Saturday, 04 February 2017 23:51

51. As Sete Trombetas: cena inicial * Apocalipse 8:2-6

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2 E vi os sete anjos, que estavam diante de Deus, e foram-lhes dadas sete trombetas.

3 E veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para o pôr com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que está diante do trono.

4 E a fumaça do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus.

5 E o anjo tomou o incensário, e o encheu do fogo do altar, e o lançou sobre a terra; e houve depois vozes, e trovões, e relâmpagos e terremotos.

6 E os sete anjos, que tinham as sete trombetas, prepararam-se para tocá-las.

 

*** O tempo das trombetas ***: No estudo #50, falamos a respeito de como as Sete Trombetas descrevem os eventos que ocorreram durante o tempo representado pelas Sete Igrejas, e Sete Selos. Esse é o período que vai do tempo de João, logo após a morte e ressurreição de Jesus, até Sua Segunda Vinda. Mas, como podemos ter certeza disso, se o texto bíblico do Sétimo Selo em Apocalipse 8:1 prossegue, de forma aparentemente contínua, para os versos 2 a 6? Se não examinarmos de forma cautelosa, poderemos concluir que a cena que antecede as Sete Trombetas ocorre imediatamente após o fim dos Sete Selos, depois da volta de Cristo. Mas, precisamos nos lembrar de algo muito importante. Quando a Bíblia foi escrita, ela não tinha capítulos, versos, ou títulos entre as diferentes sessões. Essas divisões e marcações vieram com as traduções, para ajudar as pessoas a acharem o texto e a navegarem mais facilmente pela Bíblia. Muitas traduções colocam os versos 2-6 dentro do Sétimo Selo. No entanto, quando paramos para analisar o texto, podemos ver que os versos 2-6 do capítulo 8 de Apocalipse se referem à cena de abertura onde as trombetas são apresentadas.

Se as trombetas abrangem o mesmo período das Igrejas e dos Selos, então precisamos ver se as Sete Trombetas terminam por volta da Segunda Vinda de Cristo. E é exatamente isso que encontramos em Apocalipse 11:15: “E o sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre.” Apocalipse 10:7 diz: “Mas nos dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta, se cumprirá o segredo de Deus, como anunciou aos profetas, seus servos.” O plano que Deus tem para resgatar a humanidade será revelado com força total na Segunda Vinda de Jesus, e Seu reino estará completo, pronto para Sua liderança eterna.

Assim, podemos ver como o trabalho das Trombetas termina na Segunda Vinda. Vamos então entender como o período das Trombetas começou. O trecho introdutório em Apocalipse 8:2-6 é o texto que explica exatamente isso. Esses cinco versos desempenham o mesmo papel da cena do Cristo glorificado em Apocalipse 1, e da festa da ascensão de Cristo ao trono em Apocalipse 4 e 5. Cada um desses textos estabeleceu os fundamentos para a sessão seguinte. Seria muito difícil entender a importância das Sete Igrejas sem o capitulo 1, ou entender o significado dos Sete Selos sem os capítulos 4 e 5 de Apocalipse.

*** Sete anjos com sete trombetas ***: A essa altura, está claro que o número 7 é importante. Estivemos estudando o significado do número 7 em cada tópico de Apocalipse até agora. O sete funciona como um adjetivo, qualificando o assunto que vem em seguida. Ele dá ao assunto em questão, uma identidade de plenitude, completude, e perfeição. Em Apocalipse 8:2, João viu sete anjos. Mas eles não eram sete anjos comuns. Esses sete anjos em específico, não foram mencionados na cena de Apocalipse 4 e 5, mas o fato de que eles são identificados como “os” sete anjos, nos leva a acreditar que eles são uma ordem especial de anjos. É possível que eles sejam os mesmos anjos que derramam as sete últimas pragas em Apocalipse 15 e 16. Apocalipse 8:2 diz que os sete anjos estão diante de Deus. Lucas 1:19 fala sobre Gabriel, que está presente diante de Deus. Não sabemos quem são esses anjos exatamente, ou se Gabriel é um deles. O importante é que eles estão prontos a servir a Deus, ao estarem diante da Sua presença. Cada um deles recebe uma trombeta. Evidentemente, Deus é a maior autoridade no verso 2, e como os anjos recebem as trombetas enquanto estão na presença de Deus, podemos entender que Deus é Quem Se encarrega de entregar as trombetas. E consequentemente, a cargo de dar a ordem de fazer soá-las. Tudo está sob o controle de Deus.

