Saturday, 15 July 2017 21:43

74. Duas testemunhas: mortas no meio da rua * Apocalipse 11:7-8 - Parte 3 de 6

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7  E, quando acabarem o seu testemunho, a besta que sobe do abismo lhes fará guerra, e os vencerá, e os matará.

8  E jazerão os seus corpos mortos na praça da grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o nosso Senhor também foi crucificado.

 

PARTE 3

 

*** Quando acabarem o seu testemunho ***: Apocalipse 11: 7 começa falando de um prazo que determina quando o próximo evento irá acontecer. Esse tempo é referente ao mesmo em que as duas testemunhas acabam o seu testemunho. Para descobrirmos quando isto ocorrerá, precisamos retornar a Apocalipse 11:3, onde aprendemos que as duas testemunhas profetizam vestidas de saco por 1.260 dias. Os eventos descritos no versículo 7 e 8 não acontecerão até que esse tempo tenha acabado. Como vimos no estudo #71, o período de 1.260 dias proféticos (ou 42 meses / 3,5 anos proféticos) é igual a o tempo literal de 1.260 anos durante a Idade Média (veja também o estudo #16, #20 e #68 para uma explicação detalhada). Sabemos disso porque o livro de Daniel também menciona este mesmo período de tempo, que iria ocorrer durante o Império Romano (Daniel * 7:25).

*** A besta que emerge do abismo ***: No final desse período de 1.260 anos, a besta que emerge do abismo iria surgir e guerrear contra as duas testemunhas (Apocalipse 11:7 ). Essa mesma besta é também mencionada como a besta que emerge do mar (Apocalipse 13:1-10). A expressão em grego traduzida como o abismo, ou o poço do abismo é abussos, que significa "o abismo, profundidade insondável", e também morada dos espíritos malignos. É do abismo que a força inimiga sai, simbolizada pelo exército de gafanhotos (Apocalipse 9:1-2, Apocalipse 13:7; Daniel * 7:21; veja também o estudo #57). Com base em todas essas passagens, podemos entender que a guerra sendo travada contra o povo de Deus e Sua mensagem ocorreu após o período de testemunho enquanto vestidos de saco. O ataque é liderado por poderes satânicos, uma vez que a besta que ataca as duas testemunhas sai do abismo. Mas quem ou o que é esta besta? Ele definitivamente não é um animal grotesco vindo para atacar a igreja. O ataque é real, mas devemos entender o símbolo, a fim de compreendermos quem é o atacante.

O elemento 'besta' também foi utilizado no livro de Daniel como um símbolo de um poder político e religioso que pudesse dominar o povo de Deus durante um determinado período de tempo (Daniel * 7:17, 21). Esta besta não é Satanás, porque Apocalipse menciona Satanás como sendo o dragão (Apocalipse 12: 9). A besta que sai do mar recebe poder diretamente do dragão (Apocalipse 13:2). O foco do verso não necessariamente está na identificação precisa dessa besta. Basicamente, a informação dada nos textos informa ao leitor que essa besta é um agente demoníaco responsável pela morte das duas testemunhas. Vamos estudar a identidade da besta nos próximos capítulos de Apocalipse.

*** Corpo morto na rua ***: A besta que sai do abismo acaba matando as duas testemunhas. Seria de se esperar que as duas testemunhas tivessem cada uma seu próprio corpo caído onde elas tinham sido mortas. Não é isso o que lemos em Apocalipse 11: 8. Como Stefanovic menciona em seu livro*, a expressão em grego está escrita no coletivo singular "to ptōma autōn", que significa "o corpo morto deles". Apocalipse 11:9, o texto original em grego também inclui esta referência no singular, e só depois o texto volta para a forma plural 'corpos' (ptōmata). Vimos essa unidade das duas testemunhas em Apocalipse 11:5, onde vemos a expressão apresentada no singular: "a boca deles" (tou stomatos autōn). As duas testemunhas são uma unidade. O mensageiro e a mensagem, unidos para a divulgação da verdade de Deus ao mundo - a Igreja fiel e a Escritura, trabalhando em conjunto. Como elas viviam como uma unidade testemunhando, eles também morreram como um só, na mão desse poder político representado pela besta que vem do abismo. O "corpo deles" estava deitado no meio da cidade, em desgraça. Nos tempos antigos, deixar os mortos sem sepultamento era uma grande tragédia e humilhação (1 Reis 13:22-31; Salmo 79:3,4; Jeremias 8:1-2; Jeremias 14:16). Deixando as testemunhas sem um enterro apropriado seria como tirar sua dignidade.

