Saturday, 31 December 2016 00:26

46. O selo na testa: propriedade de Deus * Apocalipse 7:1-8, PARTE 1

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1 E depois destas coisas vi quatro anjos que estavam sobre os quatro cantos da terra, retendo os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma.

2 E vi outro anjo subir do lado do sol nascente, e que tinha o selo do Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos, a quem fora dado o poder de danificar a terra e o mar,

3 Dizendo: Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que hajamos selado nas suas testas os servos do nosso Deus.

4 E ouvi o número dos selados, e eram cento e quarenta e quatro mil selados, de todas as tribos dos filhos de Israel.

5 Da tribo de Judá, havia doze mil selados; da tribo de Rúbem, doze mil selados; da tribo de Gade, doze mil selados;

6 Da tribo de Aser, doze mil selados; da tribo de Naftali, doze mil selados; da tribo de Manassés, doze mil selados;

7 Da tribo de Simeão, doze mil selados; da tribo de Levi, doze mil selados; da tribo de Issacar, doze mil selados;

8 Da tribo de Zebulom, doze mil selados; da tribo de José, doze mil selados; da tribo de Benjamim, doze mil selados.

 

Parte 1 - Apocalipse 7:1-3

 

*** Contexto ***: O capitulo 7 de Apocalipse funciona como uma pausa entre a abertura do sexto e sétimo selos. É a resposta detalhada para a pergunta levantada no fim do sexto selo: “Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?” (Apocalipse 6:17; estudos #43 e #44). Os ímpios estavam tentando se esconder nas rochas porque eles não podiam tolerar a presença da total glória de Deus. O poder da glória de Deus é revelada naquele momento de uma maneira tão intensa, que eles estavam questionando se alguém poderia tolerá-la. Após João ver em visão, os eventos do sexto selo, ele começou a descrever o que ele viu logo em seguida.

*** Quatro anjos, quatro cantos, quatro ventos ***: O número 4 parece ser bem significativo nessa passagem. Ele é repetido 3 vezes. Vimos 4 anjos chamando 4 cavaleiros durante a abertura dos primeiros 4 selos. No entanto, não podemos afirmar com certeza que os 4 anjos do capítulo 7 são os mesmos do capítulo 6. Mas eles têm algo em comum. Eles estão envolvidos nas atividades que estão para ser executadas em uma escala global. Os quatro anjos do capítulo 6 chamam cavaleiros que precisam completar seu trabalho por todo o mundo. Os anjos no capitulo 7 seguram os ventos enquanto estão nos quatro cantos da Terra. No antigo Oriente Próximo, a expressão “quatro cantos da Terra” era o equivalente ao que chamamos hoje de pontos cardeais (Norte, Sul, Leste, Oeste). Vemos essa expressão sendo usada no Antigo Testamento (Isaías 11:12; Ezequiel 7:2; Jeremias 49:36). Os quatro anjos estão segurando “os quatro ventos da Terra”. No Antigo Testamento, ventos são como carruagens sob o poder de Deus, executando Seu julgamento (Jeremias 4:11-13; Isaías 66:15-16). Era esperado que os ventos do Senhor caíssem com furor sobre os ímpios (Jeremias 23:19; Jeremias 30:23. Algumas traduções usam a palavra tempestade, ou vendaval). O vento do Senhor, vindo do leste, iria vir e destruir a prosperidade da terra de Efraim (Oséias 13:15). Efraim era uma das tribos de Israel que decidiu adorar outros deuses, e pecar abertamente contra Deus (Oséias 13:1-2). O livro de Daniel diz que “os quatro ventos do céu agitavam o mar grande.” (Daniel * 7:2). Existem mais duas outras menções dos quatro ventos no livro de Daniel (Daniel * 8:8; e Daniel * 11:4). Os anjos em Apocalipse 7:1 estão segurando os ventos para que eles não soprem “sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma”. Baseado nos textos do Antigo Testamento mencionados, quando os ventos sopram, os julgamentos de Deus caem sobre aqueles que não estão vivendo de acordo com os mandamentos de Deus. Em outras palavras, os julgamentos de Deus estão para cair sobre a Terra, mas antes que isso possa acontecer, existe uma atividade que precisa ser concluída: o selamento dos servos de Deus, na testa (Apocalipse 7:3).

