Saturday, 26 August 2017 18:42

79. Uma mulher, um dragão e um filho: o segundo sinal * Apocalipse 12:3-4 Parte 2 de 3

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3 E viu-se outro sinal no céu; e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas.

4 E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho.

 

PARTE 2

 

*** O segundo sinal: um grande dragão vermelho ***: A descrição do segundo sinal segue o mesmo padrão do primeiro (estudo #78). João vê um símbolo, ele descreve o símbolo e a situação em que o símbolo é encontrado. O segundo símbolo é um grande dragão vermelho. Esta não é a primeira vez na Bíblia em que um animal terrível é o símbolo de um inimigo do povo de Deus. Encontramos dois monstros marinhos no Antigo Testamento, Leviatã, e Raabe (algumas versões traduzem como crocodilo, monstro do mar, e Gabarola). Esses dois animais são um símbolo usado para se referir ao Faraó do tempo de Israel antigo (Leviatã: Salmo 74:14; Isaías 27:1; Raabe: Salmo 89:10; Isaías 30:7; Isaías 51: 9). Existem também outras referências a monstros utilizados como símbolos de Babilônia (Jeremias 51:34), e Faraó (Ezequiel 29: 3; Ezequiel 32:2). A cor vermelha era frequentemente utilizada como a cor do derramamento de sangue (2 Reis 3: 22-23; Naum 2:3); e do pecado (Isaías 1:18). Esta cor é também associada com a besta (Apocalipse 17:3); uma prostituta vestida de escarlate que “tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua fornicação”, e com “a mulher [que] estava embriagada do sangue dos santos, e do sangue das testemunhas de Jesus" (Apocalipse 17: 4, 6). Nem todas as menções à cor vermelha, no entanto, estão ligadas ao pecado e símbolos malignos. Números 19:2 nos diz que Deus ordenou aos israelitas que trouxessem uma “uma novilha ruiva, que não [tivesse] defeito, e sobre a qual não [tivesse] sido posto jugo”. Eles a trouxeram ao sacerdote, para que ele pudesse oferecê-la como um sacrifício a Deus. E assim, vermelho também era associado com sacrifício. Em Apocalipse 6:4, vimos um cavalo vermelho, vindo do Céu, indo para a Terra, representando a oportunidade que as pessoas têm de se apresentarem a Deus, redimidas pelo sangue de Jesus (veja o estudo #39). No entanto, o símbolo usado em Apocalipse 12:3 não parece indicar que o vermelho está sendo usado como símbolo de redenção, porque é uma referência ao dragão. O significado parece se encaixar melhor com o derramamento de sangue, o pecado e abominação. Por quê essa conclusão? Porque a Bíblia é muito clara sobre quem o dragão é: “a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo” (Apocalipse 12:9).

*** A aparência do dragão ***: Além de ser vermelho, o dragão tem uma aparência muito estranha. Ele tem “sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas”. Temos aqui mais símbolos que explicam outros símbolos. Então, vamos por partes, a fim de entendermos melhor esse texto.

- Sete cabeças e dez chifres: Esta expressão é tirada do livro de Daniel. Daniel recebeu uma visão sobre os reinos da terra que se seguiriam após a queda do Império Romano (Daniel * 7:7-8). O anjo explicou a Daniel: “Quanto aos dez chifres, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; e depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis.” (Daniel * 7:24-25). Com o desaparecimento do Império Romano por volta do ano 476 DC, dez tribos surgiram na Europa, e tomaram conta do território romano. Essas tribos eram os: ostrogodos, visigodos, francos, vândalos, alamanos, suevos, anglo-saxões, hérulos, lombardos, e burgúndios. Assim como a profecia de Daniel havia predito (Daniel * 7:8; Daniel * 7:24), sete delas permanecem até hoje, mas três foram destruídas. As tribos restantes se tornaram alguns dos países europeus que temos nos tempos modernos. O Francos se tornaram o povo francês, os alamanos se tornaram os alemães, os anglo-saxões se tornaram o povo inglês, os lombardos se tornaram os italianos, os suevos se tornaram o povo português, os visigodos se tornaram os espanhóis, e os burgúndios se tornaram os suíços. As três tribos extintas são os hérulos, vândalos e ostrogodos. Em Apocalipse 12:3, o dragão tem sete cabeças e dez chifres. Há mais chifres do que cabeças. Os dez chifres são provavelmente uma referência aos dez chifres vistos originalmente em Daniel * 7:7, antes de três serem destruídos. As sete cabeças restantes parecem ser uma referência para as sete potências europeias que permaneceram. Apocalipse está ligando essas tribos europeias ao dragão vermelho, indicando que estavam ocorrendo atividades satânicas naquela região. É importante distinguir as atividades satânicas dos cidadãos desses países. De nenhuma maneira a Bíblia está chamando os cidadãos desses países de pessoas más. O livro de Apocalipse retrata sistemas, poderes organizados de governo. Apocalipse não é um livro sobre um ser humano em específico.

- Sete coroas sobre a cabeça: A palavra usada para coroa aqui é diadema, que é diademata em grego. Esta coroa é muito diferente da coroa da vitória (stephanos) que a mulher grávida estava usando em Apocalipse 12:1. O diadema é uma coroa real, como as muitas coroas (diademas) sobre a cabeça de Jesus em Apocalipse 19:12-16. Satanás, o dragão, está aqui se apresentando como o único digno de usar a coroa real. O objetivo de Satanás, desde o início, era “subir acima das alturas das nuvens” e “ser como o Altíssimo” (Isaías 14:14). O dragão se posicionou por trás dos poderes da Terra, como uma figura de autoridade, tendo como objetivo oprimir o povo de Deus ao longo da história.

