Saturday, 18 February 2017 23:18

53. A segunda trombeta: a queda da montanha em chamas * Apocalipse 8:8-9

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8 E o segundo anjo tocou a trombeta; e foi lançada no mar uma coisa como um grande monte ardendo em fogo, e tornou-se em sangue a terça parte do mar.

9 E morreu a terça parte das criaturas que tinham vida no mar; e perdeu-se a terça parte das naus.

 

*** Um grande monte ardendo em fogo ***: Mais uma vez, precisamos pesquisar o Antigo Testamento para podermos entender o simbolismo usado nesse verso. A palavra ‘monte’ é muitas vezes usada para se referir a um reino em império (Salmo 48:-2; Salmo 78:68; Isaías 2:2-3; Isaías 13:4; Isaías 31:4; Isaías 41:15; Isaías 65; 25; Jeremias 17:1-3; Jeremias 51:24,25; Obadias 8-9; Daniel * 2:35,44). O reino mencionado em Apocalipse 8:8 não é qualquer reino. É um reino específico. Um que, não somente queimou com fogo, mas foi também lançado no mar. Assim, temos dois outros elementos que irão nos ajudar a identificar essa montanha ou império. O livro de Jeremias trás uma profecia contra um reino poderoso, que aparenta se encaixar muito bem com o verso de Apocalipse, e também com a simbologia usada no restante do livro de Apocalipse. O reino mencionado é a Babilônia.

 

Jeremias 51:24

E pagarei a Babilônia, e a todos os moradores da Caldéia, toda a maldade que fizeram em Sião, aos vossos olhos, diz o SENHOR.

Jeremias 51:25

Eis-me aqui contra ti, ó monte destruidor, diz o Senhor, que destróis toda a terra; e estenderei a minha mão contra ti, e te revolverei das rochas, e farei de ti um monte de queima.

Jeremias 51:42

O mar subiu sobre Babilônia; com a multidão das suas ondas se cobriu.

Jeremias 51:63-64

E será que, acabando tu de ler este livro, atar-lhe-ás uma pedra e lançá-lo-ás no meio do Eufrates. E dirás: Assim será afundada babilônia, e não se levantará, por causa do mal que eu hei de trazer sobre ela; e eles se cansarão. Até aqui são as palavras de Jeremias.

 

Nessa profecia de Jeremias, Babilônia seria lançada sobre as águas, e iria afundar para sempre, por causa da punição que Deus iria trazer sobre ela. Em um capítulo mais adiante, em Apocalipse, João fala sobre a Babilônia espiritual, e usa o mesmo tipo de linguagem: "Então um anjo poderoso levantou uma pedra do tamanho de uma grande pedra de moinho, lançou-a ao mar e disse: "Com igual violência será lançada por terra a grande cidade da Babilônia, para nunca mais ser encontrada." (Apocalipse 18:21; veja também Apocalipse 14:8). Na época de João, o reino da Babilônia já havia caído. Não podemos esquecer que as trombetas vêm em sequência. Estudamos que a primeira trombeta representa a destruição de Jerusalém, e os julgamentos derramados sobre a nação judia. A segunda trombeta representa algo que aconteceu após a destruição de Jerusalém. Com isso em mente, podemos ver que o termo montanha foi usado como símbolo para Babilônia, e Babilônia é também um símbolo para um outro poder - um poder que se opõe à soberana autoridade de Deus (Apocalipse 14:8; Apocalipse 16:19; Apocalipse 17:5; Apocalipse 18:2; Apocalipse 18:5; Apocalipse 18:10; Apocalipse 18:21). Nos restam ainda os símbolos para fogo e água. Vamos examinar de perto, esses símbolos:

- Babilônia: João não foi o único a mencionar Babilônia em seu livro. Pedro também menciona Babilônia como o símbolo do regime corrente de seu tempo: "A vossa co-eleita em babilônia vos saúda, e meu filho Marcos." (1 Pedro 5:13). Como já havíamos mencionado antes, a Babilônia já não existia no tempo de Pedro ou João. Pedro mencionou Babilônia, que foi o reino responsável por levar os Judeus em exílio, no tempo de Daniel e Jeremias. Pedro e João usaram, simbolicamente, o nome do antigo opressor da nação Judia, para se referirem ao seu opressor na época: o Império Romano. Os primeiros cristãos sofreram uma perseguição terrível dos romanos. Muitos foram sentenciados a morte, jogados nas arenas, e até mesmo queimados vivos. Paulo sofreu essa perseguição em primeira mão, assim, como alguns cristãos nas igrejas da Ásia Menor (veja os estudos sobre as Sete Igrejas: #13 à #27).