*** Nem sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra as árvores ***: O trabalho dos quatro anjos era segurar os quatro ventos da Terra, para que não soprassem sobre a Terra, ou sobre o mar, ou sobre as árvores, até que chegasse a hora certa. Note que está implícito no verso 2, que esses anjos eventualmente teriam que danificar a terra e o mar. Mas o verso 2 não menciona as árvores. Os quatro anjos não receberam poder para danificar as árvores. Mas ainda assim, o anjo mencionado no verso 2 adiciona “árvores” à lista de pedidos para os quatro anjos segurando os quatro ventos da Terra. Eles não deveriam soltar os ventos até que todos os seguidores de Deus tivessem sido selados. A expressão “terra e mar” nos traz de volta à criação, como mencionada nos 10 Mandamentos: “Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou.” (Êxodo 20:11). Tudo que existe na terra, e no mar está sob o domínio do Criador. Toda adoração deve ser direcionada àquEle “que fez o céu, e a terra, e o mar” (Apocalipse 14:7). Mas existe alguém que quer receber esse poder e esse louvor para si mesmo. Apocalipse 12:12 diz: “[…] Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo.” Vemos aqui o plano de Satanás para derramar sua ira sobre todo o território de Deus. Não é de surpreender que os dois poderes político-religiosos do fim dos tempos (representados como bestas) surgem do mar e da terra. Quando os ventos forem soltos, aqueles que pertencem ao mar e à tera serão atingidos.

Danos causados a árvores nos levam a pensar nas 10 Pragas do Egito, mais especificamente a oitava praga (Êxodo 10:1-20). Essa praga foi aquela com gafanhotos, que vieram com um vento leste enviado por Deus. E os gafanhotos “cobriram a face de toda a terra, de modo que a terra se escureceu; e comeram toda a erva da terra, e todo o fruto das árvores, que deixara a saraiva; e não ficou verde algum nas árvores, nem na erva do campo, em toda a terra do Egito.” (Êxodo 10:15). Após algum tempo, Deus removeu os gafanhotos com um vento oeste, que os jogou no Mar Vermelho (Êxodo 10:19). A nona praga foi aquela onde a escuridão tomou conta da Terra. A escuridão era tão intensa, que podia ser apalpada (Êxodo 10:21). De uma certa maneira, essa situação é semelhante à que vimos no sexto selo, onde o sol, a lua, e as estrelas são escurecidos (estudo #43). A décima praga (Êxodo 11) poderia cair sobre qualquer um, egípcios ou hebreus. Morte viria sobre qualquer um deles que não tivesse a marca na porta. A marca servia como sinal da sua obediência a Deus. À luz do simbolismo baseado o Antigo Testamento, podemos entender que o anjo está pedindo aos quatro anjos que esperem um pouco mais para soltar os ventos dos julgamentos de Deus, enquanto eles terminam de selar o povo de Deus.

*** Outro anjo vindo do leste ***: O anjo mencionado em Apocalipse 7:2 vem do leste, ou como algumas versões dizem, do lado do sol nascente. Tanto no Antigo, quanto no Novo Testamentos, leste, ou oriente, é comumente associado com Deus ou Cristo: o Jardim do Éden estava no oriente (Genesis 2:8">Genesis 2:8); a glória de Deus vem do oriente (Ezequiel 43:2); os magos viram a estrela no Oriente indicando o nascimento do Messias (Mateus 2:2,9); Jesus é chamado de oriente do alto (ou sol nascente vindo do alto) para nos visitar (Lucas 1:78); Jesus é a Estrela da Manhã (Apocalipse 22:16); a Segunda Vinda de Jesus será como o relâmpago que sai do oriente e brilha até o ocidente, quando “Ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.” (Mateus 24:27,31). O anjo de Apocalipse 7:2 pode ser entendido como um mensageiro enviado por Deus, uma vez que ele vem do leste/sol nascente. Pode até ser que ele seja uma referência ao próprio Cristo, dizendo aos Seus anjos que ainda não é hora de soltar os ventos.

