Observe a ordem em que Jesus disse que estes impostores viriam:

1) imitadores de Cristo;
2) pessoas professando uma mensagem falsa, em nome de Cristo.

As bestas que apareceram em cena, em Apocalipse 13, seguiram exatamente essa ordem. A besta que saiu do mar é um sistema de imitadores de Cristo, e a besta que saiu da terra é um sistema de falsos profetas. Tanto é, que mais adiante, em Apocalipse 16:13; 19:20; 20:10, a besta que saiu da terra é referida como falso profeta.

*** Quando surgiu a besta que saiu da terra? ***: A maior parte das atividades em que a besta que saiu da terra está envolvida, parece acontecer no tempo do fim, após a cura da ferida mortal sobre uma das cabeças da besta que saiu do mar. Mas toda a atenção que a besta que saiu da terra direciona para a besta que saiu do mar, sugere que a segunda besta está envolvida no processo de cura da ferida mortal. Houve a necessidade de um poder diferente surgir porque a primeira potência tinha recebido um golpe fatal na cabeça e já não mais podia exercer o poder necessário para conduzir suas metas no campo político, como antes. Muitas pessoas haviam tomado uma posição de oposição aos poderes da primeira besta. Então, uma vez que a primeira besta perdeu o seupoder de alcance, a segunda besta teve a oportunidade de apresentar-se e oferecer modalidades espiritual e política atraentespara as pessoas. Isso nos faz pensar que a segunda besta apareceu durante a fase “já não é”, ou seja, logo após o ferimento mortal em uma das cabeças da besta que saiu do mar (veja os estudos #92, Apocalipse 17:8). Durante nosso último estudo, vimos como o momento do ferimento mortal parece se encaixar bem com o tempo em torno da Revolução Francesa. Esse não é um tempo aleatório, mas sim, baseado nas profecias de Daniel, que devido à sua extensão, não estudaremos na lição de hoje. Em algum momento durante a Revolução Francesa, um poder governamental surgiu longe da Europa, muito amigável para com os cristãos, e também possuindo valores cristãos. As linhas definindo quais governos específicos são esses não são muito claras. Talvez isso queira nos dizer que o foco não deve estar em identificar qual nação é a besta que saiu da terra, mas sim, quais comportamentos bestiais devemos esperar.

*** Visão Geral ***: Jesus disse: “E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo. E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.” (Mateus 24:11-14). A palavra traduzida como iniquidade é a palavra grega anomia, que literalmente significa falta de lei. O amor das pessoas para o Senhor vai diminuir, porque abandonaram os princípios de Deus. Elas perderam o foco em Deus e começaram a se concentrar em si mesmas. Um estado em que as pessoas estão sem lei é um estado de pecado. A falta de lei é o objetivo final do dragão. É evidente aqui que a Lei de Deus desempenha um papel muito importante durante os eventos finais. Ela permite que os registros celestiais mostrem de que lado estamos, não para o benefício de Deus, porque Ele já sabe tudo, mas para o nosso próprio benefício e para o benefício de todo o universo. Aqueles que mantém a Lei de Deus são os que amam a Deus (Apocalipse 12:17), portanto, aqueles que não a mantém são aqueles que O rejeitam. Vimos no estudo #92 como a besta que saiu do mar e o homem do pecado (homem sem lei/'anthrōpos tēs anomias' em grego) descrito em 2 Tessalonicenses 2:3-4 são a mesma entidade. A besta que saiu da terra é um poder que parece correto e bom, mas na verdade procura levar as pessoas para longe da Lei de Deus. Ela age parecendo ser muito amigável, e atraente. Mais uma vez, devemos enfatizar: o livro do Apocalipse não lida com um único indivíduo. É sempre a respeito de um sistema que se estabeleceu para amplificar a mensagem do dragão ao mundo. A boa notícia é que realmente não importa se nós, como indivíduos, vivemos ou não sob tais governos semelhantes à besta. A Bíblia diz que o mundo inteiro está sob a influência do sistema da besta. Todo o mundo é afetado por esse sistema. Se continuarmos tentando encaixar um governo único como sendo a besta, poderemos não enxergar o fato de que os enganos vêm de todas as direções. A Bíblia diz que os líderes mundiais, bem como aqueles que habitam no planeta, beberam o vinho da fornicação oferecidos pelos agentes de Satanás (Apocalipse 17:2). Em vez disso, devemos nos concentrar no comportamento esperado que a besta que veio da terra demonstra, assim, seremos capazes de reconhecer a ocasião em que qualquer governo resolver falar como o dragão. Enganos podem vir de todas as nações, e como disse Jesus, seremos odiados por todas as nações por causa do Seu nome (Mateus 24:9). Além disso, a guerra espiritual ainda não terminou e Deus ainda está estendendo oportunidades de salvação e a verdadeira mensagem a todas as nações rebeldes. Jesus disse: “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”. (Mateus 24:14). O mais importante a se lembrar é que Jesus já providenciou um caminho para a vitória. Na verdade, a vitória está garantida para aqueles que confiam em Deus, que O amarem até o fim, e que acreditam na salvação trazida pela morte e ressurreição de Jesus Cristo.

   
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