Saturday, 09 December 2017 13:57

92. A besta que emerge do mar: Quem é a besta? Será que estou seguindo ela? * Apocalipse 13:1-10 - PARTE 7

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PARTE 7

*** Aplicação Profética ***: Ao longo dos 6 estudos anteriores, vimos em detalhe os versículos da Bíblia sobre o primeiro agente do dragão: a besta que sai do mar. Satanás está focado em vencer a guerra contra Deus. Na verdade, ele vem travando essa guerra desde que estava no céu, quando passou a desejar se tornar como Deus, ascendendo ao trono de Deus para governar o universo (Isaías 14:13-14). As sete cabeças do dragão são repetidas na figura da besta que saiu do mar, destacando sua forte associação e seus objetivos idênticos.


A besta que saiu do mar é o primeiro dos dois poderes que o dragão convocou a fim de ajudá-lo em sua guerra contra o remanescente da mulher fiel (Apocalipse 13:1-2). Nos próximos estudos, vamos falar sobre os versos que explicam o segundo agente. Juntos, o dragão e as duas bestas formam um trio satânico com o objetivo de enganar o mundo inteiro. Eles se posicionam em uma estrutura semelhante à Trindade divina. A falsa trindade trabalha para apresentar uma mensagem competitiva para distrair as pessoas e levá-las para longe da verdade. Satanás, a quem a Bíblia identifica como o dragão e a antiga serpente (Apocalipse 12:9), deseja ocupar a posição do Pai. A besta que saiu do mar foi trazida para a equipe como um Jesus falsificado. Quando comparamos as atividades da besta com os eventos da vida de Jesus, podemos ver como a besta que saiu do mar trabalha para enganar as pessoas. Veja a tabela a seguir.

 

Jesus
Besta que saiu do mar
Saiu da água para começar o Seu ministério (Lucas3:21-23)
Saiu da água para começar o Seu ministério (Apocalipse 13:1)
"Quem me vê a [Jesus] vê o Pai" (João 14:9)
Quem vê a besta que saiu do mar vê o dragão (ambos têm sete cabeças, dez chifres, e várias coroas) (Apocalipse 12:3; Apocalipse 13:1)
Jesus recebeu autoridade do Pai (Apocalipse 2:27)
A besta que saiu do mar recebeu autoridade do dragão (Apocalipse 13:2)
Jesus tem muitos diademas em sua cabeça (Apocalipse 19:12)
A besta que saiu do mar tem 10 diademas na cabeça (Apocalipse 13:1)
Jesus trava guerra contra os ímpios com sua espada (Apocalipse 2:16; Apocalipse 1:16)
A besta que saiu do mar guerreia e mata com uma espada (Apocalipse 13:10)
Jesus tem sete chifres como o Cordeiro que foi morto (Apocalipse 5:6)
A besta que saiu do mar tem dez chifres (Apocalipse 13:1)
O ministério de Jesus durou 3,5 anos
As atividades da besta do mar duraram quarenta e dois meses proféticos (3.5 anos proféticos) (Apocalipse 13:5)
Jesus recebeu uma ferida mortal (Apocalipse 5:6)
A besta do mar recebeu uma ferida mortal (Apocalipse 13:3)
Jesus voltou à vida para receber grande poder e foi recebido com adoração intensa (Apocalipse5:11-14)
A besta que saiu do mar voltou à vida para receber grande poder e foi recebida com adoração intensa (Apocalipse 13:4-5)
Quem é como Deus (Miguel) (Apocalipse 12:7; Isaías 40:25)
Quem é semelhante à besta (Apocalipse 13:7)
O território de Jesus inclui“toda tribo, e língua, e povo, enação” (Apocalipse 5:9; Apocalipse 14:6-7)
O território da besta que saiu do mar inclui “todas as tribos, línguas e nações.” (Apocalipse 13:7)

 

Esta tabela deixa muito claro que a besta que saiu do mar está tentando imitar Jesus. A besta que saiu do mar é um poder que quer se estabelecer no lugar de Jesus. Isso é exatamente o que o termo “anticristo” significa. A palavra “anticristo” vem do grego antichristos. De acordo com a Concordância Strong's, anti significa “aquele que se coloca no lugar de” ou “inimigo” e christos significa “messias”. O poder anticristo é um poder que se coloca no lugar de Cristo. Este é exatamente o comportamento exibido pela besta que saiu do mar. A própria palavra 'anticristo' só é encontrada na Bíblia em 4 versos: 1 João 2:18,22; 1 João 4:3; 2 João 1:7. Paulo menciona ainda uma outra expressão, o “filho da perdição”, que se diz ser uma figura religiosa que se colocou acima de tudo. Paulo o chamou de um homem sem a lei (anthrōpos tēs anomias), que foi traduzido para o português como o "homem do pecado": “Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus." (2 Tessalonicenses 2:3-4). A figura do anticristo na igreja já estava no poder na época de João e Paulo. João escreveu: "mas todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus. Esse é o espírito do anticristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo.” (1 João 4:3). Nós sabemos que este problema começou dentro da Igreja, porque Paulo diz que o filho da perdição viria depois da apostasia de muitos na igreja e que se “[assentaria], como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus.” (2 Tessalonicenses 2:3-4).