*** Um outro anjo, e 2 altares ***: Se não lermos Apocalipse 8:3 com cuidado, não vamos poder entender o que o verso realmente diz. Precisamos prestar muita atenção nos pequenos detalhes. Após os sete anjos terem recebido as trombetas, João viu outro anjo. Algumas traduções dizem que esse anjo estava de pé junto ao altar. A palavra traduzida como “junto” é a palavra em grego epi, que quer dizer “sobre”. Mas porque o anjo estaria de pé sobre o altar? E que altar é esse? Vamos olhar para o tabernáculo do Antigo Testamento, porque essa passagem é uma referência direta aos serviços do templo. O fim do verso 3 menciona um segundo altar: o que ficava diante do trono, que é o altar de incenso. O altar de incenso ficava dentro do primeiro cômodo do tabernáculo, chamado de lugar Santo, e a única coisa separando esse altar da arca do concerto (que representa o trono de Deus) era o véu (Êxodo 30:6-7). Mas o primeiro altar mencionado no começo do verso não é identificado. Se fossem o mesmo altar, muito provavelmente, João teria dito que esse era o altar de incenso, e teria se referido a ele pela segunda vez simplesmente como ‘altar’. Mas da maneira como ele escreveu o texto, ele identificou apenas o segundo, e não o primeiro. O fato de que o anjo está sobre o primeiro altar é, na verdade, uma pista importante. Quando estudamos o quito selo (estudo #42), vimos os santos orando debaixo do altar de sacrifícios, no pátio (Apocalipse 6:9,10). E agora, em Apocalipse 8:3, vemos o anjo de pé SOBRE esse mesmo altar, e ele precisa trazer as orações dos santos do altar de sacrifícios no pátio, até o altar de incenso dentro da tenda, diante do trono de Deus.

Após os israelitas retornarem do exílio em Babilônia, Deus deu ao profeta, novas medidas para o altar de sacrifício. Lemos em Ezequiel 43:13-17 que o altar de sacrifícios era uma estrutura bem grande. Para poder chegar até o sacrifício, o sacerdote precisava subir uma escada até o topo do altar. Já o altar de incenso era um móvel bem menor, e ficava dentro do primeiro cômodo (Êxodo 30:1-10; Êxodo 37:25-29). Toda a tradição dos Judeus, que era o ensino oral da Torá, foi guardado para posteridade em forma escrita. Esse trabalho rabínico é conhecido como Mishnah. De acordo o Mishnah, o altar de sacrifícios era possivelmente maior ainda do que o mencionado em Êxodo. Os leitores do primeiro século teriam como identificar facilmente o primeiro altar como sendo o de sacrifícios ao visualizarem o anjo estando de pé sobre ele.

 

Altar

 

*** A fumaça do incenso e as orações dos santos ***: De acordo com o Mishnah, durante os rituais do templo, um dos sacerdotes tinha que trazer para o Lugar Santo, brasas do altar de sacrifícios, e três medidas de incenso. Ele então espalhava as brasas sobre o altar de incenso, e derramava o pó de incenso sobre as brasas. O Incenso queimava imediatamente, e a fumaça enchia o cômodo. De uma maneira similar, Apocalipse 8:3 nos diz que o anjo com o incensário dourado havia recebido muito incenso, e tinha que trazer as orações dos santos que estavam debaixo do altar, e apresentá-las a Deus. Os santos estavam orando para que Deus derramasse Seu julgamento sobre aqueles “que habitam sobre a Terra” (Apocalipse 6:10). Lemos que o anjo que trouxe as orações dos santos até o altar de incenso, as ofereceu à Deus, da mesma maneira como o sacerdote deveria fazer no Antigo Testamento (Êxodo 30:7-8). No Salmo 141:1-2, Davi desejou que seu clamor fosse colocado diante do Senhor como incenso. E essa é a ideia nessa passagem de Apocalipse. Apocalipse 8:4 nos diz que Deus ouviu as orações dos santos, simbolizado pela fumaça que ascendeu até Ele.