*** O selo na testa ***: Lemos em Ezequiel 9, a visão que o profeta recebeu sobre a descrição de Jerusalém antes do povo ser levado em cativeiro. Ezequiel viu um mensageiro vestido de linho, e com um tinteiro de escrivão. Sua missão era marcar a testa dos fiéis antes que os ímpios da casa de Israel e Judá fossem destruídos. Os que estavam a cargo da destruição não deveriam nem chegar perto daqueles que tinham a marca na testa. Está implícito que o item selado pertence àquele que colocou o selo. É interessante notar que a abertura de um selo (sexto) revela o selamento de outra coisa (dos salvos). Da mesma maneira que os selos no livro que estava do lado direito de Deus serviram para proteger o conteúdo e autenticidade da mensagem no rolo, o selo de Deus em Seus filhos serve para protegê-los contra falsificações, e para evitar que sejam destruídos juntamente com aqueles que não escolherem ficar ao lado da verdade de Deus. O selo, em Apocalipse, é um símbolo que representa propriedade. Deus é quem está reivindicando a posse de todos aqueles que quiserem pertencer a Ele. Paulo diz em Efésios 1:13-14: “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória.” Deus é quem sela Seu povo com o Espírito Santo (2 Coríntios 1:21-22; Efésios 4:30). Deus conhece quem pertence a Ele; aqueles que Deus sabe que pertencem a Ele, podem ter o selo (2 Timóteo 2:19). O selo do Espírito Santo é descrito mais especificamente em Apocalipse 14:1, e Apocalipse 22:4: “e nas suas testas estará o seu nome.” O selo de Deus é o nome do Pai escrito na testa dos fiéis. Essa é uma das promessas feita à igreja de Filadélfia, àqueles que vencerem: “e escreverei sobre ele o nome do meu Deus” (Apocalipse 3:12).

Em Êxodo 13:14-16, lemos que o fato de Deus ter poupado aqueles com a marca de sangue na porta na última praga do Egito, era pra ser um sinal na testa e na mão do povo. Eles precisavam lembrar que a mão poderosa de Deus os havia livrado do Egito. Mas em Ezequiel 9 e Apocalipse 7, o sinal é apenas colocado na testa. Existe uma diferença importante entre a décima praga do Egito e o selamento do povo de Deus, como Paulo havia descrito nos versos já mencionados. Em Êxodo 10, o povo tinha que demonstrar fisicamente o que eles creditavam em seu coração. Não era suficiente apenas acreditar que Deus podia poupá-los, e que poderia livrá-los dos egípcios. Eles precisavam ir mais além, e tomar uma atitude. Eles precisavam pintar a porta com o sangue de um cordeiro inocente (Êxodo 12:7,13). O sacrifício daquele cordeiro apontava para um Salvador que haveria de vir. Nos últimos dias, o sacrifício do Cordeiro já é passado, realizado na morte de Cristo na cruz. Não há nada que ninguém possa fazer para ser salvo. Jesus já fez o que precisa ser feito para salvar a humanidade. O que resta é acreditar nAquele a quem Deus enviou (João 6:29). Ninguém pode trazer salvação para si mesmo, baseando-se em seus próprios esforços e méritos. É apenas através do sangue de Jesus que podemos ser selados. Apenas quando acreditamos. E então, agora que estamos do lado da história que se encontra após a cruz, faz sentido que o símbolo usado não inclua a mão (ação), mas apenas a testa (crença).

