Sunday, 19 November 2017 10:55

90. A besta que emerge do mar: o que ela diz? * Apocalipse 13:3-6 - PARTE 5

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3 Também vi uma de suas cabeças como se fora ferida de morte, mas a sua ferida mortal foi curada. Toda a terra se maravilhou, seguindo a besta,

4 e adoraram o dragão, porque deu à besta a sua autoridade; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? quem poderá batalhar contra ela?

5 Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias; e deu-se-lhe autoridade para atuar por quarenta e dois meses.

6 E abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome e do seu tabernáculo e dos que habitam no céu.
(versão: Almeida Corrigida e Revisada Fiel)

 

PARTE 5


*** Contexto Geral ***: Até agora, vimos que João descreveu a besta que sai do mar em muitos detalhes. Ele descreveu suas origens, seus poderes e suas atividades. Vimos como a descrição dessa besta em Apocalipse 13:1-2 está intimamente relacionada com a descrição dos poderes político-religiosos descritos em Daniel * 7 e Daniel * 8 (veja os estudos #86, #87 e #88 ). Antes de prosseguirmos para Apocalipse 12:3, precisamos ter uma compreensão muito clara dos componentes que formam a besta que sai do mar e como tudo isso está relacionado com as visões de Daniel.

Na visão de Daniel descrita em Daniel * 7, ele viu 4 animais. Juntos, os quatro animais tinham um total de sete cabeças (Daniel * 7:4-7): 1 cabeça de leão, 1 cabeça de urso, 4 cabeças de leopardo e 1 cabeça da quarta besta (assumimos uma cabeça porque o verso menciona que a besta tinha dentes). O animal de Apocalipse 13:1 também tem 7 cabeças, assim como o dragão vermelho (Apocalipse 12:3). Em Daniel * 7, as cabeças representam reinos (Daniel * 7:17,23). Em Apocalipse 13, aprendemos um significado ainda mais profundo para essas sete cabeças-reinos: elas representam as atividades satânicas ao longo da história (veja o estudo #86). A Bíblia nos diz que o primeiro animal de Daniel * 7 é Babilônia, o segundo é a Medo-Pérsia, o terceiro é a Grécia e o quarto reino é Roma.

O quarto animal em Daniel * 7 tem dez chifres, assim como o dragão e a besta que sai do mar. Os chifres são dez reis que surgiriam da quarta besta. Em outras palavras, dez nações divididas surgiriam logo após a queda do Império Romano. Daniel * 7:8 nos diz que um poder diferente emergiria do Império Romano (que é o quarto animal). Esse poder estava representado por um pequeno chifre. Este pequeno chifre é novamente mencionado em Daniel * 8:9-12. No estudo #86, incluímos uma tabela comparando as bestas descritas em Daniel e Apocalipse. Nós vimos como a besta que sai do mar em Apocalipse 13 alinha perfeitamente com o poder do pequeno chifre em Daniel * 8:9-12. Com isso em mente, devemos separar os dois poderes apresentados em Daniel * 7:7-8. O quarto animal é um poder e o pequeno chifre é outro poder. O pequeno chifre saiu da quarta besta. Em outras palavras, o Império Romano é o quarto animal de Daniel * 7 e, do Império Romano, saiu esse outro poder, mencionado como o pequeno chifre. Quando este outro poder se levantou, ele destruiu três reinos existentes (que faziam parte das dez nações que surgiram após a queda de Roma). O pequeno chifre tem olhos como um homem e uma boca que fala com arrogância (Daniel * 7:8). A besta do mar também tem uma boca. Sua boca se parece com uma boca de leão, e como vimos no estudo #89, a boca do leão é uma boca orgulhosa que não rende glória a Deus. A besta que sai do mar aparenta ser o pequeno chifre em Daniel * 7:8, mas descrita em mais detalhes.

*** Cabeça ferida ***: Devemos ter cuidado para não misturarmos as sete cabeças e os dez chifres. Eles representam diferentes aspectos dos poderes da besta. As cabeças são as atividades satânicas executadas pelos chifres (veja o estudo #86). Apocalipse 13:3 começa descrevendo que João viu uma das cabeças sendo mortalmente ferida. Foi ferida por uma espada (Apocalipse 13:14). Note que uma das cabeças da besta que saiu do mar morreu. Ela recebeu uma ferida mortal (Apocalipse 13:3). A morte desta cabeça indica que a besta, a partir daquele ponto, já não estava mais executando suas atividades da mesma forma que antes. Mas a ferida começou a sarar. A Bíblia nos diz que um dia essa ferida será completamente curada (Apocalipse 13:3, 12, 14). Quando isso acontecer, o mundo irá testemunhar as atividades da besta ganharem vida, e voltarem a ser tão fortes e ativas quanto eram antes da ferida mortal. Esta cena é a tentativa de Satanás de imitar o que aconteceu com Jesus, que morreu e ressuscitou. Quando Jesus ressuscitou, Ele ascendeu ao céu, onde os seres celestiais estavam ao redor do trono adorando o Pai. Uma vez que Jesus se assentou no trono com o Pai, ele continuou a exercer Sua plena autoridade no Céu e seu poder sobre a Terra. O Universo se maravilhou diante do Cordeiro que foi morto e O adorou (Apocalipse 5). Preste atenção na ordem em que os eventos acontecem. A mesma ordem é descrita em Apocalipse 13. Uma vez que a ferida sarou, "toda a terra se maravilhou, seguindo a besta" (Apocalipse 13:3), e adoraram o dragão, e então adoraram a besta. Quando estudarmos Apocalipse 17, veremos qual das sete cabeças foi mortalmente ferida.