*** Lançando o incensário sobre a Terra ***: Antes do anjo lançar o incensário sobre a Terra, ele o encheu com fogo do altar de incenso. Isso nos faz lembrar de quando Moisés pediu a Aarão que enchesse seu incensário com fogo do altar de incenso, e com incenso, e que fosse rapidamente até à congregação, para fazer expiação dos pecados dos Israelitas - a ira de Deus havia saído de diante dEle (Números 16:46). A Bíblia não diz se Aarão jogou seu incensário no chão. Mas uma outra passagem fala sobre brasas que foram espalhadas sobre Jerusalém, por causa das abominações do povo (Ezequiel 10:1-2). Davi disse: “Caiam sobre [os ímpios] brasas vivas; sejam lançados no fogo, em covas profundas, para que se não tornem a levantar.” (Salmo 140:10); e “Sobre os ímpios fará chover laços, fogo, enxofre e vento tempestuoso; isto será a porção do seu copo.” (Salmo 11:6). Em sua visão, João viu que fogo do incensário foi lançado sobre a Terra, como uma medida de julgamento de Deus. É interessante notar que, o fogo do incensário veio do mesmo altar onde as preces dos santos foram oferecidas. O lançar do incensário com fogo sobre a Terra significou que Deus não somente havia ouvido as orações dos santos, mas também havia começado a ativamente responder ao pedido deles. João, mais uma vez, descreveu a presença de Deus, ao afirmar: “e houve depois vozes, e trovões, e relâmpagos e terremotos” (Apocalipse 8:5). Quando vemos esses elementos, trovões, relâmpagos e terremotos, podemos esperar que Deus está para falar ou fazer algo importante. Deus apareceu em uma nuvem espessa para falar com Moisés no Monte Sinai, e a nuvem vinha acompanhada de relâmpagos, trovões uma alta trombeta que fez o povo tremer (Êxodo 19:8 [o povo podia ouvir Deus falando]; Êxodo 19:16). Imediatamente antes de Deus receber Cristo ao Seu lado direito, João disse que do trono de Deus, “saíam relâmpagos, e trovões, e vozes” (Apocalipse 4:5). O Salmo 29:3-4 diz que “o Deus da glória troveja”, e que “a voz do Senhor é poderosa; a voz do Senhor é cheia de majestade.

*** Os sete anjos se preparam pra soar a trombeta ***: No serviço diário do templo, após o animal do sacrifício ser consumido pelo fogo, o sacerdote tinha que derramar vinho sobre o altar de sacrifícios (Êxodo 29:38-44; Números 28:1-8). De acordo com o Mishnah, imediatamente antes do sacerdote que estava no topo do altar derramar o vinho sobre o sacrifício, o sacerdote que estava a cargo das trombetas tinha que soar as trombetas como um aviso para o povo. Todos tinham que prestar atenção no que estava prestes a acontecer. É importante notar que a trombeta era tocada após o cordeiro ser consumido pelo fogo, e após o fim do ritual de sacrifício diário. Isso nos ajuda a encaixar as peças do quebra cabeça que são as sete trombetas. O tempo das Sete Trombetas começou logo após a morte de Cristo, que é o cordeiro que foi morto. Apocalipse 8:6 diz que os sete anjos se prepararam para tocar as trombetas. Deus estava para revelar algo importante.

*** Visão Geral ***: Para podermos entender a cena que precede o toque das trombetas, precisamos entender o sistema cerimonial de sacrifícios diários dos Israelitas. João usou, de forma intensa, as imagens dos serviços do templo para descrever o que se passa na visão. O soar das trombetas é a resposta às orações dos santos trazidas diante do Senhor. Deus vem respondendo essas orações desde Sua morte na Cruz. Sua última resposta virá com a última trombeta, no Dia do Senhor, quando Jesus retornar. Agora podemos entender que os julgamentos de Deus caem sobre aqueles que deram as costas ao trabalho que Ele havia iniciado no tempo de João. Podemos ver que durante a maioria dos eventos trazidos pelo toque das Trombetas, existe ainda uma chance para que os moradores da terra se arrependam, e retornem à Deus. Mas seu tempo é limitado, e eles precisam escutar o som do alarme. Deus é misericordioso, e Ele está enviando seu alerta, encorajando a todos a tomarem sua decisão a favor ou contra o sacrifício que Cristo fez por nós. Ainda há tempo de tomar a decisão correta.

   
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