*** A situação ***: Apocalipse 12:4 descreve a situação em que o dragão é encontrado. Mais adiante neste capítulo, o texto irá expandir mais a respeito da primeira parte do verso, onde diz: “E a sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra”. Os eventos descritos na primeira metade de Apocalipse 12:4 levaram aos acontecimentos descritos na segunda metade do verso: “e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho.

- E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu: No estudo das trombetas (#57, #58 e #59), vimos como o exército de gafanhotos tinha caudas venenosas que atacavam as pessoas a nível espiritual. A Bíblia diz: “o profeta que ensina a falsidade é a cauda”, e ele será cortado do meio do povo de Deus (Isaías 9:14,15). As mentiras do dragão enganaram um terço das estrelas do céu. A expressão 'estrelas é usada em Apocalipse como um símbolo para mensageiros (Apocalipse 1:20), neste caso, mensageiros celestes: anjos. No estudo das trombetas, vimos o exército satânico pronto para atacar e torturar aqueles que não têm o selo de Deus (Apocalipse 9:4, estudo #58). O ataque dos gafanhotos descrito em Apocalipse 9 atinge aqueles que rejeitam o puro Evangelho (na era cristã). Em Apocalipse 12, o exército está pronto para atacar o filho da mulher, assim que ele nasce. Os eventos descritos nos primeiros versos de Apocalipse 12 aconteceram antes e durante a primeira vinda do Messias, ou seja, antes do ataque dos gafanhotos sobre os ímpios. A queda de Lúcifer e seus anjos, do Céu, o levou ao seu primeiro ataque aos seres humanos. No Jardim do Éden, Lúcifer, que se tornou Satanás, enganou Eva e a convenceu a comer do fruto proibido (Gênesis 3). Os julgamentos contidos nas primeiras quatro trombetas são sempre direcionados a apenas um-terço da Terra (Apocalipse 8:7-13), e não a todo o planeta. Quando o antigo Israel se voltou para o paganismo e desobediência, Deus usou seus profetas para enviarem a mensagem a respeito dos juízos de Deus que cairiam sobre eles. Esses julgamentos deveriam afetar um-terço da nação (Ezequiel 5:11-12; Zacarias 13:8-9). A expressão de ‘um-terço' é usada para se referir a um grupo de seres que se opõem à verdade Deus e se colocam ao lado dos falsos ensinamentos de Satanás. Em outras palavras, a primeira metade de Apocalipse 12:4 diz que as mentiras de Satanás enganaram uma parte considerável dos anjos celestiais, mas não toda a população angelical. Satanás e os anjos que se aliaram a ele foram lançados à Terra (Apocalipse 12: 9). Eles já não queria seguir o estilo de vida do Céu.

- O dragão estava pronto para devorar a criança: Depois que Adão e Eva pecaram, Deus lhes deu a primeira promessa de um Salvador, que iria esmagar a cabeça da serpente, para resolver de uma vez por todas, o problema do pecado que havia entrado na Terra. Desde então, Satanás passou a esperar a vinda do Messias. Ele estava descontente com sua situação. Ele não mais possuía sua posição no céu, e então embarcou numa missão para enganar a criação preciosa de Deus, que Ele havia formado à Sua própria imagem e semelhança: os seres humanos. Desde o Éden, Satanás sabia que Deus enviaria alguém que seria capaz de infligir um ferimento mortal na sua existência. A cabeça do pecado seria permanentemente esmagada pela semente da mulher (Gênesis 3:15, veja Estudo #78 para obter os detalhes sobre esta promessa). Os ideais de Satanás de ser como Deus o corroeram de tal forma ao ponto de ficar diante da mulher, a igreja de Deus, pronto para atacar. Israel estava prestes a dar à luz ao Messias (veja o estudo #78 para ver os detalhes). A segunda parte do versículo nos dá a ideia de que Satanás estava esperando ansiosamente por esse momento. Ele estava preparando um ataque. Ele estava pronto para tragar a criança, e tinha um plano para derrotar o Messias.

*** Visão Geral ***: A rebelião de Lúcifer contra Deus levou à propagação de grandes mentiras no céu. Lúcifer conseguiu enganar um número significativo de anjos e os convenceu a se juntarem à sua causa. Lúcifer tornou-se o dragão, a antiga serpente, o pai da mentira (Apocalipse 12:9). Ele passou a lançar suas mentiras sobre os seres humanos. Ele esperou pelo momento em que Deus enviaria um Salvador para a Terra. O Redentor nasceria como um bebê. Um recém-nascido parecia ser um alvo fácil. Então Satanás se posicionou para atacadoras. Ele queria destruir o Messias antes que o Messias pudesse esmagar a cabeça da serpente. A fim de alcançar seu objetivo, Satanás infiltrou os poderes terrestres da época com suas mentiras e formas enganosas. Mas ele não percebeu que Deus já havia predito quão mal sucedido esse plano satânico seria - o filho da mulher, o Messias, sairia vitorioso e esmagaria a serpente de forma fatal. Não importa quão incansavelmente o dragão trabalhe em seus planos de ataque, seu fim já foi revelado ao Universo. Satanás será destruído para sempre (Apocalipse 20:10). Deus vai curar todas as cicatrizes causadas pelo pecado. “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” (Apocalipse 21:4). Cristo reinará por toda a eternidade (Apocalipse 11:15). Amém.

   
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