*** Adorando o dragão e o animal ***: As pessoas que se maravilharam com a cura da ferida mortal da besta, se sentiram compelidas a adorar o dragão e a besta. Eles adoraram a besta que saiu do mar dizendo: “Quem é semelhante à besta? quem poderá batalhar contra ela?” (Apocalipse 13:4). Aqui temos duas perguntas. A primeira pergunta, “quem é como a besta”, nos faz pensar que queriam dizer que ninguém mais, além do próprio dragão, é como a besta. A pergunta “Quem é como a besta” é também um contraponto ao título de Jesus quando Ele lutou contra o dragão durante a guerra no céu. A Bíblia nos diz que Miguel e seus anjos lutaram contra o dragão e seus anjos (Apocalipse 12:7). O nome Miguel significa “Quem é como Deus”. Nós também vemos a pergunta “quem é como Deus” no Antigo Testamento (Êxodo 15:11; Salmo 35:10; Miquéias 7:18). Satanás está tentando imitar todos os aspectos da Trindade. A segunda pergunta é “quem poderá batalhar contra ela”. Mais uma vez, a resposta implícita a esta pergunta é ‘ninguém’. A cena da guerra no céu vem facilmente à mente. Satanás é aquele que se rebelou contra Deus. Como vimos antes, Apocalipse 12:7 diz que o único que é como Deus lutou contra o dragão. Então, os verdadeiros seguidores de Deus sabem que Jesus é quem defende o Seu povo, mas os povos da terra foram enganados e levados a pensar que ninguém pode ir contra a besta que sai do mar. Nem mesmo o próprio Deus.

*** A besta fala blasfêmias ***: Assim como o pequeno chifre em Daniel * 7, a besta que sai do mar tem uma boca que fala com arrogância. Através de suas proclamações, a besta não apenas se exalta, mas também fala blasfêmias. Em nossos estudos #87 e #89, aprendemos que a blasfêmia ocorre quando alguém se faz igual a Deus e atribui a si mesmo poderes que pertencem somente a Deus, tais como: mudar a lei de Deus (Daniel * 7:25) e perdoar pecados (Lucas 5:20-24). A besta que sai do mar está anunciando ao mundo seus próprios poderes de mudar a lei de Deus e de perdoar pecados. A besta que sai do mar é um poder religioso com influência política que afirma ter poderes que, na realidade, pertencem apenas a Deus. Esse poder religioso, o chifre pequeno, como a Bíblia diz em Daniel * 7, surgiu durante o tempo do Império Romano. Apocalipse 13:5 revela que esse poder religioso-político continua a exercer seu poder inquestionável por um período profético de quarenta e dois meses. Já vimos em muitos estudos diferentes que esse período ocorre durante a Idade Média e é um período literal de 1260 anos (veja estudos #16, #20, #68, #71, #72, #80 e #85) . Essa é a mesma quantidade de tempo que Daniel * 7:25 afirma que o pequeno chifre exerceria suas atividades de falar blasfêmias e pressionar os santos. As blasfêmias se estendem bastante e são direcionadas não somente contra Deus, mas também contra o Seu nome, Seu tabernáculo e Seu povo (Apocalipse 13:6). Esse verso expande ainda mais a gravidade do que a besta está dizendo e amplifica o significado de blasfêmia:

- Blasfêmias contra Deus: como já vimos antes, a blasfêmia contra Deus ocorre quando alguém reivindica ter poderes que pertencem somente a Deus, tais como mudar a lei de Deus (Daniel * 7:25) e perdoar pecados (Lucas 5:20-24).

- Blasfêmias contra o nome de Deus: certa vez, Moisés perguntou a respeito do nome de Deus, e "Deus disse a Moisés: ‘EU SOU O QUE EU SOU. Isto é o que você deve dizer aos israelitas: ‘EU SOU me enviou para você’". Êxodo 3:14). Uma blasfêmia contra o nome de Deus implica que a besta que saiu do mar não professa que Deus é quem Ele diz que é. A besta está passando informações incorretas sobre o caráter de Deus. Ao falar com os líderes religiosos da época, Jesus advertiu que ninguém deveria chamá-los de "‘pai’, porque vocês só têm um Pai, aquele que está nos céus” (veja Mateus 23:8-9). A besta que sai do mar afirma ter não somente os poderes de Deus, mas também uma posição igual ao do Pai. Ao fazer com que Deus aparente ser inferior ao que Ele é, a besta se faz parecer mais importante do que ela é.