Qualquer sistema alegando ter poderes que pertencem apenas a Deus está blasfemando ativamente contra Deus (veja o estudo #90). Lemos em Apocalipse 13:6, que a besta do mar blasfema contra Deus, Seu nome, Seu templo, e Seu povo (veja o estudo #90). Como parte do verdadeira Trindade e como o Cordeiro que foi morto, Jesus tem o poder de perdoar os pecados, de representar o Pai, de ser a ponte (ou mediador) entre o povo e o Pai, e de trazer julgamento sobre o povo. Qualquer entidade religiosa neste planeta alegando ter tais poderes está se comportando como a besta do mar, independentemente do nome dessa entidade. Como pecadores, os seres humanos não têm nenhum direito de julgar ou alterar preceitos que foram estabelecidos por Deus. Não cabe a nós determinar quem vai ou não vai ser salvo. Não cabe a nós colocar preço na salvação ou perdão dos pecados. Jesus morreu por nós para que pudéssemos ter uma conexão direta com o Pai. Ao interferir nesse processo de comunicação, a besta está abertamente negando o sacrifício de Jesus, mesmo embora a teologia da besta esteja sendo apresentada como uma religião cristã ao se sentar no templo de Deus, como diz Paulo. Mais uma vez, vemos aqui quão apropriado é o termo anticristo: no lugar de Cristo.

As atividades da besta espelham a oposição do dragão para com Jesus. Como tal, as cabeças da besta que saem do mar são uma representação das atividades políticas da besta (veja os estudos #86 e #87). Além disso, essas atividades políticas são um reflexo do domínio político exibido pelas próprias cabeças do dragão. Por outro lado, o comportamento da besta, tão semelhante ao de Cristo, sugere que esse poder também exerce poderes religiosos. Agora podemos ver a natureza dupla da besta que saiu do mar: uma entidade política e religiosa que possui um alcance mundial.

O povo de Deus sempre enfrentou a oposição de um poder político mundial dominante que enfatiza um sistema religioso muito diferente daquele estabelecido pelo Deus Triuno. Um Deus em três pessoas, como a Bíblia descreve a Trindade (Mateus 28:19; Mateus 3:16:17; Lucas 3:21-22; João 14:16-17; 1 Pedro 1:1-2; 2 Coríntios 1:21-22; 1 Coríntios 12:4-6; Efésios 4: 4-6). A Bíblia também descreve sete potências mundiais dominantes que se opuseram ou que iriam se opor ao povo de Deus no futuro, governando tanto na esfera política quanto na religiosa. Veja na tabela a seguir quais foram elas:

 

Poderes mundiais político-religiosos que oprimiram o povo de Deus
As sete cabeças em Apocalipse
1 - Egito (Êxodo )
Cinco já caíram
2 - Assíria (2 Reis 17: 5-23)
3 - Babilônia ( 2 Reis 24: 7-16)
4 - Medo-Persas (Daniel * 5: 30-31; Daniel * 6:6-9; Daniel * ; Daniel * 10:1)
5- Grécia (Daniel * ; Daniel * )
6 - Roma (Lucas 2: 1-7)
Um existe
7 - Besta que saiu do mar
  • fase pré-ferida-mortal (Apocalipse 13:3 primeira parte) e
    • ferida mortal sarando
  • fase pós-ferida-mortal (Apocalipse 13:3 última parte)
 
  • um que “ainda não é vindo
    • já não é
  • a oitava cabeça que é uma das sete

