Saturday, 28 October 2017 15:52

87. A besta que emerge do mar: ela tem dez chifres, dez coroas e fala blasfêmias * Apocalipse 13:1 - PARTE 2

Written by

1 E eu pus-me sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia.

 

PARTE 2

 

*** Dez chifres ***: Os chifres são um pouco diferentes das cabeças. As cabeças estão relacionadas às actividades da besta ao longo da história, enquanto os dez chifres representam os poderes políticos presentes durante um determinado período de tempo (Apocalipse 17:12). A besta do mar nos faz lembrar da quarta besta de Daniel 7:7, que também tinha dez chifres. Daniel diz que o quarto animal era “diferente de todos os outros”, e que era “muito terrível” (Daniel 7:19). O anjo explicou a Daniel o significado do quarto animal e de seus chifres: “Disse assim: O quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços. E, quanto aos dez chifres, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; e depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis. E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo.“ (Daniel 7:23-25). Nestes versos, podemos ver muitos aspectos importantes da besta, mas devemos ressaltar apenas um agora, que tem a ver com a forma como o dragão queria atacar o remanescente, aqueles “que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus Cristo.” (Apocalipse 12:17). Um chifre poderoso iria surgir dentre os outros dez, iria procurar “mudar os tempos e a lei”, e iria dominar o povo de Deus durante o mesmo período de tempo que vimos no estudo das duas testemunhas e da mulher que fugiu para o deserto (estudos #72 e #78). O período é “um tempo, tempos e metade de um tempo”, o que equivale a 3,5 anos proféticos, ou 42 meses proféticos, o que representa 1.260 anos literais. Este é o momento na história em que os cristãos sofreram tremendamente durante a Idade Média. Nesse tempo, o Império Romano estava no comando. Isso coloca o Império Romano como as pernas de ferro e como o quarto reino visto em Daniel * 2 e Daniel * 7 respectivamente. Agora podemos entender a ascensão e queda dos reinos que possuíam domínio global, exatamente como vimos nas profecias descritas em Daniel 2.

O número 10 não é um número aleatório. A besta tinha dez chifres por uma razão específica. Apocalipse 17:12 nos diz que os dez chifres são dez autoridades políticas que iriam receber poder diretamente da besta, que é a figura política principal. O anjo explicou a Daniel o significado exato dos dez chifres: são dez reinos que viriam a partir do quarto animal (Império Romano). Vimos estes dez reinos como os dez dedos da estátua na profecia descrita em Daniel * 2. Eles eram reinos que, em parte, tinham a força do ferro (Império Romano) e a fraqueza do barro. Estes reinos foram divididos para nunca se unirem novamente sob domínio humano.

*** Dez coroas ***: A palavra grega para coroa, usada em Apocalipse 13:1 é a palavra diadema, que significa coroa real. Tanto a besta como o dragão são descritos como tendo a coroa real. Um detalhe interessante é que, enquanto a besta temas dez coroas em seus chifres, o dragão tem sete coroas, e elas estão em suas cabeças (Apocalipse 12:3). Lembre-se que o objetivo do dragão era ser como Deus e se assentar no trono de Deus. Ele queria ter a autoridade suprema para si próprio. Como vimos antes, o número sete é usado na Bíblia com muita frequência, e, muitas vezes, se refere à plenitude, integridade e perfeição. O dragão se apresenta como tendo uma autoridade perfeita e completa enquanto governante. Isso faz parte do seu engano, porque ele não tem nenhuma autoridade divina, sequer. O dragão não só afirma ter autoridade, mas também a capacidade de passá-la para seus agentes (Apocalipse 13:4). A autoridade foi transferida para cada um dos chifres, ou seja, para cada um dos dez poderes políticos que surgiram após a queda do Império Romano. O anjo explicou a Daniel que “os dez chifres, daquele mesmo reino são dez reis que se levantarão” (Daniel 7: 24-25). Com o desaparecimento do Império Romano por volta do ano 476 DC, dez tribos surgiram na Europa, e tomaram conta do território romano. Essas tribos eram os: ostrogodos, visigodos, francos, vândalos, alamanos, suevos, anglo-saxões, hérulos, lombardos e burgúndios. (Veja o estudo #79). As coroas são diferentes dos chifres assim como os chifres são diferentes das cabeças. Enquanto os chifres representam um poder político, as coroas representam a autoridade que o dragão passou para cada um dos reinos. Esta é uma estratégia que Satanás está usando para imitar o poder e a autoridade que pertencem a Deus. A Bíblia nos diz que Cristo é "o Senhor dos senhores e o Rei dos reis” (Apocalipse 17:14) e que Jesus tem sobre Sua cabeça "muitas coroas" (Apocalipse 19:12).

