Saturday, 04 November 2017 16:17

88. A besta que emerge do mar: recebeu poder do dragão * Apocalipse 13:2 - PARTE 3

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2 A besta que vi era semelhante a um leopardo, mas tinha pés como os de urso e boca como a de leão. O dragão deu à besta o seu poder, o seu trono e grande autoridade. (NVI)

 

PARTE 3

 

*** Contexto Geral ***: A conexão entre Apocalipse 13 e o livro de Daniel é inegável. Mais especificamente, os capítulos 7 e 8 de Daniel fornecem muitos detalhes que nos ajudam a entender a identidade da besta que sai do mar descrita em Apocalipse 13. Para podermos ver o quadro geral, temos que voltar para Daniel 2. Neste capítulo, lemos que o rei babilônico Nabucodonosor teve um sonho sobre os poderes dominantes do mundo, que se estenderam desde a Babilônia até o ponto em que surgiram os governos divididos após a queda do Império romano. O sonho terminou com o reino divino que “o Deus do céu estabelecerá” (Daniel * 2:44). No sonho, havia uma estátua, e cada um dos segmentos dela era feito de um material diferente. Cada segmento representava um reino distinto. A cabeça de ouro é Babilônia (Daniel * 2:36-38). O peito e os braços de prata representam o reino que causou a queda de Babilônia (Daniel * 2:39, primeira parte), e esse reino foi a Medo-Pérsia. Os quadris e coxas de bronze representam o reino que veio a seguir: a Grécia (Daniel 2:39, última parte). O último e quarto reino é representado pelas pernas de ferro. Esse reino iria quebrar e destruir tudo (Daniel 2:40). A história nos diz que o Império Romano é o reino que derrubou a Grécia. Depois que o Império Romano chegou ao poder, nenhum outro reino surgiu com uma mesma força e poder unificados, como aconteceu nos reinados antecedentes. De certa forma, o Império Romano se desintegrou e deu lugar a nações divididas. Impérios menores surgiram, porém, nunca conquistando o domínio com um governo de influência global, como os quatro reinos mencionados no sonho. Diretrizes governantes fragmentadas substituíram o domínio romano. No entanto, a influência romana ainda era predominante, e isso foi representado no sonho como os pés da estátua, que eram de ferro misturado com barro. Para resumir muitos séculos de história, temos neste sonho a sequência dos poderes de governos globais, começando com a Babilônia, seguidoa pela Média-Pérsia, Grécia, e, finalmente, Roma. Depois disso, vemos o surgimento de nações divididas, que ainda continuam divididas hoje.

Daniel * 7 e 8 dão mais detalhes sobre os eventos históricos a respeito da ascensão e queda dos regimes políticos poderosos. Ambos os capítulos seguem a mesma ordem apresentada em Daniel * 2. Em Daniel * 7, o profeta viu 4 animais em vez de uma estátua. Mas os mesmos reinos ainda estavam representados. Daniel viu um leão, um urso, um leopardo, e uma quarta besta. João, por outro lado, viu apenas uma besta, mas esta possuía elementos dos quatro animais mencionados em Daniel * 7. A descrição em Apocalipse 13:2 vem na ordem inversa: uma besta que parecia um leopardo, um urso e um leão. Daniel teve a visão enquanto vivia na época do leão, e olhou para o futuro ao descrever os reinos que estavam por vir. João, no entanto, estava vivo durante o reino do quarto animal, e ele olhou para o passado para descrever a natureza da besta que sai do mar. Imagine que há uma linha entre Daniel e João. Ambos estão olhando para a linha. Esta linha representa como a história se desenrola. Quando Daniel vê a linha, ele vê os reinos como eles iriam ascender e cair, em ordem histórica: Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma. Quando João olha para esta linha do tempo, ele olha para o passado, e vê a história de onde ele está e o que veio imediatamente antes, e assim por diante, de modo que ele vê Roma, Grécia, Medo-Pérsia e Babilônia.