Quando Deus falou com o profeta, a respeito de estabelecer um Novo Concerto, Ele queria marcar Seus filhos de uma maneira especial, uma maneira que mostrasse que eles pertenciam a Ele: “Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.” (Jeremias 31:33; veja também Hebreus 10:16). O selo de Deus é colocado naqueles que são fiéis à Palavra de Deus, Seus mandamentos. Não apenas a um ou dois, mas todos os Seus mandamentos. Eles são todos iguais diante do Senhor. “Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos.” (Tiago 2:10). Não cabe a nós escolhermos quais deles queremos obedecer. Não podemos nos abrir parcialmente à Palavra de Deus. No entanto, o foco não está no seguir uma lista de quesitos, como se isso fosse nos salvar. O foco está no aceitar a vontade de Deus em nossa vida - “todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.” (Mateus 26:39) - por causa do nosso amor por Ele. Quando O amamos acima de nós mesmos, a escolha de seguir toda a Sua verdade e de viver aquilo que Ele quer para nós, não se torna uma obrigação ou um fardo, mas um prazer (Salmo 1:1-2; Salmo 40:8; Salmo 119:66-72, 92, 173-174). A lei é um espelho que nos mostra o pecado (Romanos 3:20), e somente o sangue de Jesus pode limpar o pecado que se tornou evidente por causa da lei (Romanos 3:24-25). Se amamos a Deus, porque haveríamos de rejeitar o instrumento dado por Ele para que pudéssemos detectar a iniquidade? Se não pudermos detectar o pecado, nos tornaremos cegos para a nossa necessidade de ter um Salvador. Se não soubermos que precisamos de um Salvador, então não sentiremos a necessidade de nos arrependermos e aceitarmos Sua Salvação purificadora. Se rejeitarmos Sua Salvação, iremos nos perder para sempre. E é por isso que o inimigo quer retirar a Lei de Deus do coração das pessoas. A lei de Deus é parte da verdade de Deus. Se rejeitarmos mesmo que apenas uma parte de Sua verdade, rejeitamos também o Espírito Santo. Jesus enviou o Espírito Santo para nos ensinar a verdade. Como disse o próprio Jesus: “Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.” (João 14:15, 16 e 21).

*** Contraponto ***: O selamento dos fiéis de Deus, e consequente proteção da ira de Deus, contrasta com a identificação dos ímpios. Lemos a respeito disso na Quinta Trombeta, onde os gafanhotos preenchem a terra, mas são impedidos de causarem danos à erva da terra, plantas verdes, ou árvores; têm promissão de causar tormento apenas àqueles que não possuem o selo de Deus (Apocalipse 9:3-4). Veja o que podemos entender nesses versos no capítulo 9: aqueles que não possuem o selo de Deus estão do lado oposto ao grupo da vegetação. O ponto principal é que as árvores, a grama, e as plantas verdes, são um símbolo daqueles que possuem o selo de Deus na testa. Aqueles que não possuem o selo de Deus, carregam a marca da besta. A marca da besta naqueles que rejeitam Deus, é o nome da besta, escrito na mão, ou na testa (Apocalipse 13:16-17). Todos na Terra irão receber uma marca. Essa marca identifica de que lado as pessoas escolheram estar. Como estudamos muitas vezes antes, existem apenas dois lados. Aqueles que escolherem carregar o selo de Deus, estarão protegidos contra a Sua ira e julgamentos. Mas aqueles que têm a marca da besta não estarão imunes à ira de Deus.

*** Visao Geral ***: Aquele que vence é aquele que carrega o nome de Deus em sua testa. O aceitar a verdadeira mensagem de Deus é o que permite que os fiéis sejam selados. A presença do Espirito Santo no coração de uma pessoa é o selo necessário para diferenciar o cidadão do Céu, dos habitantes da Terra. Aqueles a quem Deus reconhece como pertencendo a Ele próprio, têm seus pecados perdoados e esquecidos para sempre. O selamento do povo de Deus não começa nos últimos dias. Na verdade, é quando ele acaba. A ordem para os anjos segurando os quatro ventos diz que os ventos serão soltos em breve, mas somente após o selamento se completar. Como Paulo disse, o selamento já havia começado naquele tempo. O selamento ocorre quando uma pessoa aceita a mensagem e passa a viver essa mensagem no seu dia-a-dia, durante sua caminhada com o Senhor. Aqueles que pertencem a Deus, são aqueles que guardam os mandamentos de Deus, e que têm a fé de Jesus (Apocalipse 14:12). O selamento de Deus é condicional a aceitação de Sua verdade. Cabe a cada um de nós decidir a que lado queremos pertencer. Ninguém vai ficar sem um selo ou uma marca.

   
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