Saturday, 15 April 2017 01:22

61. A sexta trombeta: Quatro anjos perto do rio * Apocalipse 9:13-21 - Parte 1 de 3

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13 E tocou o sexto anjo a sua trombeta, e ouvi uma voz que vinha das quatro pontas do altar de ouro, que estava diante de Deus,

14 A qual dizia ao sexto anjo, que tinha a trombeta: Solta os quatro anjos, que estão presos junto ao grande rio Eufrates.

15 E foram soltos os quatro anjos, que estavam preparados para a hora, e dia, e mês, e ano, a fim de matarem a terça parte dos homens.

 

Parte 1 - Apocalipse 9:13-15

 

*** Voz que vinha do altar de ouro ***: João ouviu uma voz vinda do altar de incenso. Porque será que a voz vinha do altar, e de quem era a voz? Para responder essa pergunta, precisamos entender a linguagem do Santuário usada nesse trecho. Precisamos primeiro revisar os itens no tabernáculo terrestre. O altar de ouro que João mencionou ficava na frente do trono de Deus (Apocalipse 9:13). A arca do concerto representava o trono de Deus no tabernáculo do Antigo Testamento. O altar de ouro em Apocalipse 9:13 é claramente identificado como o altar de incenso. No Antigo Testamento, esse altar ficava no primeiro cômodo, o Lugar Santo (Êxodo 30:6; Êxodo 40:5,26). A arca ficava no Lugar Santíssimo. O véu separava o Lugar Santo do Lugar Santíssimo, entre o altar e a arca (Êxodo 40:21). Os candelabros e a mesa dos pães asmos também estavam no Lugar Santo (Êxodo 40:22-25).

João disse, em Apocalipse 9:13, que a voz vinha do altar de ouro, mais especificamente das suas pontas. Durante o ritual de sacrifício, parte do sangue do animal sacrificado era derramada debaixo do altar de sacrifício fora da tenda. Parte do sangue era trazida para dentro da tenda, e salpicada nas pontas do altar (Levítico 4:18). Isso simbolizava os pecados que haviam sido retirados do povo sendo registrados no santuário. Uma vez por ano, esses registros eram apagados durante uma cerimônia especial, no Dia da Expiação (Levítico 16:29-34). O sacerdote também trazia brasas do altar que ficava no lado de fora, para queimar incenso no altar de ouro. Isso representava as orações das pessoas sendo trazidas diante de Deus (Apocalipse 8:3,4). Na sequência dos eventos apresentados em Apocalipse 6:9,10, vimos na abertura do quinto selo, o sangue dos mártires sendo derramado debaixo do altar (estudo #42). Suas orações foram trazidas diante de Deus, e colocadas no altar de ouro. Eles estavam clamando para que a justiça de Deus fosse derramada sobre Seus inimigos. A voz que João ouviu nos dá a entender que Deus não esqueceu o clamor dos santos. Ele ouviu as orações, e Suas ações durante o toque das trombetas continuam a ser uma demonstração da Sua justiça, para vingar o sangue dos Seus seguidores inocentes.

*** Ordem para soltar os anjos no Rio Eufrates ***: A ordem veio para soltar os quatro anjos que estão presos no Eufrates. Existem dois elementos-chave nessa frase: quatro anjos e rio Eufrates,

- O grande rio Eufrates: "Deus estabeleceu os limites da Terra que Ele havia dado aos Israelitas: "E porei os teus termos desde o Mar Vermelho até ao mar dos filisteus, e desde o deserto até ao rio; porque darei nas tuas mãos os moradores da terra, para que os lances fora de diante de ti." (Êxodo 23:31). O rio Eufrates marcava a separação entre o povo de Deus e seus inimigos. Assíria e Babilônia se encontravam além do rio (Isaías 7:20; Jeremias 46:10). Estes eram dois dos principais inimigos de Israel. Isaías descreveu os ataques sobre Israel como águas transbordantes do Eufrates, inundando desde Judá até Jerusalém (Isaías 8:7-8). Ao interpretar esses versos, alguns estudiosos da Bíblia propõem que o Eufrates representa o limite entre o Império Romano e o Império Parto. Essa proposta é muito pobre. Uma invasão militar literal seria muito restrita e localizada, tendo em vista que a sexta trombeta lida com um evento que irá acontecer em uma escala global. A interpretação que segue os símbolos vistos no Antigo Testamento parecem se encaixar muito melhor com a maneira como João vem usando as Escrituras até esse ponto.