O cronograma dos reinos do mundo também está representado em Daniel 8, mas nessa visão, eles são retratados como outros animais. Na época da visão, Babilônia já tinha caído, por isso, não havia mais necessidade de incluí-la no cenário. Em Daniel 8 vemos 3 elementos importantes: um carneiro, uma cabra e um chifre pequeno que cresceu. Daniel descreveu essas três peças como símbolos para três poderes que iriam surgir.

A besta que sai da água não é uma repetição de todos os quatro animais em Daniel * 7. Note que Apocalipse 13:2 diz que a besta que saiu do mar era "como” ou "semelhante". Do ponto de vista de João, ele estava vivendo no momento da quarta besta de Daniel * 7. Ao descrever a besta do mar com características dos animais que apareceram antes do Império Romano, João está dizendo que a besta do mar incorporou elementos daqueles três reinos anteriores.

*** Como um leopardo ***: Daniel * 7:6 descreveu a terceira besta, e disse “que se parecia com um leopardo. E nas costas tinha quatro asas, como asas de uma ave. Esse animal tinha quatro cabeças, e recebeu autoridade para governar.” A Grécia chegou ao poder muito rapidamente, conquistando uma vasta porção do mundo conhecido, em velocidade nunca antes vista até aquele momento. Daniel * 8:5 nos diz que “de repente um bode, com um chifre enorme entre os olhos, veio do oeste, percorrendo toda a extensão da terra sem encostar no chão.” De acordo com Daniel * 8:21, “O bode peludo é o rei da Grécia, e o grande chifre entre os seus olhos é o primeiro rei”. Depois que a Grécia conquistou a Medo-Pérsia (a vitória do bode contra o carneiro), “o bode tornou-se muito grande, mas no auge da sua força o seu grande chifre foi quebrado, e em seu lugar cresceram quatro chifres enormes, na direção dos quatro ventos da terra.” (Daniel 8:8). As semelhanças entre o leopardo e o bode são muito fortes. Quando comparamos estes versos com os relatos históricos sobre o surgimento do Império Grego, podemos entender perfeitamente a simbologia. Alexandre o Grande foi o rei da Grécia que percorreu o mundo, conquistando novos territórios tão rapidamente como se tivesse asas. Alexandre tinha quatro generais, que trabalhavam sob sua liderança, Cassandro, Ptolomeu, Antígono e Seleuco. No ápice de seu poder, Alexandre morreu (o grande chifre foi quebrado), e os quatro generais assumiram o poder, dividindo o reino sob cada um dos seus domínios (as quatro cabeças do leopardo e os quatro chifres enormes do bode). Uma coisa que tanto o leopardo quanto a besta que saiu do mar, têm em comum é que ambos receberam poder de uma fonte externa (Daniel * 7:6, Apocalipse 13:2).