*** A grande cidade onde Cristo foi crucificado ***: De acordo com Apocalipse 11:8, as duas testemunhas morreram na mesma grande cidade em que Cristo foi morto. O texto, no entanto, é simbólico, e menciona duas grandes cidades, e nenhuma delas está diretamente apontando para Jerusalém. Em contraste às duas testemunhas que têm um só corpo, temos aqui uma cidade que tem dois nomes. Como diz o texto, a referência é espiritual. As duas cidades mencionadas, Sodoma e Egito, devem ser entendidas em um contexto espiritual: "a grande cidade, que espiritualmente se chama Sodoma e Egito" (Apocalipse 11:8). Assim como Jesus, as duas testemunhas foram rejeitadas e perseguidas antes de morrer.

- Sodoma: esta grande cidade é conhecida pela maldade e comportamentos imorais de seus cidadãos (Gênesis 18:20,21; Gênesis 19:4-11).

- Egito: esta grande cidade, em relação ao povo de Deus, é conhecida por sua arrogância quanto ao reconhecimento da soberania de Deus, como vemos nas palavras do faraó: "Quem é o Senhor, cuja voz eu ouvirei, para deixar ir Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir Israel." (Êxodo 5:2).

De certa forma, ambas as cidades oprimiram o povo de Deus que ali viveram. E Deus teve que intervir em ambas as ocasiões. A grande cidade, onde as duas testemunhas morreram demonstra arrogância imoral e autossuficiência, onde os valores centralizados em Deus não são acolhidos. Imoralidade espiritual refere-se ao envolvimento com falsos ensinamentos que levam à completa negação da divindade de Deus. Isso é exatamente o que aconteceu em Jerusalém, quando os líderes judeus ignoraram todas as profecias que apontavam para Jesus. Eles se recusaram a apoiar a mensagem de Jesus, o que os levou a negar a divindade de Cristo. Eles rejeitaram completamente o Seu sacrifício.

*** Aplicação Profética ***: A grande evidência que aponta para o tempo na história em que a morte das duas testemunhas aconteceu é encontrada no período profético fornecidos nos textos de Apocalipse 11:3,4,7 e Daniel * 7:25. As testemunhas foram autorizadas a pregar por 1.260 anos, e então elas seriam mortas. Esse período, como mencionamos anteriormente, ocorreu durante o tempo da Idade Média. Com base nesses versos, vemos que um evento aconteceria, onde Deus seria negado publicamente, em um ato de imoralidade espiritual. Isto significa que crenças ateístas seriam amplamente promovidas. Muitas vezes na Bíblia, Deus se refere à Sua relação com Seu povo como ao de um casal de noivos. A relação deve ser tão sólida e fiel como a de um marido e mulher. Quando os israelitas se envolveram em rituais pagãos e quebraram seu pacto com Deus, Deus comparou esse ato com adultério ou prostituição (Ezequiel 16:15-59; Oséias 1:2). É nesse sentido que a imoralidade espiritual, simbolizada pela cidade de Sodoma, combinado com as filosofias ateísticas e arrogantes, simbolizadas pelo Egito, precisam ser compreendidas. Após a Idade Média, houve um período na história em que o mundo presenciou um movimento com essas características, ocorrido justamente durante a Revolução Francesa. A razão estava sendo valorizada acima de tudo, e a Bíblia e o cristianismo estavam sendo abertamente rejeitados e desprezados. A cena em que as duas testemunhas são mortas nas praças da rejeição de Cristo certamente se aplicam ao que aconteceu durante a Revolução Francesa. Essa interpretação não pára por aí e vai além disso. Esse cenário vai estar presente em diferentes intensidades até a Segunda Vinda de Jesus. Certamente essa situação se tornará cada vez mais intensa à medida que nos aproximamos dos acontecimentos finais desse mundo.

*** Visão Geral ***: Depois que o tempo permitido para a sua pregação se esgotou, as duas testemunhas, foram perseguidas e mortas. A mensagem de Deus foi desprezada e rejeitada. O culto à razão tomou o lugar de Deus. É importante entender o ataque às duas testemunhas não como um ataque a uma denominação em particular na época da Revolução Francesa. Foi um ataque à verdade de Deus, representada por Seus verdadeiros seguidores e pela Bíblia. A ênfase na "grande cidade, que espiritualmente se chama Sodoma e Egito" (Apocalipse 11:8) nos diz que temos de nos concentrar no aspecto espiritual de qualquer evento histórico que a profecia esteja apontando. A elevação da razão como um substituto de Deus chegou a um estado de imoralidade espiritual. Ela foi promovida em nome da paz e da iluminação do pensamento humano. Deus e Sua mensagem estavam sendo rejeitados, da mesma forma como Jesus foi rejeitado antes da cruz.

 

 

*Comentário Bíblico de Stefanovic: Revelation of Jesus Christ.

   
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