- Quatro anjos: Os quatro anjos em Apocalipse 9:14-16, que estão segurando os ventos, parecem ser os mesmos anjos de Apocalipse 7:1-3.

 

Apocalipse 7:1-3 Apocalipse 9:14-16
Quatro anjos Quatro anjos
Estavam nos quatro cantos da Terra Presos no Rio Eufrates
Segurando os quatro ventos soprando sobre a Terra Bloqueando o exército inimigo de gafanhotos
Receberam poder para ferir a terra e o mar Receberam o poder de matar um-terço dos seres humanos
Receberam ordens para não soltar os ventos até que o povo de Deus recebesse o selo na testa Foram soltos, permitindo que o exército inimigo de cavaleiros atacasse

 

 Quando analisamos esses dois textos, vemos algumas coisas interessantes. Esse paralelo sugere que os ventos e os cavaleiros inimigos são equivalentes. Como veremos nos próximos estudos, não são os anjos que estão matando as pessoas, mas sim o exército inimigo que esses anjos estavam bloqueando. Deus havia dado a eles autoridade para restringir o inimigo. Em Apocalipse 7, os anjos receberam a ordem para esperar até que o povo de Deus fosse selado. O selo seria sua proteção contra os ventos. Em Apocalipse 9:15, apenas a terça parte dos homens é morta. Como vimos nas primeiras quatro trombetas, o termo 'um-terço' representa as pessoas que rejeitaram a verdade de Deus. Eles não possuem o selo de Deus.

*** Os quatro anjos estavam preparados ***: Os quatro anjos tinham uma missão específica: segurar os ventos inimigos atrás dos limites que marcam o território inimigo. O rio Eufrates era o limite que separava o território de Deus e o do inimigo. Os anjos estavam sob ordens. Eles não podiam permitir que o inimigo atacasse até que o povo de Deus estivesse completamente protegido. Deus havia tornado Seu povo imune às armas demoníacas. Ele estava no controle do momento em que os anjos deveriam ser soltos. Não cabia aos anjos determinar quando seria esse momento. Isso cabia somente a Deus. Deus sabia a "hora, e dia, e mês, e ano" (Apocalipse 9:15).

*** Visão Geral ***: A sexta trombeta começa com o lembrete de que Deus não Se esqueceu das orações dos mártires, que foram trazidas diante de Deus como incenso queimado (Apocalipse 6:9-11; Apocalipse 8:3,4). Eles estavam pedindo que a justiça de Deus fosse executada. O aparente evento estranho que seguiu a cena no altar descrita em Apocalipse 9:14,15 deve ser compreendido sob o conceito de que Deus permite que julgamentos aconteçam quando as pessoas decidem não seguir Suas instruções e rejeitar Sua proteção. Deus não força ninguém a permanecer sob Sua proteção contra a própria vontade. Aqueles que querem seguir a Deus não são o alvo do julgamento da quinta trombeta. Apenas um-terço da humanidade deveria ser ferida quando as forças inimigas fossem soltas. Apenas aqueles sem o selo de Deus estariam vulneráveis aos ataques satânicos. A extensão das atividades inimigas expandiu na quinta trombeta de acordo com os limites determinados por Deus. A intensidade dessas atividades irão para o nível máximo no momento em que Deus soltar os anjos que estão impedindo o exército inimigo. Quando os anjos forem soltos, o mundo irá presenciar atividades sobrenaturais e malignas de um modo nunca visto antes. Ainda assim, os fiéis de Deus, que foram selados pelo Espírito Santo, não deverão ter medo. Deus sempre providencia uma maneira de proteger aqueles que escolhem seguí-Lo.

   
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