- Ardendo em fogo: Como vimos no estudo #52, fogo é uma das armas que Deus usa contra aqueles que oprimem Seu povo. Tanto os líderes dos judeus quanto dos romanos, perseguiram os primeiros cristãos. O julgamento das trombetas começou “pela casa de Deus” (1 Pedro 4:17), e seguiu com o Império Romano. Deus é quem põe fogo na grande montanha. Em outras palavras, Deus é quem trás essas nações a julgamento. Deus é quem “remove os reis e estabelece os reis” (Daniel 2:21).

- O mar: Muitas vezes, no Antigo Testamento, encontramos o termo ‘mar’ sendo usado como símbolo para as pessoas que se opõem a Deus (Isaías 57:20; Isaías 17:12-13; Jeremias 51:41-42; Daniel * 7:2-7,17). O verso em Apocalipse e a passagem em Jeremias, nos diz como a grande montanha deveria ser afundada e consumida pelas águas. A decadência do Império Romano aconteceu em vários níveis, incluindo aspectos político, econômico, e militar. As tensões religiosas entre as zonas oeste e leste do Império também tornaram o problema mais agravante. Ondas de tribos bárbaras vieram e conquistaram território romano.

*** O mar se tornou sangue ***: O lançar da montanha em chamas no mar trouxe uma consequência muito terrível. O mar se transformou em sangue. Essa transformação nos faz lembrar da primeira praga do Egito (Êxodo 7:14-24). “Assim diz o Senhor: Nisto saberás que eu sou o Senhor: Eis que eu com esta vara, que tenho em minha mão, ferirei as águas que estão no rio, e tornar-se-ão em sangue. E os peixes, que estão no rio, morrerão, e o rio cheirará mal; e os egípcios terão nojo de beber da água do rio.” (Êxodo 7:17-18). No caso dos Egípcios, Deus queria que o inimigo de Seus filhos soubessem que Ele era o Senhor. Mais uma vez, vemos o aspecto redentor dos julgamentos que estão caindo sobre os inimigos de Deus. Deus está interessado em salvar todo mundo, e Ele trabalha pra dar a todos, a oportunidade para que escolham seguí-LO. Enquanto o Império Romano estava afundando nas águas, eles ficaram cobertos de sangue. O Império lutou muitas batalhas durante sua queda, e o derramamento de sangue foi abundante.

*** Morte de um-terço dos seres aquáticos ***: A consequência do derramamento de sangue causado pelas batalhas foi a morte de um-terço das criaturas do mar. No estudo #52, vimos que “um-terço” é o contexto incompleto de um grupo de seres (pessoas, ou mesmo anjos). O julgamento da segunda trombeta iria cair apenas sobre parte da população marinha. Nesse caso, as criaturas do mar são o símbolo que representa as pessoas que viviam nessas regiões do Império, e vizinhanças, que se encontravam em conflito durante a queda de Roma.

*** Destruição de um-terço dos navios ***: Com a queda da ordem política de Roma, sobreveio também o declínio econômico. No Antigo Testamento, navios eram mencionados como referência ao orgulho comercial de uma nação, e seu domínio (Isaías 2:16-17; Ezequiel 27:25-27). O impacto econômico também foi parcial, mas foi significativo, e trouxe consigo uma devastação social.

*** Aplicação Profética, e Visão Geral ***: Com a análise de cada símbolo usado nesses dois versos de Apocalipse, podemos ver que a segunda trombeta se refere à queda do Império Romano. A aplicação profética é fortemente embutida em praticamente cada palavra do texto. O papel que a Roma antiga teve na crucifixão de Cristo e na perseguição aos cristãos, não passou despercebido por Deus. É importante reconhecer que os julgamentos contidos na primeira e segunda trombetas não caíram sobre nenhum indivíduo em particular. Elas foram as consequências aplicadas às nações. Primeiro, sobre a nação apóstata dos Judeus (primeira trombeta), e em seguida, sobre o Império Romano (segunda trombeta). Deus revelou a Si próprio para essas nações, e lhes deu uma oportunidade de ver que Ele é o Senhor, da mesma maneira que Ele o fez com a nação dos egípcios durante as 10 pragas. Deus é misericordioso. Deus é também justo. E Sua justiça não pode ser evitada. O julgamento da segunda trombeta não tem como alvo atingir os fiéis de Deus, mas isso não quer dizer que eles não sentiram a onda de choque causada pela montanha caindo sobre a água. O fato de que Deus está lidando de forma justa contra Seus inimigos, deveria assegurar a Seus filhos de que Ele nunca irá abandoná-los, e de que sempre estará pronto a defendê-los.

   
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