*** Pés como os de urso ***: Daniel * 7:5 descreve a segunda besta como tendo “a aparência de um urso. Ele foi erguido por um dos seus lados, e na boca, entre os dentes, tinha três costelas. E lhe foi dito: ‘Levante-se e coma quanta carne puder!'” A aparência assimétrica da segunda besta (ela tinha um lado maior do que o outro) também é descrita em Daniel * 8:3-4, ao mencionar o carneiro que estava em pé perto da água: “e diante de mim, junto ao canal, estava um carneiro, seus dois chifres eram compridos, um mais que o outro, mas o mais comprido cresceu depois do outro. Observei o carneiro enquanto ele avançava para o oeste, para o norte e para o sul. Nenhum animal conseguia resistir-lhe, e ninguém podia livrar-se do seu poder. Ele fazia o que bem queria e foi ficando cada vez maior.” O reino que conquistou Babilônia foi, de fato, os poderes combinados dos medos e persas. No início, os medos eram o poder mais forte dos dois, mas com o tempo os persas se tornaram a parte dominante (mencionada como a besta que foi erguida por um dos seus lados, e, como um chifre passou a ser mais alto do que o outro). As três costelas nos dentes do urso são equivalentes às três direções que o carneiro avançava ao estabelecer seu território. A profecia de Daniel não foi a primeira sobre a conquista dos medos contra Babilônia. Tanto Isaías quanto Jeremias profetizaram sobre a queda de Babilônia. “Eis que eu despertarei contra [Babilônia] os medos, que não farão caso da prata, nem tampouco desejarão ouro.” (Isaías 13:17). “Preparem as nações para o combate contra ela: os reis dos medos, seus governadores e todos os seus oficiais, e todos os países que governam. A terra treme e se contorce de dor, pois permanecem de pé os planos do Senhor contra a Babilônia: desolar a terra da Babilônia para que fique desabitada.” (Jeremias 51:28-29). Estas profecias foram feitas muitos anos antes de Babilônia ter caído nas mãos dos poderes unidos dos medos e persas. A besta-urso em Daniel * 7:5 foi chamada para se levantar e devorar muita carne. O carneiro foi descrito como uma força muito forte, tão forte que “nenhum animal conseguia resistir-lhe, e ninguém podia livrar-se do seu poder” (Daniel 8:4). Isso nos faz lembrar de como Apocalipse nos diz que o mundo iria adorar a besta que sai do mar: “Quem é como a besta? Quem pode guerrear contra ela?” (Apocalipse 13:4). O aparecimento da besta do mar foi tão imponente que deu às pessoas do mundo a impressão de que ela era invencível. Ela poderia se levantar e devorar qualquer coisa à sua frente. Assim como a besta-urso, que tinha três costelas em sua boca, a besta do mar (sendo o poder do chifre pequeno em Daniel * 7:8) destruiu três chifres quando assumiu seu poder. No ano 538 AD, três dos dez reinos que surgiram após o Império Romano ter se desintegrado, foram destruídos. Esses três reinos foram: Hérulos, Vândalos e Ostrogodos. A História nos diz que um poder religioso que estava se fortalecendo politicamente naquela época foi o responsável pela destruição desses reinos. Exatamente como Daniel havia profetizado.

*** Visão Geral ***: A besta que sai do mar é um sistema político-religioso que surgiu a partir do Império Romano (quarto animal em Daniel * 7) e que tem características dos reinos que o precederam. A besta que sai do mar recebeu seu poder do dragão, de modo semelhante ao modo como a besta-leopardo em Daniel * 7:6 recebeu seu poder de uma fonte externa. Com seus pés como os de urso, a besta que sai do mar está pronta para se levantar e exercer o poder que recebeu do dragão, da mesma forma como a besta em Daniel * 7:5 estava preparada para conquistar os territórios em seu caminho, ao se levantar. Esse poder político-religioso demonstra, através de suas ações, que está disposto a dominar e devorar quem tentar interferir com seus planos. A besta que sai do mar acredita que ninguém pode se livrar de seu domínio. No entanto, a Bíblia é clara a respeito do fim que essa besta terá. Ela não é invencível. Quando Jesus voltar, Ele irá deixar claro que os ensinamentos apresentados pela falsa trindade não vêm de Deus. Com isso, Deus dará fim aos enganos da besta. Veja o relato de João quando descreveu os detalhes de sua visão a respeito de como será o fim da besta que sai do mar e do falso profeta: "E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre.” (Apocalipse 19:20). Esses falsos sistemas religiosos e políticos serão desfeitos para sempre. A volta de Jesus desmascara todas as falsidades que os agentes de Satanás espalharam pelo planeta. A única maneira de nos protegermos contra os ataques de Satanás através da besta que sai do mar e do falso profeta é permanecer na Verdade de Deus. A besta procura mudar os tempos e a lei de Deus. Mas a Bíblia descreve os fiéis como sendo aqueles que guardam os mandamentos de Deus, exatamente como Ele os estabeleceu.

   
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