- Blasfêmias contra o tabernáculo de Deus: a Bíblia menciona algumas coisas que podem ser consideradas como o templo de Deus, ou o Seu tabernáculo: Sua casa de culto ou templo (Mateus 21:13), o próprio Jesus (João 2:19-22) e Seu povo (1 Coríntios 6:19-20; 1 Coríntios 3:16-17). O templo de Deus é o lugar onde Ele habita, onde Ele executa Suas atividades, seja nos corações de Seu povo ou no Céu, ou mesmo em Seu templo físico, que é o símbolo da conexão especial que Ele tem com Seus seguidores. O propósito principal do tabernáculo é a conexão direta entre Deus e o povo, agora possível através de Jesus Cristo. A besta que sai do mar afirma ter o poder de alterar a ordem dessa conexão. A Bíblia diz: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” (1 Timóteo 2:5). Qualquer poder religioso ensinando que existem outros mediadores entre os seres humanos e o Pai, é culpado de blasfêmia de acordo com este ensinamento bíblico.

- Blasfêmias contra o povo de Deus: a expressão “os que habitam no céu” é uma referência aos fiéis seguidores de Deus. Isto serve de contraste para com aqueles que não seguem a Deus, e são referidos como "aqueles que habitam na terra" (Apocalipse 13:8, 12, 14). Como pode a besta blasfemar contra seres humanos? Os seres humanos não possuem poderes divinos inatos ou uma posição soberana no Universo. Isso parece ser difícil de entender, mas vamos analisar dessa maneira: os seres humanos receberam um presente muito especial de Deus e que Deus respeita tremendamente. Os seres humanos receberam o livre arbítrio para escolher ou não a Deus; para amá-Lo ou não. Deus não força ninguém a servi-Lo. Veja o que Jesus instruiu os discípulos a fazer ao enviá-los para pregar o Evangelho e o que deveriam fazer se a mensagem fosse rejeitada: “E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés.” (Mateus 10:14). Jesus nunca disse para matar ou perseguir aqueles que discordassem e rejeitassem os ensinamentos de Deus. O destino dessas pessoas está nas mãos de Deus, e não cabe aos seres humanos tomar tal decisão. O destino delas será divulgado no dia do julgamento (Mateus 10:15). Este tipo de blasfêmia é uma ponte para o que iremos ler em Apocalipse 13:7-8, onde a besta começa a guerrear contra o povo de Deus. A besta que sai do mar afirma ter poder sobre aqueles que não concordam com suas proclamações e poder de determinar o destino deles.

*** Visão geral ***: A besta que sai do mar faz afirmações muito ousadas. Ela se exalta, e diz que tem poderes que, de acordo com a Bíblia, pertencem apenas a Deus. Com muitas blasfêmias, anuncia ao mundo que não somente tem o poder de mudar a lei de Deus e de perdoar pecados, mas também que possui a autoridade de Deus na Terra. Além disso, a besta afirma ter o direito de alterar a conexão direta que Deus estabeleceu com seus seguidores e de decidir o destino do povo de Deus. As blasfêmias que saem da boca da besta são as suas atividades. No final dos 1260 anos, essas atividades pararam por um período. Mas, quando a ferida mortal começou a sarar, essas atividades gradualmente começaram de novo. Observe a ordem em que as atividades da besta são mencionadas. A perseguição contra o povo de Deus é a última a ser mencionada, como as blasfêmias contra “os que habitam no céu”. Quando a besta atingir a cura completa da cabeça que foi ferida, podemos esperar que a besta retome todas as suas atividades com força total. Atualmente, já podemos ver em prática, a maioria das atividades de blasfêmia da besta. Elas são apresentadas com o rótulo de religião cristã por certas denominações. O mais importante é lembrar que o povo de Deus não precisa ser definido por uma denominação que prega tais blasfêmias. Muitas pessoas que pertencem a essas denominações realmente amam a Jesus e irão ouvir a voz de Deus quando Ele disser: "Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados" (Apocalipse 18:4). Deus irá chamar seus seguidores sinceros a deixarem qualquer poder político-religioso que pregue uma mensagem contrária ao que está contido na Bíblia. Aqueles que conhecem a voz de Deus ouvirão e seguirão o chamado de Deus. Não podemos nos esquecer de que a besta que sai do mar não é uma pessoa. Ela é um sistema religioso com influência política que existe há vários séculos. Não devemos nos comportar como a própria besta e reivindicar o direito de decidir o seu destino. Assim, não seríamos melhores do que a besta. Todos têm o direito de decidir por si mesmos a quem desejam servir. Cabe a Deus determinar sua sentença. E a sentença da besta que sai do mar já foi revelada: “E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre.” (Apocalipse 19:20).

   
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