Os poderes pré e pós-ferida-mortal da besta que saiu do mar são a mesma potência, mas representada em momentos diferentes no tempo. Apocalipse 17:7-13 fala sobre as sete cabeças da besta. O texto nos diz que a sétima cabeça iria passar por uma fase que o anjo chamou “já não é” (Apocalipse 17:10-11). Esta fase corresponde ao período da ferida mortal mencionada em Apocalipse 13:3. A fase “já não é” ocorre entre a sétima e oitava cabeças. Em seguida, o anjo explica que a oitava cabeça é, na verdade, uma das sete, e não uma cabeça nova. Isto significa que existem realmente apenas sete cabeças no total e que uma delas reaparece. De acordo com Apocalipse 17:10, João estava vivo no tempo da cabeça a qual o anjo chamou de “um existe”. A história nos diz que João viveu durante o Império Romano, o que o coloca no período da sexta cabeça. Apocalipse 17:10 chamou a sétima cabeça de poder que “ainda não é vindo”. O anjo falou sobre um poder futuro que viria logo em seguida, mas que ele iria passar por um período de ausência e, em então, iria retomar novamente suas atividades mais tarde, após a fase “já não é”. Os eventos relacionados com a besta que saiu do mar em Apocalipse 13 e em Apocalipse 17 são muito semelhantes e mostram claramente que o poder da besta que saiu do mar é a força político-religiosa influenciando as pessoas da terra durante os eventos finais deste mundo.

Mesmo vendo a besta que saiu do mar apenas iniciar o seu trabalho depois de Satanás ter sido expulso do Céu após a ascensão de Cristo ao trono do Pai (Apocalipse 5, Apocalipse 12, Apocalipse 13), as atividades do dragão que a besta defende já estavam em vigor ao longo da história. O fato de a besta que saiu mar ter sido descrita como um compósito dos animais mencionados em Daniel 7 reforça esse conceito e a sua aliança com o dragão. Isso nos leva a crer que alguns dos pontos de vista políticos e crenças religiosas que estavam presentes nesses sistemas que haviam caído, continuam a existir na mensagem que a besta continua pregando ao mundo. O dragão vem elaborando sua falsa doutrina por um longo tempo e, certamente, mantém os ensinamentos que com sucesso enganam as pessoas e as mantém longe da busca da Verdade.

Nós estudamos que a fase pré-ferida-mortal da besta que saiu do mar, durou 1.260 anos literais (42 meses proféticos - Apocalipse 13:5), durante a Idade Média. Estamos, evidentemente agora, vivendo na fase do “já não é”, que é o tempo antes da cura completa da ferida mortal. Sabemos que o ferimento mortal ainda não sarou completamente porque nenhum poder religioso que possui influência política está se opondo a cristãos, no mesmo nível e escala vistos durante a Idade Média. Isso não significa que não exista nenhuma oposição ou perseguição. A ferida está em processo de cura, de modo que ao ir sarando, o retorno gradual dos poderes políticos da besta que saiu do mar se tornarão também mais evidentes.

Como Stefanovic ressalta em seu comentário, o mundo viu dois poderes religiosos opressores que poderiam se encaixar nessa descrição da fase pré-ferida-mortal da besta que saiu do mar: o regime eclesiástico medieval e pós-medieval que se levantou do Império Romano e dominou o mundo ocidental por mais de 12 séculos, e a ortodoxia protestante dos séculos XVII e XVIII. Ambos os poderes exerceram opressão e intolerância político-religiosa. No entanto, devemos salientar que foi o regime eclesiástico medieval e pós-medieval que assumiu ter mudado o quarto mandamento da Lei de Deus, durante o Concílio de Laodicéia, como se lê no cânon 29 - o que o tornou mais compatível com as atividades do poder do chifre pequeno descrito em Daniel * 7:8,24-25. O regime eclesiástico medieval sempre apresentou a sua mensagem como sendo cristã. Mas, curiosamente, com a Revolução Francesa, vimos o surgimento de uma cultura mundial diferente. A cultura de que a religião deve estar separada da vida política. Segundo a história, Napoleão causou a queda da força política da igreja. Esses eventos parecem se encaixar bem com a descrição do ferimento mortal descrito em Apocalipse 13:3 e fase “não é”, mencionada em Apocalipse 17:10-11. Após a Revolução Francesa, a igreja perdeu sua força política, mas manteve a sua capacidade de continuar na área religiosa.

A fase “já não é”, ou o tempo em que a ferida mortal está sarando, não deve ser confundida com a falta de atividade satânica por parte do dragão ou a besta que saiu do mar. Lembre-se que a besta recebeu poder para enganar todas as nações da terra. Isso significa que a besta e o dragão podem estar por trás de ambos os lados de uma guerra. Mencionamos anteriormente como o ataque de Napoleão contra a igreja pode ser visto como o ataque causador da ferida mortal. Com a Revolução Francesa, o mundo ocidental experimentou uma mudança muito dramática. A mudança não foi vista apenas na separação entre a igreja e estado, mas também na elevação do Próprio Eu e das filosofias que negam completamente a existência de Deus. O abandonar a Deus desta maneira também não reflete o que Deus deseja para a Sua criação. Tais filosofias também funcionam como o anticristo: alterando a conexão que Deus estabeleceu com o Seu povo através da Sua lei, Seu perdão, Jesus, e o sacrifício de Jesus. O comportamento do anticristo nunca cessou. Ele tomou uma forma diferente e se manifestou como a elevação do Próprio Eu e da razão humana acima dos outros e acima de Deus.