*** O nome de blasfêmia *** : Existe mais um detalhe que é revelado sobre a besta que saiu do mar em Apocalipse 13:1. Ela tem nomes de blasfêmia sobre as suas cabeças. A besta descrita em Apocalipse 17 é "cheia de nomes de blasfêmia”. (Apocalipse 17:3). O poder representado pelo chifre pequeno descrito em Daniel * 7 tinha uma boca que falava com arrogância (Daniel 7:8, NVI). Daniel * 7:25 traz mais detalhes sobre quais eram essas palavras arrogantes: “E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo." Apocalipse 13:6 diz: "E [a besta] abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu.“ Mas o que é blasfêmia de acordo com a Bíblia? João 10:33 traz a resposta a esta pergunta. Uma certa vez, os líderes judeus queriam apedrejar Jesus porque, em suas mentes, Jesus havia blasfemado contra Deus. Apesar de estarem acusando a Jesus injustamente, as acusações de blasfêmia foram expressadas claramente: “Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo.” Jesus lhes respondeu: "que dizer a respeito daquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo? Então, por que vocês me acusam de blasfêmia porque eu disse: ‘Sou Filho de Deus’?" (João 10:36). Uma outra vez, os fariseus acreditaram que Jesus estava falando blasfêmia quando Ele demonstrou sua autoridade de perdoar pecados. Perdoar os pecados só pode acontecer por uma ação divina. Para mostrar que Ele é Deus, um com o Pai, Jesus respondeu a essas acusações, afirmando que "o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados“ (Lucas 5:24). A blasfêmia acontece quando alguém se faz igual a Deus, e atribui a si mesmo poderes que pertencem somente a Deus, tais como: o poder de mudar a Lei de Deus (Daniel 7:25) e de perdoar pecados (Lucas 5:20-24).

*** Visão Geral e Aplicação Profética ***: O dragão passou a lutar contra os remanescentes da mulher, aqueles que ainda "guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus" (Apocalipse 12:17). A fim de organizar o seu ataque, Satanás recrutou ajudantes para sua equipe. O primeiro foi a besta do mar, um forte poder político que surgiu após a queda do Império Romano e que tentaria fazer coisas que somente Deus é capaz de fazer. As palavras de blasfêmias da besta que saiu do mar refletem as suas falsas alegações de que ela tem autoridade para perdoar pecados, de alterar a Lei de Deus, e de ser igual a Deus. Como temos estudado, a besta representa um poder secular de diferentes nações emergentes na Europa. Dez reinos surgiram após a queda do Império Romano, e estes dez reinos deram origem às nações europeias atualmente em vigor. Note como este poder não é somente político, mas também religioso, pois afirma ter atributos e capacidades divinas. Assim como a besta e a mulher de Apocalipse 17, que, combinados, funcionam como um símbolo para a igreja apostatada (prostituta) e seu poder político (besta), a besta do mar é uma força política que exerce uma influência religiosa sobre o povo. Isto se torna evidente em Apocalipse 13:12, onde lemos que toda a terra adorará a besta que veio do mar. Precisamos estar cientes da origem e dos objetivos desta primeira besta, para que não nos deixemos ser enganados pelas mentiras que Satanás lança sobre as pessoas através de seus agentes. Devemos examinar cada doutrina religiosa e compará-la com o que a Bíblia diz. Se a doutrina em questão não está incluída nas Escrituras, então fica evidente que ela foi criada pelo homem e, portanto, não faz parte da Verdade de Deus. Pode até ser muito próxima de um ensino bíblico, mas se possui algumas pequenas alterações, sabemos que ela não vem de Deus. Lembra como Satanás, no deserto, citou versos bíblicos para Jesus, com leves modificações? (Mateus 4:1-11). Suas citações foram muito parecidas com o versículo original, mas ele mudou o suficiente para que se tornassem uma tentação, um instrumento concebido para fazer Jesus pecar. Veja como mesmo pequenas alterações à verdade de Deus podem ser perigosas! Não devemos nos enganar. Satanás criou uma entidade falsificada para substituir o papel de Jesus como Salvador e rei soberano. A nossa opção deve ser a de permanecer firmes nos ensinamentos de Jesus Cristo, para que possamos ser contados entre os fiéis remanescentes “que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” (Apocalipse 12:17).

   
Real time web analytics, Heat map tracking
© Hello-Bible 2016