*** Visão Geral ***: A guerra que o dragão está travando contra o povo de Deus não cessou com a ferida mortal. A ferida mortal pôs um fim no nível de poder político que o sistema religioso dominante da época possuía. O sistema religioso em si permaneceu. Devemos enfatizar a palavra 'sistema'. A besta não é um símbolo para apenas uma pessoa. Como diz a Bíblia, a besta já existia no tempo de João, durante o poder da sexta cabeça (Apocalipse 17:10, 2 Tessalonicenses 2:3-4; 1 João 4:3). Algumas das cabeças já tinham caído. Duas delas antecederam Babilônia. A presença da besta em eventos futuros, como vistos de nossa própria perspectiva, deixa claro que nenhum ser humano poderia ser a besta. Como tal, temos que ter cuidado para não acusar os líderes religiosos de serem a besta. Cada pessoa neste planeta será confrontada com a escolha de seguir, ou não, a Deus, inclusive aquelas pessoas que atualmente ainda estão sob o domínio da besta. Podemos estar certos disso, porque a Bíblia nos diz que Deus vai chamar essas pessoas para fora da armadilha, para se juntarem ao Seu grupo divino: “[...] Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas.” (Apocalipse18:4). Temos que aprender a fazer distinção entre o sistema religioso e as pessoas na religião. Somos todos pecadores que podem escolher ser cobertos pela graça de Jesus. Nós não somos melhores do que nenhuma outra pessoa, porque não existe graduação do pecado identificada pela lei. Pecado é pecado. Cada um de nós pode ter pecados diferentes. Ninguém pode ser considerado melhor ou pior, com base no maior ou menor grau de pecado. Por outro lado, ninguém também pode ser considerado melhor ou pior com base em suas boas ações! Nós somos apenas feitos melhores por causa do caráter de Jesus, o qual Ele transfere para o nosso registro. Isso é o que nos torna melhores. É verdade que, historicamente, a sétima cabeça da besta que saiu do mar se encaixa no sistema político-religioso da Idade Média em mais detalhes do que o que estamos estudando hoje. Profeticamente, a besta que saiu do mar se encaixa também no sistema religioso do fim dos tempos, assim, que a Bíblia os identifica como sendo o mesmo poder da sétima cabeça. Existem mais nuances sobre a besta do que a cabeça que recebeu a ferida mortal. A quem estamos permitindo a tomar o lugar de cabeça da Igreja? Jesus ou a besta? A Bíblia diz: “E [Jesus] é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência.” (Colossenses 1:18). Se Jesus é o cabeça de Sua igreja, então qualquer poder reivindicando ocupar essa posição está agindo em blasfêmia, como a besta que saiu do mar. A verdadeira pergunta que devemos nos fazer não é quem é a besta, ou seja, quem está se conduzindo e se comportando como a besta. Isso porque a sua influência religiosa é global e pode se manifestar de muitas maneiras diferentes. A besta do mar não perdeu completamente a sua influência religiosa. O que deveríamos estar nos perguntando é: será que eu estou seguindo uma mensagem semelhante àquela que a besta que saiu do mar está pregando? Será que estou seguindo doutrinas que, na verdade, não estão na Bíblia e, portanto, são contrárias aos ensinamentos de Jesus? E a pergunta mais importante que deveria ser feita, caso você esteja seguindo tais ensinamentos é: será que estou disposto a romper com a tradição e começar então a seguir os ensinamentos bíblicos? Será que estou disposto a estudar os ensinamentos bíblicos por mim mesmo, para que eu não seja encontrado entre aqueles que são enganados pela influência religiosa da besta que sai do mar? Se você está disposto a dizer não aos ensinamentos da besta, então você pode reivindicar a promessa de Jesus, de que o Espírito Santo virá lhe ensinar a verdade (João 14:26). Abra seu coração para Jesus e deixe-O entrar. Deixe de lado as tradições sobre fé criadas pelos homens e aceite os preceitos estabelecidos por Deus. É assim que podemos superar a influência da besta, e não deixar que ela nos vença - é somente através do poder do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo que podemos ser encontrados em Seu livro da vida.

 
 
 
   
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